2.2 A Síria Auxilia a Hegemonia Americana sobre o Iraque
2.2 Syria Aids American Hegemony Over Iraq
"Você não pode fazer guerra no Oriente Médio sem o Egito, e não pode fazer a paz sem a Síria." -- Henry A. Kissinger. Em 26 de outubro de 2008, quatro helicópteros dos EUA voaram 8
"You can't make war in the Middle East without Egypt and you can't make peace without Syria.” -- Henry A. Kissinger On October 26 2008, four U.S. helicopters flew 8
quilômetros para dentro da Síria a partir do Iraque, e atacou um complexo de fazendas no leste da Síria. A operação, liderada por Forças Especiais dos EUA, matou oito pessoas, incluindo quatro crianças e o operativo da Al Qaida Abu Ghadiya. Imediatamente após a incursão, o regime sírio denunciou veementemente o ataque como uma violação de sua soberania e adotou uma série de medidas de retaliação em protesto. Isso incluiu a retirada de tropas sírias da fronteira com o Iraque, a mobilização de multidões para extravasar a raiva contra a América, o fechamento da escola americana e do centro cultural dos EUA. Além disso, o regime de Al-Assad exigiu um pedido oficial de desculpas e compensação para as vítimas. No entanto, para além da retórica inflamada, surgiram novos detalhes que sugerem a cumplicidade da Síria no ataque.
kilometres into Syria from Iraq, and attacked a farm compound in Eastern Syriaxi. The operation led by US Special Forces killed eight people including four children and Al Qaida operative Abu Ghadiya. Immediately after the raid, the Syrian regime vehemently denounced the attack as a violation of its sovereignty and carried out a series of retaliatory measures in protest. This included the removal of Syrian troops from the Iraqi border, mobilization of crowds to vent anger against America, closure of the American school and the US cultural centre. Additionally, Al-Assad’ s regime demanded an official apology and compensation for the victims. However, beyond the fiery rhetoric, new details have emerged that suggest Syria’ s complicity in the attack.
Em 2 de novembro de 2008, o jornal inglês The Times revelou que a Síria havia dado permissão para que a incursão fosse realizada e, quando a operação fracassou, os notórios serviços de inteligência secreta da Síria inundaram a região para limpar a bagunça e silenciar os moradores locais. O jornal revelou ainda que a área da fazenda era um paraíso para combatentes jihadistas, que podiam treinar e se deslocar livremente pela fronteira iraquiana. Alguns falavam com sotaques iraquianos carregados. As revelações não são novas e confirmam suspeitas antigas de que a Síria vem auxiliando, de forma encoberta, os Estados Unidos a estabilizar o Iraque.
On November 2 2008, the English newspaper, The Times revealed that Syria had given permission for the raid to go ahead and when the operation was bungled, Syria’ s notorious secret intelligence services flooded the region to clear up the mess and muzzle local villagers. The paper further disclosed that the farm area was a heaven for jihadi fighters who were free to train and move across the Iraqi border. Some spoke with thick Iraqi accents. The revelations are not new and confirm long standing suspicions that Syria is covertly assisting America to stabilize Iraq.
Após a queda de Saddam, muitos iraquianos fugiram do Iraque e buscaram refúgio na Síria. Atualmente, seu número gira em torno de 1,5 milhão. Sob auspícios americanos, a Síria instalou campos de treinamento militantes para recrutar e treinar os refugiados iraquianos como combatentes, com o objetivo explícito de infiltrar-se na resistência iraquiana, fornecer informações em tempo real a autoridades americanas e executar operações secretas no Iraque, especialmente aquelas que incentivam a discórdia sectária. A Síria também estabeleceu postos de controle a cada 4 quilômetros ao longo da fronteira que faz divisa com o Iraque. Por meio desses esforços, o regime sírio conseguiu monitorar e acompanhar combatentes jihadistas que atravessavam a fronteira. Esse arranjo resultou na prisão de vários milhares de combatentes independentes da resistência, bem como na eliminação de diversos alvos de alto valor, sendo o mais recente Abu Ghadiya.
After the fall of Saddam, many Iraqis fled Iraq and sought refuge in Syria. At present their numbers stand at approximately 1.5 million. Under American auspices, Syria set up militant training camps to recruit and train the Iraqi refugees into fighters with the explicit purpose of infiltrating the Iraqi resistance, providing real-time intelligence to US officials, and executing covert operations in Iraq, especially those that encourage sectarian discord. Syria also established checkpoints every 4 kilometres along the border that abuts Iraq. Through such endeavours the Syrian regime was able to monitor and keep track of jihadi fighters moving across the border. This arrangement resulted in the arrest of several thousand independent resistance fighters as well as the elimination of several high value targets— latest addition being Abu Ghadiya.
Posteriormente, a Síria conseguiu, em certa medida, pacificar a fronteira ocidental do Iraque e ajudar no controle americano sobre a região. Para conferir maior legitimidade política ao combalido governo iraquiano pró-americano, a Síria normalizou recentemente as relações diplomáticas e enviou seu primeiro embaixador a Bagdá em 26 anos. Não surpreende, portanto, que, em setembro, Jalal Talabani, presidente do Iraque, tenha dito ao seu senhor, o presidente americano George Bush, que a Síria já não representava um problema para a segurança iraquiana. Então, se a Síria não representava ameaça alguma, por que os EUA realizaram a incursão?
Subsequently, Syria was able to some extent pacify Iraq’ s western border and aid America’ s control over the area. To provide greater political legitimacy to Iraq’ s ailing pro- American government; Syria recently normalized diplomatic ties and sent its first ambassador to Baghdad in 26 years. Not surprisingly then, that in September Jalal Talabani, Iraq's president, told his master US President George Bush that Syria no longer posed a problem to Iraqi security. So if Syria posed no threat then why did the US conduct the raid?
Parece que o momento do ataque foi planejado para alcançar três objetivos. Primeiro, os Estados Unidos receberam informações valiosas para capturar Abu Ghadiya. Algumas semanas antes, vários militantes foram capturados em Baquba, uma base para os combatentes da Al-Qaeda no Iraque, e as informações obtidas com eles motivaram a incursão. Segundo, a retirada das tropas da fronteira síria está ajudando os Estados Unidos a pressionar os iraquianos a assinar um novo pacto de segurança que manterá formalmente as forças americanas no Iraque até 2011. Terceiro, os Estados Unidos aproveitaram a incursão para anunciar sua doutrina de guerra preventiva, muito ampliada.
It appears that the timing of the attack was meant to achieve three objectives. First, America was presented with valuable information to apprehend Abu Ghadiya. A few weeks before, several militants were captured in Baquba a base for Al-Qaida fighters in Iraq and information gained from them prompted the raid. Second, the removal of Syrian border troops is helping America pressurize the Iraqis to sign up to a new security pact that will keep US forces formally in Iraq till 2011. Third, America exploited the raid to announce its much expanded pre-emptive war doctrine.
No dia 28 de outubro, na Carnegie Endowment for International Peace (CEIP), o Secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, declarou que "os EUA responsabilizarão totalmente qualquer Estado, grupo terrorista, outro ator não estatal ou indivíduo que apoie ou facilite esforços terroristas para obter ou usar armas de destruição em massa". Os ataques transfronteiriços contra a Síria e o Paquistão, realizados por forças dos EUA estacionadas no Iraque e no Afeganistão, são uma manifestação dessa linha de pensamento.
On October 28 at the Carnegie Endowment for International Peace (CEIP), US Defence Secretary Robert Gates declared that "the US will hold any state, terrorist group, or other non-state actor or individual fully accountable for supporting or enabling terrorist efforts to obtain or use weapons of mass destruction.” The crossborder raids against Syria and Pakistan from US forces stationed in Iraq and Afghanistan is a manifestation of this strand of thinking.
A colaboração da Síria com os Estados Unidos não se limita ao Iraque, mas se estende ao Líbano e à Palestina. O apoio de Damasco às facções pró-sírias no Líbano e as propostas de paz da Síria a Israel têm como objetivo facilitar o domínio dos Estados Unidos sobre a região.
Syria’ s collusion with America is not just limited to Iraq but extends to Lebanon and Palestine. Damascus’ s support of pro-Syrian factions in Lebanon and Syria’ s peace overtures to Israel are designed to facilitate America’ s stranglehold over the region.
3 de novembro de 2008
November 3, 2008