1 Prefácio
1 Preface
A construção do pensamento ocidental foi concluída no século XIX d.C. A partir de então, ele passou de meras ideias e teorias de seus criadores para uma ideologia abrangente, com doutrina e sistema próprios. Estes, juntamente com percepções civilizacionais e culturais, passaram coletivamente a ser conhecidos como a ideologia capitalista. Ela foi adotada pelas nações da Europa Ocidental, que a levaram ao mundo, incluindo o Mundo Islâmico, por meio do método do colonialismo. Liderados pela superpotência da época, a Grã-Bretanha, os países ocidentais conseguiram desestabilizar o Califado Islâmico (o Califado Otomano). O desenvolvimento cultural do Califado estagnara e seus cidadãos muçulmanos deixaram de pensar de forma produtiva. Assim, partes do Califado Islâmico foram perdidas para a ocupação, enquanto sua influência política global diminuía, até que passou a ser chamado de "O Velho Doente", que aguardava o mundo anunciar sua morte. Isso aconteceu no início do século XX d.C. (século XIV d.H.), ou seja, no ano de 1924 d.C., quando o Estado do Califado Islâmico foi oficialmente abolido. Com sua queda, o Islã não está mais presente na arena política global como uma ideologia, carregada por um Estado, embora continue existindo no mundo, carregado por indivíduos e povos.
The construct of Western thought was completed in the nineteenth century CE. It transformed then from mere ideas and theories of its originators, into a comprehensive ideology, with its own doctrine and system. These along with civilizational and cultural perceptions, collectively came to be known as the capitalist ideology. It was adopted by Western European nations, who carried it to the world, including the Islamic World, through the method of colonialization. Headed by the superpower of the time, Britain, the Western nations were able to destabilize the Islamic Khilafah (the Ottoman Caliphate). The Khilafah’s cultural development had stagnated and its Muslim citizens ceased to think productively. Thus, parts of the Islamic Khilafah were lost to occupation, whilst its global political influence waned, until it was called the “Sick Old Man,” who was waiting for the world to announce his death. This came to be at the beginning of the twentieth century CE (fourteenth century AH), that is, in the year 1924 CE, when the Islamic Khilafah state was officially abolished. With its fall, Islam is no longer present in the global political arena as an ideology, carried by a state, although it remains existent in the world, carried by individuals and peoples.
O fim do século XX d.C. não testemunhou apenas a queda de uma grande potência, isto é, a queda do Califado Islâmico. Testemunhou também o surgimento de outra grande potência, fundada sobre uma ideologia que contradiz a ideologia capitalista, tanto em sua doutrina quanto em seu sistema, embora seja, na verdade, emergente do próprio núcleo do pensamento ocidental. Ela nasceu do ventre do iluminismo materialista do pensamento ocidental, criada e educada dentro de sua atmosfera cultural. Infelizmente, tal foi a ideologia comunista, por mais que fosse. No ano de 1917 d.C., a União Soviética foi estabelecida com base na ideia do socialismo marxista. Assim, o comunismo surgiu na arena política global como uma ideologia, sustentada por um Estado. O conflito internacional ficou restrito a um confronto entre duas ideologias, o comunismo e o capitalismo. O comunismo, porém, não durou muito, entrando em colapso perto do fim do século XX d.C., especificamente no ano de 1989, o ano da Queda do Muro de Berlim. Com a queda do comunismo, tanto como Estado quanto como ideologia, o capitalismo ocidental, agora liderado pelos Estados Unidos, declarou de forma eufórica e excessivamente confiante a vitória do capitalismo liberal sobre o socialismo marxista. Anunciou "o fim da história" e impôs sua ideologia e seu modo de vida por meio do neocolonialismo, sob a bandeira da "globalização". Na verdade, a história ainda não terminou. Permanece um conflito intelectual entre o Islã, como indivíduos, partidos, grupos e uma Ummah, de um lado, e o capitalismo, como Estado, possuidor de poder e autoridade de todos os tipos e formas, do outro. Este conflito logo se intensificará em um conflito civilizacional e internacional, após o estabelecimento do Califado Islâmico, por permissão de Allah (swt), cuja proximidade de concretização é bem conhecida pelo Ocidente, até mais do que pelos próprios muçulmanos.
The end of the twentieth century CE did not just witness the fall of a great power i.e. the fall of the Islamic Khilafah. It also witnessed the emergence of another major power established upon an ideology that contradicts capitalist ideology, both in its doctrine and system, even though it is, in fact, emergent from within the core of Western thought itself. It was born of the womb of Western thought’s materialistic enlightenment, raised and groomed within its cultural atmosphere. Alas, such was the communist ideology, much as it was. In the year 1917 CE, the Soviet Union was established upon the idea of Marxist socialism. Thus communism appeared on the global political arena, as an ideology, carried by a state. The international conflict was restricted to a conflict between two ideologies, communism and capitalism. Communism did not last long, however, collapsing towards the end of twentieth century CE, specifically within the year 1989, the year of the Fall of the Berlin Wall. With the fall of communism as both a state and ideology, Western capitalism, now led by the United States, declared ecstatically and over-confidently the victory of liberal capitalism over Marxist socialism. It announced ‘the end of history’ and imposed its ideology and way of life through neo-colonialism under the banner of ‘globalization.’ In fact, history has not ended yet. There remains an intellectual conflict between Islam as individuals, parties, groups and an Ummah, on the one hand, and capitalism as a state, possessing power and authority of all types and forms, on the other hand. This conflict will intensify soon into a civilizational and international conflict, after the establishment of the Islamic Khilafah, by the permission of Allah (swt), whose closeness to establishment is known well to the West, even ahead of the Muslims.
Nas últimas três décadas, a Ummah islâmica tem demonstrado uma consciência crescente acerca de sua ideologia, civilização e cultura. Também testemunharam o profundo desejo da Ummah de retomar o modo de vida islâmico, por meio do estabelecimento do Califado Bem-Guiado (Khilafah Rashidah) segundo o método da Profecia. O Ocidente está bem ciente deste assunto, assim como está ciente de sua própria realidade inata, com os inícios de seu próprio declínio, manifestando-se como profundas rachaduras em seu edifício intelectual. A queda da civilização capitalista ocidental é algo inevitável, caso os muçulmanos se engajem no conflito intelectual e político com competência, particularmente após a restauração de seu Estado. Trata-se da consequência natural, devido tanto à invalidez da base intelectual sobre a qual a ideologia capitalista foi estabelecida, quanto à corrupção tanto dos conceitos quanto dos tratamentos que surgiram dessa ideologia. Assim, o Renascimento Ocidental não é um verdadeiro renascimento, nem se baseia em uma fundação intelectual esclarecida e em uma fundação espiritual positiva. Ele se baseia apenas em uma mistura de múltiplas ideias, filosofias, tendências e percepções humanas, que se formaram ao longo de séculos. Dar e receber, conflito, guerra, empirismo e reducionismo formaram, todos eles, uma visão de uma civilização e cultura específicas que, segundo a alegação de seus defensores, emancipariam e concederiam felicidade ao homem ocidental. O pensamento ocidental não apenas se tornou uma fonte de miséria e de grilhões que aprisionam o Ocidente, como também se tornou uma fonte de miséria para o mundo inteiro.
The last three decades have witnessed growing awareness with the Islamic Ummah about its ideology, civilization and culture. They have also witnessed the deep desire of the Ummah to resume the Islamic way of life, by establishing the Rightly Guided Khilafah (Khilafah Rashidah) on the Method of Prophethood. The West is well aware of this matter, just as it is aware of its own innate reality, with the beginnings of its own decline, manifesting as deep cracks in its intellectual edifice. The fall of the Western capitalist civilization is an inevitable matter, if the Muslims engage in the intellectual and political conflict competently, particularly after the restoration of their state. It is the natural consequence due to both the invalidity of the intellectual basis, upon which the capitalist ideology was established, and the corruption of both concepts and treatments, that emerged from this ideology. Thus, Western Renaissance neither is true revival, nor is it based upon an enlightened intellectual basis and a positive spiritual basis. It is only based on a concoction of multiple human ideas, philosophies, tendencies and perceptions, that were formed over centuries. Give and take, conflict, war, empiricism and reductionism all formed a vision of a specific civilization and culture, which, according to the claim of its advocates, is to emancipate and grant happiness to the Western man. Western thought not only turned into a source of misery and binding shackles for the West, it became a source of misery for the entire world.
O conflito entre o Islã e o Ocidente, seja no presente ou no futuro, seja travado por indivíduos ou por Estados, tenha se manifestado em ações materiais ou não, em sua essência e realidade, é um conflito intelectual. É um conflito intelectual entre pensamentos e conceitos emanados de ideologias, civilizações e culturas que não são apenas díspares, mas contraditórias. À medida que se prepara para retomar seu papel civilizacional de liderança, tornou-se obrigatório para a Ummah islâmica compreender profundamente a natureza do pensamento ocidental contra o qual ela luta. A Ummah deve entender conscientemente suas regras, fundamentos, valores e métodos. Ela precisa estar armada com um pensamento profundo e esclarecido para confrontar o pensamento ocidental, expondo sua fraqueza e invalidade.
The conflict between Islam and the West, whether in the present or in the future, whether it is engaged in by individuals or states, whether it manifested as material actions or not, in its essence and reality, is an intellectual conflict. It is an intellectual conflict between thoughts and concepts emanating from ideologies, civilizations and cultures that are not only disparate, but are contradictory. As it prepares to resume its leading civilizational role, it has become obligatory upon the Islamic Ummah to deeply perceive the nature of Western thought which it is struggling against. The Ummah must consciously understand its rules, foundations, values and methods. It has to be armed with a deep, enlightened thought to wrestle with Western thought, exposing its weakness and invalidity.
Neste livro, Refutação do Pensamento Capitalista Ocidental, analisamos a realidade da civilização ocidental e de sua cultura, bem como a realidade da ideologia capitalista em termos de doutrina e sistema. Esclarecemos a origem do pensamento ocidental e seus resultados em termos de conhecimento, métodos, pensamentos e conceitos. Chamamos a atenção para a invalidade e a corrupção dessa ideologia em sua totalidade, com evidências racionais. Traçamos a linha reta ao lado da linha torta para esclarecer, a toda pessoa sensata, a verdade do desvio e a luz das trevas.
In this book, Refutation of the Capitalist Western Thought, we review the reality of the Western civilization and its culture, as well as the reality of capitalist ideology in terms of doctrine and system. We clarify the origin of Western thinking and its results in terms of knowledge, methods, thoughts and concepts. We draw attention to the invalidity and corruption of this ideology in its entirety, with rational evidence. We draw the straight line next to the crooked line to clarify, for every sane person, the truth from the misguidance and the light from the darkness.