0.4 Do termo geopolítico Palestina ao conceito de Palestina: cartografia, nomes de lugares e memória social
0.4 From The Geo-political Term Palestine To The Concept Of Palestine: Cartography, Place Names And Social Memory
Por razões práticas, a evolução histórica dos termos e dos nomes de lugares frequentemente precede e segue as evoluções dos conceitos. Embora o termo geopolítico Palestina possa ser rastreado até a Idade do Bronze Final e aos indígenas filisteus, a consolidação do conceito de Palestina pode ser rastreada até Heródoto e outros historiadores, etnógrafos e geógrafos gregos da Antiguidade Clássica. Este estudo pretende vincular a Palestina da Idade do Bronze e a Palestina da Antiguidade Clássica aos tempos modernos e explorar a etimologia dos topônimos da Palestina – o termo deriva das palavras gregas topos ('lugar') e onoma ('nome') – e suas mudanças através do tempo e ao longo dele.
For practical reasons, the historical evolution of terms and place names often precedes and follows the evolutions of concepts. Although the geo-political term Palestine can be traced to the late Bronze Age and the indigenous Philistines, the consolidation of the concept of Palestine can be traced to Herodotus and other Greek historians, ethnographers and geographers of Classical Antiquity. This study intends to link Bronze Age Palestine and Classical Antiquity Palestine with modern times and explore the etymology of Palestine toponyms – the term derives from the Greek words topos (‘place’) and onoma (‘name’) – and their changes through and across time.
A memória coletiva palestina moderna e os topônimos da região evoluíram desde a Idade da Pedra Polida (Neolítico) até o período moderno, abraçando múltiplas tradições e preservando o patrimônio compartilhado e em camadas da terra. Numa sociedade predominantemente camponesa, com uma das terras mais férteis do Crescente Fértil, muitos topônimos árabes palestinos baseavam-se em alimentos vegetais (como variedades de feijão e lentilha), em árvores frutíferas (oliveira, figueira, videira) e em sítios geográficos naturais (colinas, prados, nascentes, riachos, wadis, vales e montanhas).
Modern Palestinian collective memory and place names have evolved from the Neolithic Age into the modern period by embracing multiple traditions and preserving the shared and multi-layered heritage of the land. In a largely peasant society with one of the most fertile lands in the Fertile Crescent, many Palestinian Arab toponyms were based on plant foods (such as varieties of beans, lentils), fruit trees (olive, fig, vine) and natural geographical sites (hills, meadows, springs, streams, wadis, valleys and mountains).
Em linhas gerais, os nomes das aldeias e cidades palestinas eram bastante estáveis, mas os nomes das províncias e distritos estavam em constante evolução.
By and large the names of Palestinian villages and towns were very stable, but names of provinces and districts were evolving.
A Palestina aparece nos mais antigos mapas-múndi conhecidos a partir da Antiguidade Tardia e no famoso "mapa de palavras" de Cláudio Ptolomeu (100–c.
Palestine is found on the earliest known world maps beginning with Late Antiquity and the famous ‘word map’ of Claudius Ptolemy (100–c.
170 d.C.). Naturalmente, a cartografia é uma ciência prática e, desde que Ptolomeu produziu um mapa do mundo conhecido pela sociedade helenística no século II, a cartografia nunca foi uma representação "objetiva" da realidade. Na Idade Média, a cartografia foi desenvolvida por geógrafos muçulmanos como al-Khawarizmi e empregada a serviço do Estado abássida e para fins práticos, como o comércio muçulmano internacional, a navegação e a peregrinação. Nos tempos modernos, a cartografia e a renomeação também foram centrais para a expansão do comércio europeu e para a construção de impérios (Bassett 1994:
170 AD). Of course, cartography is a practical science and since Ptolemy produced a map of the world known to Hellenistic society in the 2nd century cartography has never been about ‘objective’ representation of reality. In the Middle Ages cartography was developed by Muslim geographers such as al-Khawarizmi and deployed in the service of the Abbasid state and for practical purposes such as international Muslim trade, navigation and pilgrimage. In modern times cartography and renaming were also central to expanding European trade and empire-building (Bassett 1994:
316–335).
316–335).
Os nomes de lugares (incluindo assentamentos humanos, como aldeias, vilarejos, cidades, ruas e países, e lugares naturais, como montanhas, colinas, vales, rios, nascentes e wadis) têm o objetivo de "fornecer pistas sobre a herança histórica e cultural de lugares e regiões" (Kearns e Berg 2002: 284). No entanto, na realidade, os nomes de lugares não são apenas referências espaciais; eles estão enraizados em relações de poder e em disputas por terra e recursos, bem como nas identidades dos povos que habitam esses lugares (Kearns e Berg 2002).
Place names (including human settlements such as villages, towns, cities, streets and countries and natural places such as mountains, hills, valleys, rivers, springs and wadis) are meant ‘to provide clues as to the historical and cultural heritage of places and regions’ (Kearns and Berg 2002: 284). Yet in reality place names are not just spatial references; they are rooted in power relations and struggles over land and resources and the identities of the people that inhabit these places (Kearns and Berg 2002).
Lutas por terras, topónimos, atribuição e renomeação de nomes entre povos indígenas e colonos são comuns. Exemplos incluem o Zimbabué (Rodésia), as Ilhas Malvinas (as Ilhas Falkland), Istambul (Constantinopla), a Irlanda do Norte (Ulster; os Seis Condados), a Azânia (África do Sul), Aotearoa (Nova Zelândia), a Palestina (Israel), al-Quds (Jerusalém) (Masalha 2007, 2012, 2013; Benvenisti 2002; Zerubavel 1995, 1996; Yacobi 2009; Gann 1981; Nyangoni 1978; Abu El-Haj 2001; Ra‘ad 2010; Berg e Kearns 1996; Berg e Vuolteenhaho 2009; Nash 1999; Housel 2009; Kadmon 2004). Nos tempos modernos, o impulso para renomear locais geográficos também se relaciona com a reivindicação de um país. Este foco nos nomes de lugares no contexto do nacionalismo mostra como as elites políticas hegemónicas e as autoridades estatais utilizam o processo toponímico como forma de construir uma nova memória coletiva e de "inventar tradições" (Hobsbawm e Ranger 1996), bem como uma tática de apropriação de terras e uma reversão ideológica para uma suposta "idade de ouro" antiga ou mítica. As autoridades estatais recorrem a estratégias de renomeação para apagar realidades políticas, sociais e culturais anteriores e para construir novas noções de identidade nacional (Guyot e Seethal 2007; Nash 1999; Azaryahu e Kook 2002; Azaryahu 1996, 1997).
Struggles over land, toponyms, naming and renaming between indigenous peoples and settler-colonists are common. Examples include Zimbabwe (Rhodesia), Islas Malvinas (the Falkland Islands), Istanbul (Constantinople), Northern Ireland (Ulster; the Six Counties), Azania (South Africa), Aotearoa (New Zealand), Palestine (Israel), al-Quds (Jerusalem) (Masalha 2007, 2012, 2013; Benvenisti 2002; Zerubavel 1995, 1996; Yacobi 2009; Gann 1981; Nyangoni 1978; Abu El-Haj 2001; Ra‘ad 2010; Berg and Kearns 1996; Berg and Vuolteenhaho 2009; Nash 1999; Housel 2009; Kadmon 2004). In modern times the drive to rename geographical sites is also about staking claims to a country. This focus on place names in the context of nationalism shows how hegemonic political elites and state authorities use the toponymic process as a way of constructing a new collective memory and ‘inventing traditions’ (Hobsbawm and Ranger 1996) and as a tactic of land-grabbing as well as an ideological reversion to a supposedly ancient or mythical ‘golden age’. State authorities deploy renaming strategies to erase earlier political, social and cultural realities and to construct new notions of national identity (Guyot and Seethal 2007; Nash 1999; Azaryahu and Kook 2002; Azaryahu 1996, 1997).
Diante da limpeza étnica sionista da maior parte da Palestina em 1948 e da realidade atual de colonizador/colonizado no país, o slogan sionista liberal segundo o qual a história da Palestina moderna gira em torno da ideia de "uma terra, dois povos" soa vazio. A assimetria de poder na Palestina informa as obras de quase todos os "Novos Historiadores" israelenses. Este trabalho, em contraste, desafia essa perspectiva baseada no "nacionalismo sionista" e defende metodologias descolonizadoras; argumenta que a perspectiva nacionalista serve para camuflar o cerne do conflito na Palestina. Argumenta ainda que, no centro da questão da Palestina, está o conflito vastamente assimétrico entre um movimento colonialista de colonos europeus, de caráter eliminacionista e apoiado por grandes potências ocidentais (primeiro a Grã-Bretanha e agora os Estados Unidos), e o povo indígena da Palestina. Além disso, a cartografia de atribuição de nomes a lugares e as explorações patrocinadas pelo Estado foram centrais para a conquista europeia moderna da Terra, para a construção de impérios e para os projetos de colonização por colonos, incluindo o empreendimento sionista. Os estudiosos costumam presumir que os nomes de lugares fornecem pistas sobre a herança histórica e compartilhada de lugares e regiões. Este trabalho utiliza a teoria da memória social para analisar a política cultural da atribuição de nomes a lugares em Israel. Apoiando-se no estudo de Maurice Halbwachs sobre a construção da memória social pelos cruzados latinos e pelos peregrinos cristãos medievais, o trabalho mostra as estratégias toponímicas dos sionistas na Palestina: a sua sobreposição de topônimos do Antigo Testamento e do Talmude foi concebida para apagar o patrimônio palestino local e árabe-islâmico do país. No período pré-Nakba, os esquemas toponímicos sionistas utilizaram as explorações ocidentais do século XIX sobre os "nomes" e "lugares" do Antigo Testamento e apropriaram-se de topônimos palestinos. Após a limpeza étnica da Palestina em 1948 e as rupturas da Nakba, o Estado israelense, então no controle de 78 por cento da terra, acelerou seu projeto toponímico e adotou métodos cujas principais características foram o memoricídio. Prosseguindo na ocupação pós-1967, esses métodos coloniais continuam a ameaçar a destruição da diversificada herança cultural e histórica da terra.
In view of the Zionist ethnic cleansing of most of Palestine in 1948 and the current reality of coloniser/colonised in the country, the liberal Zionist slogan that the history of modern Palestine centres on the idea of ‘one land, two peoples’ rings hollow. The asymmetry of power in Palestine informs the works of nearly all Israeli ‘New Historians’. This work, by contrast, challenges this ‘Zionist nationalism’-based perspective and argues for decolonising methodologies; this work argues that the nationalism perspective serves to camouflage the heart of the conflict in Palestine; it argues further that at the heart of the question of Palestine is the vastly asymmetrical conflict between an eliminationist European settler-colonialist movement, backed by major Western powers (first Britain and now the US), and the indigenous people of Palestine. Furthermore, place-naming cartography and state-sponsored explorations were central to the modern European conquest of the earth, empire-building and settler-colonisation projects, the Zionist enterprise included. Scholars often assume that place names provide clues to the historical and shared heritage of places and regions. This work uses social memory theory to analyse the cultural politics of place-naming in Israel. Drawing on Maurice Halbwachs’ study of the construction of social memory by the Latin Crusaders and Christian medieval pilgrims, the work shows Zionists’ toponymic strategies in Palestine: their superimposition of Old Testament and Talmudic toponyms was designed to erase the local Palestinian and Arab Islamic heritage of the country. In the pre-Nakba period Zionist toponymic schemes utilised 19th century Western explorations of Old Testament ‘names’ and ‘places’ and appropriated Palestinian toponyms. Following the ethnic cleansing of Palestine in 1948 and the ruptures of the Nakba, the Israeli state, now in control of 78 per cent of the land, accelerated its toponymic project and pursued methods whose main features were memoricide. Continuing into the post-1967 occupation, these colonial methods continue to threaten the destruction of the diverse cultural and historic heritage of the land.
Os topônimos da Palestina histórica derivam de uma ampla variedade de fontes, incluindo fenícia, filistina, aramaica, grega, hebraica e árabe — topônimos que são representativos da identidade cultural multifacetada da Palestina. A importância social e cultural da memória toponímica e da representação geográfica de locais e termos na escrita histórica é evidente em muitas histórias da Palestina antiga, medieval e moderna. Um exemplo clássico é a menção do nome da Palestina antiga em Histórias (ou A História, 1987), de Heródoto, escrita entre as décadas de 450 e 420 a.C.
The toponyms of historic Palestine derive from a wide range of sources, including Phoenician, Philistine, Aramaic, Greek, Hebrew and Arabic – toponyms which are representative of the multi-layered cultural identity of Palestine. The social and cultural importance of toponymic memory and geographical rendering of sites and terms in historical writing is evident in many histories from antiquity, medieval and modern Palestine. One classical example is the listing of the name of ancient Palestine in Histories (or The History, 1987) by Herodotus, written from the 450s to the 420s BC.
Acredita-se que Heródoto tenha visitado a Palestina na quinta década do século V a.C. Assim como a tradição clássica da historiografia grega e romana, a obra de Heródoto atribuía o maior valor ao testemunho oral para a história contemporânea (Robinson, C. 2003: 26). Heródoto foi o primeiro historiador a denominar uma região geográfica que chamou de Palaistinê (Παλαιστίνη), a qual era muito mais ampla que a antiga Filístia. Ele se refere à Palestina ou à "Síria", ou simplesmente a "Palaistinê", cinco vezes, significando uma área que abrange a região distinta entre a Fenícia e o Egito (Rainey 2001; Jacobson 1999). Heródoto também menciona a cidade de Ascalon (acadiano: Isqalluna; grego: Ascalon; árabe: ‘Asqalan; latim: Ascalonia; hebraico: Ashkelon), uma grande cidade portuária antiga que remonta à Idade Neolítica. À época de Heródoto, a Palestina era profundamente politeísta e, consequentemente, em contraste com as narrativas míticas da Bíblia, Heródoto não menciona judeus nem monoteísmo, mas descreve Ascalan como possuidora de um templo para Afrodite e de sua tradição politeísta. Embora as Histórias de Heródoto sejam hoje consideradas uma obra fundadora da história na literatura ocidental, e sirvam como registro essencial das antigas tradições, da política, da geografia e dos conflitos de diversas potências conhecidas na Grécia, na Ásia Ocidental e no norte da África, quando se trata da Palestina e da memória toponímica, a escrita cristã ocidental não se apoia nas Histórias de Heródoto, mas nas narrativas míticas da Bíblia.
Herodotus is believed to have visited Palestine in the fifth decade of the 5th century BC. Like the classical tradition of Greek and Roman historiography, Herodotus’ work put the greatest value on oral testimony for contemporary history (Robinson, C. 2003: 26). Herodotus was the first historian to denote a geographical region he called Palaistinê (Παλαιστίνη), which was far wider than ancient Philistia. He refers to Palestine or ‘Syria’, or simply ‘Palaistinê’, five times, meaning an area encompassing the distinct region between Phoenicia and Egypt (Rainey 2001; Jacobson 1999). Herodotus also mentions the city of Ascalon (Akkadian: Isqalluna; Greek: Ascalon; Arabic: ‘Asqalan; Latin: Ascalonia; Hebrew: Ashkelon), a great ancient seaport city which dates back to the Neolithic Age. At the time of Herodotus Palestine was deeply polytheistic and consequently, in contrast to the myth-narratives of the Bible, Herodotus does not mention Jews or monotheism but describes Ascalan as having a temple for Aphrodite and its polytheistic tradition. Although Herodotus’ Histories is now considered a founding work of history in Western literature, and serves as a key record of the ancient traditions, politics, geography and clashes of various powers that were known in Greece, Western Asia and North Africa, when it comes to Palestine and toponymic memory Western Christian writing relies not on Herodotus’ Histories but on the myth-narratives of the Bible.
Curiosamente, porém, o topônimo grego para Palestina e Ascalan foi preservado na tradição árabe palestina indígena e por historiadores, geógrafos e viajantes árabes medievais, e 'Ascalon' passou a ser conhecida pelos árabes palestinos a partir do século VII como 'Asqalan'.
Interestingly, however, the Greek toponym for Palestine and Ascalan were preserved in indigenous Palestinian Arab tradition and by medieval Arab historians, geographers and travellers, and ‘Ascalon’ became known to the Palestinian Arabs from the 7th century as ‘Asqalan’.
A ênfase deste trabalho está no indígena (individual e coletivo)
The emphasis of this work is on the indigenous (individual and collective)
a capacidade de ação e a habilidade dos povos da Palestina de tomar emprestado, adaptar, moldar e transformar influências externas e o seu próprio ambiente.
agency and the ability of the peoples of Palestine to borrow, adapt, shape and transform outside influences and their own environment.
Consequentemente, o uso superficial do termo "helenização" na Palestina é problemático. Esse uso acrítico marginaliza a agência indígena e enfatiza em excesso o lado helenístico da relação como a principal fonte de poder e legitimidade. No entanto, são evidentes aspectos da "helenização toponímica" dos nomes de lugares urbanos palestinos. A "helenização toponímica" da Palestina urbana, que começou com a conquista por Alexandre, o Grande, no final da década de 330 a.C. e se desenvolveu ao longo de vários séculos, foi marcadamente acompanhada por um extenso crescimento e desenvolvimento econômico, que incluiu o planejamento urbano e o estabelecimento de cidades fortificadas bem construídas. A distância, o comércio regional e a gradual "helenização cultural" tiveram algum impacto sobre a Palestina, e isso foi sentido nos centros urbanos e nas principais cidades. Além do impacto da helenização sobre as cidades históricas de Gaza, Ashkelon, Jerusalém e Jaffa, a contínua helenização dos nomes de lugares e a renomeação de cidades palestinas afetaram Scythopolis (Beisan), Ptolemais (Akka/Acre), Diospolis (Lydda), Eleutheropolis (Beit Jibrin), Sepphoris (Diocaesaraea/Saffuriyah), Nicopolis (Emaús), Petra (grego: rocha; aramaico: Raqmu; árabe: al-Batra), Philadelphia ('Amman), Antipatris (Surdi fonts/Binar Bashi), Flavia Neapolis (Nablus) e Sebastos (Sabastiyah). Sebastia (grego: Sevastee) é hoje uma grande aldeia palestina, localizada a cerca de 12 quilômetros a noroeste da cidade de Nablus. Reconstruída em 63
Consequently, the superficial use of the term ‘Hellenisation’ in Palestine is problematic. This uncritical use marginalises the indigenous agency and over-emphasises the Hellenistic side of the relationship as the primary source of power and legitimacy. However, aspects of the ‘toponymical Hellenisation’ of Palestinian urban place names are evident. Toponymical ‘Hellenisation’ of urban Palestine, which began with the conquest by Alexander the Great in the late 330s BC and developed over several centuries, was markedly accompanied by extensive economic growth and development that included urban planning and the establishment of well-built fortified cities. Distance and regional trade and gradual ‘cultural Hellenisation’ had some impact on Palestine and this was felt in the urban centres and major cities. In addition to the impact of Hellenisation on the historic cities of Gaza, ‘Asqalon, Jerusalem and Jaffa, ongoing Hellenisation of place names and renaming of Palestinian cities affected Scythopolis (Beisan), Ptolemais (Akka/Acre), Diospolis (Lydda), Eleutheropolis (Beit Jibrin), Sepphoris (Diocaesaraea/Saffuriyah), Nicopolis (Emmaus), Petra (Greek: rock; Aramaic: Raqmu; Arabic: al-Batra), Philadelphia (‘Amman), Antipatris (Surdi fonts/Binar Bashi), Flavia Neapolis (Nablus) and Sebastos (Sabastiyah). Sebastia (Greek: Sevastee) is today a large Palestinian village, located some 12 kilometres north-west of the city of Nablus. Rebuilt in 63
BC, seu nome deriva de Sebastos ("venerável"), o equivalente grego do latim Augustus, um nome escolhido em homenagem ao imperador Augusto. Durante muitos séculos, a cidade foi sede de um bispo, primeiro na Palestina Prima sob o Império Bizantino, depois na província de Jund Filastin sob o domínio islâmico, e novamente um bispo latino no Reino Franco de Jerusalém.
BC, its name derives from Sebastos (‘venerable’), the Greek equivalent of the Latin Augustus, a name chosen in honour of Emperor Augustus. For many centuries, the town was the seat of a bishop, first in Palaestina Prima under the Byzantine Empire, then in the province of Jund Filastin under Islam and again a Latin bishop in the Frankish Kingdom of Jerusalem.
A tradição ortodoxa original da Palestina em Sebastia foi restaurada após a derrota dos cruzados latinos e continuou sob o Islã até a era moderna. Desde 2005, uma importante figura pública árabe palestina, Atallah Hanna (Teodósio), com um forte compromisso com a identidade nacional árabe palestina, tem sido o Arcebispo de Sebastia no Patriarcado Ortodoxo Grego de Jerusalém, um título religioso que encarna as continuidades e as memórias sociais toponímicas profundamente enraizadas da Palestina histórica.
The original Palestine Orthodox tradition of Sebastia was restored after the defeat of the Latin Crusaders and continued under Islam into the modern era. Since 2005 a leading Palestinian Arab public figure, Atallah Hanna (Theodosios), with a strong commitment to Palestinian Arab national identity, has been the Archbishop Sebastia in the Greek Orthodox Patriarchate of Jerusalem, a religious title which embodies the continuities and the deeply rooted toponymic social memories of historic Palestine.
Quanto ao nome da cidade palestina de Nablus, ele deriva do nome greco-romano Flavia Neapolis (Νεάπολις), "a nova cidade do Imperador Flávio", que lhe foi dado pelo Imperador romano Vespasiano em 72.
As for the name of the Palestinian city Nablus, it derives from Greco- Roman name Flavia Neapolis (Νεάπολις) – the ‘new city of the Emperor Flavius’ – which was given to it by the Roman Emperor Vespasian in 72
AD. Assim, Nablus compartilha seu nome com a cidade italiana de Nápoles. Flavia Neápolis foi fundada perto de Tell Balatah, o sítio dos restos de uma antiga cidade palestina, Shechmu, tradicionalmente identificada com a cidade samaritana de Schechem. O sítio de Balatah é uma das localidades mais antigas da Palestina, e os arqueólogos estimam que as torres e os edifícios do local datem de 4.000 anos, da Idade do Cobre e da Idade do Bronze. Hoje, Tell Balatah está listada pela UNESCO como parte do Inventário de Sítios do Patrimônio Cultural e Natural de Potencial Valor Universal Excepcional na Palestina. As cidades palestinas antigas e modernas estão intimamente relacionadas não apenas em termos de memórias toponímicas. Evidências arqueológicas mostram as continuidades históricas, as interrupções, o renascimento e a contínua transformação dos centros urbanos da Palestina desde a Idade do Bronze Antigo até o período moderno.
AD. Thus Nablus shares its name with the Italian city of Naples. Flavia Neapolis had been founded near Tell Balatah, the site of the remains of an ancient Palestinian city Shechmu, traditionally identified with the Samaritan city of Schechem. The site of Balatah is one of the most ancient localities in Palestine and archaeologists estimate that the towers and buildings at the site date back 4000 years to the Chalcolithic and Bronze Ages. Today Tell Balatah is listed by UNESCO as part of the Inventory of Cultural and Natural Heritage Sites of Potential Outstanding Universal Value in Palestine. Ancient and modern Palestinian cities are closely related not only in terms of toponymic memories. Archaeological evidence shows the historical continuities, interruptions, revival and continuous transformation of the urban centres of Palestine from the Early Bronze Age to the modern period:
Os dados arqueológicos nos levam para além e por baixo de tal narrativa de batalhas militares, permitindo vislumbrar como era a vida de fato na Palestina helenística. Uma apresentação dos vestígios arquitetônicos do período, das mudanças nos padrões de assentamento e da variedade de suas culturas materiais nos ajuda a compreender como viviam os habitantes de diferentes regiões do país e como suas vidas se transformaram ao longo desses séculos marcantes. Estilos de vida pacíficos, cada vez mais prósperos e cosmopolitas emergem da poeira que obscurecia a preocupação dos historiadores com as batalhas. (Berlin 1997: Resumo)
Archaeological data take us beneath and beyond such recitation [of military battles] to gain a glimpse of what life was actually like in Hellenistic Palestine. A presentation of the period’s architectural remains, changes in its settlement patterns, and the variety of its material cultures helps us understand how the inhabitants of various parts of the country lived and how their lives changed during the course of these momentous centuries. Peaceful and increasingly wealthy and cosmopolitan lifestyles emerge from the obscuring dust of the historian’s preoccupation with battles. (Berlin 1997: Abstract)
As elites urbanas instruídas da Palestina e os seus espaços urbanos prósperos desempenharam um papel importante na formação da ideia inicial de Palestina. Tanto o latim como o grego koiné eram as línguas dominantes do Império Bizantino até ao século VI; o latim manteve-se como língua oficial do governo no século VI, ao passo que a língua corrente dos comerciantes, agricultores, marinheiros e cidadãos comuns na Palestina era o grego. Além disso, o aramaico – estreitamente relacionado com o árabe – era uma língua corrente entre o campesinato palestiniano (predominantemente cristão), que constituía a maioria da população do país. Na prática, o grego e o latim eram as línguas prevalecentes das elites urbanas instruídas da Palestina bizantina, influenciando a educação, o comércio, a administração, os documentos oficiais, a arte e a arquitetura, bem como os principais topónimos da Palestina e de todo o Mediterrâneo Oriental. O grego, contudo, tornou-se a língua franca da Palestina bizantina tardia, pouco antes do advento do Islão. Consequentemente, a helenização dos topónimos palestinianos não era incomum na Antiguidade Tardia. Um exemplo bem conhecido de helenização da Antiguidade Tardia é a obra do historiador e tradutor romano-judeu do século I Josefo (Tito Flávio Josefo, 37 – c. 100 d.C.), que falava aramaico e grego e se tornou cidadão romano. Tanto ele como o escritor judeu greco-romano Fílon de Alexandria usaram o topónimo Palestina (Robinson, E. 1865: 15). Josefo acreditava na compatibilidade entre o judaísmo e o pensamento greco-romano, frequentemente designada como judaísmo helenístico. Ele listou topónimos palestinianos locais e tornou-os familiares aos públicos greco-romanos. Nas suas obras A Guerra Judaica (1981) e Antiguidades Judaicas (2004), que incluem material sobre indivíduos, grupos, costumes e nomes de lugares, Josefo quase nunca se refere aos escribas judeus com autoridade da Torá como “escribas”; em vez disso, chama-lhes sofistas e anciãos. Do mesmo modo, Josefo refere-se às “seitas” judaicas (um termo carregado de significado) como filosofias ou escolas. O termo que ele usou para se referir à Transjordânia, Pereia ("o país além"), não se encontra na Bíblia; a moderna 'Amman é referida pelo seu nome grego, Filadélfia. Os muçulmanos medievais e os palestinos modernos preservaram topônimos greco-romanos como Nablus (grego: Neápolis, Νεάπολις), Palestina, Qaysariah (Cesareia; grego: Καισάρεια), mas não Filadélfia. A obra de Eusébio do século IV sobre a topografia palestina, Onomasticon: Sobre os Nomes de Lugares nas Escrituras Divinas (Notley e Safrai 2004; Eusébio 1971), menciona 'Amman: esta é agora Filadélfia.
Palestine’s educated urban elites and thriving urban spaces played an important part in shaping the early idea of Palestine. Both Latin and Koine Greek were the dominant languages of the Byzantine Empire until the 6th century; Latin remained the official language of the government in the 6th century, whereas the prevalent language of merchants, farmers, seamen and ordinary citizens in Palestine was Greek. Also, Aramaic – closely related to Arabic – was a prevalent language among the (predominantly Christian) Palestinian peasantry which constituted the majority of population in the country. In practice, Greek and Latin were the prevalent languages of the educated urban elites of Byzantine Palestine, affecting education, trade, administration, official documents, art and architecture and key place names throughout Palestine and the Eastern Mediterranean. Greek, however, became the lingua franca of late Byzantine Palestine, shortly before the advent of Islam. Consequently, the Hellenisation of Palestinian toponyms was not uncommon in Late Antiquity. A well-known example of Hellenisation from Late Antiquity is the work of the 1st-century Romano-Jewish historian and translator Josephus (Titus Flavius Josephus 37‒c. 100 AD) who spoke Aramaic and Greek and who became a Roman citizen. Both he and Greco-Roman Jewish writer Philo of Alexandria used the toponym Palestine (Robinson, E. 1865: 15). Josephus believed in the compatibility of Judaism and Greco- Roman thought, often referred to as Hellenistic Judaism.11 He listed local Palestinian toponyms and rendered them familiar to Greco-Roman audiences. In his works The Jewish War (1981) and the Antiquities of the Jews (2004) which include material about individuals, groups, customs and place names, Josephus almost never refers to Torah-authority Jewish scribes as ‘scribes’; instead he refers to them as sophists and elders. Similarly, Josephus refers to Jewish ‘sects’ (a loaded term) as philosophies or schools. The term he used to refer to Transjordan, Peraea (‘the country beyond’), is not found in the Bible, modern ‘Amman is referred to by its Greek name, Philadelphia. Medieval Muslims and modern Palestinians preserved Greco-Roman toponyms such Nablus (Greek: Neapolis, Νεάπολις), Palestine, Qaysariah12 (Caesarea; Greek: Καισάρεια), but not Philadelphia. Eusebius’ 4th century work on Palestinian topography, Onomasticon: On the Place Names in Divine Scripture (Notley and Safrai 2004; Eusebius 1971), refers to ‘Amman: this is now Philadelphia’.
Além da helenização de muitos topônimos palestinos pelo escritor judeu Josefo, os Pais Fundadores do Cristianismo introduziram dimensões religioso-políticas nos nomes de lugares da Palestina. O papel dessa memória religioso-social na influência do mapeamento geográfico e da memória toponímica da Palestina foi amplamente reconhecido no século IV d.C. em duas obras famosas: a tradução latina da Vulgata, de São Jerônimo, e a obra subsequente sobre a topografia palestina, Onomasticon: Sobre os Nomes de Lugares nas Escrituras Divinas, de Eusébio de Cesareia (Eusebius Caesariensis; 260/265‒339/340 d.C.), historiador de ascendência grega, topógrafo e exegeta, e um dos Pais Fundadores que se tornou Bispo de Cesareia por volta de 314 d.C. A obra de Eusébio, Onomasticon (Notley e Safrai 2004; Eusebius 1971), a primeira tentativa abrangente de construir e "localizar" esses lugares e nomes a partir das narrativas bíblicas, baseou-se em parte no empreendimento religioso-imperial de Jerônimo, impulsionado pelo fato de o Cristianismo ter se tornado a religião oficial do império. Foram essas duas obras, de dois dos Pais Fundadores do Cristianismo, Jerônimo e Eusébio, e não a verdadeira história da Palestina de Heródoto, que formaram a base da memória toponímica religioso-social ocidental e da reimaginação da Palestina como uma Terra Santa cristã (Sivan 2008: 57). Eusébio, em Onomasticon, apresenta uma lista de nomes de lugares da Provincia Palaestina, com comentários geográficos, históricos e religiosos adicionais baseados em parte em histórias bíblicas. Sua topografia da Palestina foi posteriormente traduzida para o latim. São Jerônimo mudou-se fisicamente para a Judeia, na Provincia Palaestina, enquanto trabalhava na tradução da Vulgata. Jerônimo, um Pai Fundador do Cristianismo e grande contribuidor para sua memória religiosa fundamental, foi a primeira pessoa a voltar e traduzir o Antigo Testamento do hebraico, e não da Septuaginta (ou "Antigo Testamento grego").
In addition to the Hellenisation of many Palestinian toponyms by the Jewish writer Josephus, the Founding Fathers of Christianity introduced religio-political dimensions to Palestinian place names. The role of this religio-social memory in influencing the geographical mapping and toponymic memory of Palestine was widely recognised in the 4th century AD in two famous works: St Jerome’s Vulgate translation into Latin and the subsequent work on Palestinian topography, Onomasticon: On the Place Names in Divine Scripture by Eusebius of Caesarea (Eusebius Caesariensis; 260/265‒339/340 AD) – a historian of Greek descent, a topographer and an exegete and one of the Founding Fathers who became the Bishop of Caesarea about AD 314. Eusebius’ work, Onomasticon (Notley and Safrai 2004; Eusebius 1971), the first comprehensive attempt to construct and ‘locate’ these places and names from the biblical narratives, was partly based on Jerome’s religio-imperial enterprise which was driven by the fact that Christianity had become an official religion of empire. It was these two works by two of the Founding Fathers of Christianity, Jerome and Eusebius, rather than Herodotus’ actual history of Palestine which formed the basis of Western religio-social toponymic memory and the reimagining of Palestine as a Christian Holy Land (Sivan 2008: 57). Eusebius, in Onomasticon, provides a list of place names of Provincia Palaestina, with additional geographical, historical and religious commentary partly based on biblical stories. His topography of Palestine was later translated into Latin. St Jerome relocated physically to Judaea in Provincia Palaestina while working on the Vulgate translation. Jerome, a founding father of Christianity and a major contributor to its seminal religious memory, was the first person to go back and translate the Old Testament from Hebrew rather than from the Septuagint (or ‘Greek Old Testament’).
A identidade e a concepção de Palestina, em constante evolução e com múltiplas camadas desde a Idade do Bronze Tardia, têm conotações geopolíticas, seculares, administrativas e jurídicas. A era bizantina acrescentou também uma camada religiosa à concepção geopolítica e secular de Palestina, sob a forma de "Terra Santa". As representações religioso-sagradas de Palestina, a Terra Santa, a "terra do Evangelho" como memória religiosa e como território sagrado imaginado foram acolhidas e celebradas pelo povo indígena da Palestina:
The evolving multi-layered identity and conception of Palestine since the late Bronze Age has geo-political, secular, administrative and legal connotations. The Byzantine era also added a religious layer to the geo-political, secular conception of Palestine, in the form of the ‘Holy Land’. The religio-sacred representations of Palestine, the Holy Land, the ‘land of the Gospel’ as religious memory and an imagined sacred territory have been embraced and celebrated by the indigenous people of Palestine:
Muçulmanos (das tradições corânicas), samaritanos (com base no Pentateuco samaritano), judeus (das tradições do Antigo Testamento)
Muslims (from the Quranic traditions), Samaritans (based on the Samaritan Pentateuch), Jews (from the traditions of the Old Testament)
e cristãos (das tradições do Antigo e do Novo Testamento). Essa identidade multirreligiosa da Palestina é universalmente reconhecida.
and Christians (from the traditions of the Old and New Testaments). This multifaith identity of Palestine is universally recognised.
Além disso, a memória religiosa cristã ocidental medieval da Terra Santa e a peregrinação a ela exerceram uma influência considerável sobre a teoria da memória social moderna do sociólogo francês Maurice Halbwachs (1877‒1945), cujos escritos fundamentais sobre a sociologia do conhecimento e a construção social da memória foram intitulados Mémoire Collective (1980).
Furthermore, the medieval Western Christian religious memory of, and pilgrimage to, the Terrae Sanctae had a major influence on the modern social memory theory of French sociologist Maurice Halbwachs (1877‒1945), whose seminal writings on the sociology of knowledge and the social construction of memory was entitled Mémoire Collective (1980).
Em sua obra, Halbwachs contrastou a "memória social" estruturada e em evolução com a história propriamente dita, e assim estabeleceu a "memória coletiva" tanto como conceito quanto como um campo de pesquisa distinto. O termo "memória coletiva" em si remonta ao fundador da sociologia moderna, Émile Durkheim (1858–1917), que escreveu extensivamente em *As formas elementares da vida religiosa* (2003) sobre a religião organizada, a memória coletiva, a lembrança e os rituais commemorativos. Halbwachs, discípulo de Durkheim e sociólogo positivista, contrasta a "história" com a "memória social" em evolução e argumenta que as memórias de um indivíduo e sua compreensão do passado estão intimamente relacionadas às suas pertenças a grupos, à "memória coletiva" e à consciência de grupo. Segundo Halbwachs (1992), essa produção de memória social depende de um "quadro" religioso ou político, bem como da estrutura dentro da qual um grupo se situa na sociedade.
In his work Halbwachs contrasted structured, evolving ‘social memory’ with actual history and thus established ‘collective memory’ both as a concept and as a distinct research field. The term ‘collective memory’ itself is traceable to the founder of modern sociology, Émile Durkheim (1858–1917), who wrote extensively in Les formes élémentaires de la vie religieuse (2003) about organised religion, collective memory, remembering and commemorative rituals. Halbwachs, a student of Durkheim and a positivist sociologist, contrasts ‘history’ with evolving ‘social memory’ and argues that an individual’s memories and understanding of the past are closely related to group memberships, ‘collective memory’ and group consciousness. According to Halbwachs (1992), this production of social memory is dependent upon a religious or political ‘cadre’ as well as the framework within which a group is situated within a society.
O trabalho de Halbwachs sobre o enquadramento social da memória coletiva e a construção (e reprodução) da memória social começou com seu estudo pioneiro Les Cadres Sociaux de la Mémoire (1925, 1992) e La Topographie légendaire des évangiles en terre sainte: étude de mémoire collective (1941, 1992). Halbwachs estava preocupado com a memória social religiosa e nacionalista. Seu trabalho La Topographie légendaire des évangiles en terre sainte concentra-se em símbolos, rituais e representações comemorativos de acesso público. Ele também examina a memória religioso-social de gerações sucessivas de peregrinos cristãos medievais e cruzados latinos nas Terrae Sanctae, bem como a subdivisão geográfica que fizeram da Palestina, da Síria e da Arábia, e a maneira como esses grupos "encontraram" e depois "reencontraram" (reproduziram)
Halbwachs’ work on the social framing of collective memory and the construction (and reproduction) of social memory began with his landmark study on Les Cadres Sociaux de la Mémoire (1925, 1992) and La Topographie légendaire des évangiles en terre sainte: étude de mémoire collective (1941, 1992). Halbwachs was preoccupied with religious and nationalist social memory. His work La Topographie légendaire des évangiles en terre sainte focuses on publicly available commemorative symbols, rituals and representations. It also examines the religio-social memory of successive generations of medieval Christian pilgrims and Latin Crusaders in the Terrae Sanctae and their geographical subdivision of Palestine, Syria and Arabia, and how these groups ‘found’ and then ‘found’ again (reproduced)
Nomes de lugares particulares das narrativas do Evangelho.
particular place names from the Gospel narratives.
Este trabalho mostrará como a memória coletiva (religioso-social) de estudiosos ocidentais das Escrituras, como Edward Robinson e Victor Guérin (assim como os cruzados e peregrinos medievais), "encontrou" novamente e (reconstruiu)
This work will show how the collective (religio-social) memory of Western scriptural scholars such as Edward Robinson and Victor Guérin (like the medieval Crusaders and pilgrims) ‘found’ again and (reconstructed)
No século XIX, nomes de lugares específicos na Palestina, extraídos da narrativa bíblica, foram a base dos projetos sionistas de substituição toponímica. Nomes de lugares, sítios geográficos e paisagens são também – para usar o termo do historiador francês Pierre Nora, Les Lieux de mémoire (1996, 1997, 1998) – "lugares de memória" em torno dos quais grupos sociais constroem e cultivam conscientemente a memória social e cultural, bem como identidades individuais e coletivas. Fundamentado na teoria da memória social de Halbwachs, Nora e outros, este livro também recorre a outras abordagens:
in the 19th century particular place names in Palestine from the biblical narrative – place names which formed the basis of Zionist replacement toponymic projects. Place names, geographical sites and landscape are also – to borrow French historian Pierre Nora’s term, Les Lieux de mémoire (1996, 1997, 1998) – ‘sites of memory’ around which social groups consciously construct and cultivate social and cultural memory and individual and collective identities. Underpinned by the social memory theory of Halbwachs, Nora and others, this book also draws on other approaches:
a exploração de documentos de arquivo históricos israelenses; relatos de história oral e de memória palestinos; a confecção de mapas e a produção cultural de mapas na Palestina‒Israel.
the exploration of Israeli archival historical documents; Palestinian oral history and memory accounts; map-making and the cultural production of maps in Palestine‒Israel.
No período moderno, e especialmente durante o Mandato Britânico da Palestina (1918‒1948), o termo "palestino" era usado para se referir a todas as pessoas que residiam na Palestina, independentemente de religião ou etnia, incluindo os colonos judeus europeus a quem as autoridades do Mandato Britânico concederam cidadania. Anteriormente, na segunda metade do século XIX, os britânicos haviam criado o Palestine Exploration Fund (PEF) como um projeto imperial. Fundado em Londres em 1865 sob o patrocínio da Rainha Vitória, o PEF cunhou os termos "Palestina Ocidental" e "Palestina Oriental" (o Levantamento da Palestina Ocidental e o Levantamento da Palestina Oriental) e organizou expedições de mapeamento geográfico na Palestina nas décadas de 1870. O grande número de publicações do PEF incluiu The Fauna and Flora of Palestine (Tristram 1884). O PEF não fez qualquer menção à expressão "Terra de Israel" – esta foi posteriormente cunhada pelos fundadores do sionismo judaico.
In the modern period, and especially during the British Mandate of Palestine (1918‒1948), the term ‘Palestinian’ was used to refer to all people residing in Palestine, regardless of religion or ethnicity, including those European Jewish settlers granted citizenship by the British Mandatory authorities. Earlier, in the second half of the 19th century, the British had set up the Palestine Exploration Fund (PEF) as an imperial project. It was founded in London in 1865 under the patronage of Queen Victoria and coined the terms ‘Western Palestine’ and ‘Eastern Palestine’ (the Survey of Western Palestine and Survey of Eastern Palestine) and mounted geographical map-making expeditions in Palestine in the 1870s. The large number of publications by the PEF included The Fauna and Flora of Palestine (Tristram 1884). There was no mention of the expression ‘Land of Israel’ by the PEF – this was later coined by the founding fathers of Jewish Zionism.
Contudo, um dos principais objetivos religioso-político-estratégicos do PEF era claro na sua própria publicação: Names and Places in the Old and New Testament and Apocrypha: with their Modern Identifications (Palestine Exploration Fund, 1889). O PEF listou mais de 1150 nomes de lugares relacionados com o Antigo Testamento e 162 relacionados com o Novo Testamento. Pouco depois da ocupação militar britânica da Palestina em 1918, as autoridades do Mandato britânico começaram a reunir informações toponímicas junto dos habitantes palestinos locais. Seguindo o exemplo do PEF, as autoridades do Mandato partiram do pressuposto de que os árabes palestinos (muçulmanos, cristãos e judeus árabes) também tinham preservado o conhecimento dos antigos nomes de lugares, que poderiam ajudar a identificar sítios arqueológicos e bíblicos.
However, one of the key religio-political-strategic objectives of the PEF was clear from its own publication: Names and Places in the Old and New Testament and Apocrypha: with their Modern Identifications (Palestine Exploration Fund 1889). The PEF listed more than 1150 place names related to the Old Testament and 162 related to the New Testament. Shortly after the British military occupation of Palestine in 1918, the British Mandatory authorities set out to gather toponymic information from the local Palestinian inhabitants. Following the PEF, the Mandatory authorities assumed that the Palestinian Arabs (Muslim, Christian and Arab Jews) had also preserved knowledge of the ancient place names which could help identify archaeological and biblical sites.
Na Palestina, a luta entre o colonizador e o colonizado pela terra, pela demografia, pelo poder e pela propriedade também se concentrou na representação, na deturpação e na autorrepresentação. A autorrepresentação metafórica do colono europeu como um "retorno à história" funciona para desenraizar o nativo e "desligá-lo" da história. O colono invadiu o espaço e apropriou-se do patrimônio dos palestinos locais, ao mesmo tempo que se desvinculou do palestino colonizado e desapossado. A produção de conhecimento histórico e de poder pelo colono sionista asquenazita – um ouroboros autorreferencial – resultou na criação de uma série de mitos fundadores, de estratégias de autoindigenização e de autoantiguidade, incluindo os mitos do "exílio e retorno" e do "retorno à história". Mas os "muitos retornos" do sionismo, como o estudioso israelense Gabriel Piterberg os descreveu em The Returns of Zionism (2008), não se manifestaram apenas no obsessivo "retorno à história" do colono europeu que vinha reivindicar a terra; eles também foram construídos sobre o apagamento, a inexistência do povo indígena da Palestina e o desenraizamento real e físico dos palestinos e seu desligamento "da história".
In Palestine, the struggle between the coloniser and colonised over land, demography, power and ownership also centred on representation, misrepresentation and self-representation. The metaphoric self-representation of the European settler-coloniser as a ‘return to history’ works to uproot and ‘detach’ the native from history. The settler-coloniser invaded the space and appropriated the heritage of the local Palestinians and simultaneously detached itself from the colonised and disinherited Palestinian. The production of historical knowledge and power by the Ashkenazi Zionist settler-coloniser – a self-referencing ouroboros – resulted in the creation of a range of foundational myths, self-indigenising and self-antiquating strategies, including the myths of ‘exile and return’ and ‘return to history’. But the ‘many returns’ of Zionism, as Israeli scholar Gabriel Piterberg put it in The Returns of Zionism (2008), did not just manifest themselves in the obsessive ‘return to history’ by the European settler coming to reclaim the land, they were also constructed around erasure, the non-existence of the indigenous people of Palestine and the actual, physical uprooting of the Palestinians and their detachment ‘from history’.
Desde o mapeamento e as explorações do PEF e, sobretudo, desde a criação de um Estado israelense etnicamente purificador em 1948, a produção de conhecimento histórico e a disputa cultural em torno da nomeação (e renomeação) de sítios, cidades, vilarejos e aldeias da Palestina tornaram-se armas importantes das estratégias nacionalistas colonial-colonizadoras sionistas de bibilicização, hebraização e judaização, que buscavam desligar os palestinos da história do país. A toponímia é, em si, um ramo da onomástica ou onomatologia, o estudo da origem, da história e dos usos dos nomes de todo tipo. A antroponomástica (ou antroponímia) é o estudo dos nomes pessoais. O capítulo dez explorará as estratégias toponímicas, antroponímicas e de autodenominação sionistas. Os projetos eliminacionistas da colonização sionista na Palestina não se concentraram apenas na apropriação de terras e na limpeza étnica do povo indígena da Palestina. Esses projetos também consistiram em autoindigenização, autoantiguização, bibilicização e hebraização, além da judaização da terra.
Since the mapping and explorations of the PEF and especially since the establishment of an ethnically cleansing Israeli state in 1948, the production of historical knowledge and cultural struggle over the naming (and renaming) of Palestine sites/cities/towns and villages have become major weapons of Zionist settler-colonial nationalism, biblicisation, Hebrewisation and Judaisation strategies that sought to detach the Palestinians from the history of the country. Toponymy itself is a branch of onomastics or onomatology, the study of the origin, history and uses of names of all kinds. Anthroponomastics (or anthroponymy) is the study of personal names. Chapter ten will explore Zionist toponymic, anthroponymic and self-naming strategies. The eliminationist projects of Zionist settler-colonisation in Palestine did not just centre on land-grabbing and the ethnic cleansing of the indigenous people of Palestine. These projects also consisted of self-indigenisation, self-antiquation, biblicisation and Hebrewisation in addition to the Judaisation of the land.