Adversários da Razão – Por que o Ateísmo é Irracional
Adversaries Of Reason – Why Atheism Is Irrational
Imagine you are a taxi driver, and one day you receive a call to pick up two passengers from the train station. You are quite close, so you arrive before the scheduled time. The passengers' train arrives, and after a few moments they get into your car. You exchange greetings and then you ask them where they want to go. They request that you take them to their office, which is about 9 miles away. You start the car and begin to drive. After some time, you drop them off at their office. Now rewind the story. Imagine that just after the passengers get into your car, you put on a blindfold. In this scenario, would you be able to drive your passengers to their destination? The answer is obvious. You could never drive them to their destination because you are blind; you cannot see because of the blindfold. However, what if you insisted that you could drive your vehicle with your blindfold on? Wouldn't your passengers describe you as irrational, if not insane? The taxi driver who can see represents Islamic theism, and the taxi driver who has a blindfold on represents atheism.
Imagine you are a taxi-driver and one day you receive a call to pick up two passengers from the train-station. You are quite close so you arrive before the scheduled time. The passengers’ train arrives and after a few moments they get into your car. You exchange greetings and then you ask them where they want to go. They request that you take them to their office, which is about 9 miles away. You start the car and begin to drive. After some time, you drop them off at their office. Now rewind the story. Imagine that just after the passengers get into your car, you put on a blindfold. In this scenario, would you be able to drive your passengers to their destination? The answer is obvious. You could never drive them to their destination because you are blind; you cannot see because of the blindfold. However, what if you insisted that you could drive your vehicle with your blindfold on? Wouldn’t your passengers describe you as irrational, if not insane? The taxi-driver who can see represents Islamic theism, and the taxi-driver who has a blindfold on represents atheism.
Introduzindo o argumento.
Introducing the argument.
Antes de explicar por que os motoristas de táxi nesta história são analogias do ateísmo e do teísmo islâmico, deixe-me fornecer algumas informações essenciais de base. Tanto os muçulmanos quanto os ateus presumem que têm a capacidade de raciocinar. Isso significa que somos capazes de formar percepções mentais ou racionais. Nós "vemos" nosso caminho até uma conclusão em nossas mentes. Nossas mentes tomam premissas ou afirmações e as "conduzem" a um destino mental; em outras palavras, a uma conclusão lógica. Esta é uma característica fundamental de uma mente racional. Então, por que o ateísmo é como um motorista de táxi de venda nos olhos? A maioria das formas de ateísmo implica o naturalismo filosófico, que exige que a razão (e tudo o mais) seja explicada somente por meio de processos físicos cegos e não racionais. No entanto, assim como você não pode conduzir passageiros ao escritório com venda nos olhos, processos físicos cegos nunca podem "conduzir" premissas em nossas mentes até um destino mental. Em outras palavras, eles não podem criar e reconhecer as relações lógicas entre as premissas de um argumento. Portanto, o ateísmo é, na prática, equivalente a rejeitar a própria razão, pois invalida o seu próprio pressuposto. Nossa capacidade de raciocinar simplesmente não se encaixa na visão de mundo naturalista, porque a racionalidade não pode vir de processos físicos cegos e não racionais. Sustentar que ela pode é o mesmo que acreditar que algo pode surgir do nada. Dessa perspectiva, o ateísmo é irracional. O ateísmo invalida aquilo que alega usar para negar Deus: a razão. Então, por que o teísmo islâmico é como um motorista de táxi que pode enxergar? Nossa capacidade de formar percepções mentais se encaixa no teísmo islâmico porque essa capacidade faz sentido (isto é, é explicada adequadamente), já que nos foi dada pelo Criador, que é Onividente, Onisciente e Sábio. Uma coisa não pode dar origem a algo que não contém, ou que não tenha a capacidade (ou o potencial) de dar origem. Em outras palavras, a racionalidade só pode vir da racionalidade. É por isso que a nossa capacidade de formar percepções mentais pode provir do Criador. O argumento deste capítulo afirma que a nossa capacidade de raciocinar é pressuposta tanto por ateus quanto por teístas. Essa pressuposição, porém, se encaixa perfeitamente no teísmo islâmico e não se encaixa nem faz sentido sob o ateísmo. Portanto, seria apenas racional aceitar o teísmo islâmico em detrimento do ateísmo. Este capítulo examinará essas afirmações em detalhe. Antes, porém, de eu elaborar, o diálogo abaixo é um resumo do que será discutido neste capítulo:
Before I explain why the taxi-drivers in this story are analogies of atheism and Islamic theism, let me provide you with some essential background information. Both Muslims and atheists assume that they have the ability to reason. This means that we are able to form mental or rational insights. We “see” our way to a conclusion in our minds. Our minds take premises or statements and “drive” them to a mental destination; in other words, a logical conclusion. This is a key feature of a rational mind. So why is atheism like a taxi-driver with a blindfold on? Most forms of atheism imply philosophical naturalism, which demands that reason (and everything else) must only be explained via blind, non-rational physical processes. However, just as you cannot drive passengers to their office with a blindfold on, physical processes that are blind can never “drive” any premises in our minds to a mental destination. In other words, they cannot create and recognise the logical relations between the premises of an argument. Therefore, atheism is in effect equivalent to rejecting reason itself, because it invalidates its own assumption. Our ability to reason simply does not fit within the naturalistic worldview, because rationality cannot come from blind, non-rational physical processes. To maintain that it can is the same as believing that something can come from nothing. From this perspective, atheism is irrational. Atheism invalidates the thing that it claims to use to deny God: reason. So why is Islamic theism like a taxi-driver who can see? Our ability to form mental insights fits within Islamic theism because this ability makes sense (i.e. is explained adequately), as it was given to us by the Creator Who is All-Seeing, The-Knowing and The-Wise. A thing cannot give rise to something if it does not contain it, or if it does not have the ability (or the potential) to give rise to it. In other words, rationality can only come from rationality. This is why our ability to form mental insights can come from the Creator. The argument in this chapter asserts that our ability to reason is assumed by both atheists and theists. This assumption, however, fits nicely within Islamic theism and does not fit or make sense under atheism. Therefore, it would only be rational to accept Islamic theism over atheism. This chapter will examine these assertions in detail. However, before I elaborate, the dialogue below is a summary of what will be discussed in this chapter:
Ateu: "Não há nenhuma evidência da existência de Deus. A crença em Deus é irracional."
Atheist: “There is no evidence for the existence of God. Belief in God is irrational.”.
Muslim: “Essa é uma afirmação interessante. Antes de continuarmos, posso lhe perguntar: você acredita que possui faculdades racionais? Em outras palavras, você acredita que consegue raciocinar?”
Muslim: “That’s an interesting assertion. Before we continue, can I ask you, do you believe that you have rational faculties? In other words, do you believe you can reason?”.
Ateu: "Obviamente. Qualquer pessoa racional negaria Deus. Simplesmente não há evidência."
Atheist: “Obviously. Any rational person would deny God. There’s simply no evidence.”.
Muslim: "Certo, ótimo. Então posso perguntar: como você explica as suas faculdades racionais sob o ateísmo?"
Muslim: “Okay, great. So can I ask, how do you explain your rational faculties under atheism?”.
Ateu: "O que você quer dizer?" Muçulmano: "Bem, você acredita que todos os fenômenos podem ser explicados por meio de coisas físicas? E você acredita que não existe o sobrenatural?" Ateu: "Claro."
Atheist: “What do you mean?”. Muslim: “Well, do you believe all phenomena can be explained via physical stuff? And do you believe that there is no supernatural?” Atheist: “Sure.”.
Muçulmano: “A matéria física é simplesmente cega e não racional. Então, como a racionalidade pode surgir da não racionalidade? Como qualquer coisa pode surgir de algo que não a contém nem tem o potencial de dá-la origem? Como podemos formar intuições racionais com base em processos físicos cegos? Nessa perspectiva, como você explica a sua capacidade de raciocinar?”. Ateu: “Bem, temos um cérebro que evoluiu.”. Muçulmano: “Certo, e de acordo com o ateísmo, um cérebro evoluído também se baseia em matéria física, não é mesmo?”.
Muslim: “Physical stuff is just blind and non-rational. So how can rationality come from non-rationality? How can anything arise from something that does not contain it or have the potential to give rise to it? How can we form rational insights based on blind physical processes? In this light, how can you explain your ability to reason?”. Atheist: “Well, we have a brain that has evolved.”. Muslim: “Okay, and according to atheism an evolved brain is based on physical stuff too, no?”.
Ateu: "Sim, mas os nossos cérebros evoluíram para serem racionais, porque quanto mais você sabe sobre o mundo, mais provável é que sobreviva."
Atheist: “Yes, but our brains have evolved to be rational, because the more you know about the world the more likely you are to survive.”.
Muslim: "Isso não é verdade; manter crenças não racionais sobre o mundo também pode levar à sobrevivência."
Muslim: “That’s not true; holding non-rational beliefs about the world can lead to survival too.”.
Ateu: "E daí? Nós dois assumimos que a razão é verdadeira, então isso não é um problema."
Atheist: “So what? We both assume reason to be true, so it’s not an issue.”.
"Bem, para mim não é. Mas sob o ateísmo, sua capacidade de raciocinar não faz sentido. O ateísmo invalidou exatamente o pressuposto que ele afirma usar para negar Deus. Portanto, é absurdo ser ateu, já que o ateísmo anula a própria razão." "Não, você precisa provar Deus para mim primeiro."
Muslim: “Well, for me it isn’t. But under atheism your ability to reason does not make sense. Atheism has invalidated the very assumption that it claims to use to deny God. So it is absurd to be an atheist since atheism nullifies reason itself.”. Atheist: “No, you have to prove God to me first.”.
Muslim: “Isso é uma fuga, porque você usou a palavra ‘prova’.
Muslim: “That’s a cop-out, because your use of the word ‘proof’.
"assumes your ability to reason. However, you are not justified in making such an assumption because rationality is nullified under atheism. Rationality cannot come from non-rationality. From this perspective, atheism is irrational. However, rationality can come from rationality. This is why Islamic theism explains best why we can use our reason, as it came from the Creator Who is All-Seeing, The-Knowing and The-Wise."
assumes your ability to reason. However, you are not justified in making such an assumption because rationality is nullified under atheism. Rationality cannot come from non-rationality. From this perspective, atheism is irrational. However, rationality can come from rationality. This is why Islamic theism explains best why we can use our reason, as it came from the Creator Who is All-Seeing, The-Knowing and The-Wise.”.
O que é a razão?
What is reason?.
No contexto deste argumento, a razão refere-se ao fato de que possuímos faculdades racionais. Podemos adquirir a verdade, temos o desejo de descobrir e somos capazes de inferir, induzir e deduzir. Um aspecto significativo de nossas faculdades racionais é a capacidade de chegar a uma conclusão logicamente válida. Quando raciocinamos logicamente, nossas conclusões se baseiam na intuição racional que ocorre em nossas mentes; percebemos que a conclusão decorre das premissas. Tecnicamente falando, as conclusões que tiramos se baseiam nas relações lógicas entre as premissas de um argumento lógico. Percebemos que a conclusão decorre com base nessas relações. Esse "perceber" não pode ser explicado fisicamente. Nada no mundo físico pode explicar por que e como essas premissas se conectam à conclusão. Em resumo, quando raciocinamos logicamente, temos uma intuição mental de que a conclusão decorre logicamente; ela está logicamente conectada às suas premissas anteriores. Os argumentos dedutivos são um bom exemplo para explicar nossas intuições racionais. Os argumentos dedutivos são aqueles em que as premissas garantem a verdade da conclusão. Um argumento dedutivo é válido se sua conclusão decorre necessariamente de suas premissas. Ele é sólido se for válido e se suas premissas forem verdadeiras ou racionalmente aceitáveis. Considere o seguinte argumento dedutivo: 1. Todos os solteiros são homens não casados. 2. João é solteiro.
In the context of this argument, reason refers to the fact that we have rational faculties. We can acquire truth, we desire to discover, and we can infer, induce and deduce. A significant aspect of our rational faculties is the ability to come to a logically valid conclusion. When we reason logically, our conclusions will be based on our rational insight that is occurring in our minds; we see that the conclusion follows. Technically speaking, the conclusions we make are based on the logical relations between the premises of a logical argument. We see that the conclusion follows based on these relations. This “seeing” cannot be explained physically. Nothing in physical world can explain why and how these premises are connected to the conclusion. In summary, when we reason logically we have a mental insight that the conclusion follows logically; it is logically connected to its previous premises. Deductive arguments are a good example to explain our rational insights. Deductive arguments are where the premises guarantee the truth of the conclusion. A deductive argument is valid if its conclusion follows necessarily from its premises. It is sound if it is valid and its premises are true or rationally acceptable. Consider the following deductive argument: 1. All bachelors are unmarried men. 2. John is a bachelor.
3. Portanto, João é um homem solteiro.
3. Therefore, John is an unmarried man.
Sabemos que (3) decorre necessariamente de (1) e (2) com base na nossa intuição. Nada no mundo físico pode provar por que razão (3) está ligado às premissas anteriores; por outras palavras, por que razão se segue logicamente. A conclusão não decorre necessariamente apenas em virtude do significado das palavras nas premissas65; decorre disso devido às relações que ocorrem entre elas.
We know that (3) necessarily follows from (1) and (2) based on our insight. Nothing in the physical world can prove why (3) is connected to the previous premises; in other words, why it logically follows. The conclusion doesn’t only necessarily follow by virtue of the meaning of the words in the premises65; it does so due to the relations occurring between them.
66 A conexão entre a conclusão e as relações lógicas entre as premissas não pode ser observada nem explicada fisicamente. Dessa perspectiva, a razão tem claramente uma dimensão transcendente. Para reforçar esse ponto, considere o seguinte argumento dedutivo:
66 The connection between the conclusion and the logical relations between the premises cannot be observed and explained physically. From this perspective, reason clearly has a transcendent dimension. To drive this point home, consider the following deductive argument:
1. John observou 5 modifus.
1. John has observed 5 modifus.
2. Os 5 modifos que John observou são amarelos.
2. The 5 modifus John has observed are yellow.
3. Portanto, pelo menos alguns modos devem ser amarelos.
3. Therefore, some modifus at least must be yellow.
Este é um argumento válido; a conclusão decorre necessariamente das premissas. João observou 5 modifus amarelos, portanto decorre necessariamente que pelo menos alguns modifus devem ser amarelos. Dadas as premissas (1) e (2), (3) deve decorrer. No entanto, por que concordamos que a conclusão (3) decorre necessariamente dessas premissas? Por que acreditamos na validade lógica da conclusão, embora não tenhamos ideia do que seja um modifu? (A propósito, eu inventei essa palavra.) É porque o fluxo lógico do argumento ocorre em nossas mentes independentemente do significado das premissas e de quaisquer inferências pessoais que possamos ter formado a partir de nossas próprias experiências. Há uma conexão entre as relações das premissas e a conclusão. Alcançamos uma intuição sobre a conclusão (3) sem qualquer dado externo, material ou semântico. Alcançamos uma intuição sobre algo que não se baseia em nossa experiência (não sabemos o que é um modifu). Na verdade, se a palavra "amarelo" fosse substituída por "zamarelo" (outra palavra inventada), a conclusão ainda decorreria necessariamente; alguns modifus (pelo menos 5) devem ser zamarelos. Não apenas nossas mentes chegaram a uma conclusão que não se baseia em nenhuma evidência externa; nossas mentes também estabeleceram relações entre as premissas. Essas relações não podem ser explicadas por meio de evidências físicas ou empíricas. Nossas mentes dirigiram e conduziram nossa intuição (em outras palavras, estabeleceram essas relações lógicas) para concluir que (3) deve decorrer de (1) e (2). Nossas mentes tomaram as premissas (1) e (2) e dirigiram ou conduziram nossa intuição a concluir (3).
This is a valid argument; the conclusion necessarily follows from the premises. John has observed 5 yellow modifus, so it necessarily follows that at least some modifus must be yellow. Given premises (1) and (2), (3) must follow. However, why do we agree that the conclusion (3) necessarily follows from these premises? Why do we believe in the logical validity of the conclusion, although we have no idea what a modifu is? (By the way, I have made the word up). It is because the logical flow of the argument occurs in our minds regardless of the meaning of the premises and any personal inferences we might ever have formed from our own experiences. There is a connection between the relations of the premises and the conclusion. We have achieved an insight into conclusion (3) without any external, material and semantic data. We have achieved an insight into something that is not based on our experience (we do not know what a modifu is). In actual fact, if the word “yellow” was replaced with “zellow” (another made-up word), the conclusion would still necessarily follow; some modifus (at least 5) must be zellow. Not only have our minds come to a conclusion that is not based on any external evidence; our minds have also established relations between the premises. These relations cannot be explained using physical or empirical evidence. Our minds have directed and driven our insight (in other words, established these logical relations) to conclude that (3) must follow from (1) and (2). Our minds have taken premises (1) and (2) and driven or directed our insight to conclude (3).
Contudo, ser conduzido ou direcionado a um destino ou fim mental não é uma característica de um processo físico. Os processos físicos são cegos, aleatórios e não possuem uma força intencional que os direcione a lugar algum.
However, being driven or directed to a mental destination or endpoint is not a characteristic of a physical process. Physical processes are blind, random and have no intentional force directing them anywhere.
Isto significa que não podemos recorrer a processos físicos para explicar a nossa capacidade de alcançar uma percepção que leve a uma conclusão. Razão: um pressuposto da ciência A mente humana tem uma qualidade distintiva: somos capazes de distinguir entre o certo e o errado, a verdade e a falsidade, a beleza e a vileza. Isto separa-nos claramente dos animais. As nossas capacidades mentais permitiram-nos progredir e avançar. De facto, devemos confiar nas nossas faculdades racionais antes de sequer podermos começar a fazer ciência. Um dos pressupostos fundamentais da ciência é que as nossas mentes têm a capacidade de raciocinar. Sem tal pressuposto, nunca poderíamos usar palavras como evidência, facto, verdade e prova. A prática humana da ciência assenta no pressuposto de que somos capazes de raciocinar. Isto significa que a existência da razão não pode ser plenamente explicada por nenhum tipo de explicação científica. Por exemplo, quando um cientista procura abordar uma hipótese testável ou uma questão passível de resposta, parte-se do pressuposto de que os resultados podem ser racionalizados. Os cientistas aceitam também que têm a capacidade de avaliar a validade lógica de uma explicação científica. Isto pressupõe obviamente que o cientista consegue usar a sua razão antes de fazer qualquer ciência. Não se quer dizer com isto que a ciência não possa oferecer qualquer explicação parcial para a nossa capacidade de raciocinar. No entanto, não consegue justificar a razão de um ponto de vista fundamental. Tentar demonstrar como a razão surgiu através de algum processo físico não explica a sua dimensão transcendente. Isto inclui a capacidade de chegar a uma conclusão logicamente válida, determinada por uma percepção na própria mente. É por isso que depender exclusivamente de uma explicação científica é inadequado: não consegue dar conta do facto de vermos a conclusão na nossa mente. Temos a capacidade de chegar a uma conclusão lógica com base nas relações entre premissas. Podemos também fazê-lo sem que as palavras-chave das premissas se baseiem em algo que possamos compreender ou verificar empiricamente. A ciência só pode lidar com aquilo que pode ser observado de alguma forma; as relações lógicas entre premissas não podem ser observadas. Como a ciência exige a razão para começar a explicar a razão, argumentar que ela pode de algum modo justificar nossa capacidade de raciocinar equivaleria a argumentar em círculo. A ciência é uma ferramenta útil para nos ajudar a compreender o mundo, mas tem muitas limitações (veja o Capítulo 12). Neste ponto, alguém poderia argumentar que as suposições não precisam ser explicadas ou justificadas, porque algumas suposições (ou princípios primeiros) são tomadas como verdadeiras sem evidência. Este é um ponto válido.
This means that we cannot use physical processes to account for our ability to achieve an insight into a conclusion. Reason: an assumption of science The human mind has a distinctive quality; we can distinguish between right and wrong, truth and falsehood, beauty and vileness. This clearly separates us from animals. Our mental abilities have enabled us to progress and advance. In fact, we must trust our rational faculties before we can even begin to conduct science. One of science’s key assumptions is that our minds have the ability to reason. Without such an assumption, we could never use words such as evidence, fact, truth and proof. The human practice of science rests on the assumption that we can reason. This means that the existence of reason cannot be fully accounted for by any type of scientific explanation. For example, when a scientist attempts to address a testable hypothesis or an answerable question, there is an assumption that the results can be rationalised. Scientists also accept that they have the ability to assess the logical validity of a scientific explanation. This obviously assumes that the scientist can use her reason before she performs any science. This does not mean that science cannot provide any partial explanation at all for our ability to reason. However, it is unable to justify reason from a foundational point of view. Attempting to demonstrate how reason emerged via some physical process does nothing to explain its transcendent dimension. This includes the ability to come to a logically valid conclusion that is determined by an insight in one’s mind. This is why relying solely on a scientific explanation is inadequate: it fails to account for the fact that we see the conclusion in our minds. We have the ability to make a logical conclusion based on the relations between premises. We can also do this without the key words in the premises being based on anything we can understand or verify empirically. Science can only deal with what can be observed in some way; logical relations between premises cannot be observed. Since science requires reason in order to begin to explain reason, to argue that it can somehow justify our ability to reason would be tantamount to arguing in a circle. Science is a useful tool to help us understand the world, but it has many limitations (see Chapter 12). At this point one might argue that assumptions do not need to be explained or accounted for, because some assumptions (or first principles) are taken to be true without evidence. This is a valid point.
No entanto, há uma diferença entre pressupostos válidos e inválidos. Para que um pressuposto seja válido, ele deve fazer sentido dentro da esfera de conhecimento, do conceito ou da teoria que ele sustenta. Contudo, se um pressuposto que visa sustentar uma cosmovisão não consegue se encaixar nessa cosmovisão, então esse pressuposto não pode ser presumido. Por exemplo, a ciência repousa sobre a noção de que há "consistência nas causas que operam o mundo natural".67
However, there is a difference between valid and invalid assumptions. For an assumption to be valid it must make sense to the sphere of knowledge, concept or theory that it supports. However, if an assumption that aims to support a worldview cannot fit within that worldview, then the assumption cannot be presumed. For example, science rests on the notion that there is “consistency in the causes that operate the natural world”67
Se os cientistas concluíssem sempre que as causas físicas são inconsistentes, então essa suposição precisaria ser descartada ou alterada. Se o naturalismo filosófico (e até a ciência) sustenta que a razão pode ser explicada por processos físicos aleatórios e não racionais, então como pode um ateu, que adota o naturalismo, dar conta de tal suposição, quando ela claramente não pode caber na perspectiva do naturalismo? O naturalismo, na verdade, nega a razão, pois a racionalidade não pode vir de processos físicos não racionais. Percepções mentais não podem surgir de processos físicos cegos. Portanto, os ateus devem mudar a sua visão de mundo ou descartar a ideia de que somos racionais.
. If scientists were to always conclude that physical causes are inconsistent, then that assumption would need to be dismissed or changed. If philosophical naturalism (and even science) maintains that reason can be explained via random, non-rational physical processes, then how can an atheist—who adopts naturalism—account for such an assumption when it clearly cannot fit within the perspective of naturalism? Naturalism actually denies reason, because rationality cannot come from non-rational physical processes. Mental insights cannot come from blind physical processes. Therefore, atheists must change their worldview or dismiss the idea that we are rational.
No ateísmo, não conseguimos justificar nossas faculdades racionais.
Under atheism we cannot justify our rational faculties.
A maioria dos ateus são naturalistas filosóficos; o naturalismo afirma que não existe o sobrenatural e que processos físicos podem explicar todos os fenômenos. Segundo o naturalismo, se investigarmos os níveis mais básicos da realidade, veremos que tudo é resultado de processos físicos cegos, aleatórios e não racionais; partículas subatômicas, átomos e moléculas se movem sem qualquer direção, orientação ou resultado intencional. A matéria física não tem propósito; nada está intencionalmente conduzindo esses processos físicos. Se for assim, porém, como podemos afirmar que nossas mentes têm a capacidade de alcançar percepções mentais? Como podemos afirmar a capacidade de chegar a uma conclusão? Uma parte essencial da capacidade de raciocinar é ter percepções racionais, ver na mente que algo decorre logicamente de outra coisa com base nas relações lógicas entre as premissas. É aqui que o naturalismo fracassa, pois afirma que todos os fenômenos se baseiam em processos físicos aleatórios e não racionais.
Most atheists are philosophical naturalists; naturalism asserts that there is no supernatural, and that physical processes can explain all phenomena. According to naturalism, if we probe the most basic levels of reality, we see that everything is the result of blind, random, non-rational physical processes; subatomic particles, atoms and molecules are whizzing around without any direction, guidance or intended outcome. Physical stuff has no purpose; nothing is intentionally driving these physical processes. If this is the case, though, how can we claim our minds have the ability to achieve mental insights? How can we claim the ability to reach a conclusion? A key part of being able to reason is to have rational insights, to see in one’s mind that something logically follows from something else based on the logical relations between premises. This is where naturalism fails, as it asserts that all phenomena are based on random, non-rational physical processes.
A capacidade de pegar em premissas e "conduzi-las" até um destino mental fica invalidada se alguém postular que tal capacidade provém de processos físicos cegos e não racionais. Uma coisa não pode dar origem a algo se não o contém, ou se não tem a capacidade (ou o potencial) de o produzir. Por exemplo, eu não posso dar-lhe 500 dólares se não tiver o dinheiro, e não consigo reunir essa quantia se estiver desempregado e com mau crédito (este princípio será usado ao longo de todo este livro).
The ability to take premises and “drive” them towards a mental destination is invalidated if one postulates that the ability comes from blind, non-rational physical processes. A thing cannot give rise to something if it does not contain it, or if it does not have the ability (or the potential) to give rise to it. For example, I cannot give you $500 if I do not have the money, and I cannot raise the amount if I am jobless with bad credit (this principle will be used throughout this book).
Da mesma forma, se os processos físicos não contêm racionalidade, como é que dão origem a ela? Por definição, os processos físicos não contêm racionalidade e não têm "discernimento". Não conseguem ver a conclusão que decorre de um argumento. Os processos físicos não são conduzidos ou dirigidos de forma propositada ou intencional. Portanto, sugerir sequer que a racionalidade pode surgir de processos físicos não racionais é exatamente o mesmo que acreditar que algo pode vir do nada. Considere o seguinte exemplo. Semelhante à história do início deste capítulo, imagine que há dois motoristas de autocarro. O primeiro tem boa visão e é um motorista experiente. O segundo motorista é cego e inexperiente. O primeiro motorista inicia a viagem e apanha duas pessoas chamadas "Premissa 1" e "Premissa 2". O seu destino final é "Conclusão". Ele vê o destino no seu mapa e, à medida que a viagem chega ao fim, observa claramente a paragem final. O segundo motorista é acompanhado até ao seu autocarro na estação. À espera no autocarro estão "Premissa 1" e "Premissa 2". O destino deles é o mesmo do primeiro cenário. O motorista consegue pôr o autocarro em marcha. No entanto, acha que ele chegará ao destino? Tal como o taxista de venda nos olhos, nunca chegará ao destino final. Os processos físicos sofrem do mesmo problema. São cegos. Não conseguem explicar a razão, porque uma característica da racionalidade é a capacidade de derivar discernimento ou chegar a uma conclusão, e não se pode obter discernimento a partir de algo que é cego. Afirmar tal coisa equivale a dizer que algo pode surgir do nada. Nesta perspetiva, o ateísmo — por causa da sua visão naturalista — não é apenas irracional, mas um adversário da razão. Invalida aquilo que é necessário para fazer qualquer afirmação sobre Deus:
Likewise, if physical processes do not contain rationality, then how do they give rise to it? Physical processes by definition do not contain rationality, and they do not have “insight”. They cannot see the conclusion that follows from an argument. Physical processes are not purposefully or intentionally driven or directed. Therefore, to even suggest that rationality can come from non-rational physical processes, is exactly the same as believing that something can come from nothing. Consider the following example. Similar to the story at the beginning of this chapter, imagine there are two bus-drivers. The first has good eyesight and is an experienced driver. The second bus-driver is blind and inexperienced. The first driver starts his journey and picks up two people called “Premise 1” and “Premise 2”. Their final destination is “Conclusion”. He sees the destination on his map and as the journey is coming to an end he clearly observes the final stop. The second driver is escorted to his bus at the bus station. Waiting on the bus are “Premise 1” and “Premise 2”. Their destination is the same as in the first scenario. The driver manages to start the bus. However, do you think he will reach the destination? Just like the taxi-driver with the blindfold, he will never reach the final destination. Physical processes suffer the same problem. They are blind. They cannot explain reason because a feature of rationality is the ability to derive insight or reach a conclusion, and one cannot obtain insight from something that is blind. To assert such a thing is the equivalent of saying something can arise from nothing. From this perspective, atheism—because of its naturalistic perspective—is not only irrational, but an adversary of reason. It invalidates the thing that is required to make any claim about God:
raciocínio em si. Uma vez que a racionalidade não pode surgir da não racionalidade, conclui-se que o naturalismo não consegue explicar nossa capacidade de raciocinar. Apesar deste argumento, existem algumas possíveis objeções. Elas serão discutidas no final deste capítulo. No entanto, uma objeção fundamental argumenta que os programas de computador têm a capacidade de raciocinar dedutivamente: os programas de computador são feitos de matéria física; portanto, processos físicos podem explicar a racionalidade. Esta alegação será abordada em detalhes no final deste capítulo. Contudo, o ponto principal é que os programas de computador não têm "percepções"; em particular, não têm percepções significativas. A racionalidade humana envolve a capacidade de estabelecer conclusões significativas. O simples fato de podermos questionar as implicações ou o significado de uma conclusão (mesmo que não saibamos o seu significado, como no caso dos modifus mencionados acima) indica que a racionalidade humana envolve percepções significativas. Os programas de computador não possuem essas percepções significativas. Na verdade, um sistema de computador baseia-se em regras sintáticas (a manipulação de símbolos), e não em semântica (significado). Isso será explicado mais adiante.
reason itself. Since rationality cannot come from non-rationality, it follows that naturalism cannot explain our ability to reason. Despite this argument, there are a few possible objections. These will be discussed at the end of this chapter. However, one key objection argues that computer programmes have the ability to reason deductively: computer programmes are made up of physical stuff; therefore, physical processes can explain rationality. This contention will be addressed in detail at the end of this chapter. However, the main point is that computer programmes do not have “insights”; in particular, they do not have meaningful insights. Human rationality involves the ability to establish meaningful conclusions. The very fact that we can question the implications or the meaning of a conclusion (even if we do not know its meaning, as in the case of the modifus above) indicates that human rationality involves meaningful insights. Computer programmes do not have these meaningful insights. In actual fact, a computer system is based on syntactical rules (the manipulation of symbols), not on semantics (meaning). This will be explained further later.
Pode a evolução darwiniana justificar as nossas faculdades racionais?
Can Darwinian evolution justify our rational faculties?.
De acordo com os naturalistas, nossas mentes evoluíram para serem racionais. Os naturalistas argumentam que foi vantajoso para nossos ancestrais conhecer a verdade sobre seus ambientes. Ter a capacidade de distinguir entre verdade e falsidade era necessário para a sobrevivência deles. Apesar de o naturalismo invalidar a suposição de que temos a capacidade de raciocinar, a evolução darwiniana parece uma explicação plausível à primeira vista. No entanto, quando nos aprofundamos um pouco mais, deparamo-nos com uma infinidade de problemas. O próprio Charles Darwin teve suas dúvidas sobre esse assunto. Ele compreendeu que nossa capacidade de adquirir a verdade não poderia ser explicada se ela tivesse evoluído apenas a partir de formas de vida inferiores. Ele escreveu em uma carta de 1881: "Mas então, em mim, surge sempre a horrível dúvida de se as convicções da mente humana, que se desenvolveu a partir da mente dos animais inferiores, têm algum valor ou são de alguma forma confiáveis. Alguém confiaria nas convicções da mente de um macaco, se é que existem convicções em tal mente?"68 Agora vejamos se a evolução naturalista pode fornecer um colete salva-vidas com o qual resgatar a racionalidade humana. Quando usamos o termo evolução naturalista, referimo-nos à ideia de que o processo evolutivo está livre da intervenção Divina; segundo essa ideia, nossas mentes evoluíram para serem racionais porque nossa capacidade de raciocinar e de alcançar crenças verdadeiras é necessária para a sobrevivência. Há vários problemas com essa afirmação. Em primeiro lugar, nossa capacidade de distinguir entre verdade e falsidade não é um requisito para a sobrevivência. Em segundo lugar, alcançar percepções mentais também não é um requisito para nossa existência contínua. A evolução diz respeito à capacidade de sobreviver, não à capacidade de formular conclusões logicamente válidas. Por fim, nossa capacidade e nosso desejo de descobrir, uma característica necessária de uma mente racional, muitas vezes são prejudiciais à nossa sobrevivência. Uma das características fundamentais de nossas mentes racionais é sua capacidade de alcançar a verdade e descartar o que é falso. Nós também temos percepções mentais e a capacidade de chegar a uma conclusão a partir de premissas anteriores. Estes são exatamente os processos que empregamos quando fazemos ciência. Agora, a pergunta a fazer é: a evolução naturalista pode explicar essas capacidades? A resposta é não. Tudo o que precisamos para refutar essa ideia é mostrar que crenças falsas podem levar à sobrevivência. Nesse caso, não há necessidade de que o processo evolutivo resulte em faculdades racionais. Então, crenças falsas podem levar à sobrevivência? Não demora muito para perceber que inúmeras crenças falsas levam. Um indivíduo que acredita que todos os insetos com marcas vermelhas no corpo são venenosos evitará todos os insetos com marcas vermelhas e sobreviverá. No entanto, essa crença é falsa, pois muitos insetos com vermelho no corpo são inofensivos, sendo a joaninha comum o exemplo mais óbvio. Outra pessoa pode evitar todos os fungos porque acredita que são venenosos e, ao fazê-lo, sobreviver. Contudo, sabemos que alguns fungos, como o cogumelo-de-paris, são totalmente saudáveis e nutritivos para comer. O professor de Filosofia Anthony O’Hear fornece um exemplo semelhante para mostrar que a evolução pode produzir crenças falsas, e não verdadeiras, demonstrando assim que crenças não racionais podem levar à sobrevivência: “Um pássaro pode evitar lagartas com certos tipos de coloração porque elas são venenosas; mas ele também evitará lagartas não venenosas de cores semelhantes e pode ser considerado como tendo uma crença falsa sobre a toxicidade da lagarta inofensiva. É claro que as chances de sobrevivência do pássaro aumentam por evitar o tipo de lagarta que inclui tanto as nocivas quanto as inofensivas. Ter uma crença falsa, então, sobre uma lagarta em particular será um subproduto de uma disposição que produz sobrevivência.” Dado que as lagartas inofensivas evoluíram por mimetismo das venenosas, temos aqui uma explicação evolutiva da falsidade, o que reforça o ponto geral de que não há um caminho direto que vá dos processos evolutivos à verdade.69
O fato de que crenças falsas podem levar à sobrevivência levanta outra questão difícil para o naturalismo: por que deveríamos confiar em nossas mentes? Como não há uma ligação necessária entre verdade e sobrevivência, e como crenças falsas também podem levar à sobrevivência, então como podemos confiar em nossas faculdades racionais se elas podem ter se baseado em um processo evolutivo impulsionado por crenças falsas? Nosso desejo de descobrir também representa um problema para a evolução. Não há necessidade de que a evolução resulte em habilidades que nos permitam compreender as leis da física ou dedicar-nos à matemática. Simplesmente não faz sentido que acabemos com mentes capazes de compreender o universo. Baratas e besouros sobrevivem extremamente bem e fazem isso há milhões de anos, e no entanto não os vemos sentados com um café discutindo as implicações existenciais e lógicas do ateísmo (ou de qualquer outra coisa). Pense nisto por um momento: imagine um foguete contendo 500.000 quilogramas de combustível, prestes a ser lançado ao espaço a 28.000 quilômetros por hora. O que impulsiona um astronauta a embarcar nessa nave, sem saber se voltará ou se sequer chegará ao espaço? Esse desejo de explorar e descobrir favorece sua sobrevivência? O que leva um alpinista a subir o Monte Everest, suportando o frio e as condições severas, sem saber se alcançará o cume? Ele não foi feito para colocar sua sobrevivência em primeiro lugar? O que leva um monge a isolar-se, permanecer celibatário e dedicar-se a descobrir a paz interior? Isso não vai completamente contra a sobrevivência e a reprodução? De fato, o desejo de descobrir é poderoso nos seres humanos e, em muitos casos, se sobrepõe ao nosso desejo de sobreviver. Vemos muitos casos de pessoas que se afastam das próprias coisas que favorecem sua sobrevivência e, ao fazê-lo, alcançam verdadeira felicidade e paz. Então, como explicar nosso desejo de descobrir, que resulta em atividades prejudiciais à sobrevivência? A resposta é que não podemos explicá-lo. Esses desejos não fazem sentido se alguém adota a evolução naturalista. Em conclusão, os nossos níveis mais elevados de racionalidade e o desejo de aprender levam-nos frequentemente a gastar tempo em atividades "supérfluas", que não contribuem para a sobrevivência e a reprodução, como a arte, a espiritualidade, a filosofia ou a conceção de novas técnicas contraceptivas. A seleção natural deveria ter eliminado todas estas, porque tais comportamentos não têm benefícios adaptativos. Como o mecanismo evolutivo darwiniano explica apenas a "sobrevivência e a reprodução", não consegue dar conta da nossa capacidade de raciocinar, nem da sua característica mais evidente: o desejo de descobrir. Deve ser claro, a partir destes dois problemas, que a teoria darwiniana da evolução, orientada para a sobrevivência e não para a verdade, é uma explicação inadequada da nossa capacidade de raciocinar e do nosso desejo de descobrir. Académicos reconheceram estes problemas e fizeram algumas observações surpreendentes. O biólogo John Gray afirma: "Se a mente humana evoluiu em obediência aos imperativos da sobrevivência, que razão há para pensar que pode adquirir conhecimento da realidade, quando tudo o que é necessário para reproduzir a espécie é que os seus erros e ilusões não sejam fatais? Uma filosofia puramente naturalista não consegue explicar o conhecimento que acreditamos possuir."70 Francis Crick, descobridor do ADN, disse: "O nosso cérebro altamente desenvolvido, afinal, não evoluiu sob a pressão de descobrir verdades científicas, mas apenas para nos tornar suficientemente inteligentes para sobreviver e deixar descendentes."71 O cientista cognitivo Steven Pinker escreveu: "Os nossos cérebros foram moldados para a aptidão, não para a verdade. Por vezes a verdade é adaptativa, mas por vezes não o é."72 Embora Sam Harris, neurocientista e ateu declarado, acredite que a ciência nos dará eventualmente respostas, admite que "…as nossas intuições lógicas, matemáticas e físicas não foram concebidas pela seleção natural para seguir a Verdade."73 Em resumo, quando os ateus afirmam ter usado as suas faculdades racionais para provar que Deus não existe, trata-se de uma forma de hipocrisia intelectual. Para dar conta do fato de que eles possuem uma mente racional, precisam negar o ateísmo ou negar a própria razão. A ironia intelectual é que a capacidade de raciocinar é melhor explicada pela existência de Deus. Uma Nota sobre o Confiabilismo Evolutivo Muitos naturalistas admitem que não há uma ligação necessária entre sobrevivência e verdade. Eles sustentam que é altamente provável que tenha havido condições e pressões biológicas que deram origem a faculdades cognitivas confiáveis, capazes de produzir crenças verdadeiras. Essas faculdades devem ter sido propícias à aptidão biológica e, posteriormente, foram preferidas pela seleção natural. A visão de que a evolução darwiniana pode explicar nossas faculdades cognitivas confiáveis na verdade é chamada de confiabilismo evolutivo. Para que o confiabilismo evolutivo seja justificado, a probabilidade de a seleção natural favorecer faculdades cognitivas confiáveis na verdade deve ser maior do que a probabilidade de favorecer faculdades não confiáveis, que produzem crenças falsas. A premissa principal desse argumento é que faculdades cognitivas confiáveis na verdade eram mais aptas a aumentar a aptidão (conducentes à nossa sobrevivência e reprodução) do que faculdades não confiáveis que produziam crenças falsas. No entanto, com base na nossa discussão até aqui, essa premissa está enfraquecida. Há razões adicionais pelas quais essa premissa não é justificada; algumas delas são discutidas abaixo.
As faculdades cognitivas não confiáveis que produziam crenças falsas poderiam ter levado à nossa sobrevivência e reprodução. Poderíamos ter mantido processos cautelosos de formação de crenças que eram falsos, mas ainda assim aumentavam a aptidão. O acadêmico James Sage argumenta:
Unreliable cognitive faculties that produced false beliefs could have led to our survival and reproduction. We could have held cautious belief-forming processes that were false, yet fitness enhancing. The academic James Sage argues:
Por exemplo, um organismo pode se esconder porque acredita falsamente que um predador está por perto. Evolutivamente, compensa ter processos de formação de crenças cautelosos que "superdetectam" predadores perigosos, especialmente quando crenças falsas custam pouco.74
“For example, an organism may hide because it believes falsely that a predator is nearby. Evolutionarily, it pays to have cautious belief-forming processes that “over detect” dangerous predators, especially when false beliefs carry little cost.”74
As faculdades cognitivas confiáveis quanto à verdade podem não ter sido favorecidas pela seleção natural, pois vieram a um custo elevado. James Sage sustenta que faculdades cognitivas confiáveis quanto à verdade "vêm a um alto preço"75. O custo biológico dessas faculdades envolve o seguinte:
Truth-reliable cognitive faculties could have not been favoured by natural selection as they came as a high cost. James Sage maintains that truth-reliable cognitive faculties “come at a high price”75. The biological cost of these faculties involves the following:
“(i) o cérebro requer oxigênio, calorias e resfriamento, (ii) calcular inferências detalhadas (mesmo com dados mínimos) exige considerável tempo e concentração, (iii) acessar informações de experiências passadas requer extensa capacidade de armazenamento e vias de recuperação, (iv) identificar informações relevantes exige sub-rotinas de classificação em múltiplos níveis, (v) hierarquizar desejos e objetivos exige extensa deliberação e reflexão, e (vi) utilizar “detectores” (e outras entradas perceptivas) exige precisão e acuidade. Cada um desses fatores carrega um custo biológico significativo.”76
“(i) the brain requires oxygen, calories, and cooling, (ii) calculating detailed inferences (even with minimal data) requires considerable time and concentration, (iii) accessing information from past experience requires extensive storage capacity and retrieval pathways, (iv) identifying relevant information requires multi-level sorting subroutines, (v) ranking desires and goals requires extensive deliberation and reflection, and (vi) utilizing “detectors” (and other perceptual inputs) requires precision and acuity. Each of these factors carries a significant biological cost.”76
Como as faculdades cognitivas confiáveis na busca da verdade exercem uma pressão sobre recursos biológicos fundamentais para a sobrevivência, a seleção natural poderia ter favorecido faculdades cognitivas não confiáveis, que aumentavam a aptidão e produziam crenças falsas, mas que eram menos onerosas.
Since truth-reliable cognitive faculties put a strain on key biological resources that are essential for survival, natural selection could have favoured fitness enhancing unreliable cognitive faculties that produced false beliefs which were less taxing.
Como em muitos temas filosóficos, há argumentos a favor e contra o confiabilismo evolucionário. Para uma discussão aprofundada sobre por que o confiabilismo evolucionário não explica adequadamente as nossas faculdades cognitivas confiáveis quanto à verdade, com respostas às objeções populares e acadêmicas, leia o meu ensaio "Can evolution adequately explain our truth-reliable cognitive faculties?".78
Like with many philosophical topics there are arguments for and against evolutionary reliabilism. For an in-depth discussion on the why evolutionary reliabilism does not adequately explain our truth-reliable cognitive faculties, with responses to popular and academic objections, please read my essay Can evolution adequately explain our truth-reliable cognitive faculties?78
Teísmo islâmico: a melhor explicação.
Islamic theism: the best explanation.
Eu não poderia dar a você um pão se eu não tivesse um em primeiro lugar, ou se eu não tivesse a capacidade de obtê-lo ou fazê-lo. Isso se baseia no seguinte princípio racional: uma coisa não pode dar origem a outra se não a contém, ou se não tem a capacidade de a produzir. Por exemplo, forças não racionais não podem dar origem à racionalidade, pois não a contêm em primeiro lugar. Processos físicos são não racionais porque não possuem nenhum "discernimento". Eles não podem perceber uma conclusão decorrendo de premissas anteriores. Deus explica o fato de que temos mentes racionais, pois a racionalidade pode vir do Criador, que é Onividente, Onisciente e Sábio. Se no início do universo houvesse apenas matéria e processos físicos não racionais, cegos, aleatórios, então, não importa como fossem organizados, eles não poderiam dar origem à racionalidade. No entanto, se no início houvesse um criador com os nomes e atributos mencionados acima, segue-se que o universo pode conter seres conscientes com a capacidade de raciocinar. Desta perspectiva, os ateus precisam, na verdade, de Deus para explicar suas faculdades racionais. Portanto, a existência de um Criador Onividente, Onisciente e Sábio é a melhor explicação para um universo com organismos conscientes que têm a capacidade de raciocinar. A teologia islâmica oferece uma resposta bela e simples para as principais questões levantadas neste capítulo. Deus nos criou e nos deu mentes racionais com desejo de descobrir, a fim de nos auxiliar a cumprir nosso propósito. Uma das maneiras como Deus faz isso é nos direcionando para Sua criação, na qual estão Seus sinais (isto é, pistas, indícios, indicações). Ao meditar e refletir sobre esses sinais, podemos apreciar Sua majestade e poder criador, e essa apreciação e reconhecimento then naturalmente nos conduzem a adorá-Lo (veja o Capítulo 15). Deus, por meio de Seu conhecimento, poder e vontade, criou o universo e as nossas mentes, o que explica a nossa capacidade de raciocinar e de descobrir os princípios interligados do cosmos. Isso traz à mente um belo versículo do Alcorão: Deus diz: "Mostraremos-lhes os Nossos sinais nos horizontes e em suas próprias almas, até que se torne claro para eles que Ele é a Verdade. Não é suficiente, quanto ao vosso Senhor, que Ele é Testemunha de todas as coisas?"79. Deus nos encoraja continuamente a refletir, a usar nossas mentes: "Então, não meditam eles sobre o Alcorão, ou há cadeados sobre os seus corações?"80. "Não raciocinais, então?"81. Esses versículos indicam que temos a capacidade de raciocinar e de refletir sobre o mundo natural para alcançar a verdade. Deus também diz no Alcorão: "Na criação dos céus e da Terra, e na alternância da noite e do dia, há sinais para os dotados de entendimento."82
I could not give you a loaf of bread if I did not have one in the first place or if I did not have the ability to obtain or make one. This is based on the following rational principle: A thing cannot give rise to something else if it does not contain it, or if it does not have the ability to give rise to it. For instance, non-rational forces cannot give rise to rationality, as they do not contain it in the first place. Physical processes are non-rational because they do not have any “insight”. They cannot see a conclusion following from previous premises. God makes sense of the fact that we have rational minds, because rationality can come from the Creator Who is All-Seeing, The-Knowing and The-Wise. If in the beginning of the universe there had been only non-rational, blind, random, physical matter and processes, then no matter how they were arranged they could not give rise to rationality. However, if in the beginning there was a creator with the names and attributes mentioned above, it follows that the universe can contain conscious beings with the ability to reason. From this perspective, atheists actually need God to account for their rational faculties. Therefore, the existence of a Creator Who is All-Seeing, The-Knowing and The-Wise is the best explanation for a universe with conscious organisms that have the ability to reason. Islamic theism provides a beautiful and simple answer to the main questions raised in this chapter. God created us and gave us rational minds with a desire to discover, in order to aid us in fulfilling our purpose. One way God does this is by directing us towards His creation, wherein lie His signs (i.e. clues, hints, indications). By pondering and reflecting over these signs, we can appreciate His majesty and creative power, for which appreciation and acknowledgement then naturally lead us to worship Him (see Chapter 15). God via His knowledge, power and will created the universe and our minds, hence explaining our ability to reason and discover the interconnecting principles of the cosmos. This brings to mind a beautiful verse of the Qur’an: God says, “We will show them Our signs in the horizons and within their own selves until it becomes clear to them that it is the truth. But is it not sufficient concerning your Lord that He is over all things a Witness?”79. God continuously encourages us to ponder, to use our minds: “Then do they not reflect upon the Qur’an, or are there locks upon [their] hearts?”80. “So will you not reason?”81. These verses signify that we have the ability to reason and ponder on the natural world to attain truth. God also says in the Qur’an: “Indeed, in the creation of the heavens and the Earth and in the alternation of the night and the day are signs for the people of understanding.”82
Daqui, podemos tirar uma conclusão abrangente. Deus nos deu mentes racionais e o desejo de descobrir, para que possamos usar nossas faculdades racionais para compreender o universo em toda a sua beleza, o que, por sua vez, nos leva a adorar Aquele que o criou (ver Capítulo 15). Deus colocou dentro de nós exatamente as ferramentas necessárias para nos engajarmos em disciplinas como a ciência, mas a ironia é que, quando alguns de nós encontram esse dom concedido por Deus, eles o usam para desafiar o próprio Deus (ver Capítulo 12). Há algumas objeções-chave a este argumento que são abordadas abaixo.
From this, we can draw a comprehensive conclusion. God gave us rational minds and the desire to discover, so that we can use our rational faculties to understand the universe in all its beauty, which in turn leads us to worship the One Who created it (see Chapter 15). God placed within us the very tools required for us to engage in disciplines such as science, yet the irony is that when some of us find this God-given gift, they use it to challenge God Himself (see Chapter 12). There are some key objections to this argument that are addressed below.
Deus das lacunas.
God of the gaps.
A objeção do "deus das lacunas" afirma que uma lacuna no conhecimento científico sobre um determinado fenômeno não deve levar à crença na existência de Deus, nem à referência à atividade Divina, porque a ciência acabará por progredir o suficiente para fornecer uma explicação. Esta objeção não pode ser aplicada ao argumento apresentado neste capítulo, porque ele não trata de uma lacuna dentro do conhecimento científico; trata dos fundamentos da ciência. A capacidade de raciocinar é requisito para que qualquer ciência possa acontecer. Argumentar que a ciência acabará por explicar os seus próprios pressupostos equivale a raciocinar em círculo. Esta discussão está além do domínio da ciência, pois estamos a discutir os pressupostos fundamentais da própria ciência. Por isso, a objeção do "deus das lacunas" está, neste caso, mal aplicada.
The “god of the gaps” objection asserts that a gap in scientific knowledge about a particular phenomenon should not give rise to belief in God’s existence, or reference to Divine activity, because science will eventually progress far enough to provide an explanation. This objection cannot be applied to the argument presented in this chapter because it does not address a gap within scientific knowledge; it addresses the foundations of science. The ability to reason is required before any science can take place. To argue that science will eventually explain its own assumptions is tantamount to arguing in a circle. This discussion is beyond the realm of science, as we are discussing the foundational assumptions of science itself. Hence the “god of the gaps” objection is in this case misplaced.
Este é um argumento pressuposicional.
This is a presuppositional argument.
O presuposicionalismo é uma forma de argumento que afirma que não podemos dar conta da razão sem a cosmovisão cristã. A afirmação sustenta que não se pode usar a razão se ela não tiver sido explicada. No entanto, o ateu pode, e com razão o faz, devolver o argumento ao cristão. O ateu pode perguntar por que o cristão acredita ter dado conta da sua capacidade de raciocinar. Se o cristão responder que a cosmovisão cristã explica a sua capacidade de raciocinar, então o ateu tem o direito de perguntar como, e o argumento pode girar em círculos. O argumento deste capítulo não é presuposicional. Ele aceita o pressuposto de que temos a capacidade de raciocinar, e não argumenta que, antes de usar a razão, é preciso explicar a própria capacidade de raciocinar. O argumento responde à pergunta: dado que aceitamos o fato de que podemos raciocinar, qual cosmovisão melhor explica essa nossa capacidade? Ele argumenta que a melhor maneira de explicar a nossa capacidade de raciocinar é pela existência de Deus, e que o naturalismo, e por extensão o ateísmo, invalida o pressuposto de que temos a capacidade de raciocinar. Portanto, o ateísmo deve ser rejeitado. A racionalidade pode surgir a partir da complexidade.
Presuppositionalism is a form of argument that asserts that we cannot account for reason without the Christian worldview. The assertion maintains that you cannot use reason if it is unaccounted for. However, the atheist can—and rightly does—throw the argument back at the Christian. The atheist can ask why the Christian believes he has accounted for his ability to reason. If the Christian replies that the Christian worldview accounts for his ability to reason, then the atheist is within his right to ask how, and the argument can go around in circles. The argument in this chapter is not a presuppositional one. It accepts the assumption that we have the ability to reason, and it does not argue that before you use your reason you need to account for your ability to reason. The argument answers the question: Given that we accept the fact that we can reason, what worldview best explains our ability to do so? It argues that the best way to explain our ability to reason is by God’s existence, and that naturalism—and by extension, atheism—invalidates the assumption that we have the ability to reason. Therefore, atheism must be rejected. Rationality can arise out of complexity.
Os materialistas emergentistas argumentam que um sistema de processos físicos complexos, que sofrem interações complexas, pode dar origem a propriedades ou fenômenos que não existem nos componentes individuais que formam o sistema. O materialista emergentista cita a história da ciência: quando algo era considerado "misterioso", foi posteriormente desmistificado quando os processos complexos subjacentes foram compreendidos. Portanto, o materialista emergentista responde ao argumento da razão postulando que nossa capacidade de raciocinar, mais especificamente, a capacidade de alcançar uma percepção de uma conclusão, é baseada em processos complexos no cérebro. Uma vez que esses processos sejam compreendidos, nossa capacidade de raciocinar terá sido explicada. Um exemplo comum citado pelos materialistas emergentistas é a água, H2O. A água é composta de hidrogênio e oxigênio, que são gases, mas, quando combinados quimicamente, formam o líquido que sustenta a vida. A água possui propriedades que o hidrogênio e o oxigênio não possuem. Exemplos como esses dão ao materialista emergentista a confiança para argumentar que uma propriedade pode surgir de um sistema de processos complexos, mesmo que ela não esteja presente nos componentes desse sistema. No entanto, esse exemplo está mal aplicado, porque o argumento articulado neste capítulo não é um caso de uma coisa física dando origem a outra coisa física (como os gases hidrogênio e oxigênio dando origem às propriedades físicas da água). Ao contrário, o que requer explicação é uma propriedade não física (ter uma percepção mental de uma conclusão) surgindo de propriedades físicas (processos físicos cegos). Se os processos complexos que sustentam a atividade cerebral fossem compreendidos, e todas as suas interações causais fossem mapeadas, como isso explicaria nossa capacidade de raciocinar? Ainda não responderia à pergunta: como podemos adquirir a verdade usando nossa capacidade de formar percepções com mentes supostamente baseadas em processos físicos cegos e aleatórios anteriores? Simplesmente referir-se à complexidade não explica nada, e equivale a dizer "simplesmente acontece". Parece-me que o materialismo emergentista é uma tentativa fraca de preencher a lacuna criada por uma visão de mundo naturalista (o Capítulo 7 explica como o materialismo emergentista não consegue explicar as experiências conscientes subjetivas). Outro problema do exemplo da H2O é que as intuições racionais, baseadas nas relações entre premissas, parecem ser muito diferentes dos processos físicos, neste caso a atividade neural. O exemplo da H2O pressupõe que intuições racionais e processos físicos são a mesma coisa. O professor Raymond Tallis argumenta que "tanto a água brilhante quanto as moléculas de H2O precisam ser reveladas como uma coisa ou outra. Elas correspondem a dois modos diferentes de observação… Os dois aspectos da água são duas aparências, dois modos de experienciá-la, e isso dificilmente se aplica à atividade neural como atividade eletroquímica e como experiência."83
Emergent materialists argue that a system of complex physical processes, undergoing complex interactions, can give rise to properties or phenomena that do not exist in the individual components that comprise the system. The emergent materialist will cite the history of science: when something was deemed ‘mysterious’, it was later demystified when the underlying complex processes were understood. Therefore, the emergent materialist responds to the argument from reason, by postulating that our ability to reason—more specifically, the ability to achieve an insight into a conclusion—is based on complex processes in the brain. Once these processes are understood, our ability to reason will have been explained. A common example that emergent materialists cite is water, H20. Water is made up of hydrogen and oxygen, which are gases, yet when combined chemically they form the life-sustaining liquid. Water has properties that hydrogen and oxygen do not. Examples like these provide the emergent materialist with the confidence to argue that a property can arise from a system of complex processes, even though it is not present in the components of that system. Nevertheless, this example is misplaced because the argument articulated in this chapter is not a case of a physical thing bringing into existence another physical thing (like gases hydrogen and oxygen giving rise to water’s physical properties). On the contrary, what requires explaining is a nonphysical property (having a mental insight into a conclusion) arising from physical ones (blind physical processes). If the complex processes that underpin brain-activity were understood, and all of their causal interactions were mapped out, how would that explain our ability to reason? It would still not answer the question: How can we acquire truth using our ability to form insights with minds allegedly based on prior blind, random physical processes? To simply refer to complexity does not explain anything, and it is tantamount to saying, “it just happens”. It seems to me that emergent materialism is a weak attempt to fill the gap created by a naturalistic worldview (Chapter 7 explains how emergent materialism cannot explain subjective conscious experiences). Another problem with the H20 example is that rational insights— based on relations between premises—seem to be very different to physical processes, in this case neural activity. The H20 example assumes that rational insights and physical processes are the same. Professor Raymond Tallis argues that “both shiny water and H20 molecules need to be revealed as one or the other. They correspond to two different modes of observation… The two aspects of water are two appearances, two modes of experiencing it, and this hardly applies to neural activity as electrochemical activity and as experience.”83
A implicação mais ampla de adotar o materialismo emergentista é que permitimos teorias que não conseguem explicar as relações ou os processos físicos de um sistema. Se alguém argumenta que a complexidade pode explicar novas propriedades, sem explicar como essas propriedades emergem, então por que deveríamos esperar que uma teoria explique alguma coisa? Simplesmente esperar que nossa compreensão científica melhore não é um argumento. Isso equivale a explicar a um construtor iniciante que é possível construir uma casa apenas tendo muitos tijolos. Isso não é verdade; outras coisas também são necessárias para construir uma casa, como cimento, um projeto, pedreiros, encanadores, eletricistas, ferramentas etc. Em conclusão, o materialismo emergentista não é uma teoria coerente; é uma tentativa incoerente de preencher a lacuna deixada pelo naturalismo.
The wider implication of adopting emergent materialism is that we allow theories that cannot explain the physical relations or processes of a system. If one argues that complexity can explain new properties—without explaining how they emerge—then why should we expect a theory to explain anything? Merely waiting for our scientific understanding to improve is not an argument. This is equivalent to explaining to a trainee builder that you can build a house by having many bricks. This is not true; other things are also required to build a house, such as cement, a design, bricklayers, plumbers, electricians, tools, etc. In conclusion, emergent materialism is not a coherent theory; it is an incoherent attempt to fill the gap left by naturalism.
Computadores são racionais; portanto, processos físicos podem explicar a racionalidade.
Computers are rational; therefore, physical processes can explain rationality.
Uma objeção comum ao argumento de que a racionalidade não pode surgir de processos físicos é a suposta capacidade de programas de computador de se envolverem em raciocínio dedutivo. Uma característica essencial da racionalidade é que, em um argumento dedutivo válido, a conclusão segue necessariamente. Como os programas de computador se baseiam em processos físicos e exibem uma característica essencial da racionalidade, os processos físicos podem explicar nossa capacidade de raciocinar, afirma o argumento. Esta é outra contenda equivocada. Como destacado neste capítulo, o raciocínio humano se baseia em ter percepções mentais fundamentadas nas relações lógicas entre as premissas. Programas de computador não conseguem "ver" nada. Os seres humanos não apenas têm percepções; nossas percepções também são dotadas de significado. Temos a capacidade de compreender e questionar o significado das conclusões a que chegamos. Não se caracteriza que programas de computador tenham percepções significativas. Programas de computador se baseiam em regras sintáticas (a manipulação de símbolos), e não em semântica (significado). Para entender a diferença entre semântica e sintaxe, considere as seguintes frases:
A common objection to the argument that rationality cannot arise from physical processes is the alleged ability of computer programmes to engage in deductive reasoning. A key feature of rationality is that, in a valid deductive argument, the conclusion necessarily follows. Since computer programmes are based on physical processes and exhibit a key feature of rationality, physical processes can account for our ability to reason, the argument goes. This is another misplaced contention. As highlighted in this chapter, human reasoning is based on having mental insights based on the logical relations between premises. Computer programmes cannot “see” anything. Humans not only have insights; our insights are also meaningful. We have the ability to understand and question the meaning of the conclusions we come to. Computer programmes are not characterised as having meaningful insights. Computer programmes are based on syntactical rules (the manipulation of symbols), not semantics (meaning). To understand the difference between semantics and syntax, consider the following sentences:
• Eu amo minha família.
• I love my family.
Você sente falta de algo ou quer que eu traduza outro texto? Mas, seguindo a instrução: o texto em grego que você enviou é "αγαπώ την οικογένειά μου", que significa "amo a minha família".
• αγαπώ την οικογένειά μου.
O texto fornecido está em bengali, não em inglês, mas vou traduzi-lo para o português: "Eu amo a minha família."
• আমি আিার পমরবারকে ভালবামি.
Estas três frases significam o mesmo: Eu amo minha família. Isto se refere à semântica, ao significado das frases. Mas a sintaxe é diferente. Em outras palavras, os símbolos usados não são iguais. A primeira frase usa "símbolos" do inglês, a segunda do grego, e a última do bengali. A partir disso, pode-se desenvolver o seguinte argumento:
These three sentences mean the same thing: I love my family. This refers to semantics, the meaning of the sentences. But the syntax is different. In other words, the symbols used are unalike. The first sentence is using English ‘symbols’, the second Greek, and the last Bangla. From this, the following argument can be developed:
1. Os programas de computador são sintáticos (baseados na sintaxe).
1. Computer programmes are syntactical (based on syntax).
2. As mentes têm semântica.
2. Minds have semantics.
3. A sintaxe, por si só, não é suficiente nem constitutiva para a semântica.
3. Syntax by itself is neither sufficient for, nor constitutive for semantics.
4. Portanto, programas de computador, por si mesmos, não são mentes.84.
4. Therefore, computer programmes by themselves are not minds.84.
Imagine that an avalanche somehow arranges mountain rocks into the words "I love my family." It would be absurd to say that the mountain knows what the arrangement of rocks (symbols) means. This indicates that the mere manipulation of symbols (syntax) does not give rise to meaning (semântica).85
Imagine that an avalanche somehow arranges mountain rocks into the words I love my family. It would be absurd to say that the mountain knows what the arrangement of rocks (symbols) means. This indicates that the mere manipulation of symbols (syntax) does not give rise to meaning (semantics).85
Os programas de computador baseiam-se na manipulação de símbolos, não de significados. Da mesma forma, não consigo saber o significado da frase em bengali apenas manipulando as letras (símbolos). Não importa quantas vezes eu manipule as letras bengalis, não conseguirei compreender o sentido das palavras. É por isso que, para a semântica, precisamos de mais do que a sintaxe correta. Os programas de computador operam com sintaxe e não com semântica. Os computadores não sabem o significado de nada. O experimento mental do Quarto Chinês do Professor John Searle é uma maneira poderosa de mostrar que a mera manipulação de símbolos não leva à compreensão do que eles significam:
Computer programmes are based on the manipulation of symbols, not meanings. Likewise, I cannot know the meaning of the sentence in Bangla just by manipulating the letters (symbols). No matter how many times I manipulate the Bangla letters, I will not be able to understand the meaning of the words. This is why for semantics, we need more than the correct syntax. Computer programmes work on syntax and not on semantics. Computers do not know the meaning of anything. Professor John Searle’s Chinese Room thought-experiment is a powerful way of showing that the mere manipulation of symbols does not lead to an understanding of what they mean:
"Imagine que você está trancado em um quarto, e neste quarto há várias cestas cheias de símbolos chineses. Imagine que você (como eu) não entende uma palavra de chinês, mas recebe um livro de regras em inglês para manipular os símbolos chineses. As regras especificam a manipulação dos símbolos de forma puramente formal, em termos de sua sintaxe, e não de sua semântica. Assim, a regra pode dizer: 'Tire um rabisco-rabisco da cesta número um e coloque-o ao lado de um sinal rabisco-rabisco da cesta número dois.' Agora suponha que alguns outros símbolos chineses sejam passados para dentro do quarto, e que você receba mais regras para devolver símbolos chineses para fora do quarto. Suponha que, sem que você saiba, os símbolos passados para dentro do quarto são chamados de 'perguntas' pelas pessoas do lado de fora, e os símbolos que você devolve para fora do quarto são chamados de 'respostas às perguntas'. Suponha, além disso, que os programadores sejam tão bons em projetar os programas e que você seja tão bom em manipular os símbolos, que muito em breve suas respostas sejam indistinguíveis das de um falante nativo de chinês. Lá está você, trancado em seu quarto, embaralhando seus símbolos chineses e passando para fora símbolos chineses em resposta a símbolos chineses que chegam… Agora, o ponto da história é simplesmente este: por estar implementando um programa de computador formal do ponto de vista de um observador externo, você se comporta exatamente como se entendesse chinês, mas, ainda assim, você não entende uma palavra de chinês."86
“Imagine that you are locked in a room, and in this room are several baskets full of Chinese symbols. Imagine that you (like me) do not understand a word of Chinese, but that you are given a rule book in English for manipulating the Chinese symbols. The rules specify the manipulation of symbols purely formally, in terms of their syntax, not their semantics. So the rule might say: ‘Take a squiggle-squiggle out of basket number one and put it next to a squiggle-squiggle sign from basket number two.’ Now suppose that some other Chinese symbols are passed into the room, and that you are given further rules for passing back Chinese symbols out of the room. Suppose that unknown to you the symbols passed into the room are called ‘questions’ by the people outside the room, and the symbols you pass back out of the room are called ‘answers to questions.’ Suppose furthermore, that the programmers are so good at designing the programs and that you are so good at manipulating the symbols, that very soon your answers are indistinguishable from those of a native Chinese speaker. There you are locked in your room shuffling your Chinese symbols and passing out Chinese symbols in response to incoming Chinese symbols… Now the point of the story is simply this: by virtue of implementing a formal computer program from the point of view of an outside observer, you behave exactly as if you understood Chinese, but all the same you do not understand a word of Chinese.”86
Na experiência de pensamento do Quarto Chinês, a pessoa dentro do quarto está simulando um computador. Outra pessoa manipula os símbolos de uma forma que faz a pessoa dentro do quarto parecer compreender chinês. No entanto, a pessoa dentro do quarto não entende a língua; ela apenas imita esse estado. O Professor Searle conclui:
In the Chinese Room thought-experiment, the person inside the room is simulating a computer. Another person manages the symbols in a way that makes the person inside the room seem to understand Chinese. However, the person inside the room does not understand the language; they merely imitate that state. Professor Searle concludes:
“Ter os símbolos por si só — ter apenas a sintaxe — não é suficiente para ter a semântica. Meramente manipular símbolos não basta para garantir o conhecimento do que eles significam.”87
“Having the symbols by themselves—just having the syntax— is not sufficient for having the semantics. Merely manipulating symbols is not enough to guarantee knowledge of what they mean.”87
O objetor poderia responder a isto argumentando que, embora o programa de computador não conheça o significado, o sistema como um todo o conhece. O Professor Searle chamou a esta objeção "a resposta dos sistemas"88. No entanto, por que razão o programa não conhece o significado? A resposta é simples: ele não tem meio algum de atribuir significado aos símbolos. Visto que um programa de computador não consegue atribuir significado a símbolos, como pode um sistema informático — que depende do programa — compreender o significado? Não se pode produzir compreensão apenas por se ter o programa certo. Searle apresenta uma versão ampliada da experiência de pensamento do Quarto Chinês para mostrar que o sistema, como um todo, não compreende o significado: "Imaginem que eu memorizo o conteúdo dos cestos e o livro de regras, e que faço todos os cálculos de cabeça. Podem até imaginar que trabalho à vista de todos. Não há nada no 'sistema' que não esteja em mim e, como eu não compreendo chinês, o sistema também não o compreende."89
The objector might respond to this by arguing that although the computer programme does not know the meaning, the whole system does. Professor Searle has called this objection “the systems reply”88. However, why is it that the programme does not know the meaning? The answer is simple: it has no way of assigning meaning to the symbols. Since a computer programme cannot assign meaning to symbols, how can a computer system—which relies on the programme—understand the meaning? You cannot produce understanding just by having the right programme. Searle presents an extended version of the Chinese Room thought-experiment to show that the system, as a whole does not understand the meaning: “Imagine that I memorize the contents of the baskets and the rule book, and I do all the calculations in my head. You can even imagine that I work out in the open. There is nothing in the ‘system’ that is not in me, and since I don’t understand Chinese, neither does the system.”89
Uma resposta simples a esta objeção inclui também o fato de que os computadores não são sistemas independentes com a capacidade de se engajar em raciocínio dedutivo. Eles foram projetados, desenvolvidos e fabricados por seres humanos conscientes e racionais. Portanto, os computadores são apenas uma extensão de nossa capacidade de realizar intuições racionais. William Hasker explica:
A simple response to this objection also includes the fact that computers are not independent systems with the ability to engage in deductive reasoning. They were designed, developed and made by human beings that are conscious and rational. Therefore, computers are just a protraction of our ability to perform rational insights. William Hasker explains:
"Os computadores funcionam como funcionam porque foram dotados de discernimento racional. Um computador, em outras palavras, é apenas uma extensão da racionalidade de seus projetistas e usuários; não é mais uma fonte independente de discernimento racional do que um aparelho de televisão é uma fonte independente de entretenimento jornalístico."90.
“Computers function as they do because they have been endowed with rational insight. A computer, in other words, is merely an extension of the rationality of its designers and users; it is no more an independent source of rational insight than a television set is an independent source of news entertainment.”90.
O ateísmo não tem, e não pode ter, o monopólio da razão. É lamentável que esteja a crescer a percepção de que os ateus são racionais e de que o ateísmo se baseia na razão. Nada poderia estar mais longe da verdade. Processos físicos cegos e aleatórios não podem explicar a nossa capacidade de raciocinar. É por isso que o ateísmo invalida a própria coisa que afirma usar para rejeitar o Divino. No entanto, segundo o teísmo islâmico, vivemos num universo racional criado pelo Criador, o Onividente, o Sábio e o Conhecedor, que nos deu a capacidade de raciocinar. Isto é coerente e explica plenamente as nossas faculdades racionais; nada mais o fará (de facto, nada mais o pode fazer). Sustentar que processos físicos cegos e aleatórios podem dar conta da nossa capacidade de ver, pensar e aprender é irracional. Aqueles que persistem neste pensamento são, na realidade, adversários da razão. Não diferem de um taxista que se vendasse os olhos e insistisse que consegue levar os seus passageiros ao destino.
Atheism does not—and cannot—have a monopoly on reason. It is a shame that there is a growing perception that atheists are rational, and that atheism is based on reason. Nothing could be further from the truth. Blind, random physical processes cannot account for our ability to reason. This is why atheism invalidates the very thing it claims to use to reject the Divine. However, according to Islamic theism, we live in a rational universe created by the All-Seeing, The-Wise and The-Knowing Creator, who gave us the ability to reason. This is coherent and accounts fully for our rational faculties; nothing else will (indeed, nothing else can). Maintaining that blind, random physical processes can make sense of our ability to see, think and learn is irrational. Those who persist in this thinking are in fact adversaries of reason. They are no different from a taxi-driver putting on a blindfold and insisting that he can drive his passengers to their destination.