2.6 Onde Está a Evidência de Deus?
2.6 Where Is The Evidence For God?
Onde está a evidência de Deus? Onde está a evidência da verdade do Islã? Há evidência, muitíssima evidência. Mas o que conta como evidência depende de muitos fatores. Esta é uma verdade básica sobre o modo como a razão e a racionalidade funcionam, e é tão verdadeira para as afirmações religiosas como para as afirmações científicas (ou matemáticas). Imagine que é um cientista a viver num mundo amargamente hostil à ciência. As massas são ensinadas desde muito cedo a desconfiar da ciência, a olhar com desprezo para os cientistas e a ver a própria ciência como charlatanice, na melhor das hipóteses, ou como um culto de morte violento, na pior. Nesse mundo, naturalmente, não existe ensino institucionalizado da ciência. A grande maioria das pessoas nunca teve qualquer contacto com a ciência na sala de aula durante o crescimento. Isto resulta numa grave falta de literacia científica na população em geral. Mas a ignorância vai ainda mais fundo, porque até as universidades são hostis à ciência. A grande maioria dos professores universitários e da elite intelectual em todo o mundo olha para a ciência com um desprezo trocista. A única forma de estudar ciência é em escolas independentes pequenas, com poucos recursos e pouco pessoal, espalhadas pelo mundo. Estudar nessas escolas exige grandes sacrifícios pessoais e financeiros por parte dos estudantes, o que significa que, em relação ao tamanho da população, são formados muito poucos cientistas legítimos.
Where is the evidence for God? Where is the evidence for the truth of Islam? There is evidence, lots of evidence. But what counts as evidence depends on a lot of factors. This is a basic truth about the way reason and rationality work and it is just as true about religious claims as it is about scientific (or mathematical) claims. Imagine you are a scientist living in a world that is bitterly anti-science. The masses are taught from a very young age to distrust science, to look down on scientists, and to view science itself as charlatanism at best, a violent death cult at worst. In this world, of course, there is no institutionalized science education. The vast majority of people have zero exposure to science in the classroom growing up. This results in a severe lack of scientific literacy in the general population. But the ignorance runs deeper than that because even universities are anti-science. The vast majority of university professors and the cognoscenti worldwide view science with snarky contempt. The only way to study science is in small, underfunded, understaffed independent schools scattered around the world. To study at those schools requires great personal and financial sacrifice on the part of students, which means that very few legitimate scientists are trained relative to the size of the population.
Agora, por alguma razão no mundo, o público acredita que queimar florestas é ótimo para o clima do planeta. Como cientista, você sabe que não é assim. Você diz às pessoas que queimar as florestas do mundo causará um desastre ambiental. A maioria das pessoas ri de você e ignora tudo o que você tem a dizer, já que você é apenas um cientista excêntrico. Outras são mais respeitosas e dizem que você tem o direito de acreditar no que quiser, desde que não tente impor suas crenças aos outros, por exemplo, insistindo que elas são verdadeiras. Mas há também alguns céticos da ciência que gostam de provocar cientistas. Então eles iniciam um diálogo com você. E exigem evidências. Como você sabe que queimar florestas levará a um desastre? Onde estão as evidências?
Now, for some reason in this world, the public believes that burning forests is great for the world’s climate. As a scientist, you know better. You tell people that actually burning the world’s forests will cause environmental disaster. Most people laugh at you and ignore everything you have to say given that you are just a kooky scientist. Others are more respectful and tell you that you have the right to believe whatever you want as long as you don’t try to impose your beliefs on others by, for example, insisting that they are true beliefs. But there are also some science skeptics who enjoy trolling scientists. So they start a dialogue with you. And they demand evidence. How do you know burning forests will lead to disaster? Where’s the evidence?
Agora, você pode ser tentado a explicar a eles sobre os gases de efeito estufa. Mas, é claro, essas pessoas não sabem absolutamente nada de química, física ou biologia. Você poderia tentar explicar como o CO2 retém calor, mas elas não fazem ideia do que são elementos químicos, muito menos do que é o CO2. Você poderia falar sobre como as árvores capturam CO2 e liberam oxigênio, e como seres vivos como os humanos precisam de oxigênio, mas então elas perguntariam qual é a evidência de tudo isso. Então você pode tentar explicar um pouco de química básica, mas isso, claro, não basta, porque, em última análise, a química, como corpo de conhecimento empírico, depende da física molecular. Assim, você teria que explicar e justificar por que isso é epistemicamente confiável. E, para compreender a física molecular, é necessário um conhecimento prático de física nuclear e até de mecânica quântica, e assim por diante.
Now, you might be inclined to explain to them about greenhouse gases. But, of course, these people know absolutely nothing about chemistry or physics or biology. You could try to explain to them how CO2 traps heat, but they have no idea what chemical elements are, let alone CO2. You could tell them about how trees trap CO2 and give off oxygen and how living things like humans need oxygen, but then they would ask you for the evidence of all that. So you might try to explain some basic chemistry, but of course, that is not enough because ultimately chemistry as a body of empirical knowledge relies on molecular physics. So you would have to explain and justify why that is epistemically reliable. And when it comes to understanding molecular physics, a working knowledge of nuclear physics and even quantum mechanics is required, and on and on.
Obviosamente, esses céticos vão entender muito pouco do que você possa explicar, e muito menos presumir que o que você está dizendo é verdade. Afinal, essas pessoas tinham dúvidas sobre sua afirmação inicial como cientista. Nada as tornaria menos céticas em relação a qualquer outra afirmação que você teria de fazer sobre a ciência de apoio que justifica essa afirmação inicial.
Obviously, these skeptics are going to understand very little of anything you might explain, let alone assume that what you are saying is true. After all, these people had doubts about your initial claim as a scientist. There is nothing that would make them less doubtful about any of the other claims you would have to make about the supporting science that justifies that initial claim.
Agora você poderia dizer às pessoas: "Olhe, se quiserem saber com certeza como eu sei que queimar florestas é uma má ideia, precisam fazer uma educação científica completa, depois realizar alguns experimentos básicos e então avançar para estudos mais aprofundados, etc., etc., e aí terão as evidências de que precisam." Ao que os céticos riem às gargalhadas.
Now you might tell them: Look, if you want to know with certainty how I know burning forests is a bad idea, you need to get a thorough science education and then do some basic experiments and then go onto advanced studies, etc., etc., and then you will have the evidence you need. To which the skeptics laugh uproariously.
A lição aqui é que o que conta como evidência, isto é, evidência convincente que justifica a crença, exige um vasto corpo de conhecimento contextual. Nas discussões sobre ciência, esse corpo de conhecimento contextual é simplesmente presumido com base na autoridade científica. As pessoas confiam que os cientistas sabem do que estão falando, por isso não os pressionam demasiado para justificar cada coisa. Mas quando essas mesmas pessoas falam sobre Deus, o ceticismo é elevado a um nível totalmente diferente, porque a religião não tem autoridade intelectual ou epistémica no mundo secular em que vivemos. Há muitas evidências da existência de Deus, evidências muito mais convincentes, consistentes e "objetivas" do que qualquer coisa na ciência empírica. Mas duas coisas impedem as pessoas de o reconhecer.
The lesson here is that what counts as evidence, i.e., compelling evidence that justifies belief, requires a gigantic body of contextual knowledge. In discussions about science, that body of contextual knowledge is simply assumed on the basis of scientific authority. People trust scientists to know what they are talking about, so they won’t press them too far to justify every single thing. But when those same people talk about God, the skepticism is turned up to a whole different level because religion has no intellectual or epistemic authority in the secular world we live in. There is plenty of evidence for God, evidence far more compelling, consistent, and “objective” than anything in empirical science. But two things impede people from recognizing this.
Primeiro, o conhecimento contextual não está presente. A educação islâmica é inexistente para a maior parte do mundo, incluindo os muçulmanos. Em vez disso, os muçulmanos em todo o mundo são educados por meio de modelos de ensino seculares. Obviamente, isso afeta a capacidade dos muçulmanos de chegar intelectualmente à convicção na existência de Allah e na verdade do Islã. E, como se isso não bastasse, o segundo fator que impede é uma corrente anti-religião e anti-islâmica muito ativa, que permeia a cultura, a mídia, a academia, etc. O estado do īmān e da convicção dos muçulmanos ao redor do mundo é gravemente afetado por esses dois fatores.
First, the contextual knowledge is not there. Islamic education is nonexistent for most of the world, including Muslims. Instead, Muslims worldwide are educated through secular models of learning. Obviously, that will impact Muslims’ ability to intellectually arrive at conviction in the existence of Allah and the truth of Islam. And if that wasn’t bad enough, the second impeding factor is a very active anti-religion, anti-Islamic current that permeates the culture, the media, the academy, etc. The state of iman and conviction of Muslims around the world is severely impacted by these two factors.
As evidências a favor de Allah e da verdade do Islã provêm de fontes diferentes que se reforçam mutuamente. É assim que funciona qualquer corpo de conhecimento, incluindo o conhecimento científico, como o exemplo acima pretendia mostrar. Um cético pode minar qualquer ponto específico do conhecimento, mas só pode fazê-lo em virtude de uma ignorância do contexto mais amplo ou do paradigma, da episteme, da estrutura de plausibilidade ou da teia de crenças (ou de qualquer outro termo filosófico ou sociológico que se queira usar).
The evidence for Allah and the truth of Islam comes from different sources that mutually reinforce each other. This is the way any body of knowledge works, including scientific knowledge, as the example above was meant to show. A skeptic can undermine any specific point of knowledge, but he can do this only in virtue of an ignorance of the larger context or paradigm or episteme or plausibility structure or web of belief (or whatever other philosophical/sociological term you want to use).