1.2 O Sistema Econômico versus a Ciência Econômica
1.2 The Economic System versus Economic Science
O sistema econômico é aquele que determina como distribuir a riqueza, como possuí-la e como gastá-la ou dispor dela. Essa determinação segue uma visão de vida particular, ou ideologia. Por isso, o sistema econômico no Islã é diferente do Socialismo/Comunismo e do Capitalismo, visto que cada um desses sistemas segue sua própria visão ideológica da vida. A ciência econômica trata da produção, de seu aprimoramento, da invenção e do desenvolvimento de seus meios. A ciência econômica, como ocorre com as demais ciências, é universal a todas as nações e não está associada a uma ideologia específica. Assim, por exemplo, a visão sobre a propriedade no Capitalismo difere da do Socialismo/Comunismo, e difere também da do Islã. Entretanto, discutir o aprimoramento da produção é uma questão técnica, puramente científica, e igual para todas as pessoas, independentemente de sua visão sobre a vida.
The economic system is that which determines how to distribute the wealth, how to possess it, and how to spend or dispose of it. This determination follows a particular viewpoint in life, or ideology. Therefore, the economic system in Islam is different from that of Socialism/Communism and that of Capitalism, since each of these systems follows its own ideological viewpoint of life. Economic science discusses production, its improvement, invention and improvement of its means. Economic science, as is the case with other sciences, is universal to all nations and is not associated with a particular ideology. So for example, the view towards ownership in Capitalism differs from that of Socialism/Communism, and differs from that in Islam. However, discussing the improvement of production is a technical issue, which is purely scientific, and the same for all people, no matter what their viewpoint about life is.
Essa fusão entre o estudo das necessidades e dos meios de satisfazê-las, isto é, entre a produção do material econômico e a maneira de sua distribuição, tratando-os como uma só questão e um só assunto, é um erro, que resultou em confusão e interferência nos estudos capitalistas da economia. Como consequência, a base da economia capitalista está equivocada.
This merger between the study of the needs and the means of their satisfaction i.e. between producing the economic material and the manner of its distribution, and bringing them as one issue and one subject, is an error, which resulted in mixing and interference in the capitalists studies of economy. As a result the basis of the Capitalist economy is wrong.
2. As necessidades são apenas materiais A referência às necessidades que exigem satisfação como sendo puramente materiais é um erro, e contraditória com a realidade das necessidades. Além das necessidades materiais, existem necessidades morais e espirituais, cada uma exigindo satisfação, e cada uma exigindo bens e serviços para a sua satisfação.
2. Needs are only Materialistic The reference to the needs which require satisfaction as being purely materialistic is an error, and contradictory to the reality of needs. In addition to material needs there are moral and spiritual needs, each requiring satisfaction, and each requiring commodities and services for their satisfaction.
3. As mercadorias e os serviços não estão relacionados com a estrutura da sociedade. Os economistas capitalistas olham para as necessidades e os benefícios tal como são, e não como a sociedade deveria ser, o que significa que veem o homem como uma criatura puramente materialista, vazia de necessidades espirituais, de pensamentos éticos e de objetivos morais. Da mesma forma, não se preocupam com a forma como a sociedade deveria ser estruturada em termos de elevação moral, tornando as virtudes a base das relações sociais, nem com o que deveria prevalecer na sociedade em termos de elevação espiritual, isto é, tornando a percepção da relação do homem com Allah (a percepção da existência de Allah) a força motriz por trás de todas as relações, com o objetivo de alcançar o agrado de Allah. O economista capitalista não se importaria com isto, pois o seu interesse é puramente material, no que diz respeito àquilo que satisfaz as necessidades materialistas. Assim, se o homem não engana na venda, é porque acredita que o seu comércio lhe trará lucro; mas, se lucrasse enganando, então enganar seria lícito para ele. Ele não alimenta os pobres em resposta à ordem de Deus para dar caridade; antes, alimenta-os para que não o roubem. Se, porém, a fome deles aumentar a sua riqueza, então deixá-los-ia passar fome. Assim, a principal preocupação do capitalista é procurar apenas o benefício que satisfaz uma necessidade materialista. O indivíduo que olha para os outros com base no seu próprio benefício e estabelece a vida económica sobre esta base é a pessoa mais perigosa para a sociedade e para as pessoas.
3. Commodities and Services are not related to the structure of the society The Capitalist economists look to the needs and benefits as they are, not as the society should be, which means that they look at man as a purely materialistic creature, empty of spiritual needs, ethical thoughts, and moral objectives. Similarly they do not care about how the society should be structured in terms of moral elevation, by making the virtues the basis for society’s relationships or what should prevail in the society by way of spiritual elevation i.e. making the realisation of man’s relationship with Allah (realising the existence of Allah) the driving force behind all relationships, for the sake of attaining the pleasure of Allah. The Capitalist economist would not care for this since his interest is purely material in terms of what satisfies the materialistic needs. So, if man does not cheat in selling it is because He believes his trade will profit, while if He were to profit by cheating, then cheating would be legal for him. He does not feed poor people in response to the order from God for Him to give charity, rather He feeds them so that they do not steal from him. If, however, their starvation increases his wealth then He would leave them to starve. Thus, the main concern of the Capitalist is to look for the benefit which satisfies a materialistic need only. The individual that looks at others based on his own benefit, and establishes economic life on this basis, is the most dangerous person to society and people.
Sob o aspecto das necessidades e dos benefícios, e do ponto de vista dos recursos e dos esforços, que são chamados de bens e serviços, o indivíduo se esforça para obtê-los, a fim de obter benefício deles. A troca de recursos e esforços entre as pessoas cria relações entre elas, segundo as quais se forma a estrutura da sociedade. Por isso, é necessário observar qual deve ser a estrutura da sociedade, tanto em geral quanto em detalhes, ao avaliar os recursos e os esforços.
This is from the aspect of needs and benefits. From the aspect of resources and efforts, which are called commodities and services, the individual strives for them to obtain them, so as to gain benefit from them. The exchange of resources and efforts among people creates relationships among them, according to which the structure of the society is formed. So it is necessary to look at what the structure of the society should be, both in general and in detail, when evaluating the resources and the efforts.
Portanto, cuidar da mercadoria econômica no que diz respeito à satisfação de uma necessidade, sem cuidar do que a sociedade deve ser, é separar a mercadoria econômica do relacionamento, o que é antinatural. Essa mercadoria econômica é trocada entre as pessoas, criando assim relacionamentos entre elas, e os relacionamentos formam a sociedade; por isso, o efeito sobre a sociedade deve ser levado em conta ao se considerar a mercadoria econômica. Dessa forma, é incorreto considerar uma coisa benéfica apenas porque há alguém que a deseja, quer ela seja em si prejudicial ou não, quer afete ou não os relacionamentos entre as pessoas, e quer seja proibida ou permitida na crença do povo da sociedade. Antes, as coisas devem ser consideradas benéficas se forem realmente benéficas no que diz respeito ao que a sociedade deve ser. Portanto, é incorreto considerar a cannabis, o ópio e substâncias semelhantes como mercadorias benéficas e tratá-las como mercadorias econômicas apenas porque há alguém que as quer. Ao contrário, deve-se considerar o efeito dessas mercadorias econômicas sobre os relacionamentos entre as pessoas na sociedade ao avaliar o benefício das coisas, ou seja, ao considerar a coisa como mercadoria econômica ou não. As coisas devem ser vistas em relação ao que a sociedade deve ser. É errado olhar para uma coisa meramente como ela é, independentemente do que a sociedade deve ser. Ao incluir o tema da satisfação das necessidades dentro do tema dos meios de satisfazer necessidades, e ao ver os meios de satisfação apenas como atendimento de uma necessidade, e não por qualquer outra consideração, os economistas concentram-se mais na produção de riqueza do que na distribuição da riqueza. A importância da distribuição da riqueza para satisfazer as necessidades tornou-se secundária. Por isso, o sistema econômico capitalista tem um único objetivo, que é aumentar a riqueza do país como um todo, e trabalha para alcançar o mais alto nível possível de produção. Ela considera que a realização do mais alto nível possível de bem-estar para os membros da sociedade virá como resultado do aumento da renda nacional, por meio da elevação do nível de produção no país e de permitir que os indivíduos obtenham a riqueza, uma vez que são deixados livres para trabalhar na sua produção e na sua posse. Assim, a economia não existe para satisfazer as necessidades dos indivíduos nem para facilitar a satisfação de cada indivíduo na comunidade; ao contrário, ela se concentra no aumento daquilo que satisfaz as necessidades dos indivíduos, isto é, concentra-se em satisfazer as necessidades da comunidade por meio da elevação do nível de produção e do aumento da renda nacional do país. Pela disponibilidade da renda nacional ocorre a distribuição da renda entre os membros da sociedade, por meio da liberdade de posse e da liberdade de trabalho. Deixa-se, então, a cada indivíduo a tarefa de obter o que puder da riqueza, cada um de acordo com o que possui dos seus fatores produtivos, estejam todos os indivíduos satisfeitos ou apenas alguns. Esta é a economia política, ou seja, a economia capitalista. Isto é manifestamente errado e contradiz a realidade; não leva a uma melhoria do nível de vida de todos os indivíduos e não cumpre o bem-estar básico de cada indivíduo. O aspecto equivocado nessa visão está em que as necessidades que requerem satisfação são necessidades individuais; são necessidades do homem, portanto são necessidades de Muhammad ﷺ, de Salih e de Hasan, e não necessidades de um grupo de seres humanos, de um grupo de nações ou de um grupo de pessoas. Aquele que se esforça para satisfazer suas necessidades é o indivíduo, quer as satisfaça diretamente, como comer, quer as satisfaça por meio da satisfação de todo o grupo, como na defesa da nação. Portanto, o problema econômico concentra-se na distribuição dos meios de satisfação para os indivíduos, isto é, a distribuição dos fundos e benefícios entre os membros da nação ou do povo, e não sobre as necessidades que a nação ou o povo exigem, sem considerar cada indivíduo dentro da nação. Em outras palavras, o problema é a pobreza que atinge o indivíduo, e não a pobreza que atinge a nação. A preocupação do sistema econômico deve estar somente em satisfazer as necessidades básicas de cada indivíduo, e não no estudo da produção de bens econômicos. Consequentemente, o estudo dos fatores que afetam o tamanho da produção nacional difere do estudo para satisfazer, pessoal e completamente, todas as necessidades básicas de todos os indivíduos. O objeto de estudo deve ser as necessidades humanas básicas do homem enquanto ser humano, e o estudo da distribuição da riqueza entre os membros da sociedade para garantir a satisfação de todas as suas necessidades básicas. Este deve ser o objeto de estudo, e deve ser realizado em primeiro lugar. Além disso, o tratamento da pobreza de um país não resolve o problema da pobreza dos indivíduos, individualmente. Ao contrário, o tratamento dos problemas de pobreza dos indivíduos, e a distribuição da riqueza do país entre eles, motiva todas as pessoas do país a trabalhar para aumentar a renda nacional. O estudo dos fatores que afetam o tamanho da produção e o aumento da renda nacional deve ser discutido como ciência econômica, isto é, na discussão do bem econômico e seu aumento, e não na discussão da satisfação das necessidades, que são reguladas pelo sistema econômico. Os capitalistas afirmam que o problema econômico que enfrenta qualquer sociedade é a escassez de bens e serviços. Afirmam também que as necessidades crescentes e constantes, e a incapacidade de satisfazê-las todas, isto é, a insuficiência de bens e serviços para satisfazer completamente todas as necessidades do homem, constituem a base do problema econômico. Essa visão é equivocada e, de fato, contradiz a realidade. Isto deve-se ao fato de que as necessidades que devem ser satisfeitas são as necessidades básicas do indivíduo enquanto ser humano (alimentação, moradia e vestuário), e não os luxos, embora estes também sejam buscados. As necessidades básicas do ser humano são limitadas, e os recursos e os esforços que se denominam mercadorias e serviços existentes no mundo são certamente suficientes para satisfazer as necessidades humanas básicas; é possível satisfazer completamente todas as necessidades básicas da humanidade. Portanto, não há problema nas necessidades básicas, independentemente de se considerar isso o problema econômico que enfrenta a sociedade. O problema econômico é, na realidade, a distribuição desses recursos e esforços, possibilitando que cada indivíduo satisfaça completamente todas as necessidades básicas e, depois disso, ajudando-o a se esforçar para alcançar seus luxos.
No que se refere às necessidades que aumentam constantemente, não se trata de um assunto relacionado ao aumento das necessidades básicas, pois as necessidades básicas do homem enquanto ser humano não aumentam, ao passo que são os seus luxos que aumentam e variam. O aumento das necessidades que ocorre com o progresso do ser humano em sua vida urbanizada está relacionado aos luxos, e não às necessidades básicas. O homem trabalha para satisfazer os seus luxos, mas a sua não satisfação não causa problema; o que causa problema é a não satisfação das necessidades básicas. Além de tudo isto, a questão do aumento dos luxos é uma questão que diz respeito apenas a algumas pessoas que vivem em determinado país, e não a todos os indivíduos desse país. Esta questão se resolve através do impulso natural do ser humano para satisfazer as suas necessidades. Este impulso, resultante do aumento dos luxos, leva o homem a trabalhar para satisfazê-los, seja expandindo os recursos do seu país, trabalhando em outros países, ou por meio da expansão e anexação de outros países. Isto é diferente da questão de satisfazer completamente as necessidades básicas de cada indivíduo da sociedade. Isto porque o problema de distribuir a riqueza a cada indivíduo para satisfazer as suas necessidades básicas, e de permitir que cada indivíduo satisfaça os seus luxos, é um problema relacionado à visão de vida, que é própria de uma determinada nação que possui uma ideologia particular. Isto se opõe à questão do aumento da renda nacional através do aumento da produção, que está relacionada à situação de países específicos, e que pode ser alcançada mediante a utilização dos recursos do país, da emigração, da expansão ou da fusão com outros países. Esta questão do aumento da riqueza depende da praticidade da solução, e não está relacionada a uma visão particular, nem a uma nação ou ideologia específica.
With reference to the steadily increasing needs, it is not a subject related to increasing basic needs, because the basic needs of man as a human do not increase, whereas, it is his luxuries which increase and vary. The increase in needs which occurs due to the progress of a human in his urbanised life is related to the luxuries rather than to the basic needs. Man works to satisfy his luxuries, but their non-satisfaction does not cause a problem; what does cause a problem is the non-satisfaction of the basic needs. Besides all of this, the question of the increasing luxuries is a question which is only related to some people who live in a certain country and not to all individuals of that country. This question is solved through the natural urge of a human to satisfy his needs. This urge, resulting from the increase in luxuries, drives man to work towards satisfying them, either by expanding the resources of his country, working in other countries, or through expansion and annexation of other countries. This is different from the issue of completely satisfying the basic needs of each and every individual in society. This is because the problem of distributing the wealth to each and every individual to satisfy his basic needs, and enabling every individual to satisfy his luxuries, is a problem related to the viewpoint in life, which is particular to a certain nation carrying a particular ideology. This is contrary to the question of increasing national income through increasing production, which is related to the situation of particular countries, and could be achieved through utilising the resources of the country, emigration, expansion, or merging with other countries. This issue of increasing wealth depends on the practicality of the solution, and is not related to a particular viewpoint, and not related to a particular nation or ideology.
Os princípios econômicos que devem ser estabelecidos são os princípios que garantem a distribuição da riqueza interna e externa do país a cada indivíduo da nação, de modo que assegurem a plena satisfação de todas as necessidades básicas de cada indivíduo e, em seguida, permitam a cada indivíduo buscar a satisfação dos luxos. No entanto, elevar o nível de produção exige pesquisa científica, e sua discussão no sistema econômico não resolve o problema econômico, que é a plena satisfação das necessidades de cada indivíduo. Um aumento no nível de produção leva a uma elevação no nível de riqueza do país, mas não necessariamente conduz à plena satisfação de todas as necessidades básicas de cada indivíduo. O país pode ser rico em recursos naturais, como é o caso do Iraque e da Arábia Saudita, e ainda assim as necessidades básicas da maioria de seus cidadãos não são completamente satisfeitas. Portanto, o aumento da produção, por si só, não resolve o problema fundamental, que deve ser tratado em primeiro lugar e acima de tudo, que é a plena satisfação das necessidades básicas de cada indivíduo e, na sequência, permitir que satisfaçam seus luxos. Assim, a pobreza e a privação que precisam ser tratadas são a não satisfação das necessidades básicas do homem como ser humano (isto é, alimentação, moradia e vestuário), e não os luxos crescentes resultantes do progresso urbano. Logo, o problema a ser tratado é a pobreza e a privação de cada indivíduo da sociedade, e não a pobreza e a privação do país medidas como um todo. A pobreza e a privação sob essa perspectiva (ou seja, para cada indivíduo) não são resolvidas pelo aumento da produção nacional; são tratadas pela forma como a riqueza é distribuída aos indivíduos da sociedade, possibilitando a plena satisfação de todas as suas necessidades básicas e, em seguida, permitindo que os indivíduos satisfaçam seus luxos.
The economic principles which have to be laid down are the principles which guarantee the distribution of the country’s internal and external wealth to each and every individual of the nation, so that they secure the complete satisfaction of all basic needs for each individual, and then enable every individual to seek the satisfaction of the luxuries. However, raising the level of production requires scientific research, and its discussion in the economic system does not solve the economic problem, which is the complete satisfaction of the needs of each and every individual. An increase in the level of production leads to a rise in the level of the wealth of the country but does not necessarily lead to the complete satisfaction of all the basic needs of each and every individual. The country could be rich in natural resources, as in the case of Iraq and Saudi Arabia, but the basic needs of most of their citizens are not satisfied completely. Therefore, the increase of production by itself, does not solve the basic problem which must be treated first and foremost, which is the complete satisfaction of the basic needs of each and every individual, and following that enabling them to satisfy their luxuries. Therefore, the poverty and deprivation required to be treated is the nonsatisfaction of the basic needs of man as a human being (i.e. food, shelter and clothing), not the increasing luxuries resulting from urban progress. Hence, the problem to be treated is the poverty and deprivation of every individual in the society, not the poverty and deprivation of the country measured as a whole. The poverty and deprivation from this perspective (i.e. for every individual) is not treated by increasing national production, rather it is treated by the manner in which the wealth is distributed to the individuals in society enabling complete satisfaction of all their basic needs, and then enabling the individuals to satisfy their luxuries.
O capitalismo considera o valor como algo relativo e não real, e por isso o trata como uma medida subjetiva. Assim, o valor de uma jarda de tecido é o benefício marginal que ela proporciona, supondo sua disponibilidade no mercado. Seu valor é também a quantidade de mercadorias e esforços que poderiam ser trocados por ela. O valor torna-se preço se o que se obtém em troca da jarda de tecido for dinheiro. Esses dois valores, na visão deles, são separados e têm dois nomes distintos: utilidade e valor de troca. O significado de valor segundo essa definição está errado, porque o valor de qualquer mercadoria é a quantidade de benefício que ela contém, levando em conta o elemento da escassez. Portanto, a visão correta sobre qualquer mercadoria é observar seu benefício considerando sua escassez, quer ela seja possuída pelo homem desde o início, como na caça, quer seja obtida por troca, como na venda; e quer isso esteja relacionado à pessoa ou à coisa. Assim, o valor é o nome de uma coisa designada que possui uma realidade específica, e não o nome de algo relativo, que se aplica a ela sob um aspecto e não se aplica sob outro. Logo, o valor é uma medida objetiva e não algo relativo. Por isso, a visão dos economistas sobre o valor está equivocada em sua base.
Capitalism considers value as being relative and not real, and so it is treated as a subjective measurement. Hence, the value of a yard of cloth is the marginal benefit of it assuming its availability in the market. Its value is also the quantity of commodities and efforts that could be exchanged for it. The value becomes a price if what is obtained for the yard of cloth is money. These two values, in their view, are separate, and they have two distinct names; benefit and the value of exchange. The meaning of value according to this definition is wrong, because the value of any commodity is the quantity of benefit in it, taking into account the element of scarcity. So the real view towards any commodity is to observe its benefit whilst taking into account its scarcity, whether it is possessed by man from the start like from hunting, or by exchange like selling; and whether this was related to the person or related to the thing. Thus, value is a name for a designated thing which has a specific reality, and not a name for a relative thing, which applies to it in one respect and is not applicable in another. So the value is an objective measurement and not a relative thing. Therefore, the view of the economists towards value is wrong from its basis.
O que se chama valor de utilidade marginal é uma estimativa destinada a concentrar a produção com base no pior cenário da distribuição das mercadorias. Assim, o valor de uma mercadoria é estimado com base no limite mais baixo, para que a produção prossiga de forma garantida. A utilidade marginal não é, na verdade, o valor da mercadoria, nem mesmo o preço da mercadoria, pois o valor da mercadoria deve ser estimado pela quantidade de benefício que ela contém no momento da estimativa, levando em conta o elemento de escassez naquele momento. Seu valor não cairia se o preço diminuísse depois, nem subiria se o preço aumentasse também, porque seu valor foi considerado no momento da avaliação. Portanto, a teoria da utilidade marginal é uma teoria do preço e não uma teoria do valor, e há uma diferença entre preço e valor, mesmo segundo a visão dos economistas capitalistas. O que governa a estimativa do preço é a abundância da demanda junto com a escassez da oferta, ou a abundância da oferta junto com a escassez da demanda; essas questões relacionam-se com o nível de produção de uma mercadoria, e não com sua distribuição. Já o valor é estimado pela quantidade de benefício presente na mercadoria no momento da avaliação, tendo em mente o elemento de escassez, sem considerá-lo como parte da estimativa; assim, a oferta e a demanda não afetam o valor de forma absoluta. Portanto, o tema do valor está errado desde a sua base, e qualquer tema baseado nele está definitivamente errado, já que o conceito básico é falso. No entanto, se o valor da mercadoria fosse avaliado em termos de seu benefício, medido pelo benefício de uma mercadoria ou de um esforço, então tal avaliação seria correta e levaria a uma estabilidade muito maior no curto prazo. Se o valor fosse estimado pelo preço, a avaliação seria relativa e não real, e tenderia a mudar a cada vez de acordo com o mercado. Nesta última situação, é falso referir-se a ela como um valor, e assim o termo valor não se aplicaria verdadeiramente a ela. Tornar-se-ia antes um meio de obter dinheiro segundo o mercado, e não segundo aquilo que possui de benefícios.
What is referred to as the marginal utility value is an estimation meant to concentrate production based on the worst case scenario of distributing the commodities. Thus the value of a commodity is estimated based on the lowest limit so that production proceeds on a guaranteed basis. The marginal utility is not really the value of the commodity, nor even the price of the commodity, because the value of the commodity should be estimated by the amount of benefit in it at the time of estimation, taking into account the element of scarcity at that time. Its value would not drop if its price decreases later on, nor would it rise if its price increases as well, because its value was considered at the time of its evaluation. Therefore, marginal utility theory is a theory for price and not a theory for value, and there is a difference between price and value, even in the view of Capitalist economists. What governs the estimation of price is the abundance of demand together with the shortage of supply or the abundance of supply together with the shortage of demand; these matters are related to the level of production of a commodity, and not related to its distribution.Whereas value is estimated by the quantity of benefit present in the commodity at the time of evaluation, bearing in mind the element of scarcity, without considering it as part of the estimation; so supply and demand do not utterly affect the value. Therefore, the subject of value is wrong from its basis, and any subject based on it is definitely wrong since the basic concept is false. However, if the value of the commodity was evaluated in terms of its benefit measured by the benefit of a commodity or an effort, then such an evaluation would be correct and would lead to much greater stability over the short term. If the value was estimated by the price, the evaluation would be relative not real, and it comes closer to changing every time according to the market. In this latter situation, it is false to refer to it as a value, and so the term value would not truly apply to it. It would rather become a means to obtain money according to the market and not according to what it possesses of benefits.
Os capitalistas dizem que os benefícios são o resultado dos esforços que o homem despende. Assim, se a recompensa não fosse igual ao trabalho, então, sem dúvida, o nível de produção decairia, e concluem daí que o método ideal para distribuir a riqueza entre os membros da sociedade é aquele que garante alcançar o maior nível de produção possível. Essa abordagem está totalmente errada, pois, na realidade, os recursos que Deus criou são a base do benefício nas mercadorias. E os gastos despendidos para aumentar o benefício desses recursos, ou para iniciar um benefício neles juntamente com o trabalho, são aquilo que os deu a forma que proporciona um benefício particular. Portanto, considerar o benefício como resultado apenas dos esforços é completamente errado, pois negligencia a matéria-prima e outros gastos. Pois, em alguns casos, esses gastos podem ser uma compensação por uma matéria-prima, e não por um esforço. Assim, o benefício pode ser resultado dos esforços do homem, ou pode ser resultado da existência da matéria-prima, ou pode ser resultado de ambos, mas não é apenas resultado dos esforços do homem. Quanto ao declínio do nível de produção, ele não resulta somente de uma redução na recompensa do trabalho, pois pode também resultar do esgotamento da riqueza do país, ou da guerra, ou de outras razões. Como exemplo, o declínio da produção tanto na Grã-Bretanha quanto na França após a Segunda Guerra Mundial não resultou de uma redução na recompensa ao trabalho; resultou do encolhimento de sua influência sobre suas ricas colônias, e de seu envolvimento na guerra. O declínio da produção dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial não resultou de uma redução na recompensa ao trabalho; resultou de seu envolvimento na guerra contra a Alemanha. O declínio no Mundo Islâmico hoje não resultou de uma redução na recompensa ao trabalho; é resultado do declínio intelectual em que caiu toda a Ummah. Portanto, a insuficiência da recompensa pelo trabalho não é a única razão para a queda da produção, e é falso supor, a partir dessa premissa, que o método ideal de distribuição seja garantir a elevação do nível de produção. Atingir o mais alto nível possível de produção não tem nenhuma relação com a distribuição da riqueza entre os indivíduos. Os capitalistas dizem que o preço é o incentivo para a produção, porque o motivo que leva a pessoa a empregar qualquer esforço é a sua recompensa material. Essa visão está incorreta e contradiz a realidade. O homem frequentemente despende esforço em troca de uma recompensa moral, como a obtenção de uma recompensa de Deus, ou por causa da conquista de um mérito ético, como retribuir um favor. As necessidades do homem podem ser materiais, como o lucro material; podem ser espirituais, como a santificação; ou morais, como o louvor. Portanto, considerar apenas as necessidades materiais é incorreto. De fato, um homem pode despender recursos na satisfação de uma necessidade espiritual ou moral com mais generosidade do que gasta na satisfação de uma necessidade material. Logo, o preço não é o único incentivo para a produção. Assim, um pedreiro pode dedicar-se a trabalhar durante meses cortando pedras para a construção de uma mesquita; uma fábrica pode destinar sua produção de alguns dias do ano à distribuição para pessoas pobres; e uma nação pode alocar parte ou concentrar a totalidade de seus esforços na preparação para defender seus territórios. Tal produção não é motivada pelo preço. Além disso, a própria recompensa material não se limita ao preço, podendo vir na forma de outras mercadorias ou serviços. Por isso, considerar o preço como o único incentivo para a produção é incorreto.
Uma das grandes anomalias do Capitalismo é a sua consideração do preço como o único regulador para a distribuição da riqueza entre os membros da sociedade. Dizem que o preço é a única restrição que obriga o consumidor, na sua posse e consumo, a aceitar um limite comparável ao seu rendimento, e é o preço que restringe o consumo de cada indivíduo àquilo que os seus rendimentos permitem. Assim, através da subida do preço de alguns bens e da descida do preço de outros, e da disponibilidade de dinheiro para algumas pessoas e da sua indisponibilidade para outras, o preço regula a distribuição da riqueza entre os consumidores. Desta forma, a parte que cabe a cada indivíduo da riqueza de um país não é igual às suas necessidades básicas, mas é igual ao valor dos serviços para os quais contribuiu na produção de bens e serviços, isto é, igual àquilo que possui em terra ou capital, ou igual àquilo que realizou de trabalho e de projetos.
One of the great anomalies of Capitalism is its consideration of price as the only regulator for distributing wealth amongst the members of society. They say that the price is the only constraint that forces the consumer in his possession and consumption to accept a limit comparable to his income, and it is the price which restricts the consumption of every individual in acceptance to what his revenues permit. Accordingly, through the rise in price of some goods and drop in the price of others, and in the availability of money to some people and its non-availability to others, the price regulates the distribution of wealth amongst consumers. Thus, every individual’s share of the wealth of a country is not equal to his basic needs, but is equal to the value of the services in which He has contributed in producing commodities and services i.e. equal to what He owns of land or capital, or equal to what He carried out of work, and projects.
A partir deste princípio, que faz do preço o regulador da distribuição, o Capitalismo decidiu, de fato, que o homem não merece a vida a menos que seja capaz de contribuir para a produção de mercadorias e serviços. A pessoa incapaz de contribuir, quer tenha nascido com uma deficiência física ou mental, não merece a vida e não merece tomar da riqueza aquilo que satisfaz as suas necessidades. Também a pessoa que nasceu forte no corpo ou na mente, e que é mais capaz de criar e possuir riqueza como deseja, merece consumir luxuosamente e merece exercer controle e domínio sobre os outros com a sua riqueza. Além disso, quem tem uma motivação mais forte para buscar ganhos materiais superará os outros na posse de riqueza, enquanto quem tem uma adesão mais forte a valores espirituais e morais (que o controlam durante a obtenção da riqueza) terá menos posses ou riqueza do que os outros. Esta abordagem exclui os elementos espirituais e morais da vida e produz uma existência construída sobre uma luta materialista para obter os meios de satisfazer necessidades materialistas. Isto acaba por ocorrer em todos os países que adotam e aplicam o Capitalismo. A dominação dos monopólios capitalistas desenvolveu-se nos países que adotam o Capitalismo, com os produtores exercendo controle sobre os consumidores. Um pequeno grupo de pessoas, ou seja, os proprietários de grandes corporações de petróleo, automóveis e indústria pesada, passou a dominar os consumidores, reinando sobre eles ao impor determinados preços às mercadorias que produzem. Isto levou a tentativas de "remendar" o sistema econômico. Fizeram-no dando ao Estado (governo) o direito de intervir na fixação dos preços (controle de preços) em circunstâncias especiais, para proteger a economia nacional, proteger os consumidores e reduzir o consumo de algumas mercadorias, bem como limitar a autoridade dos monopólios. Incluíram também na regulamentação da produção certos projetos públicos dirigidos pelo governo. Essas medidas contradizem a base do seu sistema econômico, que é a liberdade econômica, e são aplicadas apenas em circunstâncias específicas. Além disso, muitos capitalistas não adotam essa abordagem intervencionista (os conservadores) e a desprezam, afirmando que o mecanismo de preços, por si só, é suficiente para alcançar a harmonia entre o interesse dos produtores e o interesse dos consumidores, sem qualquer necessidade de intervenção governamental. Essas soluções improvisadas, recomendadas pelos defensores da intervenção (os liberais), são aplicadas apenas em certas circunstâncias e condições, e mesmo nessas circunstâncias, a distribuição da riqueza entre os indivíduos não alcança a satisfação completa de todas as necessidades básicas de cada indivíduo.
From this principle, which makes the price the regulator of distribution, Capitalism has effectively decided that man does not deserve life unless He is capable of contributing to the production of commodities and services. The person who is incapable of contributing, whether He was born with a physical or mental disability, does not deserve life, and does not deserve to take from the wealth that which satisfies his needs. Also the person who was born strong in body or in mind, and who is more capable of creating and possessing wealth however He wishes, deserves to consume luxuriously and deserves to practice control and mastery over others with his wealth. Also the one whose motivation to seek material gains is stronger will exceed others in possessing wealth whereas, the one whose adherence to spiritual and moral values (which control Him during the earning of wealth) is stronger, will have less than others in possessions or wealth. This approach excludes the spiritual and moral elements from life and produces a life built upon a materialistic struggle to gain the means of satisfying materialistic needs. This eventually occurs in all countries which adopt and apply Capitalism. The domination of Capitalist monopolies has developed in countries adopting Capitalism, with producers exercising control over consumers. A small group of people i.e. the owners of large oil, automotive, and heavy industry corporations, have come to dominate consumers, reigning over them by imposing certain prices for the commodities they produce. This has led to attempts to “patch up” the economic system. They did this by giving the State (government) the right to intervene in fixing the price (price control) in special circumstances to protect the national economy, to protect consumers, and to reduce consumption of some commodities, as well as limiting the authority of monopolies. They also included in the regulation of production certain public projects directed by the government. These measures contradict the basis of their economic system, which is economic freedom, and they are only applied in specific circumstances. Moreover, many Capitalists do not adopt this interventionist approach (Conservatives) and they scorn it, contending that the price mechanism alone is sufficient to achieve harmony between the interest of the producers and the interest of the consumers, without any need for governmental intervention. These patchwork solutions which are recommended by the supporters of intervention (Liberals), are only applied in certain circumstances and conditions, and even in these circumstances, the distribution of wealth amongst the individuals does not achieve the complete satisfaction of all basic needs for each and every individual.
A distribuição deficiente de bens e serviços, resultante do conceito de liberdade de propriedade e do conceito de tornar o preço o único mecanismo de distribuição da riqueza, continuará a dominar toda sociedade que aplique o Capitalismo. No que diz respeito à sociedade americana, muitos americanos possuíam uma parcela suficiente da riqueza do país para satisfazer plenamente a maioria de suas necessidades básicas e até algumas de suas comodidades. Essa situação ocorreu devido à imensa riqueza daquele país, que havia atingido um nível em que havia a oportunidade para cada indivíduo satisfazer todas as suas necessidades básicas e algumas de suas comodidades. No entanto, isso não se deveu a tornar a parcela do indivíduo igual ao valor dos serviços que ele contribuiu na produção. Além disso, colocar o mecanismo de preços como controlador da distribuição levou os monopólios capitalistas do Ocidente a buscar, no exterior, outros países para obter novos mercados, de onde extrair matérias-primas e vender seus produtos. O que o mundo sofre, em termos de colonização, zonas de influência e invasão econômica, é apenas resultado desses monopólios e da utilização do preço como instrumento na distribuição da riqueza. Assim, os recursos do mundo se acumulam nesse modelo nas mãos dos monopólios capitalistas. Tudo isso se deve às regras e princípios falsos estabelecidos pelo Capitalismo.
The poor distribution of commodities and services, which resulted from the concept of freedom of ownership and from the concept of making the price the only mechanism for distributing wealth, will continue to dominate every society that applies Capitalism. With regard to American society, many Americans had a sufficient share of the wealth of the country, to satisfy most of their basic needs completely, and to satisfy even some of their luxuries. This situation occurred due to the immense wealth of that country which had reached a level by which there was an opportunity for every individual to satisfy all of his basic needs and some of his luxuries. However, this was not due to making the share of the individual equal to the value of the services He contributed in production. Furthurmore, putting the price mechanism as the controller of distribution has caused Capitalist monopolies in the West to look abroad to other countries for new markets, from which to gain raw materials and to sell their products.What the world suffers from, in terms of colonisation, regions of influence and economic invasion, is merely a result of these monopolies and making price a tool in the distribution of wealth. Thus, the resources of the world are accumulated on this basis into the hands of Capitalist monopolies. All this is due to the false rules and principles established by Capitalism.