10.1 Muçulmanos Tradicionais Versus os Modernistas
10.1 Traditional Muslims Vs. The Modernists
"Ser um muçulmano 'tradicionalista' é um termo reacionário. O termo teve de ser cunhado para estabelecer a distinção necessária em relação ao muçulmano 'modernista' e 'reformista'. A característica definidora de um tradicionalista é o respeito pelo intelecto dos muçulmanos do passado e um ceticismo quanto à validade do excepcionalismo moderno. O modernista, em contraste, é cético quanto ao intelecto dos muçulmanos do passado e um firme crente no excepcionalismo moderno."
Being a “traditionalist” Muslim is a reactionary term. The term had to be coined in order to make the necessary distinction against “modernist” and “reformist Muslim.” The defining feature of a traditionalist is respect for the intellect of past Muslims and a skepticism in the validity of modern exceptionalism. The modernist, in contrast, is skeptical of the intellect of past Muslims and a firm believer in modern exceptionalism.
Em outras palavras, os modernistas acreditam que vivemos em um tempo único, e que isso exige praticar o Islã de uma maneira que nunca foi praticada antes. Os modernistas também tendem a acreditar que, nos tempos modernos, temos um conhecimento único ao qual os muçulmanos do passado não tinham acesso, e que esse conhecimento nos autoriza a praticar o Islã de uma maneira que nunca foi praticada antes.
In other words, modernists believe we live in a unique time and that that necessitates practicing Islam in a way that it has never been practiced before. Modernists also tend to believe that, in modern times, we have unique knowledge that past Muslims were not privy to, and that knowledge licenses us to practice Islam in a way that it has never been practiced before.
O tradicionalista, por outro lado, considera este raciocínio não apenas pouco convincente, mas até irracional. O que há de tão singular nos tempos modernos que justifique a adoção de crenças e práticas sem precedentes? Ao longo dos últimos 1400 anos, continuamos a ser a mesma espécie, com as mesmas necessidades e a mesma constituição mental básica, as mesmas tendências e as mesmas fraquezas. Isto não quer dizer que a Sharia não acomode certos tipos de mudanças e variações no tempo e no lugar. Mas os nossos tempos não são excepcionais e singulares o suficiente para sequer começar a justificar algumas das coisas que os modernistas reivindicam.
The traditionalist, on the other hand, finds this reasoning not only unconvincing but even irrational. What is so unique about modern times that merits the adoption of unprecedented beliefs and practices? Over the past 1400 years, we are still the same species with the same needs and basic mental makeup, the same tendencies, the same weaknesses. Which is not to say that the Sharia does not accommodate certain kinds of changes and variation across time and place. But our times are not exceptional and unique enough to even begin to justify some of the things modernists call for.
Os tradicionalistas também respeitam a inteligência e a percepção espiritual do conjunto da erudição muçulmana ao longo dos últimos 1400 anos. Se existem crenças e práticas que a grande maioria, senão a totalidade, dos eruditos sustentou, isso, por si só, é evidência da validade e da solidez dessas crenças e práticas. A comunidade não concorda com o erro. O que nos torna tão especiais? Que capacidade intelectual única temos para ir contra a corrente da unanimidade histórica?
Traditionalists also respect the intellect and spiritual insight of the collective body of Muslim scholarship over the past 1400 years. If there are beliefs and practices that the vast majority of, if not all, scholars upheld, that in itself is evidence of the validity and soundness of those beliefs/ practices. The community does not agree on error. What makes us so special, what unique intellectual capacity do we have to go against the tide of historical unanimity?