As Atividades Militares Entre Badr e Uhud
The Military Activities Between Badr And Uhud
A batalha de Badr foi o primeiro confronto armado entre os muçulmanos e os coraixitas. Foi, de fato, uma batalha decisiva, que deu aos muçulmanos uma vitória histórica reconhecida por todos os árabes e desferiu um duro golpe nos interesses religiosos e econômicos dos politeístas. Também os judeus, que costumavam considerar cada vitória islâmica um duro golpe contra a sua entidade religiosa e econômica, estavam nessa situação. Ambas as partes ardiam de raiva e fúria desde que os muçulmanos haviam alcançado aquela grande vitória: • "Certamente encontrarás que os mais hostis aos crentes (muçulmanos) são os judeus e os que associam (politeístas, pagãos, idólatras e descrentes, etc.)." [5:82].
he battle of Badr was the first armed encounter between the Muslims and Quraish. It was in fact a decisive battle that gained the Muslims a historic victory acknowledged by all the Arabs, and dealt a heavy blow to the religious and economic interests of the polytheists. There were also the Jews who also used to regard each . Islamic victory as a heavy blow to their religioeconomic entity. Both parties were burning with rage and fury since the Muslims had achieved that great victory: • “Verily, you will find the strongest among men in enmity to the believers (Muslims) the Jews and Al-Mushrikûn (polytheists, pagans, idolators and disbelievers, etc.).” [5:82].
Ambas as partes ressentidas tinham seu séquito ainda mais indignado, na forma de hipócritas que fingiam o Islã apenas para salvar as aparências; à frente deles vinha ‘Abdullah bin Ubai e sua comitiva. Os beduínos do deserto, que viviam em tendas armadas nas proximidades de Madinah e dependiam do saque e da pilhagem como meio de vida, eram totalmente indiferentes a esta questão axial da crença e da descrença. Sua preocupação decorria do temor de perder seus caminhos corrompidos de subsistência, caso surgisse um Estado muçulmano poderoso e nascente que acabasse com tais práticas nocivas; daí o rancor que nutriam contra o Islã e os muçulmanos em geral, e contra a pessoa de Muhammad ﷺ em particular.
Both resentful parties had their much more indignant suite in the form of hypocrites who faked Islam just to save their faces; at the head of whom came ‘Abdullah bin Ubai and his retinue. The desert bedouins living in tents pitched in the vicinity of Madinah, who depended on plundering and looting as a means of living, were totally indifferent to this axial question of belief and disbelief. Their worry derived from fear of losing their perverted avenues of subsistence in case a powerful nascent Muslim state should rise up and put an end to such ill-practices, hence the grudge they nursed against Islam and the Muslims, in general, and the person of Muhammad (Peace be upon him) in particular.
Assim, toda a causa da Fé estava em jogo, com quatro partes furiosas armando emboscadas contra a nova religião, cada uma à sua maneira: uma pretensão ao Islã entremeada de tramas conspiratórias e atos provocativos dentro de Madinah; uma hostilidade abertamente manifesta, carregada de indignação e de um fogo de ira, por parte dos judeus; e, lá em Makkah, apelos abertos e persistentes por vingança, somados a intenções declaradas de mobilizar todos os recursos potenciais disponíveis para silenciar de uma vez por todas a voz do Islã. Isso foi mais tarde traduzido em ação militar, a Invasão de Uhud, que deixou uma impressão muito ruim sobre o bom nome e a estima que os muçulmanos se esforçavam meticulosamente para merecer e preservar.
The whole cause of Faith was thus at stake with four furious parties laying ambushes against the new religion, each in its style: Pretension to Islam embedded with conspiracy plots and provocative deeds within Madinah, explicitly uncovered animosity pregnant with indignation and fire of rage on the part of the Jews, and there in Makkah open and persistent calls for vengeance coupled with open intentions to mobilize all potential resources available to silence the voice of Islam once and for all. This was later translated into military action, Uhud Invasion, which left a very bad impression on the good name and esteem that the Muslims were painstakingly working to merit and preserve.
Os muçulmanos estavam sempre obrigados a ficar atentos a quaisquer movimentos hostis, e era imperativo para eles lançar ataques preventivos em todas as direções, a fim de desfrutar de um grau razoável de segurança neste grande oceano de agitação que provoca instabilidade. A seguir está uma lista de atividades militares conduzidas no período pós-Badr:
The Muslims were always obliged to be on the lookout for any hostile movements, and it was imperative on them to launch pre-emptive strikes in all directions in order to enjoy a reasonable degree of security in this great instability-provoking ocean of unrest. The following is a list of military activities conducted in the post-Badr era:
INVASÃO DE ALKUDR
ALKUDR INVASION
O corpo de escoteiros de Medina relatou que os Banu Saleem de Ghatafan estavam mobilizando tropas para invadir os muçulmanos. O Profeta ﷺ tomou a iniciativa ele mesmo e lançou um ataque surpresa contra eles em sua própria terra, num ponto de água chamado Al-Kudr. Os Banu Saleem, ao receberem a notícia, haviam fugido antes que ele chegasse. Ele permaneceu ali por três dias, tomou seus 500 camelos como butim e os distribuiu entre os combatentes depois de separar o habitual um quinto; cada um recebeu dois camelos.
The scouting body of Madinah reported that Banu Saleem of Ghatafan were engaged in mustering troops to invade the Muslims. The Prophet (Peace be upon him) took the initiative himself and mounted a surprise attack on them in their own homeland at a watering place called Al-Kudr. Banu Saleem, on receiving the news, had fled before he arrived. He stayed there for three days, took their 500 camels as booty and distributed them to the fighters after he had set aside the usual one-fifth; each one gained two camels.
Esta invasão ocorreu no mês de Shawwal do ano 2 d.H., sete dias após o evento de Badr.
This invasion took place in Shawwal in the year 2 A.H., seven days after the event of Badr.
UMA TENTATIVA CONTRA A VIDA DO PROFETA ﷺ
AN ATTEMP ON THE LIFE OF THE PROPHET (Peace be upon him)
O impacto da derrota em Badr foi tão grande que os Makkans começaram a arder de indignação e ressentimento por causa de suas terríveis perdas. Para resolver essa situação, dois politeístas se ofereceram para saciar sua sede e silenciar a fonte daquela humilhação, isto é, o Profeta ﷺ. ‘Umair bin Wahab Al-Jumahi, um politeísta terrível, e seu arqui-inimigo Safwan bin Omaiyah sentaram-se juntos, em particular, lamentando a perda e recordando seus mortos e cativos. ‘Umair expressou um desejo fervoroso de matar o Profeta ﷺ e libertar seu filho, que fora capturado em Madinah, não fosse o jugo das dívidas que carregava e a grande família que precisava sustentar. Safwan também tinha suas boas razões para ver o Profeta ﷺ morto, então ofereceu-se para quitar as dívidas de ‘Umair e sustentar sua família caso ele levasse adiante seu plano.
The impact of defeat at Badr was so great that the Makkans began to burn with indignation and resentment over their horrible losses. To resolve this situation two polytheists volunteered to quench their thirst and muffle the source of that humiliation i.e. the Prophet (Peace be upon him). ‘Umair bin Wahab Al-Jumahi, a terrible polytheist, and an archenemy Safwan bin Omaiyah sat together privately lamenting their loss and remembering their dead and captives. ‘Umair expressed a fervent desire to kill the Prophet (Peace be upon him) and release his captured son in Madinah, if it was not for the yoke of debts he was under and the large family he had to support. Safwan, also had his good reasons to see the Prophet (Peace be upon him) killed, so he offered to discharge ‘Umair’s debts and support his family if he went on with his plan.
‘Umair concordou e pediu a Safwan que mantivesse total sigilo sobre todo o plano. Partiu para Madinah, levando consigo uma espada à qual aplicara algum tipo de veneno letal. ‘Umar bin Al-Khattab o viu à porta da Mesquita e compreendeu que ele viera com más intenções. Imediatamente entrou na Mesquita e informou o Profeta ﷺ. Foi autorizado a entrar, com a espada presa pela correia, e ao cumprimentar disse “bom dia”, ao que o Profeta ﷺ respondeu que Allah fora misericordioso e lhes ensinara a saudação dos habitantes do Paraíso: “a paz esteja convosco!”. Diante da pergunta do Profeta ﷺ sobre o motivo de sua vinda, ‘Umair disse que viera para ver se seu filho prisioneiro estava sendo bem tratado. Quanto à espada, sobre a qual o Profeta ﷺ também o questionou, ele a amaldiçoou e disse que ela não lhes trazia nenhum proveito. Ao insistirem para que revelasse seu verdadeiro objetivo, ele permaneceu obstinado e não divulgou o encontro secreto com Safwan. Nesse momento, o Profeta ﷺ perdeu a paciência e ele mesmo revelou a ‘Umair a sua missão secreta. ‘Umair ficou surpreso, um espanto incrível tomou conta dele, e imediatamente testemunhou a Mensagem de Muhammad ﷺ. Em seguida, começou a louvar a Allah por tê-lo guiado ao “Caminho Reto”. O Profeta ﷺ ficou satisfeito e pediu a seus Companheiros que ensinassem a ‘Umair os princípios do Islam, recitassem para ele o Nobre Alcorão e libertassem seu filho do cativeiro.
INVASÃO DOS BANI QAYNUQA:
INVASION OF BANI QAYNUQA:
Já falámos sobre o tratado que o Profeta (ﷺ) assinou com os judeus. Ele era muito cuidadoso em cumpri-lo à letra, e os muçulmanos não demonstraram a menor violação de nenhuma das suas cláusulas. Os judeus, porém, cuja índole natural está intimamente ligada à traição, à deslealdade e à quebra de pactos, não conseguiram libertar-se da tradição que lhes era própria, e começaram um processo de intrigas e de criação de problemas com o objetivo de provocar uma cisão nas fileiras muçulmanas, que se tornavam cada vez mais sólidas. Eis um modelo relevante do seu comportamento: Shas bin Qais, um judeu idoso, um descrente terrível e um homem muito invejoso dos muçulmanos, passou por um grupo dos companheiros de Muhammad (ﷺ) pertencentes aos Aws e aos Khazraj. Percebeu um espírito predominante de reconciliação e uma atmosfera de harmonia e amizade que envolviam todo o grupo; uma cena invulgar, categoricamente em conflito com a animosidade e o ódio que caracterizavam o seu comportamento antes do Islão. Por isso, enviou um jovem seu para se sentar entre eles, lembrar-lhes a guerra de Bu‘ath que houve entre eles e recitar alguns dos versos que costumavam compor a satirizar-se mutuamente; tudo isto com a intenção de semear as sementes da discórdia e do desacordo e de minar as novas relações tribais de orientação islâmica. O jovem conseguiu de facto o seu intento, e as duas partes, em momento algum, recordaram os velhos dias, e o fanatismo tribal da época pré-islâmica voltou à superfície, levando a um estado de guerra.
We have already spoken about the treaty that the Prophet (Peace be upon him) signed with the Jews. He was very careful to abide by it to the letter and the Muslims did not show the least violation of any of its provisions. The Jews, however, whose natural disposition is closely linked to treachery, betrayal and covenant-breaching, could not rid themselves of the tradition of theirs, and started a process of intrigues and troublemaking with the aim of producing schism in the growing solid Muslim ranks. Here is a relevant model of their behaviour: Shas bin Qais, an elderly Jew, a terrible disbeliever and a greatly envious man of the Muslims, passed by a group of Muhammad (Peace be upon him) followers of Aws and Khazraj. He perceived a prevalent spirit of reconciliation and an atmosphere of rapport and amity enveloping the whole group; an unusual scene categorically in conflict with the animosity and hatred that characterized their pre-Islam behaviour. He, therefore, sent a youth of his to sit among them, remind them of Bu‘ath war between them and recite some of their verses which they used to compose satirizing each other; all of this with the intention of sowing the seeds of discord and disagreement and undermining the new Islamically-orientated inter-tribal relations. The youth did in fact succeed and the two parties at no time recalled the old days and pre-Islam tribal fanaticism sprang to the front to bring about a state of war.
OS JUDEUS DE BANU QAYNUQA' VIOLAM O PACTO:
THE QAINUQA' JEWS BREACH THE COVENANT:
Ao verem que Allah havia ficado ao lado dos crentes e lhes concedera uma vitória evidente, e ao perceberem a imponente presença dos muçulmanos em Madinah, os judeus já não conseguiam conter-se nem ocultar a sua indignação. Começaram a praticar, publicamente, uma série de atos provocadores e prejudiciais. O mais perverso deles era a tribo de Banu Qainuqa', que vivia em bairros dentro de Madinah que levavam o seu nome. Quanto aos ofícios, dedicavam-se à ourivesaria, à ferraria e ao fabrico de instrumentos domésticos, razão pela qual se encontravam em grande quantidade armas de guerra nas suas casas. Contavam com 700 guerreiros, eram os mais audaciosos entre a comunidade judaica da Arábia e foram os primeiros a violar o pacto de cooperação e não agressão que já haviam firmado com o Profeta ﷺ. O seu comportamento tornou-se demasiado insolente e insuportável. Começaram a provocar problemas, a escarnecer dos muçulmanos, a ferir aqueles que frequentavam os seus mercados e chegaram mesmo a intimidar as suas mulheres. Tais atos começaram a agravar a situação geral, pelo que o Profeta ﷺ os reuniu, admoestou-os, apelou à sua razão, ao seu bom senso e à sua orientação, e advertiu-os contra novas transgressões. No entanto, permaneceram obstinados e não deram atenção ao seu aviso, dizendo: "Não vos deixeis iludir por terdes vencido alguns coraixitas inexperientes na arte da guerra. Se nos enfrentardes em combate, percebereis que somos verdadeiros peritos na guerra."
Seeing that Allâh sided with the believers and granted them a manifest victory and perceiving the Muslims’ awesome presence in Madinah, the Jews could no longer contain themselves or conceal indignation. They started a series of provocative and harmful deeds publicly. The most wicked amongst them were the tribe of Banu Qainuqa‘, who lived in quarters within Madinah named after them. As for jobs, they took up goldsmithery, blacksmithing and crafts of making household instruments, that is why war weaponry was available in large quantities in their houses. They counted 700 warriors, and were the most daring amongst the Jewish community in Arabia, and now the first to breach the covenant of cooperation and non-aggression which they had already countersigned with the Prophet (Peace be upon him). Their behaviour grew too impolite and unbearable. They started a process of trouble-making, jeering at the Muslims, hurting those who frequented their bazaars, and even intimidating their women. Such things began to aggravate the general situation, so the Prophet(Peace be upon him) gathered them in assemblage, admonished and called them to be rational, sensible and guided and cautioned against further transgression. Nevertheless they remained obdurate and paid no heed to his warning, and said: “Don’t be deluded on account of defeating some Quraishites inexperienced in the art of war. If you were to engage us in fight, you will realize that we are genuine war experts.”.
A esse respeito, foram reveladas as Palavras de Allāh, que dizem:
INVASÃO DE AS-SAWIQ:
AS-SAWIQ INVASION:
Duas atividades hostis paralelas estavam sendo conduzidas de forma independente contra o Profeta ﷺ: de um lado, planos e intrigas tramados por Safwan bin Omaiyah, pelos hipócritas e pelos judeus, que avançavam em linhas paralelas; do outro, hostilidades militares preparadas por Abu Sufyan, com o objetivo de salvar a face de seu povo e de impressionar os demais árabes, mostrando que os Quraysh ainda eram uma força militar a ser considerada. Após a batalha de Badr, Abu Sufyan ardia em desejo de vingança e fez um voto solene de que não se banharia para remover a impureza enquanto não se vingasse de Muhammad ﷺ e de seus seguidores. Ele partiu à frente de 200 homens em direção a Madinah, mas não teve coragem suficiente para atacá-la à luz do dia. Recorreu, então, a atos de pirataria, daqueles que se realizam na escuridão. Infiltrou-se na cidade do Profeta ﷺ e foi visitar um antigo aliado, Huyai bin Akhtab, que era covarde demais para recebê-lo; por isso, partiu para a casa de Salam bin Mashkam, chefe da tribo judaica de Bani Nadeer. O judeu o hospedou e lhe deu um relato completo da situação na cidade. Já tarde da noite, enviou um grupo de seus homens para atacar Al-‘Uraid, um subúrbio de Madinah. Ali, os homens derrubaram e queimaram as palmeiras, mataram dois muçulmanos e depois fugiram rapidamente. Ao receber a notícia, o Profeta ﷺ reuniu seus homens e partiu no encalço deles, mas não conseguiu alcançá-los. Os muçulmanos recolheram os suprimentos (sawiq, uma espécie de mingau de cevada) que os politeístas haviam jogado fora para aliviar a carga e acelerar a fuga; por essa razão, esta expedição ficou conhecida como a Expedição de As-Sawiq. Ela aconteceu em Dhul-Hijjah do ano 2 A.H., dois meses após o evento de Badr.
Two-pronged hostile activities were being independently conducted against the Prophet (Peace be upon him) ; plots and intrigues being hatched by Safwan bin Omaiyah, the hypocrites and Jews on the one hand, going on and on parallel lines with military hostilities being prepared by Abu Sufyan aiming at saving the face of his people and impressing on the other Arabs that Quraish was still a military power to be counted for. In the aftermath of Badr, Abu Sufyan was burning for revenge and took a solemn vow he would never bathe off impurity unless he had avenged himself on Muhammad (Peace be upon him) and his followers. He set out at the head of 200 men towards Madinah but was not brave enough to attack it in broad daylight. He, instead resorted to acts of piracy that are performed in the dark. He infiltrated into the Prophet ’s town and went to see an old ally Huyai bin Akhtab, who was too cowardly to let him in, so he left for Salam bin Mashkam, chief of Bani Nadeer, a tribe of Jews. The Jew entertained and gave him a full account of the situation therein. Late at night he despatched a group of his men to raid Al-‘Uraid, a suburb of Madinah. There, the men felled and burnt the palm trees, killed two Muslims and then took swiftly to their heels. On hearing the news, the Prophet (Peace be upon him) gathered his men and set out at their heels, but could not catch them. The Muslims brought back the provisions (Sawiq, a kind of barley porridge) which the polytheists had thrown aside in order to lighten their loads and hasten their escape; hence this campaign was called As-Sawiq Invasion. It took place in Dhul-Hijjah 2 A.H., two months after the event of Badr.
INVASÃO DE DHI AMR, MUHARRAM, 3 A.H.
DHI AMR INVASION, MUHARRAM, 3 A.H:
Os serviços de inteligência do Profeta ﷺ informaram que Banu Tha‘labah e Banu Muhârib estavam reunindo tropas com o objetivo de atacar os arredores de Madinah. O Profeta ﷺ, à frente de 450 cavaleiros e infantes, partiu para lidar com esta nova situação. ‘Uthman bin ‘Affan foi encarregado de cuidar dos assuntos dos muçulmanos em Madinah. No caminho, capturaram um homem que abraçara o Islã e que serviu de guia para o exército. Quando os inimigos souberam da aproximação dos muçulmanos, dispersaram-se apressadamente pelas montanhas e desapareceram. Os muçulmanos acamparam num ponto de água chamado “Dhi Amr” durante todo o mês de Safar do ano 3 A.H. O Profeta ﷺ pretendia deixar claro aos beduínos do deserto da região que os muçulmanos eram então poderosos o suficiente para incutir temor e respeito nos corações de seus inimigos.
The Prophet ’s intelligence personnel reported that Banu Tha‘labah and Banu Muhârib were mustering troops with the aim of raiding the outskirts of Madinah. The Prophet (Peace be upon him) at the head of 450 horsemen and footmen set out to handle this new situation. ‘Uthman bin ‘Affan was asked to dispose the affairs of the Muslims in Madinah. On their way, they captured a man who embraced Islam and acted as a guide for the army. When the enemies heard of the approach of the Muslims, they hurriedly dispersed in the mountains and disappeared. The Muslims encamped at a watering place called “Dhi Amr” for the whole of Safar 3 A.H. The Prophet (Peace be upon him) aimed to impress upon the desert bedouins in the area, that the Muslims were then powerful enough to cast fear and awe into the hearts of their enemies.
KA'B BIN AL-ASHRAF, MORTO:
KA'B BIN AL-ASHRAF, KILLED:
Ka‘b bin Al-Ashraf era o judeu mais ressentido com o Islã e os muçulmanos, o mais ávido por causar dano ao Mensageiro de Allâh ﷺ e o defensor mais zeloso da guerra contra ele. Pertencia à tribo de Tai’, mas sua mãe era de Banu Nadeer. Era um homem rico, conhecido por sua beleza, e um poeta que vivia com luxo em sua fortaleza, ao sudeste de Madinah, na retaguarda das habitações de Banu Nadeer.
Ka‘b bin Al-Ashraf was the most resentful Jew at Islam and the Muslims, the keenest on inflicting harm on the Messenger of Allâh (Peace be upon him) and the most zealous advocate of waging war against him. He belonged to Tai’ tribe but his mother to Banu Nadeer. He was a wealthy man known for his handsomeness, and a poet living in luxury in his fort south east of Madinah at the rear of Banu Nadeer’s habitations.
Ao ouvir a notícia de Badr, ele ficou terrivelmente exasperado e jurou que preferiria a morte à vida caso a notícia fosse verdadeira. Quando isso foi confirmado, ele escreveu poemas satirizando Muhammad ﷺ, exaltando os Quraish e incitando-os contra o Profeta ﷺ. Em seguida, partiu para Makkah, onde começou a atiçar o fogo da guerra e a acender o rancor contra os muçulmanos em Madinah. Quando Abu Sufyan lhe perguntou qual religião ele preferia, a dos makkanos ou a de Muhammad ﷺ e de seus companheiros, ele respondeu que os politeístas estavam mais bem guiados. A respeito dessa situação, Allâh revelou Suas Palavras:
On hearing the news of Badr, he got terribly exasperated and swore that he would prefer death to life if the news was true. When this was confirmed he wrote poems satirizing Muhammad (Peace be upon him), eulogizing Quraish and enticing them against the Prophet (Peace be upon him). He then rode to Makkah where he started to trigger the fire of war, and kindle rancour against the Muslims in Madinah. When Abu Sufyan asked him which religion he was more inclined to, the religion of the Makkans or that of Muhammad (Peace be upon him) and his companions, he replied that the pagans were better guided. Wrespect to this situation, Allâh revealed His Words:
"Não reparaste naqueles que receberam uma porção da Escritura? Eles acreditam em Jibt e Taghût, e dizem aos descrentes que estão melhor guiados no caminho do que os crentes (muçulmanos)." [4:51].
•“Have you not seen those who were given a portion of the Scripture? They believe in Jibt and Taghût, and say to the disbelievers that they are better guided as regards the way than the believers (Muslims).” [4:51].
Ele então retornou a Madinah para iniciar uma nova campanha de propaganda caluniosa, que tomou a forma de canções obscenas e sonetos amorosos com o objetivo de difamar as mulheres muçulmanas. Nesta fase, a situação tornou-se insuportável e não podia mais ser tolerada. O Profeta ﷺ reuniu os seus homens e disse: “Quem matará Ka‘b bin Al-Ashraf? Ele injuriou Allâh e o Seu Mensageiro.” Então, Muhammad bin Maslamah, ‘Abbad bin Bishr, Al-Harith bin Aws, Abu ‘Abs bin Hibr e Salkan bin Salamah, irmão de leite de Ka‘b, ofereceram-se para realizar a tarefa. Muhammad bin Maslamah disse: “Ó Mensageiro de Allâh, desejas que eu o mate?” Ele respondeu: “Sim.” Ele disse: “Permite-me falar com ele (da maneira que julgar adequada).” Ele disse: “Fala (como quiseres).” Assim, Muhammad bin Maslamah foi até Ka‘b e falou com ele, dizendo: “Este homem (ou seja, o Profeta ﷺ) decidiu cobrar caridade (de nós), e isso nos tem causado grande dificuldade.” Ao ouvir isto, Ka‘b disse: “Por Allâh, ele vos causará ainda mais problemas.” Muhammad bin Maslamah respondeu: “Sem dúvida, agora nos tornamos seus seguidores e não queremos abandoná-lo até vermos que rumo tomarão os seus assuntos. Quero que me empreste um empréstimo.” Ele disse: “O que hipotecarás?” Muhammad respondeu: “O que queres?” O judeu imoral e sem coração exigiu mulheres e crianças como garantia da dívida. Muhammad disse: “Devemos penhorar as nossas mulheres, quando tu és o mais belo dos árabes? Ou o filho de um de nós poderia ser insultado, dizendo-se que foi penhorado por dois wasq (unidade de medida de peso) de tâmaras; mas podemos penhorar-te as (nossas) armas.” Ka‘b concordou. Salkan bin Salamah e Abu Na’ilah, em outra ocasião, foram ver Ka‘b com o mesmo propósito, e os assuntos foram mais ou menos os mesmos, apenas que Abu Na’ilah traria alguns companheiros consigo. O plano teve êxito e previu a presença de homens e armas. Na noite de 14 de Rabi‘ Al-Awwal, do ano 3 A.H. As pessoas despediram-se do Profeta ﷺ e partiram em nome de Allah para executar o plano cuidadosamente traçado. O Profeta ﷺ ficou para trás, orando por eles e suplicando a Allah que lhes concedesse o sucesso. Os homens foram chamá-lo de noite. Ele desceu, embora sua esposa o tivesse advertido para não os encontrar, alegando: "Ouço uma voz que parece a voz de um assassino." Ele disse: "São apenas Muhammad bin Maslamah e meu irmão de leite Abu Na'ilah. Quando um homem nobre é chamado de noite, mesmo que seja atravessado por uma lança, deve atender ao chamado." Abu Na'ilah disse aos seus companheiros: "Quando ele descer, estenderei a mão em direção à sua cabeça, como se fosse para cheirá-la, e quando eu o segurar firmemente, vocês devem fazer o seu trabalho." Assim, quando ele desceu, conversaram juntos por cerca de uma hora. Depois, convidaram-no a sair e passar um bom momento ao luar. No caminho, Abu Na'ilah comentou: "Sinto o perfume mais agradável em você." Ka'b disse: "Sim, tenho comigo uma amante que é a mais perfumada das mulheres da Arábia." Abu Na'ilah disse novamente: "Permita-me cheirar (o perfume em sua cabeça)." Ele respondeu: "Sim, podes cheirar." Então, segurou-lhe a cabeça e cheirou. Depois disse: "Permita-me fazê-lo mais uma vez." Em seguida, segurou-lhe firmemente a cabeça e disse aos companheiros: "Façam o seu trabalho." E eles o mataram. O grupo de homens voltou após cumprir a sua missão. Um deles, Al-Harith bin Aws, foi ferido por engano pelas espadas de seus próprios companheiros e sangrava muito. Quando chegaram a Baqi' al-Gharqad, gritaram: "Allah é o Maior." O Profeta ﷺ ouviu-os e percebeu que haviam matado o inimigo de Allah. Ao vê-los, disse: "Que os vossos rostos sejam alegres." Eles responderam: "E o teu, ó Mensageiro de Allah." Entregaram-lhe a cabeça do tirano. Ele louvou a Allah pelo sucesso deles. Depois, aplicou sua saliva na ferida de Al-Harith, e ela sarou imediatamente.
A INVASÃO DE BUHRAN:
THE INVASION OF BUHRAN:
Em Rabi‘ Ath-Thani, no ano 3 d.H., o Profeta ﷺ liderou uma expedição composta por 300 guerreiros até Buhran, na região de Al-Furu‘. Ele permaneceu ali até Jumada Al-Ula, no ano 3 d.H. Nenhum combate ocorreu durante essa incursão de patrulhamento.
In Rabi‘ Ath-Thani, the year 3 A.H. the Prophet (Peace be upon him) led a campaign comprising 300 warriors to Buhran in the area of Al-Furu‘. He stayed there till Jumada Al-Ula, 3 A.H. No fighting took place in the process of this patrolling invasion.
ZAID BIN HARITHAH LIDERA UMA EXPEDIÇÃO NAS ROTAS COMERCIAIS DOS QURAIX:
ZAID BIN HARITHAH LEADS A CAMPAIGN ON THE TRADE ROUTES OF QURAISH:
Esta foi a campanha mais bem-sucedida antes da Batalha de Uhud. Ocorreu em Jumada Ath-Thaniyah, no ano 3 da Hégira.
This was the most successful campaign prior to Uhud Battle. It took place in Jumada Ath-Thaniyah, the year 3 A.H.
Aproximava-se o verão e já era hora de as caravanas comerciais de Makkah partirem para a Síria. O povo de Quraish, cuja vida dependia principalmente de uma economia mercantil baseada nas caravanas de verão para a Síria e nas caravanas de inverno para a Abissínia (Etiópia), encontrava-se agora em dificuldade quanto à rota que deveria seguir, a fim de evitar os golpes militares arrasadores que os muçulmanos infligiam com sucesso aos politeístas.
Summer approached and it was high time for the Makkan trade caravans to leave for Syria. The people of Quraish whose lives depended mainly on a mercantile economy consisting of summer caravans to Syria and winter caravans to Abyssinia (Ethiopia), were now at a loss as to what route they would have to follow in order to avoid the backbreaking military strikes that the Muslims successfully inflicted on the polytheists.
Eles realizaram uma reunião para discutir as possibilidades de escapar do bloqueio econômico e decidiram seguir por uma rota comercial atravessando Najd até o Iraque. Furat bin Haiyan foi designado como guia da caravana. Safwan bin Omaiyah conduziu a caravana pela nova rota. A notícia da reunião vazou por meio de Na‘im bin Mas‘ud Al-Ashja‘i, sob o efeito do vinho, e chegou rapidamente a Madinah por intermédio de Sulit bin An-Nu‘man. O Profeta ﷺ imediatamente reuniu 100 cavaleiros sob a liderança de Zaid bin Harithah Al-Kalbi e os enviou para interceptar e capturar a caravana. Eles alcançaram os camelos em um lugar chamado Al-Qardah. Surpreenderam os politeístas e prenderam o guia e outros dois homens. Safwan e seus guardas fugiram sem oferecer a menor resistência. A caravana transportava prata e mercadorias cujo valor somava 100 mil dirhams. O butim foi distribuído entre os guerreiros muçulmanos após se separar um quinto para o Profeta ﷺ. Furat bin Haiyan abraçou o Islã por livre e espontânea vontade.
They held a meeting to discuss the chances of escaping the economic blockade and decided to go along a trade route across Najd to Iraq. Furat bin Haiyan was appointed as a guide for the caravan. Safwan bin Omaiyah led the caravan along the new route. News of the meeting leaked out through Na‘im bin Mas‘ud Al-Ashja‘i under the effect of wine, and it flew fast to Madinah by Sulit bin An-Nu‘man. The Prophet (Peace be upon him) immediately mustered 100 horsemen under the leadership of Zaid bin Harithah Al-Kalbi and despatched them to intercept and capture the caravan. They caught up with the camels at a place called Al-Qardah. They took the polytheists by surprise and arrested their guide and two other men. Safwan and his guards fled away without showing the least resistance. The caravan was carrying silver and wares whose value amounted to 100 thousand dirhams. The booty was distributed among the Muslim warriors after one-fifth had been set aside for the Prophet (Peace be upon him). Furat bin Haiyan embraced Islam out of his own sweet free will.