4.3 O Século Americano do Século XXI Está Prestes a Terminar
4.3 21st American Century Is About To End
"Assim como no período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial, coalizões e blocos regionais poderiam se formar para contestar a supremacia americana. Se uma dessas entidades conseguisse consolidar seu poder com rapidez suficiente, poderia surgir um novo mundo bipolar. Potencialmente, a China, uma coalizão pan-árabe ou uma União Europeia (UE) unificada poderiam se tornar essa nova superpotência." — Robert DeYeso Mal se passaram seis anos desde que o presidente Bush assumiu o cargo, e o tão cobiçado século XXI, que pertencia à América, está prestes a chegar a um fim abrupto. A preeminência americana em quatro cantos do mundo está sendo desafiada por amigos e inimigos igualmente.
“Much like the time leading up to World War I, coalitions and regional blocs could form to contest American supremacy. If one of these entities could consolidate its power quickly enough, a new bipolar world could emerge. Potentially, China, a pan-Arab coalition, or a unified European Union (EU) could become this new superpower.” -- Robert DeYeso Barely six years have elapsed since President Bush took office and the much coveted 21st century belongs to America is about to come to an abrupt end. America’ s pre-eminence in four corners of the world is being challenged by friends and foes alike.
No quintal dos próprios Estados Unidos— a América Latina— o presidente venezuelano Hugo Chávez lidera uma cruzada para minar os interesses dos EUA em toda a região. Ele conseguiu obter o apoio dos líderes de Cuba, Bolívia e Equador para propagar a sua causa. Juntos, desafiaram a supremacia americana ao lançar uma campanha para recuperar campos de petróleo e gás das empresas ocidentais e colocá-los diretamente sob controle estatal.
In America’ s own backyard— Latin America— Venezuelan President Hugo Chávez is spearheading a crusade to undermine US interests across the region. He has successfully garnered the support of the leaders of Cuba, Bolivia and Ecuador to propagate his cause. Together they have challenged American supremacy by embarking on a campaign to reclaim oil and gas fields from western companies and put them directly under state control.
Do outro lado do Atlântico, a Europa, profundamente abalada pela guerra no Iraque e fortemente hostil à agenda unilateralista da administração Bush, ofereceu, na melhor das hipóteses, uma ajuda apenas nominal.
Across the Atlantic, Europe smitten by the Iraq war and deeply hostile to the unilateralist agenda of the Bush administration has at best offered nominal assistance.
Ao contrário, quando tiveram a oportunidade, os europeus, sobretudo os franceses, os alemães e os britânicos, agiram mais como inimigos do que como aliados da América. A intransigência francesa no Líbano, a recusa da Europa em comprometer tropas significativas no Iraque e no Afeganistão, a interferência britânica na Palestina e a hostilidade francesa e britânica a um acordo para Darfur prejudicaram a posição da América no mundo e corroeram sua legitimidade.
Rather, given the opportunity the Europeans—notably the French, the Germans and the British have behaved more as foes than American allies. French intransigence in Lebanon, Europe’ s refusal to commit significant troops to Iraq and Afghanistan, Britain’ s interference in Palestine, and French and British hostility towards a Darfur settlement have damaged America’ s standing in the world and eroded her legitimacy.
A Rússia e a China, submetidas por cerca de vinte anos de poder americano, despertaram de novo para contrapor-se às revoluções de inspiração americana que varrem a Ásia Central. O Uzbequistão voltou à esfera de influência de Moscou, o Quirguistão e a Bielorrússia frustraram com êxito levantes apoiados pelos EUA; a América não conseguiu consolidar os ganhos políticos obtidos na Ucrânia, e a Geórgia sofreu uma severa reação da Rússia por causa de seus laços com Washington.
Russia and China subdued by twenty or so years of American power have reawakened to counter American inspired revolutions sweeping Central Asia. Uzbekistan returned to Moscow’ s sphere of influence, Kyrgyzstan and Belarus successfully thwarted US backed uprisings; America failed to press home the political gains made in Ukraine, and Georgia witnessed a severe backlash from Russia over its ties with Washington.
Além disso, o Quirguistão e o Tajiquistão, os pequenos Estados da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), ganharam confiança suficiente para exigir a retirada das bases americanas. Os ganhos da América nesta região quase não valem nada.
Furthermore, Kyrgyzstan and Tajikistan the minnow states of the Shanghai Cooperation Organization (SCO) have become emboldened enough to demand withdrawal of American bases. America’ s gains in this region almost stand to naught.
Pior ainda é que a guerra ao terrorismo, sem querer, consolidou a relação da China com a Rússia, desfazendo anos de planejamento estratégico americano para manter os dois antigos inimigos afastados. A aliança sino-russa, reanimada pelo crescimento econômico e por um desejo comum de ver um mundo bipolar, estendeu seus tentáculos pelo globo, prejudicando os interesses dos EUA.
Worse still is that the war on terror has inadvertently solidified China’ s relationship with Russia—undoing years of American strategic planning to keep the two erstwhile enemies apart. The China-Russian alliance reinvigorated with economic growth and a common desire to see a bipolar world has spread its tentacles across the globe harming US interests.
A Rússia, sem se deixar intimidar pelas ameaças americanas, está equipando a Venezuela e o Irã com armamento moderno. xxv. As empresas energéticas chinesas estão assinando acordos de petróleo em locais que tradicionalmente eram domínio dos gigantes petrolíferos americanos. xxvi. No Oriente Médio, tanto a Rússia quanto a China manifestaram forte oposição à posição dos Estados Unidos em relação ao Irã. Na península coreana, o apoio incondicional de Pequim a Pyongyang expôs a incapacidade de Washington de impedir que a Coreia do Norte se torne nuclear.
Russia unfazed by American threats is equipping Venezuela and Iran with modern weaponryxxv. Chinese energy companies are signing oil deals in places that have traditionally been the preserve of American oil giantsxxvi. In the Middle East, both Russian and China have taken strong objection to America’ s position over Iran. On the Korean peninsula, Beijing’ s unfettered support for Pyongyang has exposed Washington’ s inability to prevent North Korea from becoming nuclear.
Em todo o mundo muçulmano, a credibilidade da América caiu para o seu nível mais baixo de todos os tempos. A ferocidade da resistência no Iraque e no Afeganistão quebrou a espinha do exército dos EUA e obrigou o presidente Bush a abandonar os seus planos de promover a democracia. Incapaz de retirar a América do Iraque e do Afeganistão, Bush teve de recorrer à "Doutrina Truman" e buscar a ajuda de autocracias seculares como a Síria, o Irã e o Paquistão. Em vez de remodelar o mundo muçulmano à imagem da América, as políticas nefastas da administração Bush islamizaram a região, politizaram as massas muçulmanas para que despertassem do seu torpor espiritual e galvanizaram a intelectualidade muçulmana numa força poderosa de islamismo político. Resumindo os últimos seis anos, basta dizer que a América está a precipitar o nascimento do Califado.
Throughout the Muslim world America’ s credibility has plummeted to an all-time low. The ferocity of the resistance in Iraq and Afghanistan has broken the back of the US army and forced President Bush to abandon his plans to advance democracy. Bush unable to extricate America from Iraq and Afghanistan has had to revert to the ‘Truman Doctrine’ and seek the help of secular autocracies like Syria, Iran and Pakistan. Instead of reshaping the Muslim world in America’ s image, the nefarious policies of the Bush administration has Islamised the region, politicized the Muslim masses to awaken from their spiritual slumber and galvanized the Muslim intelligentsia into a powerful force or political Islam— to sum up the last six years— it is suffice to say that America is precipitating the birth of the Caliphate.
Depois de duas décadas dominando os assuntos mundiais, a América se encontra à mercê de seus amigos e inimigos. Graham Fuller, ex-vice-presidente do National Intelligence Council, descreveu corretamente a situação da América quando escreveu na edição mais recente da National Interest: "diversos países têm empregado uma multiplicidade de estratégias e táticas destinadas a enfraquecer, desviar, alterar, complicar, limitar, atrasar ou bloquear a agenda Bush por meio de morte por mil cortes." Então, o que acontece depois que a América caiu de seu posto como a única superpotência mundial? A Europa está dividida demais para assumir o papel de estado líder. A Rússia ainda não converteu sua força econômica em capital político para se posicionar como a potência preeminente. Tanto a China quanto a Índia carecem da vontade política e da experiência para influenciar a política mundial. Por um futuro previsível, ambos os países ficarão confinados às suas respectivas esferas de influência.
After two decades of dominating world affairs, America finds itself at the mercy of her friends and enemies. Graham Fuller, former vice chairman of the National Intelligence Council, described America’ s predicament correctly when he wrote in the latest issue of the National Interest, “diverse countries have deployed a multiplicity of strategies and tactics designed to weaken, divert, alter, complicate, limit, delay or block the Bush agenda through death by a thousand cuts.” So what happens after America has fallen from its perch as the world’ s sole super power? Europe is too divided to take up the mantle of the leading state. Russia has yet to translate her economic strength into political capital to position herself as the pre-eminent power. Both China and India lack the political will and the experience to affect world politics. For the foreseeable future, both countries will be confined to their respective spheres of influence.
O país que deseja suplantar a América deve possuir uma população enorme, recursos abundantes, uma ideologia universal e a vontade política de vencer. O candidato mais óbvio é o mundo muçulmano sob o Califado, do qual Bush falou com frequência.
The country that wishes to supplant America must possess a huge population, abundant resources, a universal ideology and the political will to succeed. The most obvious candidate is the Muslim world under the Caliphate, which Bush has often spoken about.
4 de dezembro de 2006
December 4, 2006