Apresentando os Argumentos
Presenting The Arguments
Uma série de argumentos a favor da existência de Deus, que podem ser e já foram expressos no campo da Filosofia da Religião, tem suas raízes em algumas das exposições medievais abordadas nos capítulos anteriores. Tais argumentos ingressaram no domínio dos debates populares, das discussões e dos artigos. A importância de dispor dos argumentos teístas mais fortes possíveis não pode ser exagerada, pois argumentos fracos ou excessivamente complicados têm menos força em tais conversas. Neste capítulo, apresentarei meus argumentos a favor da existência de Deus, que encontram grande parte de sua inspiração no argumento do Burhān. Os argumentos visarão ser ao mesmo tempo básicos e eficazes na demonstração da existência de um ser necessário. Apresentarei cinco provas gerais e, em seguida, farei dois argumentos cosmológicos distintos nesse contexto, um a partir da dependência e outro a partir da causação. Quanto ao argumento ontológico, apresentarei três formulações possíveis: a primeira se referirá exclusivamente à dependência, a segunda aos termos modais de contingência e necessidade, enquanto a terceira argumentará a partir da causação. Para estabelecer a vontade do ser necessário, utilizarei o argumento da particularização mencionado anteriormente. Por fim, apresentarei um argumento de ajuste fino (fine-tuning) inspirado no Burhān. Também oferecerei três argumentos para a unicidade da existência necessária, a fim de estabelecer o monoteísmo teísta. Todos esses argumentos devem ser compreendidos em conjunto, para que se aprecie a veracidade do caso apresentado. Apresentarei os argumentos de forma formal, mas eles serão redigidos de maneira acessível, destinada ao uso por porta-vozes religiosos junto a públicos leigos. Seguindo a distinção de Ibn Taymiyyah, que evita confusões entre "partes" e "atributos", a palavra "peça" será usada para designar algo que "pode ser removido, acrescentado, quebrado, arrancado ou cortado de alguma coisa". 87 Além disso, distingo entre os termos "causalidade" e "dependência", pois um objeto pode ser causado por algo sem depender dele para existir (por exemplo, uma criança em relação aos seus pais). Contudo, o segundo termo implica que um objeto depende de algo para a continuidade de sua existência.
A range of arguments for God’s existence that can and have been expressed in the realm of Philosophy of Religion have their roots in some of the medieval renditions covered in the previous chapters. Such arguments have made their way into the domain of popular debates, discussions, and articles. The importance of having the strongest possible theistic argument(s) cannot be overstated, as weak or overcomplicated arguments have less potency in any such conversations. In this chapter, I will present my arguments for God’s existence, which find much of their inspiration from the Burhān argument. The arguments will aim to be both basic and effective in demonstrating the existence of a necessary existence. I will present five overall proofs, and then make two separate cosmological arguments in this context, with one from dependence and the other from causation. As for the ontological argument, I will present three possible formulations of it: the first will exclusively refer to dependence, the second to modal terms of contingency and necessity, while the third will argue from causation. To establish the will of the necessary being, I will use the argument of particularisation mentioned before. Finally, I will present a fine-tuning argument inspired by the Burhān. I will also offer three arguments for the oneness of the necessary existence to establish theistic monotheism. All these arguments should be understood in conjunction with each other to appreciate the veracity of the case being made. I will present the arguments formally. However they will be written in an accessible way intended for use by religious spokespeople to lay audiences. Following Ibn Taymiyyah’s distinction that prevents conflations between ‘parts’ and ‘attributes’, the word ‘piece’ will be used to mean something that ‘can be removed, added, broken off, torn off or cut off from something’.87 Furthermore, I distinguish between the terms ‘causality’ and ‘dependence,’ as an object can be caused by something but not be dependent on it to exist (i.e. a child in relation to his parents). However, the latter term entails that an object relies upon something for its continued existence.
Prova 1
Proof 1
Parte I:
Part I:
Proposição: Não pode haver um mundo composto apenas de coisa(s) dependente(s), sem referência a uma coisa independente, pois coisas dependentes não podem continuar a existir por si mesmas. A existência só é explicável com referência a uma existência independente, pois existências impossíveis não existem por necessidade lógica. Além disso, existências dependentes não podem gerar-se a si mesmas nem manter-se a si mesmas.
Proposition: There cannot be a world with only dependent thing(s) without reference to an independent thing, as dependent thing(s) cannot continue existing on their own. Existence is only explicable with reference to an independent existence, as impossible existences do not exist by logical necessity. Furthermore, dependent existences cannot self-generate or self-maintain.
Parte II:
Part II:
1. Tudo o que é composto de partes é dependente.
1. Everything made up of pieces is dependent.
2. O universo é composto de partes.
2. The universe is made up of pieces.
3. Portanto, o universo é dependente.
3. Therefore, the universe is dependent.
Em outras palavras:
Put in another way:
1. Tudo o que é composto de partes é dependente.
1. Everything made up of pieces is dependent.
2. Um multiverso infinito é composto por partes.
2. An infinite multiverse is made up of pieces.
3. Portanto, um multiverso infinito é dependente. Expresso ontologicamente, o argumento segue assim:
3. Therefore, an infinite multiverse is dependent. Expressed ontologically, the argument runs as follows:
Parte I:
Part I:
1. Qualquer conjunto com mais de um membro depende de seus membros.
1. Any set with more than one member is dependent on its members.
2. Um conjunto infinito é um conjunto com mais de um membro.
Prova 2.
Proof 2.
Parte I:
Part I:
1. A existência é pressuposta em tudo o que é real.
1. Existence is presupposed in everything that is real.
2. Os fatos necessários são reais.
2. Necessary facts are real.
3. Portanto, fatos necessários pressupõem existência.
3. Therefore, necessary facts presuppose existence.
Parte II:
Part II:
1. Se fatos necessários pressupõem existência, eles dependem dela. 2. Fatos necessários pressupõem existência.
1. If necessary facts presuppose existence, they depend on it. 2. Necessary facts presuppose existence.
3. Portanto, os fatos necessários dependem da existência.
3. Therefore, necessary facts depend on existence.
Quando uso o termo "independente", quero dizer autossuficiente. Ou seja, aquilo que é independente não precisa de nada fora de si para ser explicado ou causado. Também não tem de depender de nada para a sua existência. Como já mostrámos, nem todas as coisas necessárias são independentes, pois dependem de estados de coisas pressupostos para existir. Consequentemente, a independência é mais específica do que a necessidade. Algo que é independente tem de ser necessário, mas nem todas as coisas necessárias são independentes. Se isto for verdade, então o argumento da dependência acima deve levar a uma reflexão crítica que conclui com uma entidade independente. Isto porque todas as coisas do mundo têm partes, e todos os compostos ontológicos dependem dos seus membros. Para explicar qualquer coisa, precisamos portanto de uma entidade independente da qual todas as outras coisas dependem, enquanto ela própria não depende de nada. Este ser independente será necessário por definição, pois tudo o que é "independente" é necessário. Se isto for verdade, então não pode ser concebido de nenhuma outra forma. Se algo não pode ser concebido de nenhuma outra forma, tem de sê-lo em todos os tempos e lugares, ou seja, independentemente do tempo e do lugar. Em ambos os casos será eterno. A eternidade não é, assim, concebida como uma "qualidade positiva" na medida em que descreve a ausência de início ou fim. Isto transfere o ónus da prova para o interlocutor. Ele terá de provar que a eternidade deve ser concebida da forma que descrevi, ou que é possível que algo imaterialmente necessário possua a qualidade de ter um início. Apresentando o argumento em termos modais, afirmo:
Prova 3
Proof 3
1. Tudo aquilo que poderia ser concebido de outra forma, em abstração, foi organizado por outra coisa.
1. Anything that could be conceived of otherwise in abstraction was arranged by something else.
2. O universo poderia ser concebido de outra forma em abstração.
2. The universe could be conceived of otherwise in abstraction.
3. Portanto, o universo foi organizado por algo outro.
3. Therefore, the universe was arranged by something else.
Em outras palavras:
Put in another way:
1. Tudo o que poderia ser concebido de outra forma, em abstração, foi organizado por outra coisa.
1. Anything that could be conceived otherwise in abstraction was arranged by something else.
2. Um multiverso infinito poderia ser concebido de outra forma em abstração.
2. An infinite multiverse could be conceived otherwise in abstraction.
3. Portanto, um multiverso infinito foi arranjado por outra coisa.
3. Therefore, an infinite multiverse was arranged by something else.
Seguindo a Prova 1 mencionada acima, aquilo que é "algo outro" responsável por organizar a coisa contingente deve, em última instância, terminar num "algo outro" independente/necessário. O fato de que uma existência independente/necessária é capaz de fazer isso sugeriria a capacidade de fazer escolhas. Organizar o universo/multiverso de uma maneira em vez de outra indica uma escolha; ela escolheu que fosse de uma maneira em vez de outra. Pode-se perguntar: a capacidade de escolha ou a "vontade" da existência independente não é, ela mesma, algo que pode ser concebido de outra forma em abstração? Se sim, o mesmo problema que se aplica a um universo ou ao multiverso não se aplicaria também à existência independente? O fato de a existência independente ser necessária significa que todas as formas de descrever a existência independente também serão necessárias. Ou seja, qualquer atributo da existência necessária, incluindo a "vontade", é necessário. Portanto, se estabelecermos que tudo sobre a existência necessária é necessário, também estabelecemos que nada sobre a existência necessária é ou pode ser contingente. Para reforçar essa opinião, pode-se fazer uso de uma variação do argumento do ajuste fino, usando necessidade e contingência como ponto de partida.
Following Proof 1 mentioned above, the ‘something else’ responsible for arranging the contingent thing must ultimately terminate in an independent/necessary ‘something else’. The fact that an independent/necessary existence is capable of doing this would suggest the capacity to make choices. To arrange the universe/multiverse in one way rather than another indicates a choice; it chose that it should be one way rather than another. A question may be asked: is not the choice making capacity or ‘will’ of the independent existence itself something which can be conceived otherwise in abstraction? If so, would not the same problem with a universe or the multiverse be applicable to the independent existence? The fact that the independent existence is necessary means that all ways of describing the independent existence will also be necessary. That is to say that any attribute of the necessary existence, including ‘will’, is necessary. Therefore, if we establish that everything about the necessary existence is necessary, we also establish that nothing about the necessary existence is or can be contingent. To bolster this opinion, one can make use of a variation of the fine-tuning argument, using necessity and contingency as a starting point.
Prova 4
Proof 4
1. O universo é ajustado finamente para a vida por necessidade ou por contingência.
1. The universe is fine-tuned for life by necessity or contingency.
2. Se ele é ajustado com precisão por necessidade, então uma existência necessária deve dar conta do fato necessário do ajuste fino.
2. If it is fine-tuned by necessity, then a necessary existence must account for the necessary fact of fine tuning.
3. Se ele é ajustado por contingência, então uma existência necessária deve dar conta de qualquer série de contingências.
3. If it is fine-tuned by contingency, then a necessary existence must account for any series of contingencies.
4. O universo é ajustado com precisão para a vida.
4. The universe is fine-tuned for life.
5. Portanto, o universo é ajustado com precisão para a vida por uma existência necessária.
5. Therefore, the universe is fine-tuned for life by a necessary existence.
A premissa 3 mencionada acima está ligada à postulação inicial, que afirma que não podem existir apenas existências dependentes, pois a coisa dependente não pode continuar existindo por si mesma. A existência só é explicável com referência a uma existência independente, visto que as existências impossíveis não existem por necessidade lógica e as existências dependentes não podem autogerar-se nem automanter-se. Como a contingência – tal como a dependência – é algo suscetível de geração e destruição, e poderia ser disposto de outra forma, o mesmo pode ser dito sobre uma série infinita de "coisas dependentes", assim como pode ser dito de uma série infinita de coisas contingentes. Observe a ausência de menção aos termos "acaso" ou "aleatoriedade", que costumam ser empregados em tais argumentos. Esses termos precisam eles mesmos de justificação por parte do interlocutor ateu, pois ele deve provar que tal coisa como "acaso" ou "aleatoriedade" existe, e que não é meramente uma expressão da ignorância de alguém quanto à mecânica do universo ou de qualquer outro aspecto da existência. Ateus deterministas não podem, de fato, acreditar em "acaso" ou "aleatoriedade", pois conceitos como esses implicam volatilidade e imprevisibilidade – ambas impossíveis na visão de mundo determinista. Da mesma forma, muitos ateus compatibilistas também concordariam com os deterministas quanto à natureza previsível do mundo.
Premise 3 mentioned above links to the initial postulation, which states that there cannot exist only dependent existences as ‘dependent thing(s) cannot continue existing on their own. Existence is only explicable with reference to an independent existence, as impossible existences do not exist by logical necessity and dependent existences cannot self-generate and or self-maintain’. Since contingency – like dependence – is something which is susceptible to generation, destruction, and could be arranged otherwise, the same thing can be said about an infinite series of ‘dependent things’ can likewise be said of an infinite series of contingent things. Notice the lack of mention of the terms ‘chance’ or ‘randomness’, which are usually employed in such arguments. These terms are themselves in need of justification by the atheist interlocutor, since they must prove that such a thing as ‘chance’ or ‘randomness’ exists, and that it is not merely an expression of one’s ignorance of the mechanics of the universe or any other aspect of existence. Determinist atheists cannot in fact believe in ‘chance’ or ‘randomness,’ as concepts like these imply volatility and unpredictability – both of which are impossible in the deterministic worldview. Likewise, many compatibilist atheists would also agree with determinists on the predictable nature of the world.
Prova 5
Proof 5
Os argumentos que se podem empregar não precisam ter o início do mundo (ou do universo) como uma de suas premissas. Isso não se deve a que um universo eterno não possa ser refutado com sucesso, mas apenas para enfraquecer o argumento do interlocutor. O argumento pode seguir assim:
The arguments one may employ do not need to have the inception of the world (or universe) as one of their premises. This is not because an eternal universe cannot be successfully refuted, but only to undermine the argument of the interlocutor. The argument may run as follows:
1. Tudo o que é composto de partes é causado.
1. Anything made up of pieces is caused.
2. O universo é composto de partes.
2. The universe is made up of pieces.
3. Portanto, o universo é causado.
3. Therefore, the universe is caused.
Ou, dito de outra forma:
Or, put in another way:
1. Tudo o que é composto de partes é causado.
1. Anything made up of pieces is caused.
2. Um multiverso infinito é composto por partes.
2. An infinite multiverse is made up of pieces.
3. Portanto, um multiverso infinito é causado.
3. Therefore, an infinite multiverse is caused.
Com essas cinco provas, deve-se ser capaz de apresentar competentemente um argumento contra o ateísmo. Além disso, deve ficar claro no campo que o ateísmo não tem alcance explicativo para responder às questões mais fundamentais, muito menos para explicar "tudo o que existe". O próprio ateísmo carece de qualquer alcance explicativo ou refutatório. Depois de provar que existe uma existência necessária, convém que aqueles que pretendem estabelecer a validade do teísmo monoteísta ofereçam três argumentos adicionais sobre a unicidade de tal existência necessária. Esses argumentos tomam por inspiração o Burhān e o Dalīl al Tamanuʿ, incluindo pontos de vista apresentados por pensadores muçulmanos como al-Ghazālī em seu livro Al-Iqtiṣād fi al ʿItiqād.
With these five proofs, one should be able to competently make a case against atheism. In addition, it should be outlined on the field that atheism has no explanatory scope to answer the most fundamental questions, let alone explain ‘all that exists’. Atheism itself lacks any explanatory or refutational scope. After proving that a necessary existence exists, it is befitting for those intending to establish the validity of monotheistic theism to offer three additional arguments for the oneness of such a necessary existence. These arguments take their inspiration from the Burhān and Dalīl al Tamanuʿ, including viewpoints presented by Muslim thinkers like al-Ghazālī in his book Al-Iqtiṣād fi al ʿItiqād.
Argumento 1
Argument 1
1. Se uma existência necessária é uma existência que não pode ser de outra maneira, não pode haver mais de uma.
1. If a necessary existence is an existence that cannot be any other way, there cannot be more than one.
2. Uma existência necessária não pode ser de nenhuma outra forma.
2. A necessary existence cannot be any other way.
3. Portanto, não pode haver mais de uma existência necessária.
3. Therefore, there cannot be more than one necessary existence.
Se houvesse algo que distinguisse a 'existência necessária 1' da 'existência necessária 2', essa propriedade de distinção desqualificaria a 'existência necessária 2' de ser necessária, por definição. Isso ocorre porque se concebería que a 'existência necessária 2' poderia ser 'de outra forma', e, portanto, a 'existência necessária 2' não seria necessária de modo algum nesse caso. Em vez disso, ela seria considerada contingente. Por exemplo, se supusermos que Deus 1 é necessário em todos os aspectos e que Deus 2 é diferente de Deus 1, aquilo que diferencia Deus 2 de Deus 1 indicará contingência em pelo menos um dos 'deuses', ou até mesmo em ambos. Se o poder é um atributo necessário de Deus 1 – e Deus 1 é necessariamente poderoso – mas 'Deus 2' não exibe poder por necessidade, então isso significa que Deus 2 não atende ao critério de necessidade exigido para ser a 'existência necessária'.
If there was anything to demarcate ‘necessary existence 1’ from ‘necessary existence 2,’ that property of demarcation would disqualify ‘necessary existence 2’ from being necessary, by definition. This is because it would be conceived that ‘necessary existence 2’ could be ‘another way’ and therefore ‘necessary existence 2’ would not be necessary at all in this case. Instead, it would be considered contingent. For instance, if one supposes God 1 is necessary in all aspects and God 2 is different from God 1, that which differentiates God 2 from God 1 will indicate contingency in at least one of the ‘Gods’, or even both. If power is a necessary attribute of God 1 – and God 1 is necessarily powerful – but ‘God 2’ does not exhibit power by necessity, then this means that God 2 does not meet the criterion of necessity required to be the ‘necessary existence’.
Argumento 2
Argument 2
Parte I.
Part I.
1. Se a existência necessária é responsável por todas as outras coisas existentes, então a existência necessária tem capacidade sobre todas as coisas existentes.
1. If the necessary existence is responsible for all other things in existence, then the necessary existence has capacity over all things in existence.
2. A existência necessária é responsável por todas as outras coisas que existem.
2. The necessary existence is responsible for all other things in existence.
3. Portanto, a existência necessária tem poder sobre todas as coisas existentes.
3. Therefore, the necessary existence has capacity over all things in existence.
Parte II.
Part II.
1. Se a existência necessária tem capacidade absoluta sobre todas as coisas existentes, nada além da existência necessária é capaz de todas as coisas.
1. If the necessary existence has ultimate capacity over all things in existence, nothing other than the necessary existence is over all things capable.
2. A existência necessária tem poder sobre todas as coisas existentes.
2. The necessary existence has capacity over all things in existence.
3. Portanto, a existência necessária está acima de todas as coisas possíveis.
3. Therefore, the necessary existence is over all things capable.
Argumento 3
Argument 3
Para que a natureza seja estável, uniforme e regular, deve haver apenas um agente externo organizando o mundo.
1. For nature to be stable, uniform, and regular, there must only be one external agent arranging the world.
2. A natureza é estável, uniforme e regular.
2. Nature is stable, uniform, and regular.
3. Portanto, deve haver apenas um agente externo organizando o mundo. Poder-se-ia argumentar que um conjunto de "mentes" cooperou entre si para permitir que a natureza fosse estável, uniforme e regular. No entanto, se Aquele que tudo pode é responsável pela existência de tais mentes, então Ele também será responsável por tudo o que essas mentes produzem.
3. Therefore, there must be only one external agent arranging the world It could be argued that a collection of ‘minds’ cooperated together to allow nature to be stable, uniform and regular. However, if the one who is all capable is responsible for the existence of such minds, then they will also be responsible for whatever such minds produce.
A coleção de provas e argumentos que apresentei acima estabelece a necessidade, a capacidade de escolha, a capacidade absoluta, a independência e a unicidade da existência necessária. Como foi inicialmente afirmado, uma existência necessária deve existir para dar conta da existência contínua do mundo. Além disso, uma existência necessária deve existir para dar conta de qualquer existência, pois as "existências dependentes" não poderiam gerar nem manter a si mesmas. Para que estes argumentos sejam eficazes em contextos pastorais e apologéticos, deve-se começar por fazer perguntas fundamentais que provoquem a reflexão, como: "Por que existe algo em vez de nada?" Esta pergunta – apesar de sua simplicidade – é profunda o suficiente para suscitar pensamentos profundos e tocar em cordas existenciais no interlocutor, conduzindo-o ao teísmo de uma maneira mais valiosa do que a argumentação. No que diz respeito a analogias e metáforas, Joshua Rasmussen (que escreveu um livro especificamente para leigos) dá o exemplo de uma pilha de tijolos sobre o chão, em que a pilha de tijolos representa as coisas dependentes, e o chão representa a entidade independente. Pode-se também usar o exemplo do fundo do mar e do mar, e como se assume a dependência do assentamento da água sem visualizar o fundo do mar. Isso evidencia como é clara a argumentação para a independência. Aos jovens (que podem estar familiarizados com seus smartphones), pode-se dar o exemplo de o celular depender da carga, e a carga depender de alguma espécie de usina elétrica. Sem exceção, esse processo termina numa entidade independente e autossuficiente. Da mesma forma, ao referir-se à causalidade, pode-se argumentar que tudo o que é composto de partes é causalmente contingente. Eu sou formado por partes do meu corpo, fato que indica que fui reunido por algo externo a mim. O universo é formado por muitas partes, o que denota que algo externo a ele também o reuniu. A imagística é importante nestes debates se quisermos ser eficazes diante de leigos, assim como o é fazer perguntas e colocar o ônus da prova sobre o interlocutor ateu. Perguntas valiosas nesse sentido incluem: a existência pode ser explicada pela não-existência? O que é a não-existência, e ela é sequer concebível sem referência à existência? O zero é alguma vez inteligível sem referência aos números naturais e negativos? Pode haver um estado de coisas em que apenas coisas dependentes dependam de outras coisas dependentes ad infinitum? Como se justifica tal estado de coisas cosmologicamente ou por fundamentos a priori? Perguntas como essas são importantes para mostrar o poder da posição teísta, bem como a natureza completamente impotente da visão oposta.
Na Aplicação
In Application
Grande parte da polêmica do Novo Ateísmo contra a religião depende de noções que implicam que a religião é "ultrapassada". Tanto Richard quanto Betty parecem afetados por esse tipo de discurso. O simples fato de que cientistas instruídos e outros tipos de intelectuais optem por ser ateus pode ser influente em impedir que alguém se engaje positivamente com o teísmo. Richard e Betty, por exemplo, são ambos fascinados por Bertrand Russell. Eles podem até citá-lo diretamente ao apresentar um argumento contra o teísmo. Em termos estritamente lógicos, isso é obviamente irrelevante e constitui um "apelo à autoridade". Tanto Richard quanto Betty são suficientemente inteligentes para saber disso. Psicologicamente, como demonstram múltiplos estudos (sobretudo o Experimento do Choque de Milgram), não se pode ter certeza de que Richard e Betty não estejam imunes à influência do status intelectual de alguns ateus, como Russell. Pode ser, portanto, um lembrete simples, mas poderoso, apenas delinear o grande número de contribuintes intelectuais que não somente foram teístas, como também argumentaram em favor do teísmo ao longo dos anos.
Much of the New Atheist polemic against religion depends on notions which imply that religion is ‘outdated’. Both Richard and Betty seem affected by this kind of discourse. The simple fact that educated scientists and other kinds of intellectuals choose to be atheists can be influential in keeping someone from positively engaging with theism. Richard and Betty are both fascinated with Bertrand Russell for example. They may even quote him directly when making a case against theism. On strictly logical terms, this is obviously inconsequential and an ‘appeal to authority’. Both Richard and Betty are clever enough to know that. Psychologically, as shown in multiple studies (most notably Milgram’s Shock Experiment), one cannot be sure that Richard and Betty are not immune influenced by the intellectual status of some atheists like Russell. It may be a simple, yet powerful, point of reminder therefore to simply outline the sheer number of intellectual contributors who not only were theists, but argued for theism throughout the years.
87 Collins. (s.d.). Definition of Piece [online]. Disponível em: https://www.collinsdictionary.com/dictionary/english/piece#:~:text=noun- ,1.,when%20broken%20off%20or%20separated.
87 Collins. (n.d.). Definition of Piece [online]. Available at: https://www.collinsdictionary.com/dictionary/english/piece#:~:text=noun- ,1.,when%20broken%20off%20or%20separated.
Smart, J J C e Haldane, John (2001). Atheism and theism. Oxford: Blackwell Publishing, p. 83.
88 Smart, J J C and Haldane, John (2001). Atheism and theism. Oxford: Blackwell Publishing, p. 83.
89 Rasmussen, J. (2019). How reason can lead to God. InterVarsity Press, p. 4.
89 Rasmussen, J. (2019). How reason can lead to God. InterVarsity Press, p. 4.