As nações coloniais na África trouxeram estabilidade ao continente, enquanto a sua partida é a causa da instabilidade contínua.
7. The Colonial nations in Africa brought stability to the continent, whilst their departure is a cause for the continued instability
As nações colonialistas continuam a sustentar a visão de que levaram benefícios por onde quer que tenham passado. Na África, historiadores influenciados pela mentalidade colonial tendem a descrever os chamados aspectos positivos do colonialismo, como o desenvolvimento de infraestruturas e da educação. O racismo, a exploração e o genocídio cometidos pelos colonialistas continuam a ser minimizados. Os colonialistas consideram que a África, assim como outros povos colonizados, era incapaz de sobreviver sem a ajuda dos europeus.
The Colonial nations continue to hold the view that they brought benefits wherever they went. In Africa, historians affected by the colonial mentality tend to describe the so called positive aspects of colonialism such as the development of infrastructure and education. The racism, exploitation, and, genocide committed by the colonialists continues to be glossed over. Colonialists view that Africa as well as other colonised people were incapable of surviving without the help of the Europeans.
Os imensos recursos e os ricos minerais da África atraíram muitas nações ocidentais a colonizar o continente. As nações europeias competiram entre si pelos despojos. Portanto, não deve haver dúvida de que a intensidade da competição entre a Europa pela colonização da África visava explorar o povo para a escravidão e roubar a riqueza natural do continente. A propagação da democracia e dos valores ocidentais mal existia.
The immense resources and rich minerals in Africa attracted many Western nations to colonise the continent. European nations competed with each other over the spoils. Hence there should be no doubt that the severity of competition between Europe over the colonisation of Africa was in order to exploit the people for slavery and steal the continents natural wealth. The propagation of democracy and Western values hardly existed.
As nações europeias colonizaram diretamente vastas porções da África por meio de seus exércitos. Partes do que hoje são Burundi, Ruanda, Tanzânia e Namíbia foram governadas pela Alemanha. A Itália dividiu partes da Eritreia e da Somália. A Espanha estabeleceu uma presença na África Ocidental. Os portugueses mantiveram Angola, Moçambique e outros territórios menores. A Bélgica governou brutalmente o Congo, e a Grã-Bretanha criou seus mandatos por toda a África Oriental e naquilo que hoje são Sudão, Gana, Zâmbia, Zimbábue, Malawi e Nigéria. A França se instalou em uma dúzia de nações da África Ocidental, incluindo Senegal e Costa do Marfim, além de Chade, Madagascar e Comores.
European nations directly colonised whole swathes of Africa using their armies. Parts of what are now Burundi, Rwanda, Tanzania, and Namibia were ruled by Germany. Italy carved up parts of Eritrea and Somalia. Spain established a foothold in Western Africa. The Portuguese held onto Angola, Mozambique, and other smaller territories. Belgium brutally ruled over the Congo and Britain created its mandates throughout East Africa and in what is today Sudan, Ghana, Zambia, Zimbabwe, Malawi and Nigeria. France set itself up in a dozen West African nations, including Senegal and the Ivory Coast, as well as in Chad, Madagascar and the Comoros.
Durante décadas, a África lhes proporcionou mercados abertos para os seus bens. Mais importante ainda, a África também forneceu aos europeus matérias-primas baratas ou, em muitos casos, gratuitas, como algodão, borracha, chá e estanho, e, claro, mão de obra gratuita através do comércio de escravos. Tudo isso foi facilitado por esforços missionários sem entraves, que ajudaram a pacificar a presença dos colonizadores europeus entre os "nativos". O continente foi assolado por disputas militares sangrentas devido à competição entre as nações ocidentais. A luta resultou em diversos Estados apoiando ditadores, realizando golpes de Estado e concedendo empréstimos em troca de lealdade. Essa competição fez com que as dívidas do continente ultrapassassem 370 bilhões de dólares, o que representa 65% da renda nacional total de todo o continente.
For decades, Africa provided them with open markets for goods. More importantly Africa also supplied the Europeans with cheap or in many cases free raw materials such as cotton, rubber, tea, and tin and of course free human labour through the slave trade. All of this was aided by unhindered missionary efforts to help pacify the presence of European colonisers among the ‘natives.’ The continent was afflicted with bloody military disputes because of the competition between the Western nations. The struggle resulted in various states supporting dictators, carrying out coup d’états and giving loans for loyalty. Such competition has resulted in the continents debts surpassing $370 billion, which represent 65% of the total national income of the entire continent.
Essa luta e competição chegou a resultar em mais de 30 milhões de minas terrestres plantadas na África, o que corresponde a 25% de todas as minas terrestres plantadas em todo o mundo.
Such struggle and competition has even resulted in more than 30 million land mines being planted in Africa, which is 25% of all land mines planted in the entire world.
Na colonização da África, as potências imperiais europeias travaram uma grande disputa territorial, traçando fronteiras que garantissem que a sua reivindicação não fosse usurpada por outras potências. Essa insistência em demarcar territórios para os isolar dos de outras potências coloniais teve o efeito de separar grupos políticos que de outra forma seriam contíguos, ou de obrigar inimigos tradicionais a viver lado a lado sem qualquer zona-tampão entre eles. Antes da partilha de África, o rio Congo era a fronteira geográfica natural; havia grupos que viviam de ambos os lados e que partilhavam uma língua e uma cultura. A divisão da terra entre os ocupantes belgas e franceses ao longo do rio isolou esses grupos uns dos outros. Os que viviam na África Saariana ou Subsaariana e que comerciavam por todo o continente durante séculos viram-se a atravessar fronteiras que existiam apenas nos mapas europeus. Na gestão dos nativos e na garantia da supremacia colonial contínua, foram executadas várias políticas. Em locais com assentamentos europeus substanciais, como a Rodésia (atual Zimbabué) e a África do Sul, foram estabelecidos sistemas de cidadania de segunda classe, de modo a conferir aos europeus um poder político muito superior ao seu número. No Congo, a população nativa foi submetida a tratamentos desumanos e a um estatuto de quase escravatura.
In colonising Africa the European imperial powers engaged in a major territorial scramble, creating borders ensuring their claim was not usurped by other powers. This insistence of drawing borders around territories to isolate them from those of other colonial powers had the effect of separating otherwise contiguous political groups, or forcing traditional enemies to live side by side with no buffer between them. Prior to the scramble for Africa the Congo River was the natural geographic boundary, there were groups living on both sides that shared a language and culture. The division of the land between Belgium and French occupiers along the river isolated these groups from each other. Those who lived in Saharan or Sub-Saharan Africa and traded across the continent for centuries found themselves crossing borders that existed only on European maps. In managing the natives and ensuring continued colonial supremacy a number of policies were carried out. Places that had substantial European settlements, such as Rhodesia (now Zimbabwe) and South Africa, systems of second-class citizenship were set up in order to give Europeans political power far in excess of their numbers. In the Congo the native population was submitted to inhumane treatment and a near slavery status.
Os europeus chegaram até a alterar o equilíbrio de poder local ao criar divisões étnicas onde nunca tinham existido. Em que hoje são Ruanda e Burundi, os dois grupos étnicos, os hutus e os tutsis, já se tinham fundido numa só cultura quando os colonos alemães tomaram o controlo da região no século XIX. Já não estavam divididos por etnia, pois a convivência, os casamentos mistos e a fusão de práticas culturais ao longo dos séculos tinham há muito apagado os sinais visíveis de uma divisão cultural.
Europeans even altered the local balance of power by creating ethnic divisions where there had never been any. In what is now Rwanda and Burundi, two ethnic groups the Hutus and Tutsis had merged into one culture by the time German colonists had taken control of the region in the 19th century. They were no longer divided by ethnicity since intermingling, intermarriage, and merging of cultural practices over the centuries had long since erased visible signs of a culture divide.
No entanto, a Bélgica instituiu uma política de segregação racial ao assumir o controle da região, já que a segregação baseada na raça era uma característica da cultura europeia da época. O termo hutu referia-se originalmente aos povos de língua bantu, de base agrícola, que se deslocaram para o que hoje são Ruanda e Burundi vindos do oeste, e o termo tutsi referia-se aos povos do nordeste, de base pastoril, que migraram para a região mais tarde. Os termos descreviam a classe econômica de uma pessoa: os indivíduos que possuíam aproximadamente 10 ou mais cabeças de gado eram considerados tutsis, e os que tinham menos eram considerados hutus, independentemente da história ancestral. Os belgas introduziram um sistema racista, segundo o qual características como pele mais clara, estatura elevada e nariz fino eram vistas como mais idealmente camíticas, e pertenciam às pessoas mais próximas dos tutsis em ancestralidade; esses foram então colocados no poder entre os povos colonizados.
However, Belgium instituted a policy of racial segregation upon taking control of the region, as racially based segregation was a fixture of the European culture of the time. The term Hutu originally referred to the agricultural-based Bantu-speaking peoples that moved into present day Rwanda and Burundi from the West, and the term Tutsi referred to North-eastern cattle-based peoples that migrated into the region later. The terms described a person's economic class; individuals who owned roughly 10 or more cattle were considered Tutsi, and those with fewer were considered Hutu, regardless of ancestral history. The Belgians introduced a racist system, whereby features such as fairer skin, ample height, and narrow noses were seen as more ideally Hamitic, and belonged to those people closest to Tutsi in ancestry; they were then given power amongst the colonised peoples.
Embora alguns dos nativos tenham chegado a cargos elevados, em quase todos os casos isso era uma estratégia dos europeus para causar atritos entre as tribos, e não para recrutar indivíduos qualificados. Vincent Khapoya expôs isso em seu livro, no qual avaliou as alegações europeias de desenvolvimento da África: “O domínio colonial belga resultou em transferências maciças de riqueza do Zaire [o Congo Belga] para a Bélgica. Os africanos receberam apenas uma educação limitada, que lhes permitia ler a Bíblia, obedecer às ordens dos missionários com eficiência e funcionar, na melhor das hipóteses, como escriturários na burocracia colonial.”
Although some of the natives made high office, in almost all cases this was a strategy by the Europeans to cause friction between tribes rather then recruit skilled individuals. Vincent Khapoya outlined this in his book which assessed European claims of developing Africa: ‘Belgian colonial rule saw massive transfers of wealth from Zaire [the Belgian Congo] to Belgium. Africans received only limited education, which would allow them to read the Bible, take orders efficiently from the missionaries, and function, at best, as clerks in the colonial bureaucracy.
Khapoya também explica o mito da contribuição europeia para o desenvolvimento da África: "todas as potências coloniais dedicaram atenção significativa à economia da situação. Isso incluiu: a aquisição de terras, o trabalho forçado, a introdução de culturas comerciais, mesmo em detrimento das culturas alimentares, a interrupção dos padrões de comércio interafricano dos tempos pré-coloniais, a introdução de trabalhadores vindos da Índia, etc., e a continuação da África como fonte de matérias-primas para a indústria europeia, portanto um continente que não deveria ser industrializado."
Khapoya also explains the myth of European contribution to Africa’s development: ‘all colonial powers exercised significant attention to the economics of the situation. This included: acquisition of land, enforced labour, introduction of cash crops, even to the neglect of food crops, halting interAfrican trading patterns of pre-colonial times, introduction of labourers from India, etc. and the continuation of Africa as a source of raw materials for European industry, therefore a continent not to be industrialised.
A África continua hoje a sangrar devido às políticas dos colonialistas europeus. Onde a Grã-Bretanha era a força dominante no século XIX, foi simplesmente substituída pelos Estados Unidos no século XXI.
Africa continues today to bleed from the policies of the European colonialists. Where Britain was the dominant force in the 19th century they have simply been replaced by the US in the 21st century.
A saída dos colonialistas do continente desde a década de 1960 apenas fez o colonialismo mudar do controle direto para o controle por meio de ditadores, armas, empréstimos e hegemonia econômica. Não foi a partida dos colonos que causou a instabilidade na África; foi a interferência dos colonialistas por quase 200 anos que fez o continente continuar sangrando devido à sede por seus recursos.
The departure of the colonialists from the continent since the 1960’s has merely seen colonialism change from direct control to control through dictators, arms, loans and economic hegemony. It is not the departure of the colonists that has caused instability in Africa; it is the interference of the colonialists for nearly 200 years that has caused Africa to continue bleeding due to the thirst for the continents resources.
Reference: Mitos Geopolíticos - Adnan Khan