3.7 Somente os tiranos querem substituir a Sharia pela liberdade religiosa
3.7 Only Tyrants Want To Replace Sharia With Religious Freedom
A Sharia foi e é a fonte de tanta justiça e misericórdia. Somente os tiranos querem aboli-la.
The Sharia was and is the source of so much justice and mercy. Only tyrants want to do away with it.
No ensaio “Ideas Were Not Enough”, o economista Mark Koyama faz uma admissão honesta: a liberdade religiosa não é uma ideia revolucionária que tomou o mundo ocidental de assalto simplesmente por sua força persuasiva ou por sua virtude. Pelo contrário, a tolerância para com os diferentes grupos religiosos foi, puramente, uma questão prática, tanto política quanto econômica.5
In his essay “Ideas Were Not Enough,” economist Mark Koyama gives an honest admission: Religious freedom is not a revolutionary idea that took the Western world by storm simply on the basis of its compellingness or virtue. Rather, tolerance for different religious groups was purely a practical matter politically and economically.5
Como isso aconteceu?
How did this happen?
Koyama argumenta que, por diversas razões, os Estados europeus nas fases iniciais da modernidade ocidental passaram a depender menos da Igreja para obter legitimação política. Anteriormente, esses Estados precisavam aliar-se à Igreja para ganhar legitimidade aos olhos das massas cristãs, o que, por sua vez, levava à estabilidade política (algo muito valioso para as autoridades governantes). No entanto, a aliança dos Estados com a Igreja era prejudicial à tolerância, pois a Igreja exigia que o Estado punisse os hereges em seu lugar.
Koyama argues that, for various reasons, European states in the early stages of Western modernity grew less dependent on the Church for political legitimization. Previously, these states needed to ally with the Church in order to gain legitimacy in the eyes of the Christian masses, which in turn led to political stability (something very valuable to ruling state authorities). States allying with the Church was bad for tolerance, however, since the Church required the state to punish heretics for them.
Além disso, o autor afirma que os Estados dependiam das instituições religiosas para contribuir para a ordem pública. As igrejas (e os awqaf no mundo islâmico) estavam em melhor posição e eram mais capazes de ajudar os pobres, oferecer educação e prestar outros serviços públicos, em comparação com instituições estatais fracas. Ademais, as leis e as regras sociais dessas épocas dependiam da identidade religiosa, em oposição a uma identidade nacional geral (por exemplo, a cidadania) que se aplicava igualmente a todas as pessoas. Tudo isso levou a uma menor tolerância para com a diversidade religiosa. Neste mundo, "a liberdade religiosa era inconcebível". O que mudou?
Additionally, the author claims, states relied on the religious institutions to contribute to public order. Churches (and awqaf in the Islamic world) were better positioned and capable to help the poor, provide education, and conduct other public services relative to weak state institutions. Furthermore, laws and social rules of these times depended on religious identity as opposed to a general nationalistic identity (e.g., citizenship) that applied equally to all people. All this led to less tolerance for religious diversity. In this world, “religious freedom was inconceivable.” What changed?
As instituições estatais começaram a cobrar mais impostos e se tornaram mais poderosas, afirma Koyama. Isso permitiu que elas abrissem mão de um acordo de contrapartida com a Igreja. Com o aumento do poder, leis e regras sociais podiam ser aplicadas de forma mais ampla, sem depender de identidades religiosas para funcionar. Para o Estado, o judeu, o protestante e o católico eram todos fontes equivalentes de impostos, de modo que se tornou desnecessário e um desperdício de recursos burocráticos discriminar com base na identidade religiosa. Em última análise, "À medida que dependiam menos da autoridade religiosa, os Estados passaram a valorizar menos a imposição da conformidade religiosa." O resultado?
State institutions started taxing more and became more powerful, claims Koyama. This allowed them to forego a quid pro quo arrangement with the Church. With increased power, laws and social rules could be enforced more broadly without depending on religious identities to function. As far as the state was concerned, the Jew, Protestant, and Catholic were all equal sources for taxes, so it became unnecessary and a waste of bureaucratic resources to discriminate based on religious identity. Ultimately, “As they relied less on religious authority, states grew less inclined to value enforcing religious conformity.” The result?
Liberdade religiosa nascida da conveniência e não do princípio. Ainda assim, uma coisa boa, não é?
Religious freedom born of convenience rather than principle. Still a good thing, though, right?
5. https://aeon.co/amp/essays/the-modern-state-not-ideas-brought-about-religious-freed.
5. https://aeon.co/amp/essays/the-modern-state-not-ideas-brought-about-religious-freed.
6. Musnad Aḥmad 8619
6. Musnad Aḥmad 8619