12.2 A Proibição Islâmica do Comportamento Entre Pessoas do Mesmo Sexo É Discriminatória?
12.2 Is Islam’s Prohibition Of Same-sex Behavior Discriminatory
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Does Islam deny equality for “homosexuals”? Does it provide an unfair benefit to “heterosexuals”?
Bem, depende de como se conceitua aquele conceito evasivo e ambíguo conhecido como igualdade.
Well, it depends on how you conceptualize that elusive, ambiguous concept known as equality.
Pense desta forma. O Islã certamente não proíbe a libertação sexual. Todos têm uma possível saída sexual (com o sexo oposto) porque, em última análise, o prazer sexual é algo "mecânico" em maior ou menor grau. Agora, me ouça. Se as partes certas do corpo forem usadas da maneira certa, isso mais frequentemente leva ao resultado desejado, independentemente do gênero do parceiro. Portanto, todos são igualmente capazes de se casar com o sexo oposto e experimentar isso. Igualdade em sua melhor forma. Nenhuma discriminação à vista.
Think of it like this. Islam certainly does not prohibit sexual release. Everyone has a possible sexual outlet (with the opposite sex) because, ultimately, sexual pleasure is something “mechanical” to a greater or lesser extent. Now, hear me out. If the right body parts are engaged in the right ways, that more often than not leads to the desired result, regardless of the gender of one’s partner. So, everyone is equally able to marry the opposite sex and experience that. Equality at its finest. No discrimination in sight.
Agora, a objeção moderna LGBT a isso é: Não, gays e lésbicas simplesmente não podem experimentar realização sexual com o sexo oposto. Eles só podem experimentá-la com o mesmo sexo.
Now, the modern LGBT objection to this is: No, gays and lesbians simply cannot experience sexual fulfillment with the opposite sex. They can only experience it with the same sex.
Bem, por quê? Isso não é o caso em princípio.
Well, why? This is not the case in principle.
E se um homem dissesse que só consegue sentir realização sexual com supermodelos? Ou se uma mulher dissesse que só consegue sentir realização sexual com milionários?
What if a man said he can only experience sexual fulfillment with supermodels? Or a lady said she can only experience sexual fulfillment with millionaires?
Acharíamos que aquele homem e aquela mulher estavam, de alguma forma, fundamentalmente privados sexualmente se vivessem a vida inteira sem encontrar a sua supermodelo ou o seu milionário, respectivamente? Se não, por que não? É porque não levamos a sério as suas alegações sobre o que precisam para a realização sexual? Bem, se não as levamos, por que deveríamos levar a sério as alegações de gays e lésbicas que se autodenominam assim?
Would we think that that man and that woman were being somehow fundamentally deprived sexually if they lived their whole lives without finding their supermodel(s) or millionaire(s) respectively? If not, why not? Is it because we don’t take their claims for what they need for sexual fulfillment seriously? Well, if we don’t, why should we take the claims of self-labeled gays and lesbians seriously?
Agora, você pode dizer que meus exemplos são absurdos. Mas por quê? É porque cerca de 3% da população se considera gay ou lésbica, mas, proporcionalmente, simplesmente não há muitas pessoas que afirmem só conseguir satisfação sexual com supermodelos e milionários?
Now, you might say that my examples are preposterous. But why? Is it because about 3% of the population considers itself to be gay/lesbian but, relatively, there just aren’t many people who claim they can only get sexual fulfillment through supermodels and millionaires?
Bem, isso não é uma diferença relevante. O condicionamento e a influência social têm um efeito grande sobre aquilo que as pessoas acreditam precisar para a realização sexual. O que é realmente a "realização sexual"? Parece um conceito inventado. Quem pode realmente saber do que precisa para se sentir sexualmente realizado? Isso é algo que se pode antecipar de antemão? E se aquilo de que você precisa para se sentir sexualmente realizado for um funcionário de escritório australiano, exatamente cinco anos mais velho que você, com predileção por hambúrgueres e longas caminhadas na praia? E se isso, e somente isso, for o que você precisa, e a vida inteira você nunca soube disso? Desculpe! Então você nunca vai experimentar a realização sexual! Você pode achar, por engano, que está sexualmente realizado, pobre rapaz ingênuo. Mas não! Você está perdendo algo! A ideia de realização sexual parece ser um conceito inteiramente moderno, proveniente da psicologia do século XX. É como se todo o senso de si e o bem-estar de uma pessoa dependessem de as estrelas se alinharem e de alguém alcançar esse ponto de realização tão fugidio. Na psicologia popular, as noções de amor também entram na equação. Na realidade, tudo isso é um amontoado de bobagens metafísicas contemporâneas criadas para justificar noções culturais populares sobre comportamento sexual aceitável, que só muito recentemente passou a incluir o comportamento entre pessoas do mesmo sexo entre adultos.
Well, that’s not a relevant difference. Conditioning and social influence has a major effect on what people believe they need for sexual fulfillment. What is “sexual fulfillment” really? Seems like a made-up concept. Who can really know what he needs to be “sexually fulfilled”? Is it something you can anticipate beforehand? What if what you need to be “sexually fulfilled” is a very specific Australian office worker exactly 5 years your senior who has a predilection for hamburgers and long walks on the beach? What if this and only this is what you need and your whole life, you never knew it. Sorry! Guess you won’t ever experience sexual fulfillment! You might mistakenly assume that you are sexually fulfilled, you poor naive fellow. But nope! You are missing out! The idea of sexual fulfillment seems to be a wholly modern concept coming from 20th century psychology. It is as if one’s entire sense of self and well-being somehow depends on whether the stars align and one reaches this elusory point of fulfillment. In pop psychology, notions of love also come into the mix. In reality, this is all a hodge podge of contemporary metaphysical goop created to justify popular cultural notions of acceptable sexual behavior, which only very recently has come to include same-sex behavior between adults.
Esse tipo de condicionamento através dessas estruturas culturais é bastante poderoso. Ele molda as expectativas das pessoas sobre o que precisam para serem felizes. Com controle suficiente da mídia, seria possível condicionar uma parte considerável da população a acreditar que realmente precisa de supermodelos para ter satisfação e plenitude sexual. Na verdade, isso já aconteceu em certa medida por causa da pornografia. Estudos mostram que jovens homens se sentem menos satisfeitos com o sexo "convencional" porque a pornografia distorceu completamente suas expectativas sobre o que consiste a realização sexual. Seus cérebros foram reconfigurados pela influência do estímulo online.
Conditioning through these cultural structures is quite powerful. It sets up people’s expectations for what they need to be happy. With enough media control, you could condition a good portion of the population to think that they really do need supermodels to be sexually satisfied and fulfilled. In fact, this is something that has already occurred to some extent due to pornography. Studies show that young men are less satisfied with “conventional” sex because pornography has completely distorted their expectations for what sexual fulfillment consists of. Their brains have been rewired due to the influence of the online stimulus.
Mas as mulheres também não estão isentas. As expectativas que elas têm de um marido ideal também foram distorcidas por coisas como os filmes da Disney com o Príncipe Encantado, revistas, romances, a tendência das redes sociais de destacar seletivamente casais felizes fazendo coisas felizes, etc. Tudo isso exerce influência. Estudos mostram como isso pode aumentar a insatisfação conjugal por parte das mulheres. O homem comum tem dificuldade para corresponder a padrões irreais e superinflacionados de uma fantasia romântica que algumas mulheres construíram em sua imaginação. Como resultado, as mulheres ficam insatisfeitas.
But women are not off the hook. Women’s expectations of an ideal husband have also been distorted by things like Disney movies with Prince Charming, magazines, romance novels, the tendency of social media to selectively highlight happy couples doing happy things, etc. This all has an influence. Studies show how this can increase marital dissatisfaction on the part of women. The average man has a hard time living up to unrealistic, over-inflated standards of a romantic fantasy some women have built up in their imaginations. Women, as a result, are left unfulfilled.
Na realidade, a satisfação sexual é esquiva para uma porcentagem cada vez maior da população (muito superior à porcentagem daqueles que acreditam que apenas pessoas do mesmo sexo podem lhes proporcionar satisfação sexual).
So, in reality, sexual fulfillment is elusive for an increasingly large percentage of the population (far greater than the percentage of those who believe that only the same sex can provide them sexual satisfaction).
Mas será que realmente há pessoas sendo privadas? Acreditamos que todas essas pessoas são vítimas de opressão ou de desigualdade sistemática que permite a algumas experimentar a realização sexual e a outras não? Existe mesmo uma discriminação fora de controle?
But do we think people are truly being deprived? Do we believe that all these people are victims of oppression or systematic inequality that allows some people to experience sexual fulfillment but not others? Is there really discrimination run amok?
Claro que não. As expectativas das pessoas apenas precisam ser ajustadas.
Of course not. People’s expectations just need to be adjusted.
Assim se vê que a proibição islâmica do comportamento homossexual não é discriminatória. Na concepção islâmica, entende-se que as pessoas podem experimentar todo tipo de desejos (shahawat). Mas, na maioria dos casos, esses desejos não podem ou não devem ser perseguidos ou satisfeitos. Isso inclui o desejo homossexual, o desejo incestuoso, a bestialidade, etc. Diante de um leque tão diverso de desejos, seria estranho fixar-se em um desejo específico ou em um conjunto deles e afirmar que alguém só pode ser "sexualmente realizado" se esse desejo particular for atendido. Quem disse isso?
This is how the Islamic prohibition of same-sex behavior does not discriminate. In the Islamic conception, it is understood that people can experience all kinds of desires (shahawat). But in most cases, these desires cannot or should not be pursued or fulfilled. This includes same-sex desire, incestuous desire, beastiality, etc. In context of such a panoply of diverse desires, it would be strange to fixate on one particular desire or set of desires and claim that one can only be “sexually fulfilled” if that particular desire is met. Who says?
Seja esse desejo por supermodelos ou por milionários, a expectativa é que se deva controlar esse desejo. Se ele puder ser satisfeito e for um desejo permissível de satisfazer, então tudo bem. Caso contrário, deve-se simplesmente exercer autocontrole. Essa exigência de autocontrole só é "opressiva" e "discriminatória" se alguém tiver decidido a priori que satisfazer tal desejo é uma "necessidade fundamental" para a "realização sexual", e assim por diante. Quem decide isso? Como vimos, tal afirmação é, na melhor das hipóteses, frágil, por inúmeras razões.
Whether that desire is for supermodels or millionaires, the expectation is that one must control that desire. If it can be fulfilled and it is a permissible desire to fulfill, then fine. If otherwise, then one must simply exercise self-control. This requirement for self-control is only “oppressive” and “discriminatory” if one has decided a priori that fulfilling said desire is a “fundamental necessity” for “sexual fulfillment,” etc., etc. Who gets to decide that? As we have seen, such a claim is tenuous at best, for numerous reasons.
Podem as pessoas com desejos pelo mesmo sexo ajustar suas expectativas e sua mentalidade?
Can those with same-sex desires adjust their expectations and mindset?
Quero dizer com isto: podem as pessoas com desejos pelo mesmo sexo abandonar a expectativa de que só podem experienciar "realização sexual" através da intimidade com alguém do mesmo sexo? Pode ser difícil, mas não é impossível. As atrações pelo mesmo sexo nem sempre podem ser eliminadas, mas esse não é o meu ponto. O meu ponto é que, provavelmente, é mais saudável para a fé (iman) de uma pessoa não pensar que Allah criou um mundo em que um segmento da população está categoricamente impedido de alcançar este estado especial, enriquecedor e transformador da vida, este estado eufórico de "realização sexual". Se pensarmos nestes termos, torna-se muito difícil não ver Deus como injusto ou o Islão como não discriminatório. Tudo isto depende de como a realização sexual é definida e delimitada.
What I mean by this is, can those with same-sex desires get rid of the expectation that they can only experience “sexual fulfillment” by being intimate with someone of the same sex? It might be difficult, but it is not impossible. The same-sex attractions might not always be something that can be eliminated — but that’s not my point. My point is, it is probably more healthy in terms of one’s iman not to think that Allah has created a world where a segment of the population is categorically barred from attaining this special, life-enriching, life-changing, euphoric state of “sexual fulfillment.” If you do think in those terms, then it becomes very difficult not to see God as unjust or Islam as not discriminatory. It all goes back to how sexual fulfillment is defined and delineated.
No fim do dia, uma vida inteira de condicionamento é algo difícil de combater. Mas existem recursos que podem ajudar. Em última análise, porém, o Islã não está sistematicamente oprimindo as pessoas ao proibir certos comportamentos sexuais. A normalização LGBT é que oprime as pessoas, ao fazê-las acreditar e sentir que precisam se envolver em comportamentos homossexuais autodestrutivos para se realizarem.
Ultimately, a lifetime of conditioning is a difficult thing to counteract. But there are resources to help. At the end of the day, however, Islam is not systematically oppressing people by prohibiting certain sexual behaviors. LGBT normalization is oppressing people by making them believe and feel that they need to engage in self-destructive same-sex behaviors in order to be fulfilled.
Aliás, é uma pena que a Suprema Corte dos Estados Unidos não tenha seguido esta linha de raciocínio em sua decisão sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2016. Mesmo os votos divergentes no caso Obergefell não questionaram seriamente a acusação da outra parte de que proibir o casamento entre pessoas do mesmo sexo seria discriminação e, portanto, uma violação da Décima Quarta Emenda. Tecnicamente, é discriminação, mas também o são as leis que permitem que jovens de 16 anos dirijam, mas não os de 15 anos. A questão é se esse tipo de discriminação causa dano desnecessário e prejudica as pessoas de maneiras debilitantes, sem servir a um interesse geral maior, tanto para o indivíduo quanto para a sociedade como um todo. A resposta a isso depende, evidentemente, de como concebemos os danos e os benefícios. Mas, à luz das compreensões religiosas da sexualidade, é bastante fácil entender essas coisas de uma maneira que torna a resposta à pergunta um categórico "não".
By the way, it is a real shame that the US Supreme Court did not pursue this line of reasoning in their ruling on same-sex marriage in 2016. Even the dissenters in the Obergefell case did not seriously question the other side’s charge that prohibiting same-sex marriage would be discrimination and, hence, a violation of the Fourteenth Amendment. Technically it is discrimination, but so are laws that allow 16 year olds to drive but not 15 year olds. The question is, is this the kind of discrimination that causes unnecessary harm and disadvantages people in debilitating ways while not serving an overall greater interest for the individual and society overall? The answer to that obviously depends on how we are conceiving harms and benefits. But, in light of religious understandings of sexuality, it is fairly easy to understand these things in a way that makes the answer to the question a resounding, “No.”