Governo e Realeza entre os Árabes
Rulership And Princeshipamong The Arabs
GOVERNO E PRINCIPADO ENTRE OS ÁRABES
RULERSHIP AND PRINCESHIPAMONG THE ARABS
Ao falarmos dos árabes antes do Islã, consideramos necessário traçar um breve panorama da história da soberania, dos principados, do sectarismo e das dominações religiosas dos árabes, a fim de facilitar a compreensão das circunstâncias que surgiram quando o Islã apareceu.
When talking about the Arabs before Islam,we deem it necessary to draw a mini-picture of the history of rulership, princeship, sectarianism and the religious dominations of the Arabs, so as to facilitate the understanding of emergent circumstances when Islam appeared.
Quando o sol do Islã nasceu, os governantes da Arábia eram de dois tipos: reis coroados, que na verdade não eram independentes; e chefes de tribos e clãs, que desfrutavam das mesmas autoridades e privilégios dos reis coroados e eram, em sua maioria, independentes, embora alguns deles pudessem ter demonstrado alguma forma de submissão a um rei coroado. Os reis coroados eram apenas os do Iêmen, de Heerah e de Ghassan. Todos os outros governantes da Arábia não eram coroados.
When the sun of Islam rose, rulers of Arabia were of two kinds: crowned kings, who were in fact not independent; and heads of tribes and clans, who enjoyed the same authorities and privileges possessed by crowned kings and were mostly independent, though some of whom could have shown some kind of submission to a crowned king. The crowned kings were only those of Yemen, Heerah and Ghassan. All other rulers of Arabia were non-crowned.
GOVERNO NO IÊMEN:
RULERSHIP IN YEMEN:
O povo de Sabá foi uma das mais antigas nações dos árabes puros, que viveram no Iêmen. Escavações em "Or" trouxeram à luz a sua existência vinte e cinco séculos antes de Cristo. A sua civilização floresceu, e os seus domínios se expandiram onze séculos antes de Cristo.
The folks of Sheba were one of the oldest nations of the pure Arabs, who lived in Yemen. Excavations at “Or” brought to light their existence twenty five centuries B.C. Their civilization flourished, and their domain spread eleven centuries B.C.
É possível dividir suas idades de acordo com a seguinte estimativa:
It is possible to divide their ages according to the following estimation:
1. Os séculos anteriores a 650 a.C., durante os quais os seus reis eram chamados "Makrib Sheba". A sua capital era "Sarwah", também conhecida como "Khriba", cujas ruínas se encontram num local a um dia de caminhada do lado oeste de "Ma'rib". Durante este período, começaram a construir a "Barragem de Ma'rib", que teve grande importância na história do Iêmen. Dizia-se também que Sabá possuía um domínio tão vasto que tinha colônias dentro e fora da Arábia.
1. The centuries before 650 B.C., during which their kings were called “Makrib Sheba”. Their capital was “Sarwah”, also known as “Khriba”, whose ruins lie in a spot, a day’s walk from the western side of “Ma’rib”. During this period, they started building the “Dam of Ma’rib” which had great importance in the history of Yemen. Sheba was also said to have had so great a domain that they had colonies inside and outside Arabia.
2. De 650 a.C. até 115 a.C. Durante essa era, abandonaram o nome "Makrib" e assumiram a designação de "Reis de Sabá". Também fizeram de Ma'rib sua capital, em lugar de Sarwah. As ruínas de Ma'rib situam-se a uma distância de sessenta milhas a leste de San'a.
2. From 650 B.C. until 115 B.C. During this era, they gave up the name “Makrib” and assumed the designation of “Kings of Sheba”. They also made Ma’rib their capital instead of Sarwah. The ruins of Ma’rib lie at a distance of sixty miles east of San‘a.
3. De 115 a.C. até 300 d.C. Durante este período, a tribo de Himyar conquistou o reino de Sabá e tomou Redan como capital em vez de Ma’rib. Mais tarde, Redan passou a ser chamada "Zifar". Suas ruínas ainda se encontram na montanha Mudawwar, perto da cidade de "Yarim". Durante este período, eles começaram a declinar e a cair. Seu comércio entrou em forte decadência, primeiro, por causa do domínio dos nabateus sobre o norte do Hijaz; segundo, por causa da superioridade romana sobre as rotas marítimas de comércio após a conquista romana do Egito, da Síria e do norte do Hijaz; e terceiro, por causa das guerras entre as tribos. Devido a esses três fatores mencionados acima, as famílias de Qahtan foram desunidas e dispersas.
Em 523, Dhu Nawas, um judeu, enviou uma grande expedição contra os cristãos de Najran com o objetivo de forçá-los a converter-se ao judaísmo. Tendo se recusado a fazê-lo, foram lançados vivos numa grande vala onde se havia acendido um grande fogo. O Alcorão referiu-se a este acontecimento:
In 523, Dhu Nawas, a Jew, despatched a great campaign against the Christians of Najran in order to force them to convert into Judaism. Having refused to do so, they were thrown alive into a big ditch where a great fire had been set. The Qur’ân referred to this event:
• "Amaldiçoados foram os homens da fenda." [85:4]
• “Cursed were the people of the ditch.” [85:4]
Isso despertou grande ira entre os cristãos, e especialmente entre os imperadores romanos, que não apenas incitaram os abissínios (etíopes) contra os árabes, como também reuniram uma grande frota que auxiliou o exército abissínio (etíope), de setenta mil guerreiros, a realizar uma segunda conquista do Iêmen em 525 d.C., sob a liderança de Eriat, a quem foi concedido o governo do Iêmen, posição que ocupou até ser assassinado por um dos líderes de seu exército, Abraha. Este, após a reconciliação com o rei da Abissínia, assumiu o governo do Iêmen e, mais tarde, enviou seus soldados para demolir a Al-Ka‘bah; por essa razão, ele e seus soldados passaram a ser conhecidos como os "Homens do Elefante".
This aroused great wrath among the Christians, and especially the Roman emperors, who not only instigated the Abyssinians (Ethiopians) against Arabs but also assembled a large fleet which helped the Abyssinian (Ethiopian) army, of seventy thousand warriors, to effect a second conquest of Yemen in 525 A.D., under the leadership of Eriat, who was granted rulership over Yemen, a position he held until he was assassinated by one of his army leaders, Abraha, who, after reconciliation with the king of Abyssinia, took rulership over Yemen and, later on, deployed his soldiers to demolish Al-Ka‘bah, and , hence, he and his soldiers came to be known as the “Men of the Elephant”.
Após o incidente do "Elefante", o povo do Iêmen, sob a liderança de Ma‘dikarib bin Saif Dhu Yazin Al-Himyari, e com auxílio persa, revoltou-se contra os invasores abissínios (etíopes), restaurou a independência e nomeou Ma‘dikarib como seu rei. No entanto, Ma‘dikarib foi assassinado por um abissínio (etíope) que ele costumava manter por perto para serviço e proteção. A família de Dhu Yazin foi assim privada da realeza para sempre. Kisra, o rei persa, nomeou um governante persa para San‘a e, dessa forma, transformou o Iêmen em uma colônia persa. Os governantes persas mantiveram o domínio sobre o Iêmen até que Badhan, o último deles, abraçou o Islã em 638 d.C., pondo fim ao domínio persa sobre o Iêmen.
After the “Elephant” incident, the people of Yemen, under the leadership of Ma‘dikarib bin Saif Dhu Yazin Al-Himyari, and through Persian assistance, revolted against the Abyssinian (Ethiopian) invaders, restored independence and appointed Ma‘dikarib as their king. However, Ma‘dikarib was assassinated by an Abyssinian (Ethiopian) he used to have him around for service and protection. The family of Dhu Yazin was thus deprived of royalty forever. Kisra, the Persian king, appointed a Persian ruler over San‘a and thus made Yemen a Persian colony. Persian rulers maintained rulership of Yemen until Badhan, the last of them, embraced Islam in 638 A.D., thus terminating the Persian domain over Yemen.
GOVERNO EM HEERAH:
RULERSHIP IN HEERAH:
Desde que Coroche, o Grande (557-529 a.C.), unificou os persas, eles governaram o Iraque e as regiões vizinhas. Ninguém conseguiu livrar-se da sua autoridade até que Alexandre, o Grande, derrotou o seu rei Dara I e, assim, subjugou os persas em 326 a.C. As terras persas foram então divididas e governadas por reis conhecidos como "os Reis das Seitas", uma era que durou até 230 d.C. Entretanto, os Qahtanitas ocuparam alguns territórios iraquianos, e foram posteriormente seguidos por alguns 'Adnanitas, que conseguiram partilhar com eles algumas partes da Mesopotâmia.
Ever since Korosh the Great (557-529 B.C.) united the Persians, they ruled Iraq and its neighbourhood. Nobody could shake off their authority until Alexander the Great vanquished their king Dara I and thus subdued the Persians in 326 B.C. Persian lands were thenceforth divided and ruled by kings known as “the Kings of Sects”, an era which lasted until 230 A.D. Meanwhile, the Qahtanians occupied some Iraqi territories, and were later followed by some ‘Adnanians who managed to share some parts of Mesopotamia with them.
Os persas, sob a liderança de Ardashir, que havia estabelecido o Estado sassânida em 226 d.C., recuperaram unidade e poder suficientes para subjugar os árabes que viviam nas proximidades de seu reino e obrigar os Quda‘a a deixar o território em direção à Síria, deixando os habitantes de Heerah e Anbar sob o domínio persa.
The Persians, under the leadership of Ardashir, who had established the Sasanian state in 226 A.D, regained enough unity and power to subdue the Arabs living in the vicinity of their kingdom, and force Quda‘a to leave for Syria , leaving the people of Heerah and Anbar under the Persian domain.
No período de Ardashir, Juzaima Alwaddah exerceu o governo sobre Heerah, Rabi‘a, Mudar e a Mesopotâmia. Ardashir havia concluído que lhe era impossível governar diretamente os árabes e impedi-los de atacar suas fronteiras, a menos que nomeasse como rei um deles que gozasse do apoio e do poder de sua tribo. Ele também percebera que poderia servir-se deles contra os reis bizantinos, que sempre costumavam importuná-lo. Ao mesmo tempo, os árabes do Iraque poderiam enfrentar os árabes da Síria, que estavam sob o domínio dos reis bizantinos. Contudo, julgou conveniente manter um batalhão persa sob o comando do rei de Heerah, para ser usado contra aqueles árabes que pudessem se rebelar contra ele.
During the time of Ardashir, Juzaima Alwaddah exercised rulership over Heerah, Rabi‘a and Mudar, and Mesopotamia. Ardashir had reckoned that it was impossible for him to rule the Arabs directly and prevent them from attacking his borders unless he appointed as king one of them who enjoyed support and power of his tribe. He had also seen that he could make use of them against the Byzantine kings who always used to harass him. At the same time, the Arabs of Iraq could face the Arabs of Syria who were in the hold of Byzantine kings. However, he deemed it fit to keep a Persian battalion under command of the king of Heerah to be used against those Arabs who might rebel against him.
GOVERNANTES NA SÍRIA GEOGRÁFICA: Wait, correction: the heading should be in Portuguese as "GOVERNO NA SÍRIA GEOGRÁFICA" — but "Rulership" here means governance/rule, so the translation is: GOVERNO NA SÍRIA GEOGRÁFICA:
RULERSHIP IN GEOGRAPHICAL SYRIA:
No processo das emigrações tribais, alguns clās de Quda‘a chegaram às fronteiras da Síria, onde se estabeleceram. Eles pertenciam à família de Sulaih bin Halwan, da qual descendiam os filhos de Duj‘am bin Sulaih, conhecidos como Ad-Duja‘ima. Esses clās de Quda‘a foram empregados pelos bizantinos na defesa das fronteiras bizantinas contra os saqueadores beduínos árabes e também contra os persas, e gozaram de autonomia por um período considerável, que, segundo se diz, durou todo o segundo século d.C. Um de seus reis mais famosos foi Zyiad bin Al-Habula. Sua autoridade, contudo, chegou ao fim com a derrota diante dos Ghassânidas, que, em consequência, receberam o governo por procuração sobre os árabes da Síria e tiveram Dumat Al-Jandal como sua sede, situação que durou até a batalha de Yarmuk, no ano 13 A.H. Seu último rei, Jabala bin Al-Aihum, abraçou o Islã durante o califado do Comandante dos Crentes, ‘Umar bin Al-Khattab (que Allah esteja satisfeito com ele).
In the process of the tribal emigrations, some septs of Quda‘a reached the borders of Syria where they settled down. They belonged to the family of Sulaih bin Halwan, of whose offspring were the sons of Duj‘am bin Sulaih known as Ad-Duja‘ima. Such septs of Quda‘a were used by the Byzantines in the defence of the Byzantine borders against both Arab Bedouin raiders and the Persians, and enjoyed autonomy for a considerable phase of time which is said to have lasted for the whole second century A.D. One of their most famous kings was Zyiad bin Al-Habula. Their authority however came to an end upon defeat by the Ghassanides who were consequently granted the proxy rulership over the Arabs of Syria and had Dumat Al-Jandal as their headquarters, which lasted until the battle of Yarmuk in the year 13 A.H. Their last king Jabala bin Al-Aihum embraced Islam during the reign of the Chief of Believers, ‘Umar bin Al-Khattab (May Allah be pleased with him).
GOVERNO NO HIJAZ:
RULERSHIP IN HIJAZ:
Ismael (que a paz esteja com ele) exerceu a autoridade sobre Makkah, bem como a custódia do Santuário Sagrado, durante toda a sua vida. Após a sua morte, aos 137 anos de idade, dois de seus filhos, Nabet e Qidar, sucederam-no. Mais tarde, o seu avô materno, Mudad bin ‘Amr Al-Jurhumi, assumiu o poder, transferindo assim a soberania sobre Makkah para a tribo de Jurhum, preservando uma posição venerável, embora com muito pouca autoridade para os filhos de Ismael, devido às façanhas de seu pai na construção do Santuário Sagrado, posição que eles mantiveram até o declínio da tribo de Jurhum, pouco antes da ascensão de Bukhtanassar.
Ishmael (Peace be upon him) administered authority over Makkah as well as custodianship of the Holy Sanctuary throughout his lifetime. Upon his death, at the age of 137, two of his sons, Nabet and Qidar, succeeded him. Later on, their maternal grandfather, Mudad bin ‘Amr Al-Jurhumi took over, thus transferring rulership over Makkah to the tribe of Jurhum, preserving a venerable position, though very little authority for Ishmael’s sons due to their father’s exploits in building the Holy Sanctuary, a position they held until the decline of the tribe of Jurhum shortly before the rise of Bukhtanassar.
A ascensão política dos 'Adnanitas havia começado a ganhar bases mais firmes em Makkah, o que é claramente atestado pelo fato de que, por ocasião da primeira invasão de Bukhtanassar aos árabes em 'Dhati 'Irq', o líder dos árabes não era de Jurhum. Na segunda invasão de Bukhtanassar, em 587 a.C., contudo, os 'Adnanitas foram expulsos em direção ao Iêmen, enquanto Burmia An-Nabi fugiu para a Síria com Ma'ad. Quando a pressão de Bukhtanassar diminuiu, Ma'ad retornou a Makkah e encontrou dos Jurhum apenas Jursham bin Jalhamah, cuja filha, Mu'ana, foi dada a Ma'ad como esposa, e que mais tarde lhe deu um filho chamado Nizar.
The political role of the ‘Adnanides had begun to gain firmer grounds in Makkah, which could be clearly attested by the fact that upon Bukhtanassar’s first invasion of the Arabs in ‘Dhati ‘Irq’, the leader of the Arabs was not from Jurhum. Upon Bukhtanassar’s second invasion in 587 B.C., however, the ‘Adnanides were frightened out to Yemen, while Burmia An-Nabi fled to Syria with Ma‘ad, but when Bukhtanassar’s pressure lessened, Ma‘ad returned to Makkah to find none of the tribe of Jurhum except Jursham bin Jalhamah, whose daughter, Mu‘ana, was given to Ma‘ad as wife who, later, had a son by him named Nizar.
Em razão das difíceis condições de vida e da pobreza predominantes em Makkah, a tribo de Jurhum começou a maltratar os visitantes do Santuário Sagrado e a extorquir seus fundos, o que despertou o ressentimento e o ódio dos 'Adnanitas (filhos de Bakr bin 'Abd Manaf bin Kinana), que, com a ajuda da tribo de Khuza'a, que tinha vindo se estabelecer numa área vizinha chamada Marr Az-Zahran, invadiram Jurhum e os expulsaram de Makkah, deixando o governo para Quda'a, em meados do segundo século d.C.
• O Primeiro: Conduzir os peregrinos de ‘Arafat até Muzdalifah e, depois, de Mina até o Pilar de apedrejamento de Al-‘Aqabah. Esta autoridade pertencia à família de Al-Ghawth bin Murra, um dos clãs de Elias bin Mudar, que eram chamados de ‘Sofa’. Este privilégio significava que os peregrinos não podiam atirar pedras em Al-‘Aqabah até que um dos homens de ‘Sofa’ o fizesse. Quando terminavam de apedrejar e queriam deixar o vale de Mina, os homens de ‘Sofa’ postavam-se dos dois lados de Al-‘Aqabah, e ninguém passava por aquela posição até que os homens de ‘Sofa’ passassem e abrissem caminho para os peregrinos. Quando os Sofa desapareceram, a família de Sa‘d bin Zaid Manat, da tribo de Tamim, assumiu essa função.
• The First: Leading pilgrims from ‘Arafat to Muzdalifah and then from Mina to the ‘Aqabah Stoning Pillar. This was the authority of the family of Al-Ghawth bin Murra, one of the septs of Elias bin Mudar, who were called ‘Sofa’. This privilege meant that the pilgrims were not allowed to throw stones at Al-‘Aqabah until one of the ‘Sofa’ men did that. When they had finished stoning and wanted to leave the valley of Mina, ‘Sofa’ men stood on the two sides of Al-‘Aqabah and nobody would pass that position until the men of ‘Sofa’ passed and cleared the way for the pilgrims. When Sofa perished, the family of Sa‘d bin Zaid Manat from Tamim tribe took over.
A Segunda: Al-Ifadah (partir para Mina depois de Muzdalifah) na manhã do sacrifício, e esta era a responsabilidade da família de Adwan.
The Second: Al-Ifadah (leaving for Mina after Muzdalifah) on sacrifice morning, and this was the responsibility of the family of Adwan.
O terceiro: O adiamento dos meses sagrados, e essa era a responsabilidade da família de Tamim bin ‘Adi, dos Banu Kinana.
The Third: Deferment of the sacred months, and this was the responsibility of the family of Tamim bin ‘Adi from Bani Kinana.
O reinado de Khuza‘a em Makkah durou trezentos anos, durante os quais os ‘Adnanitas se espalharam por todo o Najd e pelas margens de Bahrain e do Iraque, enquanto pequenos ramos de Quraish permaneceram nas proximidades de Makkah; eles eram Haloul, Harum e algumas famílias de Kinana. Não desfrutaram de quaisquer privilégios em Makkah ou na Casa Sagrada até o surgimento de Qusai bin Kilab, cujo pai, diz-se, morreu quando ainda era um bebê, e cuja mãe foi posteriormente casada com Rabi‘a bin Haram, da tribo de Bani ‘Udhra. Rabi‘a levou sua esposa e o filho dela para a sua terra natal, nas fronteiras da Síria. Quando Qusai se tornou um jovem, retornou a Makkah, que era governada por Halil bin Habsha, de Khuza‘a, o qual deu a Qusai sua filha, Hobba, como esposa. Após a morte de Halil, eclodiu uma guerra entre Khuza‘a e Quraish, que resultou na tomada de Makkah e da Casa Sagrada por Qusai.
AS RAZÕES DESTA GUERRA FORAM EXPLICADAS EM TRÊS VERSÕES:
THE REASONS OF THIS WAR HAVE BEEN ILLUSTRATED IN THREE VERSIONS:
• O Primeiro: Ao notar a multiplicação de sua descendência, o aumento de sua riqueza e a elevação de sua honra após a morte de Halil, Qusai considerou-se mais merecedor de assumir a responsabilidade do governo de Makkah e da custódia da Casa Sagrada do que as tribos de Khuza‘a e Bani Bakr. Ele também defendia que os Quraish eram os líderes dos descendentes de Ismael. Por isso, consultou alguns homens dos Quraish e de Kinana sobre seu desejo de expulsar Khuza‘a e Bani Bakr de Makkah. Eles gostaram de sua opinião e o apoiaram. • O Segundo: Khuza‘a alegava que Halil pedira a Qusai que mantivesse a custódia de Al-Ka‘bah e o governo de Makkah após sua morte.
• The First: Having noticed the spread of his offspring, increase of his property and exalt of his honour after Halil’s death, Qusai found himself more entitled to shoulder responsibility of rulership over Makkah and custodianship of the Sacred House than the tribes of Khuza‘a and Bani Bakr. He also advocated that Quraish were the chiefs of Ishmael’s descendants. Therefore he consulted some men from Quraish and Kinana concerning his desire to evacuate Khuza‘a and Bani Bakr from Makkah. They took a liking to his opinion and supported him. The Second: Khuza‘a claimed that Halil requested Qusai to hold custodianship of Al-Ka‘bah and rulership over Makkah after his death.
O Terceiro: Halil concedeu o direito ao serviço da Caaba a sua filha Hobba e nomeou Abu Ghabshan Al-Khuza‘i para atuar como seu representante nesse encargo. Após a morte de Halil, Qusai comprou esse direito em troca de um odre de vinho, o que provocou descontentamento entre os homens de Khuza‘a, que tentaram manter a custódia da Casa Sagrada longe de Qusai. Este, porém, com a ajuda de Quraish e de Kinana, conseguiu assumir o controle e até expulsar completamente Khuza‘a de Makkah.
The Third: Halil gave the right of Al-Ka‘bah service to his daughter Hobba and appointed Abu Ghabshan Al-Khuza‘i to function as her agent whereof. Upon Halil’s death, Qusai bought this right for a leather bag of wine, which aroused dissatisfaction among the men of Khuza‘a and they tried to keep the custodianship of the Sacred House away from Qusai. The latter, however, with the help of Quraish and Kinana, managed to take over and even to expel Khuza‘a completely from Makkah.
Quaisquer que tenham sido os fatos, todo o episódio resultou na privação da tribo de Sofa de seus privilégios, já mencionados, na expulsão de Khuza‘a e Bakr de Makkah, e na transferência do governo de Makkah e da custódia do Santuário Sagrado para Qusai, após guerras ferozes entre Qusai e Khuza‘a, que causaram pesadas baixas em ambos os lados; depois, uma reconciliação e, em seguida, a arbitragem de Ya‘mur bin ‘Awf, da tribo de Bakr, cujo julgamento estabeleceu a elegibilidade de Qusai para o governo de Makkah e para a custódia da Casa Sagrada, a isenção de Qusai pela morte de membros de Khuza‘a, e a imposição de diya (preço de sangue) a Khuza‘a. O reinado de Qusai sobre Makkah e sobre a Casa Sagrada teve início por volta de 440 d.C., e lhe permitiu, assim como aos Quraish depois dele, o domínio absoluto sobre Makkah e a custódia indisputada da Casa Sagrada, à qual árabes de todas as partes da Arábia vinham prestar homenagem.
Qusai trouxe seus parentes para Makkah e os estabeleceu ali, permitindo que os Quraish tivessem algumas moradias na cidade. An-Nus’a, as famílias de Safwan, Adwan e Murra bin ‘Awf conservaram os mesmos direitos que desfrutavam antes da chegada dele.
Qusai brought his kinspeople to Makkah and allocated it to them, allowing Quraish some dwellings there. An-Nus’a, the families of Safwan, Adwan, Murra bin ‘Awf preserved the same rights they used to enjoy before his arrival.
Uma realização significativa atribuída a Qusai foi o estabelecimento da Casa de An-Nadwa (uma casa de assembleia) no lado norte da Mesquita de Al-Ka‘bah, para servir como local de encontro dos Quraish. Esta mesma casa beneficiou muito os Quraish, pois garantiu a unidade de opiniões entre eles e a solução cordial para os seus problemas.
A significant achievement credited to Qusai was the establishment of An-Nadwa House (an assembly house) on the northern side of Al-Ka‘bah Mosque, to serve as a meeting place for Quraish. This very house had benefited Quraish a lot because it secured unity of opinions amongst them and cordial solution to their problem.
QUSAI, NO ENTANTO, DESFRUTAVA DOS SEGUINTES PRIVILÉGIOS DE LIDERANÇA E HONRA:
QUSAI HOWEVER ENJOYED THE FOLLONG PRIVILEGED OF LEADERSHIP AND HONOUR:
1. Presidindo as reuniões da Casa de An-Nadwa, onde se realizavam as consultas sobre assuntos graves e se anunciavam os contratos de casamento.
1. Presiding over An-Nadwa House meetings where consultations relating to serious issues were conducted, and marriage contracts were announced.
2. O Padrão: Ele monopolizava em suas mãos as questões relacionadas ao lançamento da guerra.
2. The Standard: He monopolized in his hand issues relevant to war launching.
3. Guarda da Caaba: Ele era o único autorizado a abrir sua porta, e era responsável pelo seu serviço e proteção.
3. Doorkeeping of Al-Ka‘bah: He was the only one eligible to open its gate, and was responsible for its service and protection.
4. Fornecer água aos peregrinos: Isto significa que ele costumava encher vasilhas com água adoçada com tâmaras e passas para que os peregrinos bebessem.
4. Providing water for the Pilgrims: This means that he used to fill basins sweetened by dates and raisins for the pilgrims to drink.
5. Alimentar os peregrinos: Isso significa preparar comida para os peregrinos que não podiam pagá-la. Qusai chegou até a impor aos Quraish um imposto anual sobre a terra, pago na época da peregrinação, destinado à alimentação.
5. Feeding Pilgrims: This means making food for pilgrims who could not afford it. Qusai even imposed on Quraish annual land tax, paid at the season of pilgrimage, for food.
Vale notar que Qusai distinguiu 'Abd Manaf, um de seus filhos, com honra e prestígio, embora não fosse o filho mais velho ('Abd Ad-Dar o era), e confiou-lhe responsabilidades como a presidência da Casa de An-Nadwa, o estandarte, a guarda das chaves da Al-Ka'bah e o fornecimento de água e comida aos peregrinos. Como as ações de Qusai eram consideradas incontestáveis e suas ordens invioláveis, sua morte não deu origem a conflitos entre seus filhos. Mas isso veio a ocorrer depois entre seus netos, pois logo após a morte de 'Abd Munaf, seus filhos começaram a brigar com seus primos, os filhos de 'Abd Ad-Dar, o que teria dado origem a dissensão e luta em toda a tribo de Quraish, não fosse por um tratado de paz segundo o qual os cargos foram redistribuídos de modo a preservar para os filhos de 'Abd Munaf o fornecimento de comida e água aos peregrinos; enquanto a Casa de An-Nadwa, o estandarte e a guarda da Al-Ka'bah foram mantidos para os filhos de 'Abd Ad-Dar. Os filhos de 'Abd Munaf, contudo, tiraram sorte para a sua incumbência e, em consequência, deixaram a responsabilidade de dar comida e água a Hashim bin 'Abd Munaf, após cuja morte o encargo foi assumido por um irmão dele chamado Al-Muttalib bin 'Abd Manaf e, depois, por 'Abd Al-Muttalib bin Hashim, avô do Profeta ﷺ, cujos filhos ocuparam essa posição até o surgimento do Islã, período em que 'Abbas bin 'Abdul-Muttalib esteve encarregado dela.
SOBERANIA NO PAN-ARABISMO:
RULERSHIP IN PAN-ARABIA:
Já mencionamos as migrações dos Qahtanidas e dos ‘Adnanidas, e a divisão da Arábia entre essas duas tribos. As tribos que habitavam perto de Heerah estavam subordinadas ao rei árabe de Heerah, enquanto as que viviam no semideserto sírio estavam sob o domínio do rei árabe Gassânida, uma espécie de dependência que era, na realidade, mais formal do que efetiva. No entanto, as que viviam nos desertos mais interiores desfrutavam de plena autonomia.
We have previously mentioned the Qahtanide and ‘Adnanide emigrations, and division of Arabia between these two tribes. Those tribes dwelling near Heerah were subordinate to the Arabian king of Heerah, while those dwelling in the Syrian semi-desert were under domain of the Arabian Ghassanide king, a sort of dependency that was in reality formal rather than actual. However, those living in the hinder deserts enjoyed full autonomy.
Essas tribos tinham, de fato, chefes escolhidos por toda a tribo, o que constituía uma espécie de semigoverno baseado na solidariedade tribal e nos interesses coletivos na defesa da terra e da propriedade. Os chefes de tribos desfrutavam de privilégios ditatoriais semelhantes aos dos reis, e eram-lhes devidas obediência e submissão plenas tanto na guerra quanto na paz. A rivalidade entre primos pela liderança, contudo, frequentemente os levava a se superarem uns aos outros na hospitalidade para com os hóspedes, fingindo generosidade, sabedoria e cavalheirismo com o único propósito de superar seus rivais e ganhar fama entre o povo, especialmente entre os poetas, que eram os porta-vozes oficiais da época.
These tribes in fact had heads chosen by the whole tribe which was a demi-government based on tribal solidarity and collective interests in defence of land and property. Heads of tribes enjoyed dictatorial privileges similar to those of kings, and were rendered full obedience and subordination in both war and peace. Rivalry among cousins for rulership, however, often drove them to outdo one another in entertaining guests, affecting generosity, wisdom and chivalry for the sole purpose of outranking their rivals, and gaining fame among people especially poets who were the official spokesmen at the time.
Chefes de tribos e senhores tinham direitos especiais sobre os despojos de guerra, como o quarto dos despojos, aquilo que escolhessem para si, o que encontrassem no caminho de volta, ou mesmo os despojos remanescentes que não podiam ser divididos.
Heads of tribes and masters had special claims to spoils of war such as the quarter of the spoils, whatever he chose for himself, or found on his way back or even the remaining indivisible spoils.
A SITUAÇÃO POLÍTICA:
THE POLITICAL SITUATION:
As três regiões árabes vizinhas dos estrangeiros sofreram grande fraqueza e inferioridade. As pessoas ali eram ou senhores ou escravos, governantes ou subordinados. Os senhores, sobretudo os estrangeiros, tinham direito a toda vantagem; os escravos não tinham nada senão responsabilidades a suportar. Em outras palavras, o domínio autocrático arbitrário provocava a usurpação dos direitos dos subordinados, a ignorância, a opressão, a iniquidade, a injustiça e a adversidade, transformando-os em pessoas que tateavam na escuridão e na ignorância, como terra fértil que entregava seus frutos aos governantes e homens de poder, para que os desperdiçassem com extravagância em seus prazeres e deleites, caprichos e desejos, tirania e agressão. As tribos que viviam perto dessas regiões oscilavam entre a Síria e o Iraque, enquanto as que viviam no interior da Arábia estavam desunidas e governadas por conflitos tribais e disputas raciais e religiosas. Não tinham um rei que sustentasse sua independência, nem um apoiador a quem pedir conselho ou em quem se apoiar nas adversidades.
The three Arab regions adjacent to foreigners suffered great weakness and inferiority. The people there were either masters or slaves, rulers or subordinates. Masters, especially the foreigners, had claim to every advantage; slaves had nothing but responsibilities to shoulder. In other words, arbitrary autocratic rulership brought about encroachment on the rights of subordinates, ignorance, oppression, iniquity, injustice and hardship, and turning them into people groping in darkness and ignorance, viz., fertile land which rendered its fruits to the rulers and men of power to extravagantly dissipate on their pleasures and enjoyments, whims and desires, tyranny and aggression. The tribes living near these regions were fluctuating between Syria and Iraq, whereas those living inside Arabia were disunited and governed by tribal conflicts and racial and religious disputes. They had neither a king to sustain their independence nor a supporter to seek advice from, or depend upon, in hardships.
Porém, os governantes do Hijaz eram altamente estimados e respeitados pelos árabes, e eram considerados governantes e servidores do centro religioso. A autoridade sobre o Hijaz era, de fato, uma mistura de precedência secular e oficial, bem como de liderança religiosa. Governavam entre os árabes em nome da liderança religiosa e sempre monopolizaram a custódia do Santuário Sagrado e de sua vizinhança. Cuidavam dos interesses dos visitantes de Al-Ka‘bah e eram encarregados de fazer cumprir o código de Abraão. Possuíam até cargos e departamentos semelhantes aos dos parlamentos de hoje. No entanto, eram fracos demais para carregar o pesado fardo, como isso ficou evidentemente claro durante a invasão abissínia (etíope).
The rulers of Hijaz, however, were greatly esteemed and respected by the Arabs, and were considered as rulers and servants of the religious centre. Rulership of Hijaz was, in fact, a mixture of secular and official precedence as well as religious leadership. They ruled among the Arabs in the name of religious leadership and always monopolized the custodianship of the Holy Sanctuary and its neighbourhood. They looked after the interests of Al-Ka‘bah visitors and were in charge of putting Abraham’s code into effect. They even had such offices and departments like those of the parliaments of today. However, they were too weak to carry the heavy burden, as this evidently came to light during the Abyssinian (Ethiopian) invasion.