4.6 Capítulo Seis Por Amor a Deus
4.6 Chapter Six For The Sake Of God
A sétima categoria de distribuição do zakat é expressa no Alcorão como "fi sabil Allah" [no caminho de Deus]. A quem se paga esta parte do zakat? O significado linguístico do termo é bastante óbvio. "Sabil" significa caminho, e "sabil Allah" é o caminho que leva à agradação de Deus. Ibn al Athir diz "... 'sabil Allah' é suficientemente geral para abranger toda ação ou obra intencionada sinceramente por causa de Deus, incluindo o cumprimento das obrigações religiosas e das adorações e obras voluntárias. Quando o termo 'fi sabil Allah' não é modificado, geralmente significa jihad [luta por causa de Deus], pelo que o termo frequentemente parece restringir-se ao sentido de jihad." Esta análise do termo 'fi sabil Allah' feita por Ibn al Athir mostra dois pontos importantes:
The seventh category of zakah distribution is expressed in the Qur'an as "fi sabil Allah" [in the way of God]. To whom is this share of zakah paid? The linguistic meaning of the term is quite obvious. "Sabil" means way, and "sabil Allah" is the way that leads to pleasing God. Ibn al Athir says ". . . 'sabil Allah' is general enough to cover every action or deed sincerely intended for the sake of God, including fulfilling religious obligations and voluntary worships and deeds. When the term 'fi sabil Allah' is not modified, it usually means jihad [fighting for the sake of God], so the term often appears to be restricted to the meaning of jihad." This analysis of the term 'fi sabil Allah' by Ibn al Athir shows two important points:
1. O termo originalmente significa toda ação realizada exclusivamente para servir à causa de Deus, incluindo todas as boas ações, individuais e coletivas.
1. The term originally means every action intended solely to serve the cause of God, including all good deeds, individual and collective.
2. Sem modificação, o termo é comumente entendido como lutar pela causa de Deus, já que o uso frequente quase restringe o significado a lutar pela causa de Deus.
2. Unmodified, the term is commonly understood to mean fighting for the sake of God, since frequent usage almost restricts the meaning to fighting for the sake of God.
Esses dois significados do termo contam toda uma história de divergências entre os juristas acerca desta sétima categoria de distribuição do zakat. É evidente que todos concordam que lutar pela causa de Deus está incluído nesta categoria; as suas divergências centram-se em saber se esta categoria pode também abranger outras boas ações destinadas a agradar a Deus. A discussão que se segue descreve as opiniões dos juristas sobre este assunto.
These two meanings of the term tell a whole story of differences among jurists on this seventh category of zakah distribution. Obviously, all agree that fighting for the sake of God is included in this category; their differences center on whether this category may also cover other good deeds intended to please God. The following discussion describes the opinions of jurists on this matter.
A visão hanafita
The Hanafite view
De acordo com Abu Yusuf, a categoria de fi sabil Allah inclui os combatentes que não têm fundos suficientes para montarias e despesas, de tal modo que isso os impeça de combater. A sadaqah é lícita para eles, mesmo que sejam capazes de obter renda, pois trabalhar os desencorajaria de combater. Muhammad entende que o termo inclui aqueles que desejam realizar a peregrinação, mas não podem fazê-lo por falta de dinheiro. Ele apresenta como evidência um relato de que um homem que dedicou seu camelo à causa de Deus (fi sabil Allah) foi ordenado pelo Mensageiro de Deus ﷺ a transportar peregrinos nele. Além disso, a peregrinação é por causa de Deus, pois é uma obediência às Suas ordenanças.
According to Abu Yusuf, the category of fi sabil Allah includes fighters who do not have sufficient funds for rides and expenses in such a way that impedes them from fighting. Sadaqah is lawful to them even if they are able to earn income, since working would deter them from fighting. Muhammad understands the term to include those who want to perform pilgrimage but cannot do so for lack of money. He presents as evidence a report that a man who devoted his camel in the way of God (fi sabil Allah) was ordered by the Messenger of God (p) to carry pilgrims on it. Additionally, pilgrimage is for the sake of God, as it is an obedience to his ordinances.
Alguns hanafitas defendem que esta categoria inclui os estudantes em regime de tempo integral. O autor de al-Fatawa al-Zahiriyyah menciona apenas esta categoria na sua interpretação do termo fi sabil Allah. Outros rejeitam esta interpretação com o argumento de que, quando o versículo foi revelado, não existia o conceito de estudantes em tempo integral. Outros respondem que estudar em tempo integral pode significar adquirir conhecimento da Shari'ah, como o praticavam em tempo integral aqueles Companheiros que acompanhavam o Profeta ﷺ para receber conhecimento dele em Medina, conhecidos como os habitantes de al-Suffah [nome do local em frente à mesquita do Profeta ﷺ em Medina onde estas pessoas costumavam viver em tendas]. Em al-Bada'i', al-Kasani diz que todos os que praticam atos de obediência a Deus e promovem boas ações podem ser ajudados como fi sabil Allah, seguindo o significado linguístico original do termo. Ibn Nujaim, em al-Bahr, comenta: "É óbvio que a condição de pobreza é necessária em todos os casos", mas Rashid Rida argumenta que tal restrição elimina toda a categoria de "no caminho de Deus" como um grupo separado de beneficiários, uma vez que a primeira categoria abrange todas as pessoas pobres.4
Some Hanafites argue that this category includes full-time students. The author of al Fatawa al Zahiriyyah mentions only this category in his interpretation of the term fi sabil Allah. Others reject this interpretation on the grounds that when the verse was revealed, the concept of full-time students did not exist. Others reply that studying full time can mean acquiring knowledge of Shari'ah, as practiced full-time by those Companions who accompanied the Prophet (p) to receive knowledge from him in Madinah, known as the people of al Suffah [the name of the place in front of the Prophet's mosque in Madinah where these people used to live in tents]. In al Bada'i', al Kasani says all those who do deeds of obedience to God and promote good actions can be helped as fi sabil Allah, following the original linguistic meaning of the term. Ibn Nujaim in al Bahr comments, "It is obvious that the condition of poverty is necessary in all cases,"2 but Rashid Rida argues that such a restriction eliminates the whole category of in the way of God as a separate group of recipients, since the first category covers all poor persons.3,4
A visão malikita
The Malikite view
No Alcorão, Ibn al-'Arabi cita a observação de Malik: "Os caminhos de Deus são muitos, mas não conheço nenhuma divergência de que o que se entende por fi sabil Allah aqui é a luta, distinta de outros caminhos de Deus". Muhammad bin 'Abd al-Hakam disse: "Da sadaqah pode-se pagar o valor de alimento, armas e outras ferramentas de guerra [dos combatentes]. Isso inclui impedir que os inimigos invadam as terras muçulmanas, pois todas essas são ações relacionadas à luta por causa de Deus. O Profeta ﷺ deu cem camelos da sadaqah em reconciliação após o ataque contra Sahl bin Abi Khathamah. Ele fez isso para evitar uma grande perturbação violenta."6
In Ahkam al Qur'an, Ibn al 'Arabi quotes Malik's remark, "The ways of God are manifold, but I know of no disagreement that what is meant by fi sabil Allah here is fighting, as distinct from other ways of God," Muhammad bin 'Abd al Hakam's says "From sadaqah, the value of food, arms, and other tools of war [of the fighters] can be paid. This includes preventing enemies from invading Muslim lands, since all these are actions related to fighting for the sake of God. The Prophet (p) gave one hundred camels from sadaqah in reconciliation after the attack against Sahl bin Abi Khathamah. He did so in order to prevent a major violent disturbance."6
O autor de Sharh al Dardir sobre o Matn Khalil escreve: "O zakat pode ser dado a combatentes e guardas de fronteira, e para comprar maquinário de guerra, como armas e cavalos."
The author of Sharh al Dardir on Matn Khalil writes, "Zakah can be given to fighters and border guards, and to buy war machinery, such as weapons and horses.
Combatentes podem receber zakat mesmo que sejam ricos, pois ela lhes é dada por estarem lutando pelo caminho de Deus, e não por causa da pobreza. Espiões também podem receber zakat, mesmo que sejam descrentes.7
Fighters may take zakah even if they are rich, since they are given because they are fighting for the sake of God and not because of poverty. Spies can also be given zakah, even if they are unbelievers."7
A visão malequita pode ser resumida da seguinte forma:
The Malikite view can be summarized as follows:
1. Eles concordam que "no caminho de Deus" se restringe à luta e à defesa das terras muçulmanas.
1. They agree that "in the way of God" is restricted to fighting and guarding Muslim land.
A visão Shafi'ita
The Shaifi'ite view
Junto com al-Nawawi em al-Minhaj e Ibn Hajar al-Haithami em seu comentário sobre o mesmo, os xafeítas acreditam que "no caminho de Deus" inclui os combatentes voluntários que não recebem salários do governo. Para usar as palavras de Ibn Hajar, "os combatentes voluntários lutam sem salários quando motivados, e caso contrário trabalham em negócios e ofícios". Ele acrescenta: "Sabil Allah significa, linguisticamente, o caminho que leva a Ele. É frequentemente usado para designar a luta por Sua causa, que pode significar o martírio que conduz à satisfação de Deus.
Along with al Nawawi in al Minhaj and Ibn Hajar al Haithami in his commentary on the same, Shafi'ites believe "in the way of God" includes voluntary fighters who do not receive salaries from the government. To use Ibn Hajar's words, "volunteer fighters fight without salaries when motivated, and otherwise they work in businesses and crafts." He adds, "Sabil Allah linguistically means the way that leads to Him. It is often used to mean fighting for His cause, which may mean martyrdom that leads to pleasing God.
Depois, o termo foi aplicado àqueles que lutam sem remuneração, uma vez que sacrificam mais do que os soldados assalariados e merecem receber aquilo que os ajuda a cumprir esse dever, mesmo que sejam ricos.9
Then the term was applied to those who fight without compensation, since they sacrifice more than salaried soldiers and deserve to be given what helps them undertake this duty, even if they are rich."9
Al-Shafi'i, em *al-Umm*, diz: "Os vizinhos da região onde o zakat é cobrado e que combatem podem receber a parcela destinada à causa de Deus, quer sejam pobres ou ricos. Pessoas que não sejam combatentes não devem receber essa parcela, a menos que defendam ou protejam os combatentes."
Al Shafi'i in al Umm says, "Neighbors of the area where zakah is collected who fight can be given the share for the sake of God whether they are poor or rich. People other than fighters must not be given this share unless they defend or guard the fighters.
A zakat pode ser dada àqueles que impedem os descrentes de atacá-los."10 A sua condição de que apenas os vizinhos podem receber baseia-se no seu princípio de que a zakat não deve ser transferida de uma área para outra. Em al-Rawdah, al-Nawawi diz: "Os combatentes podem receber as suas despesas e roupas pelo período desde a sua saída para combater até ao seu regresso, mesmo que permaneçam nos postos de fronteira por um longo período. Existem duas opiniões sobre pagar todas as suas despesas ou apenas os acréscimos causados pela viagem à guerra. O combatente também pode receber dinheiro para comprar uma égua, armas e outras ferramentas de guerra. Aquilo que ele compra torna-se seu permanentemente. No entanto, é permitido alugar a montaria e as armas a outra pessoa e fornecê-las aos combatentes; isto depende da disponibilidade de fundos. Os combatentes que não sabem lutar a cavalo não devem receber o valor de uma égua." Al-Nawawi acrescenta: "Em alguns comentários sobre al-Miftah, está declarado que o combatente pode receber as suas despesas, bem como as despesas da sua família durante todo o período em que estiver ausente. A maioria dos estudiosos não menciona as despesas da família, mas parece razoável. O Estado pode dar a montaria e as armas do combatente em definitivo, alugá-las ou arrendá-las aos combatentes, ou comprá-las e mantê-las em fundo fiduciário [waqf], que após o fim da guerra seriam devolvidas ao Estado para serem usadas por outros combatentes."
A visão hanbalita
The Hanbalite view
Assim como os šafiʿitas, os ḥanbalitas restringem o termo fi sabil Allah aos combatentes voluntários que não recebem salários regulares, ou que recebem menos do que o suficiente para o seu sustento, mesmo que sejam ricos. Os guardas das fronteiras são incluídos entre os combatentes. Está declarado em Ghayat al-Muntaha e no seu comentário que o Estado pode comprar cavalos com a zakat e entregá-los aos combatentes, mesmo que o combatente seja ele próprio um pagador de zakat. É permitido comprar navios de guerra, assim como todo outro equipamento, conforme decidido pelo Estado. Por outro lado, um pagador de zakat individual não tem autoridade para comprar um cavalo e dedicá-lo ao combate pela causa de Deus, porque os pagadores de zakat individuais são obrigados a pagar a zakat, e isso não constitui pagamento.13
Like Shafi'ites, Hanbalites restrict the term fi sabil Allah to volunteer fighters who receive no regular salaries, or who receive less than what is sufficient for them, even if they are rich. Border guards are included with fighters. It is stated in Ghayat al Muntaha and its commentary that the state may buy horses with zakah and give them to the fighters, even if the fighter is a zakah payer. It is permissible to buy warships, as well as all other equipment, as decided by the state. On the other hand, an individual zakah payer has no authority to buy a horse and devote it to fighting for the sake of God, because individual zakah payers are required to pay zakah and this is not payment.13
Há duas narrações de Ahmad relacionadas à peregrinação. A primeira é que a peregrinação está incluída nesta categoria. Um pobre pode receber zakat para realizar a peregrinação obrigatória, com base em um dito de Umm Ma'qil al-Asdiyyah. Seu marido havia consagrado um camelo por causa de Deus, e ela planejava realizar uma 'Umrah [visita à Grande Mesquita de Makkah para um rito distinto da peregrinação]. Quando pediu para usar o camelo, seu marido recusou. Ela mencionou isso ao Profeta ﷺ. O Profeta (p)
There are two reports from Ahmad concerning pilgrimage. The first is that pilgrimage is included in this category. A poor person may be given zakah to perform obligatory pilgrimage, based on a saying from Umm Ma'qil al Asdiyyah. Her husband had devoted a camel for the sake of God, and she planned to make 'Umrah [visiting the Grand Mosque in Makkah for a ritual other than pilgrimage]. When she asked to use the camel, her husband refused. She mentioned this to the Prophet. The Prophet (p)
ordenou-lhe que a deixasse usar o camelo, dizendo: "A peregrinação e a 'Umrah são pelo amor de Deus."15 Isto é relatado de Ibn Abbas e Ibn 'Umar. É também a opinião de Ishaq.
ordered him to let her use the camel, saying, "Pilgrimage and 'Umrah are for the sake of God."15 This is reported from Ibn Abbas and Ibn 'Umar. It is also the opinion of Ishaq.
Pontos de concordância entre as quatro escolas
Points of agreement of the four schools
As quatro escolas concordam em três pontos:
The four schools agree on three points:
1. O jihad (luta pela causa de Deus) está definitivamente incluído na categoria "fi sabil Allah." 2. É lícito dar zakat aos combatentes. Gastar a zakat em equipamento e armas não é consenso.
1. Jihad (fighting for God's sake) is definitely included in the category "fi sabil Allah." 2. It is lawful to give the fighters zakah. Spending zakah on equipment and arms is not agreed upon.
3. Não é permitido gastar a zakat em interesses públicos ou obras de bem geral, como canais de irrigação, represas, mesquitas, escolas, estradas e rodovias, etc. Essas despesas devem ser custeadas com outros fundos do Estado, como o fai' e o kharaj. Os hanafitas não permitem isso com o fundamento de que os beneficiários devem possuir o que lhes é pago, enquanto os demais não o permitem com o fundamento de que tal gasto não está incluído nas oito categorias. Quanto à declaração de al-Kasani citada acima, ela fica restrita pela sua condição de que a zakat deve ser posta na posse do beneficiário.
3. It is not permissible to spend zakah on public interests or general good deeds such as irrigation canals, dams, mosques, schools, roads, and highways, etc. These must be paid for from other state funds, such as fai' and kharaj. Hanafites do not allow this on the grounds that the recipients must own what is paid them, while others do not allow it on the grounds that such spending is not included in the eight categories. As for al Kasani's above-quoted statement, it is restricted by his condition that zakah must be made owned by the recipient.
Somente Abu Hanifah exige que os combatentes sejam pobres para receberem zakat, e somente Ahmad permite o pagamento aos peregrinos e aos visitantes da Mesquita Sagrada em Makkah.
Abu Hanifah alone requires that the fighters be poor in order to be given zakah, and Ahmad alone allows payment to pilgrims and visitors of the Sacred Mosque in Makkah.
Os shafiitas e os hanbalitas concordam que os combatentes devem ser voluntários, enquanto todos, exceto os hanafitas, concordam em gastar o zakat com equipamento, armas e outras necessidades da jihad.
Shafi'ites and Hanbalites share the condition that fighters be volunteers, while all but the Hanafites agree on spending zakah on equipment, arms, and other necessities of jihad.
Aqueles que ampliam o sentido de "por amor a Deus"
Those who expand the meaning of "for the sake of God"
Alguns estudiosos, antigos e contemporâneos, tendem a ampliar o sentido da expressão "pela causa de Deus" para incluir as boas ações em geral, de acordo com a indicação original do termo. Al Razi, em seu comentário ao Alcorão, observa que o sentido aparente da expressão fi sabil Allah não se restringe aos combatentes. Acrescenta: "Por essa razão, a explicação de al Qaffal sobre o versículo menciona que alguns juristas permitem gastar sadaqat em todos os tipos de boas ações, incluindo o fornecimento de caixões para os falecidos e a construção de fortificações e mesquitas, visto que 'na via de Deus' abrange todas elas."18 Contudo, al Razi não nomeia esses juristas e não faz nenhum comentário sobre sua citação de al Qaffal.
Some scholars, early and contemporary, tend to expand the meaning of the term "for the sake of God," to include good deeds in general, in accordance with the original indication of the term. Al Razi in his commentary on the Qur'an remarks that the apparent meaning of the term fi sabil Allah is not restricted to fighters. He adds, "For this reason, al Qaffal's explanation of the verse mentions that some jurists allow spending sadaqat on all kinds of good deeds, including supplying coffins for the deceased and building fortifications and mosques, since 'in the way of God' covers all these."18 But al Razi does not name these jurists, and makes no comment on his quote from al Qaffal.
Ibn Qudamah atribui esta opinião a Anas bin Malik e a al-Hasan al-Basri, que dizem: "A zakat dada em pontes e estradas é aceitável."19 Ele conclui que essa declaração permite gastar a zakat na construção e reparo de pontes e estradas, mas a elucidação de Abu 'Ubaid sobre o contexto dessa declaração lhe confere um significado diferente. Ele explica que comerciantes muçulmanos costumavam passar pela cabine dos oficiais do 'ushr em pontes e estradas para pagar os tributos sobre as mercadorias trazidas ao país (25% do valor da mercadoria). Abu 'Ubaid relata que alguns dos Seguidores, incluindo Ibrahim e al-Sha'bi, dizem ser permissível contar o que é pago a esses oficiais de tributação como zakat obrigatória. Isso é explicitamente atribuído a al-Hasan, que, segundo Abu 'Ubaid, concorda com Anas, Ibrahim, al-Shaibah e Muhammad bin 'Ali.20 Uma história semelhante é relatada por Ibn Abi Shaibah a partir de Anas e al-Hasan, sob o título de "contar o que é pago aos oficiais do 'ushr como zakat."21 A compreensão de Ibn Qudamah sobre a declaração de Anas e al-Hasan está, portanto, incorreta, já que "dada em pontes" significa paga nas pontes e não gasta na construção ou reparo de pontes.
A visão Ja'fari
The Ja'fari view
O livro al Mukhtasar al Nafi' explica que "no caminho de Deus" inclui tudo o que beneficia os muçulmanos ou os aproxima de Deus, como a peregrinação, a luta e a construção de sistemas de irrigação. Alguns Ja'faritas dizem que isso se refere apenas ao jihad.22
The book al Mukhtasar al Nafi' explains that "in the way of God" includes everything that benefits Muslims or brings them closer to God, such as pilgrimage, fighting, and building irrigation systems. Some Ja'farites say it only relates to jihld.22
O autor de Jawahir al Kalam fi Sharh Shara'i' al Islam, uma enciclopédia Ja'fari de jurisprudência, afirma que os interesses públicos, como a irrigação, as mesquitas, a peregrinação e todas as boas ações, estão incluídos na expressão "no caminho de Deus". Acrescenta: "Esta é a opinião da maioria dos estudiosos posteriores, apoiada pela própria implicação do termo, uma vez que 'sabil' significa caminho, e o caminho de Deus abrange tudo o que agrada a Deus, quer seja combater por Sua causa, quer sejam outras coisas."23
The author of Jawahir al Kalam fi Sharh Shara'i' al Islam, a Ja'fari encyclopedia of jurisprudence, states that public interests such as irrigation, mosques, pilgrimage, and all good deeds are included under "in the way of God". He adds, "This is the view of the majority of later scholars, supported by the implication of the term itself, since 'sabil' is way, and the way of God includes everything that pleases God, whether fighting for His cause or other things."23
A visão zaidita
The Zaidi view
É mencionado em al-Rawd al-Nadir, uma obra de jurisprudência zaidita, que a zakat não deve ser gasta na compra de caixões para os falecidos nem na construção de mesquitas. Os zaiditas que permitem isso argumentam que tais boas ações estão incluídas em "o caminho de Deus", e embora o termo seja frequentemente usado para a luta armada, especialmente nas primeiras eras do Islã, esse uso popular não deve restringir o significado original do termo. Tudo o que aproxima uma pessoa de Deus deve ser incluído, exceto quando o termo for restringido por qualificadores. O autor de al-Bahr concorda que o termo é claramente geral, exceto quando restringido por evidência específica.24
It is mentioned in al Rawd al Nadir, a book of Zaidi jurisprudence, that zakah must not be spent on buying coffins for the deceased or building mosques. Zaidis who allow this argue that such good deeds are included in 'the way of God', and although the term is often used for fighting, especially in the early eras of Islam, this popular usage must not restrict the original meaning of the term. All that brings a person closer to God must be included, except when the term is restricted by qualifiers. The author of al Bahr agrees that the term is clearly general, except when restricted by specific evidence.24
O autor de Sharh al Azhar concorda parcialmente, dizendo que é permitido gastar o excedente desta parte no interesse público dos muçulmanos, conforme afirmado por al Hadi. Abu Talib enfatiza: "Isso só pode ser feito depois de satisfazer as necessidades dos pobres." Alguns comentadores de Sharh al Azhar propõem que não apenas o excedente desta parte seja gasto no interesse geral dos muçulmanos, mas também o que sobra das outras sete categorias.25
The author of Sharh al Azhar partially agrees, saying it is permissible to spend the residue of this share on the public interest of Muslims, as stated by al Hadi. Abu Talib emphasizes, "This can be done only after satisfying the needs of the poor." Some commentators on Sharh al Azhar purpose that not only this share's residue be spent for the general interest of Muslims, but also what is left from the other seven categories.25
A opinião de Siddiq Hasan Khan
The opinion of Siddiq Hasan Khan
No al Rawdah al Nadiyyah, Siddiq Hasan Khan, um seguidor da ahl al hadith com mente independente, diz: "Sabil Allah significa o caminho até Ele. Sem dúvida, o maior caminho até Deus é lutar por Sua causa, mas não há prova de que esta parcela do zakat esteja restrita apenas a este sentido. É permitido gastar em qualquer caminho até Deus. Como este é o significado linguístico do termo, devemos nos ater a ele, a menos que tenhamos evidência em contrário." Ele continua: "Entre os caminhos até Deus está apoiar os eruditos que realizam interesses públicos e religiosos por causa de Deus, sejam eles ricos ou pobres. Isso é especialmente importante, pois os eruditos são os herdeiros dos profetas e os portadores da tocha da religião. Por meio deles esta religião do Islã é preservada."26
In al Rawdah al Nadiyyah, Siddiq Hasan Khan, a follower of ahl al hadith with an independent mind, says, "Sabil Allah means the way to Him. No doubt the greatest way to God is fighting for His sake, but there is no proof that this share of zakah is restricted to this meaning alone. It is permissible to spend on any way to God. Since this is the linguistic meaning of the term, we must stick to it, unless we have evidence to the contrary." He continues, "among the ways to God is supporting scholars who achieve public and religious interests for the sake of God, whether they are rich or poor. This is especially important, because scholars are the heirs of the prophets and the torchbearers of religion. Through them this religion of Islam is preserved."26
Opiniões contemporâneas
Contemporary opinions
No comentário que escreveu sobre o Alcorão, o falecido Jamal al Din al Qasimi cita, sem comentar, a afirmação de al Razi de que o sentido aparente do termo não se restringe aos combatentes, a afirmação atribuída por al Qaffal a alguns juristas, e uma afirmação de al Taj, segundo a qual todo caminho dirigido a Deus que seja bom em si mesmo está incluído na expressão "pela causa de Deus".27
In his commentary on the Qur'an, the late Jamal al Din al Qasimi quotes without comment al Razi's statement that the apparent meaning of the term is not restricted to fighters, the statement attributed by al Qaffal to some jurists, and a statement from al Taj, that every way intended for God which is good in itself is included under "for the sake of God."27
Rashid Rida, em al Manar, diz: A verdade é que a causa de Deus inclui todos os interesses públicos dos muçulmanos necessários para o estabelecimento da religião e do Estado, não incluindo os interesses individuais. Assim, a peregrinação não está incluída, porque é uma obrigação individual exigida daqueles que têm condições para realizá-la, mas inclui-se o estabelecimento geral do pilar da peregrinação. Gastar o zakat na construção de estradas para a peregrinação e no fornecimento de água e de serviços de saúde aos peregrinos está incluído, desde que não haja usos melhores no caminho de Deus."28 Ele continua: "A causa de Deus abrange todos os interesses públicos legítimos pelos quais a religião e o Estado se mantêm. Sem dúvida, a luta, a compra de armas e os gastos com soldados encabeçam esta lista. A luta aqui referida é aquela feita com o objetivo de tornar a palavra de Deus suprema na terra. Uma opinião semelhante é relatada de Muhammad bin 'Abd al Hakam, que inclui nesta parcela do zakat a construção de hospitais militares e de caridade, de estradas, de exércitos, de linhas ferroviárias não comerciais, de aeroportos militares, de fortificações e de navios militares. Também estão incluídas as despesas com a formação e as viagens de oradores, escritores e afins que vão às terras dos descrentes para informá-los sobre o Islã e difundir a palavra de Deus. Deus diz: 'Que haja entre vós um grupo que convide ao bem...'29,30
Rashid Rida, in al Manar, says: The truth is that the sake of God includes all public interests of Muslims necessary for the establishment of religion and state, not including individual interests. Thus pilgrimage is not included because it is an individual obligation required from those who can afford it, but the general establishment of the pillar of pilgrimage is included. Spending zakah on building highways for pilgrimage and providing pilgrims with water and health services are included if there are no better uses in the way of God."28 He continues, "The sake of God covers all legitimate public interests by which religion and state are maintained. No doubt fighting and buying weapons and spending on soldiers top this list. Fighting that is meant here is that which is done in order to make God's word supreme on earth. A similar view is reported from Muhammad bin 'Abd al Hakam, who includes in this share of zakah building military and charitable hospitals, roads and armies, non-commercial railroads, military airports, fortifications, and military ships. Also included are expenses of training and travelling for speakers, writers, and the like who go to the lands of unbelievers to inform them about Islam and spread the word of God. God says 'let there be among you a group that calls for good . . . .'29,30
Análise e ponderação
Analysis and weighing
Aqueles que ampliam o sentido de "no caminho de Deus" apoiam-se no significado linguístico original do termo, enquanto aqueles que restringem o sentido a lutar pela causa de Deus (que são a maioria dos eruditos das quatro escolas de jurisprudência)
Those who expand the meaning of "in the way of God" depend on the original linguistic meaning of the term, while those who restrict the meaning to fighting for God's cause (who are the majority of scholars from the four schools of jurisprudence)
depende de dois pontos: que o zakat deve ser transferido em propriedade ao beneficiário,34 e que projetos de interesse público não são uma das oito categorias. O versículo é exclusivo porque começa com "As sadaqat são somente para..." assim como o dito: "Deus, de fato, estabelece Sua decisão sobre o zakat e o divide em oito partes...". Isso é apresentado como argumento por Ibn Qudamah em al-Mughni.35
depend on two points: that zakah must be made owned by the recipient,34 and that public interest projects are not one of the eight categories. The verse is exclusive because it begins, "The sadaqat are only for . . ." as is the saying, "Indeed, God gives His ruling on zakah, and divides it into eight parts. . . ." This is presented as argument by Ibn Qudamah in al Mughni.35
Quanto ao primeiro ponto, a preposição usada com a categoria "na causa de Deus" é "fi" [em], que não implica posse. Com base nesta distinção, os estudiosos afirmam ser permissível comprar e libertar escravos ou pagar as dívidas do falecido com o zakat, embora o zakat pago nestes casos não passe a pertencer aos beneficiários. Além disso, a exigência de que o zakat pertença aos beneficiários é cumprida quando o zakat é pago à agência de zakat do governo. Uma vez recebido pelo Estado, este pode gastá-lo a seu critério.
As for the first point, the preposition used with the category of the sake of God is "in" [fi], which dose not imply ownership. Based on this distinction, scholars say it is permissible to buy and free slaves or pay debts of the deceased from zakah, although zakah paid in these cases is not owned by the recipients. Moreover, the requirement of making zakah owned by the recipients is fulfilled when zakah is paid to the government's zakah agency. Once received by the state, it can be spent at the state's discretion.
Quanto ao segundo ponto, a restrição da aplicação dos fundos de zakat às oito categorias não convence aqueles que ampliam o sentido de "pela causa de Deus", pois eles sempre argumentam que coisas como a construção de mesquitas estão incluídas na parcela de fi sabil Allah. É necessário determinar se esta categoria se restringe à luta e à defesa dos muçulmanos ou se abrange também outros interesses públicos. Para isso, devemos examinar o uso deste termo no Alcorão.
"sabil Allah" no Alcorão
The term 'sabil Allah' in Qur'an
O termo "sabil Allah" aparece no Alcorão mais de sessenta vezes,36 de duas maneiras: com mais frequência precedido pela preposição "em" [fi], como no versículo sobre a distribuição do zakat, e vinte e três vezes precedido pela preposição "de" ['an]. Nesses vinte e três casos, o termo é precedido por um de dois verbos que significam impedir ou desviar, como em "Aqueles que rejeitam a fé e afastam (as pessoas) do caminho de Deus, certamente se desviaram para muito, muito longe do caminho", "Os descrentes gastam as suas riquezas para impedir (as pessoas) do caminho de Deus..." e "Mas há entre os homens aqueles que compram histórias vãs, sem conhecimento (ou significado), para desviar (as pessoas) do Caminho de Deus". Quando o termo sabil Allah é precedido por "em", como nos versículos "Gastai no caminho de Deus", "aqueles que emigram no caminho de Deus", "lutar no caminho de Deus", "aqueles que lutam no caminho de Deus, matam e são mortos", e "e não digais sobre os que foram mortos no caminho de Deus: 'estão mortos'", como deve o termo ser interpretado?
The term 'sabil Allah' appears in the Qur'an more than sixty times,36 in either of two ways: more frequently preceded by the preposition "in" [fi] as in the verse on zakah distribution, and twenty-three times preceded by the preposition "from" ['an]. In those twenty-three places the term is preceded by one of two verbs that mean to prevent or mislead, such as "Those who reject faith and keep off (people) from the way of God have verily strayed far, far away from the path," "The unbelievers spend their wealth to hinder (people) from the path of God . . ." and "But there are among people those who purchase idle tales, without knowledge (or meaning) to mislead (people) from the Path of God." When the term sabil Allah is preceded by. "in", as in the verses "Spend in the way of God," and those who migrate in the way of God," "fighting in the way of God," "those who fight in the way of God," they kill and they are killed," and "and do not say about those killed in the way of God 'they are dead,'" how should the term be interpreted?
O significado de sabil é "caminho", e "sabil Allah" é o caminho que busca a proximidade e o agrado de Deus. Deus enviou profetas para guiar Suas criaturas até Ele, e determinou que o último de Seus mensageiros "chame para o caminho do teu Senhor com sabedoria e com uma exortação gentil", e ordenou ao Seu Mensageiro ﷺ que dissesse: "Este é o meu caminho; eu chamo a Deus com evidência clara, eu e quem me segue". A oposição ao caminho de Deus é o caminho do ṭāghūt, ou da transgressão maligna, para o qual chamam Satanás e seus seguidores, e que termina no Fogo e atrai a ira de Deus. Comparando esses dois caminhos, Deus diz: "Os que creem combatem na causa de Deus, e os que rejeitam a fé combatem na causa do mal". Os que chamam para o caminho de Deus são poucos, enquanto os que impedem as pessoas dele são muitos: "Gastam suas riquezas a fim de impedir (as pessoas) do caminho de Deus", "e há pessoas que compram palavras frívolas para desviar do caminho de Deus", "e se obedeceres à maioria dos que estão na terra, eles te desviarão do caminho de Deus". As responsabilidades e exigências do caminho de Deus são consideráveis, e os desejos mundanos das pessoas costumam se opor a ele. O Alcorão adverte contra seguir esses desejos: "e não sigas as tuas paixões, pois elas te desviariam do caminho de Deus". Se os inimigos de Deus gastam dinheiro e esforço para impedir as pessoas do caminho de Deus, é dever dos defensores da causa de Deus sacrificar esforço e riqueza no caminho de Deus. Por isso, o Islã destina parte do zakat obrigatório a essa causa, além do incentivo geral aos fiéis para que gastem por amor a Deus.
"sabil Allah" associado a gastar
The term "sabil Allah" associated with spending
O termo "sabil Allah", quando associado no Alcorão ao ato de gastar, é usado de duas formas:
The term "sabil Allah," when associated in the Qur'an with spending, is used in two ways:
1. O sentido geral, derivado do significado linguístico original, abrange todas as virtudes e boas ações, como nos versículos: "O exemplo daqueles que gastam os seus bens na causa de Deus é o de um grão de trigo que produz sete espigas, em cada espiga cem grãos. Deus multiplica a recompensa a quem Ele quer", e "Aqueles que gastam os seus bens na causa de Deus e não seguem o que gastaram com lembranças de sua generosidade ou com ofensas, terão a sua recompensa junto do seu Senhor. Sobre eles não haverá temor, nem tristeza." Ninguém pode afirmar que "sabil Allah" se restringe à luta pela causa de Deus nesses versículos. A condescendência e a ofensa ao beneficiário mencionadas no versículo só podem ser dirigidas aos pobres e necessitados. "Sabil Allah" tem um sentido amplo no versículo: "e aqueles que entesouram ouro e prata e não os gastam na causa de Deus, anuncia-lhes um castigo doloroso", conforme afirmou Ibn Hajar, e não se restringe à luta. Caso contrário, dar riquezas aos pobres, necessitados e viajantes seria uma forma de entesouramento.37 Alguns escritores contemporâneos afirmam que "sabil Allah", quando associado ao gasto, se restringe à luta,38 mas tal afirmação não tem respaldo em evidências.
1. The general meaning, derived from the original linguistic one, covers all virtues and good deeds, as in the verses, "The parable of those who spend their substance in the way of God is that of a grain of corn: it groweth seven ears, and each ear hath a hundred grains. God giveth manifold increase to whom He pleases," "Those who spend their substance in the cause of God, and follow not up their gifts with reminders of their generosity or with injury, their reward is with their Lord. On them shall be no fear, nor shall they grieve." No one can claim that "sabil Allah" is restricted to fighting for God's cause in these verses. Condescension and insult to the recipient mentioned in the verse can only be done toward the poor and needy. "Sabil Allah" has a broad meaning in the verse, "and those who hoard in treasures gold and silver, and spend it not in the way of God, promise them severe punishment," as stated by Ibn Hajar, and is not restricted to fighting. Otherwise, giving wealth to the poor, needy, and wayfarer would be a form of hoarding.37 Some contemporary writers claim that "sabil Allah," when associated with spending, is restricted to fighting,38 but such a claim is unsupported by evidence.
2. O segundo significado restringe "sabil Allah" a apoiar a religião de Deus, combater os seus inimigos e exaltar a palavra de Deus na terra. O contexto em que o termo é utilizado determina se ele se refere ao sentido amplo ou ao sentido restrito.
Qual significado se aplica ao versículo sobre a distribuição do zakat?
Which meaning applies to the zakah distribution verse?
Na minha opinião, o sentido geral não se adequa a este versículo, uma vez que o versículo enumera beneficiários específicos do zakat, como confirma o dito do Profeta ﷺ: "Deus não aceita o julgamento de um profeta, nem de outra pessoa, sobre [a distribuição das] sadaqat, mas Ele próprio deu o Seu julgamento e a dividiu em oito partes." Além disso, o sentido geral de "sabil Allah" inclui, de fato, as outras sete categorias. Por que, então, Deus enumera as outras sete? As gloriosas palavras de Deus estão isentas de repetição inútil ou redundância. Deve haver um significado distinto para a categoria de "na causa de Deus". Por isso, os juristas muçulmanos e os comentadores do Alcorão entenderam ao longo de séculos que este termo significa jihad (luta pela Sua causa), bem como o apoio à luta. Os estudiosos afirmam: "Sempre que o termo 'sabil Allah' aparece sem restrição, significa lutar pela causa de Deus." Ibn al-Athir diz: "O termo passou a referir-se específica e exclusivamente à jihad em razão do seu uso frequente." Esta compreensão é apoiada por um relato de al-Tabarani segundo o qual, certo dia, alguns Companheiros estavam com o Mensageiro de Deus ﷺ e viram um jovem forte.
In my opinion, the general meaning is not suitable to this verse, since the verse lists specific deservants of zakah, as confirmed by the saying of the Prophet (p), "Indeed, God does not accept the ruling of a prophet, or anybody else on [the distribution of] sadaqat so he Himself gave His ruling, and divided it into eight parts." Moreover, the general meaning of "sabil Allah" includes in fact the other seven categories. Why then does God ennumerate the other seven? The glorious words of God are void of useless repetition or redundancy. There must be a distinct meaning for the category of "in the way of God." Therefore, Muslim jurists and Qur'an commentators have for centuries understood this term to means jihad (fighting for His cause), as well as supporting fighting. Scholars state, Whenever the term "sabil Allah" is left unrestricted, it means fighting for God's sake." Ibn al Athir says, "The term became specific to jihad as a result of frequent use." This understanding is supported by a report of al Tabarani that one day, some Companions were with the Messenger of God and saw a strong young man.
Eles disseram: "Esperamos que esta juventude e força sejam empregadas no caminho de Deus",43 ou seja, na jihad.
They said, "We hope this youth and strength are used in the way of God,"43 meaning in jihad.
Diversos ditos corretos do Profeta e de seus Companheiros indicam que o termo "sabil Allah" tem, em seu sentido imediato, o significado de jihad. Entre eles está o relato correto de que 'Umar disse: "Dei uma égua no caminho de Deus", referindo-se à jihad; o dito relatado por al-Bukhari e Muslim de que "Uma partida pela manhã ou um retorno à noite no caminho de Deus é melhor do que o mundo e o que há nele"; o dito relatado por al-Bukhari de que "Quem der uma égua no caminho de Deus, por fé nEle e crença em Sua promessa, terá o comer, o beber, o excretar e o urinar da égua somados [em peso] à sua balança [de boas ações] no Dia do Juízo"; o dito relatado por al-Nasa'i e al-Tirmidhi de que "Quem gastar uma quantia no caminho de Deus, ser-lhe-á registrada multiplicada por setecentos"; e o dito relatado por al-Bukhari, "Aquele cujos pés se sujarem no caminho de Deus jamais será tocado pelo Fogo". Ninguém entende "sabil Allah" nessas citações como algo que não seja jihad.
Atividades incluídas em "por amor a Deus" hoje
Activities included under "for the sake of God" today
As guerras em que os Companheiros e os Seguidores combateram foram travadas unicamente para ajudar as pessoas a deixar a adoração das criaturas humanas pela adoração de Deus, o Criador, para erradicar a opressão e estabelecer a justiça do Islã. Algumas pessoas acreditam que este tipo de guerra não acontece mais e que as guerras contemporâneas nos países muçulmanos são meramente nacionalistas, não tendo nada a ver com a religião, por isso a zakat não deve ser dada aos muçulmanos que combatem em tais guerras.
The wars in which the Companions and Followers battled were fought solely to help people quit the worship of human creatures for the worship of God, the creator, to eradicate oppression and establish the justice of Islam. Some people think this kind of war does not happen anymore and that contemporary wars in Muslim countries are merely nationalistic, having nothing to do with religion, so zakah must not be given to Muslims who fight such wars.
Tal raciocínio é grosseiramente equivocado, pois, em primeiro lugar, a jihad islâmica não se restringe às guerras em que os Companheiros lutaram. É verdade que as guerras travadas pelos Companheiros e pelos Seguidores são singulares na história da humanidade, quanto aos objetivos dos combatentes muçulmanos, às suas maneiras e ao seu comportamento moral durante e após as guerras. Sem dúvida, as guerras dos Companheiros são as mais ideais da história muçulmana, mas a história testemunhou muitas outras guerras nas quais os muçulmanos defenderam os seus valores, os seus lugares sagrados e as suas comunidades, que não são menos sagrados do que as guerras dos Companheiros e dos Seguidores, e que defenderam as terras muçulmanas contra os agressores mongóis e cruzados. Se a luta dos Companheiros e dos Seguidores era pela causa do Islã, a luta de líderes como Nur al-Din, Salah al-Din e Qutuz foi em defesa da morada do Islã. A jihad é obrigatória para proteger a terra muçulmana, tanto quanto é obrigatório proteger a fé islâmica. Lutar em defesa da terra muçulmana é legítimo do ponto de vista islâmico, desde que não se baseie simplesmente no amor a um país. Um muçulmano pode deixar a terra natal de seus antepassados e ir viver onde o Islã é plenamente implementado, como o Profeta ﷺ e os seus Companheiros fizeram ao migrar de Makkah para Madinah por amor a Deus.
Such thinking is grossly erroneous, because, first of all, Islamic jihad is not restricted to the wars in which the Companions fought . It is true that the wars fought by the Companions and Followers are unique in the history of humanity, in regard to the goals of the Muslim fighters, their manners, and their moral behavior during and after the wars. No doubt the wars of the Companions are the most ideal wars in Muslim history, but history has witnessed many other wars in which Muslims defended their values, sacred places, and communities, which are no less sacred than the wars of the Companions and Followers, and which defended Muslim lands against Mogul and Crusader aggressors. If the fighting of the Companions and Followers were for the cause of Islam, the fighting of leaders like Nur al Din, Salah al Din, and Qutuz were in defense of the home of Islam. Jihad is obligatory in order to protect Muslim land as much as it is obligatory to protect the Islamic faith. Fighting in defense of Muslim land is legitimate Islamically, if it is not based simply on love of a country. A Muslim may leave the homeland of his ancestors and go live where Islam is fully implemented, as the Prophet and his Companions did by migrating from Makkah to Madinah for the sake of God.
Nem toda luta travada pelos muçulmanos é no caminho de Deus
Not all fighting by Muslims is in the way of God
Algumas pessoas acreditam que toda ação militar empreendida pelos muçulmanos é no caminho de Deus, independentemente de seus objetivos. É preciso fazer uma distinção essencial entre lutar por causa de Deus e guerras nacionalistas ou de classe. Lutar por causa de Deus é motivado unicamente pela visão islâmica e dirigido a tornar a palavra de Deus suprema, ou a defender a pátria do Islã e dos muçulmanos. Qualquer guerra desprovida desse conteúdo espiritual é uma guerra terrena, seja travada por muçulmanos ou por descrentes. Guerras desvinculadas dos objetivos e direções acima não podem ser financiadas com a zakat. Suponhamos que um grupo de comunistas albaneses ou da Ásia Central, de origem muçulmana, decida lutar contra os comunistas soviéticos para libertar sua pátria e estabelecer um Estado comunista nacionalista e independente. Tal guerra é jihad no caminho de Deus, e a zakat pode ser gasta com ela? Minha resposta é um enfático não, pois um comunista da Ásia Central, ainda que de origem muçulmana, não é melhor que um comunista russo, já que no Islã as diferenças nacionais e raciais são desconsideradas. Uma guerra de libertação de um grupo de opressores em benefício de outro grupo de opressores não é uma guerra islâmica. Somente lutar para estabelecer a religião de Deus na terra é sagrado no Islã, e somente esse tipo de guerra merece o sacrifício de almas humanas e riquezas materiais. Lutar pela libertação dos muçulmanos e das terras muçulmanas do colonialismo e de outras formas de opressão é aceitável como meio de estabelecer o Islã na terra, mas lutar pela libertação do solo e da lama a fim de estabelecer outras ideologias não é reconhecido como jihad e não pode ser financiado com a zakat. Abu Muhammad 'Abd al Ghani al Hafiz relata, por sua própria cadeia de transmissão, de 'Abd al Rahman bin Abi Na'm: "Eu estava sentado com 'Abd Allah bin 'Umar quando uma mulher veio e disse: 'Ó Abu 'Abd al Rahman, meu marido, em seu último testamento, diz que sua riqueza deve ser gasta no caminho de Deus.' Ibn 'Umar disse: 'Que seja gasta como ele desejou, no caminho de Deus.'" 'Abd al-Rahman disse: "Ela não respondeu à pergunta dela." 'Abd Allah disse: "O que você quer que eu lhe diga? Que dê o dinheiro a estas tropas que destroem a terra e cortam as estradas?" Eu disse: "Então o que lhe diria?" 'Abd Allah respondeu: "Eu lhe diria que o desse a pessoas justas, aos peregrinos à Casa sagrada de Deus. Eles são os que vêm ao Al-Rahman, eles são os que vêm ao Al-Rahman; eles são os que vêm ao Al-Rahman."48 Ibn 'Umar hesitava em descrever a guerra de seu tempo como sendo no caminho de Deus, embora as tropas daquele tempo tivessem apenas uma bandeira, um lema e uma direção, a do Islã. O que Ibn 'Umar diria sobre os exércitos de nosso tempo, que nem sequer mencionam o nome de Deus ou a palavra Islã, exércitos cujos homens não rezam nem adoram a Deus e cujos generais estão imersos na bebedeira e na imoralidade? O que ele diria sobre exércitos cujas ideologias se baseiam no secularismo, que não tem lugar para Deus, Seu Mensageiro ou Seu Livro sagrado?
A restauração do Estado islâmico é jihad
Re-establishment of the Islamic state is jihad
A melhor forma de gastar a parcela destinada "na causa de Deus" hoje é, como sugere o reformista Rashid Rida, estabelecer uma associação de ativistas islâmicos para recolher a zakat e gastá-la na restauração do Estado islâmico. Ele sugere que "a jihad para estabelecer o Estado islâmico é ainda mais importante do que a jihad para protegê-lo, e que uma das formas de restaurar o Estado islâmico é promover o chamado ao Islam e defender sua ideologia, quando não é necessário defendê-la pela espada".50
The best way to spend the share of "in the way of God" today is, as the reformist Rashid Rida suggests, to establish an association of Islamic activists to collect zakah and spend it to re-establish the Islamic state. He suggests that "Jihad for establishing the Islamic state is even more important than jihad to protect it, and that one of the ways to re-establish the Islamic state is to promote the call for Islam and defend its ideology, when defending it by the sword is not needed.50
A forma mais importante de jihad hoje é o trabalho sério, intencional e organizado para reconstruir a sociedade e o Estado islâmicos e para implementar o modo de vida islâmico nas áreas política, cultural e econômica. Esta é, certamente, a área mais merecedora da zakat.
The most important form of jihad today is serious, purposive organized work to re-build the Islamic society and state and to implement the Islamic way of life in the political, cultural, and economic areas. This is certainly the most deserving area of zakah.
Os exércitos são normalmente financiados pelos recursos regulares do Estado. Esse foi o caso do Estado islâmico primitivo, que financiava o seu exército a partir do fay' e do kharaj. Também é o caso hoje, pois o orçamento geral do governo prevê o financiamento do seu exército. O financiamento de um exército regular exige recursos enormes, que excedem em muito o produto da zakat. Se os exércitos modernos dependessem da zakat, esta absorveria talvez a totalidade do seu produto e ainda assim seriam necessários mais recursos.
Armies are normally financed by the state's regular resources. This was the case in the early Islamic state, which financed its army from fai' and kharaj. It is also the case today that the government's general budget provides for its army. Financing a regular army requires huge resources that by far exceed the proceeds of zakah. If modern armies were to depend on zakah, they would take perhaps all of its proceeds and still need more.
Portanto, acredito que a jihad cultural, educacional e informativa no caminho de Deus deve ter prioridade hoje, desde que tal jihad seja um esforço puramente islâmico que visa restabelecer o Estado islâmico. Exemplos de atividades que necessitam desesperadamente de financiamento da zakat para servir à causa de tornar a palavra de Deus suprema são a construção de centros de chamamento ao Islã [da'wah], que fornecem informações islâmicas corretas e puras a homens e mulheres em todo o mundo, e o estabelecimento de centros islâmicos mesmo em países muçulmanos, para oferecer educação e treinamento islâmicos e proteger a fé dos jovens muçulmanos do desvio, do agnosticismo e da corrupção comportamental. Tais centros são cruciais, pois preparam os jovens muçulmanos para apoiar o Islã e resistir à agressão de seus inimigos. Outro exemplo é a criação de um jornal puramente islâmico, que orientaria homens e mulheres muçulmanos em seu cotidiano e conduziria a conscientização política e social islâmica. A publicação de livros islâmicos é outra área em que a jihad no caminho de Deus pode ser praticada, pois é crucial revelar os tesouros desta religião como um modo de vida melhor. Mais um exemplo de jihad é fornecer trabalhadores em tempo integral no caminho de Deus. Essas atividades e outras semelhantes merecem a parcela da zakat por amor a Deus.
1. Al Nihayah, de Ibn Athir, Vol. 2, p. 156.
1. Al Nihayah, by Ibn Athir, Vol. 2, p. 156.
2. Al Ikhtiyar li Ta'lil al Mukhtar, Vol. 1, p. 119, al Bahr al Ra'iq, Vol. 2, p. 260, e Radd al Muhtar, Vol. 2, pp. 83-84.
2. Al Ikhtiyar li Ta'lil al Mukhtar, Vol. 1, p. 119, al Bahr al Ra'iq, Vol. 2, p. 260, and Radd al Muhtar, Vol. 2, pp. 83-84.
3. Tafsir al Manar, Vol. 1, p. 580, segunda edição.
3. Tafsir al Manar, Vol. 1, p. 580, second edition.
4. Os estudiosos hanafitas levantam esta objeção e não dão uma resposta satisfatória. O autor de al-Bahr cita de al-Nihayah: "Considerem-se os combatentes isolados e os peregrinos: se não possuem riqueza em suas casas, são pobres, e se a possuem, são viajantes. Então, são apenas uma categoria especial de pobres, isto é, pobres isolados e separados." Ver al-Bahr, Vol. 2, p. 260, e Radd al-Muhtar, Vol. 2, p. 84. No entanto, uma categoria especial de pobres continua sendo pobre de qualquer forma. Al-Alusi, em seu comentário, Vol. 3, p. 328, diz: "A opinião correta é a mencionada por al-Jassas em al-Ahkam: quem é rico em sua casa não merece zakat, mas se tal pessoa se junta à luta no caminho de Deus, precisa de armas, transporte e sustento, coisas que não necessita quando está em casa. Tal pessoa pode receber zakat, apesar de sua riqueza." 5. Radd al-Muhtar, Vol. 2, p. 85.
4. Hanafite scholars raise this objection and do not give a satisfactory answer. The author' of al Bahr quotes from al Nihayah, "Take detached isolated fighters and pilgrims: If they have no wealth in their homes, they are poor, and if they do, they are wayfarers. Then they are but a special category of poor, that is, detached and isolated poor." See al Bahr, Vol. 2, p. 260, and Radd al Muhtar, Vol. 2, p. 84, Nevertheless, a special kind of poor is poor anyway. Al Alusi, in his commentary, Vol. 3, p. 328, says, "The correct view is that mentioned by al Jassas in al Ahkam: He who is rich in his home does not deserve zakah, but if such a person joins the fighting in the way of God, he needs weapons, transportation, and maintenance, things not needed when he is home. Such a person may be given zakah, in spite of his wealth." 5. Radd al Muhtar, Vol. 2, p. 85.
6. Ahkam al Qur'an, Vol. 2, p. 957.
6. Ahkam al Qur'an, Vol. 2, p. 957.
7. Al Sharh al Saghir, com Hashiyat al Sawi, pp. 233-234.