9.1 As divisões do exército
9.1 The divisions of the army
O exército está dividido em duas partes:
The army is divided into two parts:
1) As Reservas: Elas são formadas por todos os muslimos capazes de desempenhar as tarefas militares.
1) The Reserves: They consist of all the Muslims who are able to perform the military tasks.
2) Os Regulares: São conscritos permanentes nas forças armadas que recebem salários dos fundos do Estado, assim como qualquer outro funcionário.
2) The Regulars: They are permanent conscripts in the armed forces who receive salaries from the State’s funds just like any other employees.
Isto deriva da obrigação do Jihad, pois, em verdade, todo muçulmano é ordenado a cumprir o seu dever de Jihad e obrigado a treinar para ele. Portanto, todos os muçulmanos representam a reserva (do exército). Quanto a fazer parte deles um exército permanente, isto se baseia no princípio da Shari'ah que diz: "Aquilo que é necessário para cumprir um dever é, em si, um dever". Isto porque o dever do Jihad não pode ser cumprido de forma constante, e o Islam e os muçulmanos não podem ser protegidos dos kuffar, senão com a presença de um exército permanente. Portanto, o Imam está obrigado a ter à sua disposição um exército regular.
This is derived from the obligation of Jihad, for verily every Muslim is commanded to perform his duty of Jihad, and obliged to train for it. Therefore all the Muslims represent the (army) reserves. As for making part of them into the army, this is based on the Shar’ai principle that states: “That which is necessary to accomplish a duty is itself a duty”. This is because the duty of Jihad cannot be constantly carried out and Islam and Muslims cannot be protected from the Kuffar, except with the presence of a permanent army. The Imam is, therefore, obliged to have a regular army at his disposal.
Quanto à alocação de salários para as forças armadas, ela é igual à dos demais funcionários, o que é evidente. Um não muçulmano não é obrigado a realizar a Jihad, mas, se o fizer, isso será aceitável dele; então, é permitido pagá-lo por isso e destinar-lhe fundos. Isso se deve ao que At-Tirmidhi narrou de Az-Zuhri, de que o Mensageiro de Allah ﷺ destinou quinhões a alguns judeus que lutaram com ele. Também Ibn Hisham narrou que Safwan bin Umayya saiu em expedição com o Mensageiro de Allah ﷺ para Hunain enquanto ainda era mushrik, e o Profeta ﷺ deu-lhe como dava aos Mu’allafati Qulubuhum (novos muçulmanos) dos despojos de Hunain. Também foi narrado na Seerah de Ibn Hisham: "Havia entre nós um homem estranho, que ninguém sabia quem era; diz-se que era Kuzman. O Mensageiro de Allah ﷺ disse, quando seu nome foi mencionado a ele,
As for the allocation of salaries for the armed forces, it is just like other employees, which is evident. A non-Muslim is not required to perform Jihad, but if He did it would be acceptable from him, then it would be permitted to pay Him for it and to allocate funds for him. This is due to what At-Tirmithi narrated from Az-Zuhri that the Messenger of Allah (pbuh) allocated shares to some of the Jews who fought with him. Also Ibn Hisham narrated that Safwan bin Umayya went on an expedition with the Messenger of Allah (pbuh) to Hunain whilst He was still a mushrik, so the Prophet (pbuh) gave to Him like He gave to the Mu’allafati Qulubuhum (new Muslims) from the spoils of Hunain. It was also narrated in the Seerah of Ibn Hisham; “There was amongst us a strange man, nobody knew who He was, it is said that He was Kuzman. The Messenger of Allah (pbuh) said when his name was mentioned to him,
“Na verdade, ele é um dos habitantes do fogo.” Ele disse,
‘Indeed He is of the people of fire.’ He said,
"No dia de Uhud, Kuzman lutou com tanta bravura que sozinho matou de sete a oito dos mushrikeen…" Isto soma-se ao que foi relatado sobre Safwan. Estas evidências indicam que um kafir pode estar no exército islâmico e receber propriedade ou dinheiro pelo seu serviço. A definição de "Ijara", ou contratação, como um contrato sobre um benefício significa que a contratação é permitida para todo benefício que a pessoa contratante possa receber da pessoa contratada. Assim, contratar alguém para o exército e para a luta é permitido, porque constitui um benefício. Portanto, a evidência geral da contratação sobre qualquer benefício ou benefícios é válida para permitir a contratação de um kafir para o exército ou para a luta. Isto refere-se aos não muçulmanos. Quanto aos muçulmanos, embora o Jihad seja um ato de adoração, é permitido contratar muçulmanos para o exército e para lutar, devido à evidência geral da contratação, onde a contratação é permitida para a realização da 'Ibadah se o seu benefício se estender a mais do que aquele que a realiza. Isto deve-se ao dito do Profeta ﷺ: "A coisa mais digna de receber pagamento é ensinar o Livro de Allah." [Narrado por Bukhari através de Ibn Abbaas] Ensinar o Livro de Allah é uma adoração e, como é permitido contratar um muçulmano para ensinar o Alcorão, dirigir a oração ou fazer o Azaan, que são todos atos de adoração, também é permitido contratar um muçulmano para fazer o Jihad e estar no exército. Além disso, há evidência para a contratação de muçulmanos para o Jihad, mesmo sendo este um dever sobre eles. Abu Dawood narrou que 'Abdullah bin 'Umar disse que o Profeta ﷺ disse: "O Ghazi tem a sua própria recompensa, o Ja'il tem a sua própria recompensa e a recompensa do Ghazi." Ghazi é a pessoa que luta por si mesma. Ja'il é aquele que tem outra pessoa a lutar em seu nome, em troca de um pagamento que lhe faz. No dicionário Al-Muheet indica-se que Al-Ja'ala é a quantia dada a alguém que realiza uma ação e aquilo que é atribuído a um Mujahid (Ghazi) se este fizer o Jihad em teu nome mediante pagamento. Ajr significa tanto o salário (Ujrah) quanto a recompensa (Thawab). Quanto ao que é bem conhecido entre as pessoas, de que ‘Ajr significa sempre a recompensa que vem de Allah (swt) ao Seu servo por praticar uma boa ação, e que ‘Ijara é a remuneração por uma ação de uma pessoa para outra, o que inclui ‘Ajeer ou trabalho assalariado, na verdade não há nenhum apoio para essa diferenciação. Ao contrário, o que a língua indica é que o Ajr é a recompensa por uma ação. No dicionário Al-Muheet consta que Al-’ajr é a recompensa pela ação, assim como a Ijara. O sentido do Hadith é que o Al-Ghazi (combatente) tem a sua própria recompensa, enquanto o Ja’il tem a sua recompensa e também a recompensa daquele que ele contratou para lutar em seu lugar. Aqui, a palavra Ghazi (combatente) indica que o que se pretende com Ajr é a recompensa (Thawab), e a palavra Al-Ja’il indica que Ajr também significa recompensa (Thawab), pois essas duas palavras (Ghazi e Ja’il) são ambas o indício (Qareena) que determina o sentido pretendido. Al-Bayhaqi narrou, por meio de Jubayr bin Nufayr, que disse: “O Mensageiro ﷺ disse,
“Aqueles da minha Ummah que lutam por salário e se fortalecem contra o seu inimigo são como a mãe de Musa, que amamentou o seu filho e recebeu a sua recompensa (Ajr).” Ajr aqui significa o salário. Além disso, a prática do Jihad não se limita àqueles que buscam a aproximação de Allah (swt) (Ahl-ul-Qurba); portanto, é adequado empregar pessoas para fazer o Jihad e pagar-lhes salários como a outros empregados.
‘Those of my Ummah who fight and take wages, and strengthen themselves against their enemy are like the mother of Musa who breastfed her son and got her reward (Ajr).’” Ajr here means the wage. Furthermore, performing Jihad is not limited to those who seek nearness to Allah (swt) (Ahl-ul-Qurba), so it is proper to employ people to do Jihad, and pay them salaries like other employees.
As forças armadas são uma única entidade, que é o exército. Das fileiras do exército são selecionadas divisões especiais, organizadas de forma particular e dotadas de uma cultura específica, e estas são chamadas de força policial.
The armed forces are one entity that is the army. Special divisions that are specially organised and given a particular culture are selected from amongst the army, and they are called the police force.
É confirmado que o Mensageiro de Allah ﷺ utilizou o exército como suas forças armadas, e ele ﷺ selecionou uma seção ou uma divisão para desempenhar as funções da polícia. Assim, ele ﷺ preparou o exército, liderou-o e também nomeou um Ameer para estar no comando do exército. Al-Bukhari narrou de Anas que ele disse: “Qays Ibnu Sa’d era para o Mensageiro de Allah ﷺ como o homem da Shurta (polícia) para o Ameer.” Isso se refere a Sa’d Ibnu Ubadah Al-Ansari Al-Khazraji. Al-Tirmithi narrou o Hadith assim: “Qays Ibnu Sa’d era para o Mensageiro de Allah ﷺ como o homem da Shurta (polícia) para o Ameer.” Al-Ansari disse: “Isso significa que ele cuidava dos assuntos do Ameer.” Ibnu Hayyan interpretou este Hadith dizendo: “Isso era uma precaução do Mensageiro ﷺ contra os Mushrikeen, caso eles entrassem em sua corte.” A Shurta (polícia) é também aquela que vai à frente do exército. Al-Azhari disse: “A Shurta de algo seria a melhor parte dele, e a Shurta são a elite do exército. Também se diz que são o grupo que vai à frente do exército, e foram chamados de Shurta por causa dos sinais distintivos que tinham e dos uniformes que vestiam.” Este significado é o escolhido por Al-Asm’i. Tudo isso serve como evidência de que a Shurta (polícia) faz parte das forças armadas, e que é o Khaleefah quem nomeia o chefe de polícia, assim como nomeia o Ameer do exército, e que a Shurta (polícia) faz parte do exército. Se a polícia deve fazer parte do exército ou ser deixada independente dele é uma questão que cabe ao Khaleefah decidir. Entende-se, porém, a partir do Hadith que o chefe de polícia é nomeado para lidar com aquilo que chega ao Imam, de modo semelhante ao governante. Ele estaria encarregado de formar uma força armada, pronta para executar as ordens do Imam ou do governante em qualquer assunto que precisem ser executados e para prevenir qualquer perigo que possa afetar ou comprometer a segurança do Imam. Linguisticamente também se entende que a Shurta (polícia) é uma divisão do exército, com seu próprio emblema, e que vem à frente do exército. Quanto à Shurta que vem à frente do exército, ela é conhecida como polícia militar, e esta é, sem dúvida, parte do exército. Quanto à polícia, que está à disposição do governante, não há indicação de que ela deva fazer parte do exército, já que sua função é estar à disposição do governante. No entanto, há outras indicações de que ela faz parte das forças armadas do Estado. Portanto, é permitido ao Khaleefah fazer dela parte do exército ou uma força separada deste. Contudo, como as forças armadas são consideradas uma entidade única quanto à sua nomeação pelo Khaleefah, à sua ligação com ele e ao recebimento de suas ordens, dividi-las em um exército e uma força policial enfraqueceria o acesso de ambos ao mesmo armamento e equipamento militar, ao manter a polícia constantemente ocupada com as questões ordinárias enfrentadas pelo governante. Portanto, seria melhor que as forças armadas fossem uma entidade única, para que o acesso ao mesmo armamento permaneça forte para todas as forças armadas, seguindo as mesmas regulamentações relativas à preparação para a Jihad. Assim, as forças armadas são o exército, do qual algumas unidades seriam selecionadas para desempenhar a tarefa de policiamento, permanecendo, porém, parte do exército. Outras unidades substituiriam então essas unidades após algum tempo. Isso garantiria que a capacidade de todas as forças armadas de realizar a Jihad permaneça a mesma e pronta a qualquer momento.
A Shurta são encarregados de manter a ordem, supervisionar a segurança interna e executar todas as questões executivas. Isso se deve ao Hadith de Anas, mencionado anteriormente, que diz que o Mensageiro (que a paz esteja com ele) havia levado Qays bin Sa’d perante Ele na sua qualidade de chefe da polícia. Isto indica que a Shurta, ou a Polícia, normalmente trabalha perante o governante, ou seja, executa ou implementa o que o governante exige, por exemplo, aplicar a Shari’ah, manter a ordem, prover segurança e realizar patrulhas noturnas para afastar ladrões e prender pessoas corruptas e aquelas com más intenções na sociedade. ‘Abdullah bin Mas’ood costumava ser o Ameer das patrulhas noturnas na época de Abu Bakr. ‘Umar bin al-Khattab costumava fazer as patrulhas noturnas sozinho, e costumava ter consigo o seu servo e, às vezes, ‘Abdul Rahman bin ‘Awf. Portanto, o que se faz em alguns países islâmicos, onde as pessoas precisam nomear guardas para as suas casas e lojas para vigiá-las à noite, ou quando o Estado nomeia guardas às custas do povo, está errado. Isto porque a patrulha noturna é basicamente dever do Estado e função da polícia, de modo que o povo não deve assumir essa responsabilidade nem arcar com suas despesas.
The Shurta are charged to keep order, supervise internal security and carry out all executive matters. This is due to the Hadith of Anas mentioned before saying that the Messenger (pbuh) had taken Qays bin Sa’d before Him in his capacity as the leader of the police. This indicates that the Shurta or the Police usually work before the ruler i.e., they carry out or implement what the ruler requires, e.g., implementing Shari’ah, maintaining order, providing security, carrying out patrols at night to chase away thieves, arrest corrupt people and those with evil intentions in society. ‘Abdullah bin Mas’ood used to be the Ameer of the patrols by night at the time of Abu Bakr. ‘Umar bin al-Khattab used to carry night patrols by himself, and He used to have in his company his servant and sometimes ‘Abdul Rahman bin ‘Awf. Therefore, what is done in some Islamic countries where people have to appoint guards for their homes and shops to guard them at night, or when the State appoints guards at the cost of the people is wrong. This is because it is basically night patrol that is the duty of the State and the function of the police, so the people should not take charge of that nor bear its expenses.
O exército islâmico é um único exército, composto por muitos contingentes, que podem receber números, como primeiro, segundo etc., ou podem ser nomeados segundo as províncias ou os distritos, por exemplo, o exército de Ash-Sham, o exército do Egito ou o exército de Sana’a.
The Islamic army is one army, consisting of many contingents which can be given numbers such as the first, second etc, or they can be named after the name of provinces or the districts, for example the army of Ash-Sham, the army of Egypt or the army of Sana’a.
O exército islâmico está estacionado em acampamentos especiais, e em cada acampamento é colocado um grupo de soldados formando uma unidade completa, parte de uma unidade, ou muitas unidades. Esses acampamentos devem ser instalados em todas as províncias, e alguns deles devem ser instalados em bases militares. Alguns deles seriam acampamentos móveis, que estariam em constante movimento e constituiriam forças massivas. Cada um desses acampamentos recebe um nome, como o acampamento de Habbaniyah, e para cada acampamento há um estandarte especial.
The Islamic army is stationed in special camps, and in every camp there is placed a group of soldiers in one complete unit or part of a unit, or many units. These camps have to be put in all provinces and some of them have to be put in military bases. Some of them would be mobile camps that would be in constant movement and would be massive forces. A name is given to each of these camps like the camp of Habbaniyah and for each camp there is a special banner.
Estes arranjos podem ser do Mubah, como dar nomes aos exércitos segundo os nomes das Wilayaat ou atribuir-lhes números especiais, e por isso ficam à opinião do Khaleefah e ao seu Ijtihad. Também pode haver assuntos necessários para proteger o país e fortalecer o exército, como alojar os exércitos em acampamentos, instalar alguns desses acampamentos em todas as Wilayaat e colocá-los em locais estratégicos para proteger o país.
These arrangements may be of the Mubah such as naming the armies after the names of the Wilayaat or giving them special numbers, so it is left to the opinion of the Khaleefah and his Ijtihad. There may also be matters that are necessary to protect the country and to strengthen the army such as placing the armies in camps, putting some of these camps in all the Wilayaat and placing them in strategic places to protect the country.
‘Umar bin Al-Khattab distribuiu os acampamentos do exército por todas as Wilayaat, e assim fez da Palestina uma unidade e de Al-Mosul uma unidade. Costumava manter uma unidade do exército no centro do Estado e mantinha uma unidade do exército pronta para combater a qualquer momento.
‘Umar bin Al-Khattab distributed the camps of the army over all the Wilayaat so He made Palestine as one unit and Al-Mosul as one unit. He used to keep one army unit in the centre of the State and He used to keep one army unit ready to fight at a moment’s notice.