5.2 As Condições do Ijtihād
5.2 The Conditions Of Ijtihād
Ijtihād foi definido como o empenho de esforço na busca da opinião (preponderante) sobre uma questão dentre as regras da Sharī'ah, de tal modo que o mujtahid sinta-se incapaz de empregar mais esforço, isto é, é a compreensão do texto da Sharī'ah, proveniente do Alcorão e da Sunnah, após empregar o máximo de seu esforço para alcançar essa compreensão, a fim de obter conhecimento da regra da Sharī'ah. Isso significa que três questões precisam ser cumpridas na inferência (istinbāṭ) da regra da Sharī'ah até que se possa dizer que ele realizou a inferência com um Ijtihād legítimo; ou seja, três questões devem ser atendidas até que a ação possa ser chamada de Ijtihād: Primeiro, empregar esforço de tal modo que sinta não ser capaz de empregar mais. Segundo, esse esforço deve ser na busca de uma opinião preponderante sobre uma questão dentre as regras da Sharī'ah. E terceiro, essa opinião sobre uma questão deve ser proveniente dos textos da Sharī'ah, pois buscar algo dentre as regras da Sharī'ah não é possível se não for dos textos da Sharī'ah, e isso ocorre porque o ḥukm Sharʿī é o endereçamento do Legislador referente às ações dos servos. Isso significa que quem não emprega esforço não é considerado um mujtahid. E quem emprega esforço buscando a opinião (preponderante) em algo diferente das regras da Sharī'ah, a partir de disciplinas e pontos de vista, não é considerado um mujtahid. E quem busca uma opinião dentre as regras da Sharī'ah a partir de algo diferente dos textos da Sharī'ah não é considerado um mujtahid. Assim, o mujtahid se restringe àquilo em que empenha seu máximo esforço na compreensão dos textos da Sharī'ah, a fim de conhecer o ḥukm de Allah. Qualquer outra coisa, no que diz respeito aos ʿUlamāʾ que explicam as palavras do imam de sua madhhab (escola de pensamento), procuram compreender suas palavras e deduzir decisões a partir delas, ou dão preferência à opinião de alguns ʿUlamāʾ sobre a opinião de outros sem o meio das evidências da Sharī'ah etc., nenhum deles é considerado mujtahid segundo esta definição. A ordem do Ijtihād restringe-se à compreensão dos textos da Sharī'ah, após empregar o máximo esforço no caminho para alcançar essa compreensão, a fim de conhecer o ḥukm de Allah. Assim, os textos da Sharī'ah são o objeto da compreensão, e são eles o objeto da busca pela opinião sobre uma coisa a partir das regras da Sharī'ah.
Ijtihād has been defined as the expenditure of effort, seeking the (preponderate) opinion about a thing from the Sharī’ah rules in a manner in which the mujtahid feels unable to exert any more i.e, it is the comprehension of the Sharī’ah text from the Qur’ān and the Sunnah after exerting ones outmost in arriving at this comprehension in order to gain cognizance of the Sharī’ah rule. This means three issues need to be fulfilled in the inference (istinbat) of the Sharī’ah rule until it can be said he has made the inference with a legitimate Ijtihād that is, three issues have to be met until the action can be called an Ijtihād: First, exerting effort in a manner he feels himself unable to exert any more. Second, this exertion should be in search for a preponderate opinion about an issue from the Sharī’ah rules. And third, this opinion about an issue should be from the Sharī’ah texts because seeking a thing from the Sharī’ah rules is not possible if it is not from the Sharī’ah texts and that is because the hukm Shar’i is the address of the Legislator regarding the actions of the servants. This means the one who does not exert effort he is not considered a mujtahid. And whoever exerts effort seeking the (preponderate) opinion in other than the Sharī’ah rules from disciplines and views, he is not considered a mujtahid. And whoever seeks an opinion from the Sharī’ah rules from other than the Sharī’ah texts he is not considered a mujtahid. So the mujtahid is restricted in what he exerts his utmost effort in understanding the Sharī’ah texts on order to know the hukm of Allah . Anything other than that in terms of the Ulama; who explain the sayings of the imam of their mazhab (school of thought), attempt to comprehend his sayings and deduce rulings from it, or outweigh the opinion of some Ulama over the opinion of others without the medium of the Sharī’ah evidences etc, None of them are considered mujtahids according to this definition. The order of Ijtihād is restricted to the comprehension of the Sharī’ah texts after exerting the utmost effort in the path of arriving at this comprehension in order to know the hukm of Allah . So the Sharī’ah texts are the object of comprehension and they are the object of seeking the opinion about a thing from the Sharī’ah rules.
É preciso deixar claro que os textos da Sharīʻah são o Alcorão e a Sunnah, e nenhum outro. Qualquer outro texto não é considerado texto da Sharīʻah, qualquer que seja a posição de quem o disse. Assim, as palavras de Abu Bakr, ʻUmar, ʻAli ou de qualquer outro dos Sahabah não são considerados textos da Sharīʻah de forma alguma. Do mesmo modo, as declarações dos Mujtahidin, como Ja'far, al-Shafiʻi, Malik e outros Mujtahidin, não são de modo algum considerados textos da Sharīʻah. Assim, empenhar esforço na dedução de uma regra a partir das declarações dessas pessoas, ou de qualquer outro ser humano, quem quer que seja, não é considerado Ijtihād. Antes, é considerado a opinião da própria pessoa que fez a inferência, e não tem valor algum na Sharīʻah. Sem mencionar que a dedução de um ḥukm a partir da declaração de qualquer indivíduo dentre os Sahabah, Tabiʻīn, Mujtahidin e outros não é permitida pela Sharīʻah, pois se trata de uma inferência de uma regra da Sharīʻah a partir de uma fonte que não é o Alcorão e a Sunnah. Isto é harām na Sharīʻah, porque é julgar por outro que não aquilo que Allah revelou. E, como o que Allah revelou se restringe ao Kitāb e à Sunnah, qualquer coisa além do Alcorão e da Sunnah não faz parte da revelação de Allah. Portanto, adotar um ḥukm a partir disso não é senão adotar algo que Allah não revelou. E um ḥukm que não está de acordo com o que Allah revelou é, com certeza, harām.
What should be clear is that the Sharī’ah texts are the Quran and the Sunnah and none other. Any other text is not considered a Sharī’ah text whatever the status of the one who said it. So the sayings of Abu Bakr , ‘Umar , Ali or any other from the Sahabah are not considered as Sharī’ah texts in any way whatsoever. Likewise the statements of Mujtahidin such as Ja’far, al Shafi’i, Malik and other Mujtahidin are not considered Sharī’ah texts at all. So exerting effort in deducing a rule, from the statements of those people or any other human being whoever they may be is not considered Ijtihād. Rather it is considered as the opinion of the person himself who made the inference and it has no value in the Sharī’ah. Not to mention that the deduction of a hukm from the saying of any individual from the Sahabah, Tabi’een, Mujtahidin and others is not allowed by the Sharī’ah since it is an inference of a Sharī’ah rule from a source other than the Qur’ān and Sunnah. This is harām in the Sharī’ah because it is judging by other than what Allah has revealed. And because what Allah has revealed is restricted to the Kitab and Sunnah, any thing other than the Qur’ān and Sunnah is not from Allah’s revelation. So adopting a hukm from it is nothing more than adopting something Allah has not revealed. And a hukm which is not according to what Allah has revealed is definitely harām.
O Alcorão e a Sunnah estão em língua árabe. O Kitab e a Sunnah foram revelados por Allah, seja na expressão e no significado, como o Alcorão, seja apenas no significado. O Mensageiro ﷺ expressou esse significado com as suas próprias palavras, que são o hadith. Em qualquer caso, ambos (ou seja, o Alcorão e a Sunnah) estão na língua árabe em que o Mensageiro de Allah ﷺ falava. Essa fala tem apenas um significado linguístico, como a palavra "mutrafin" (os opulentos), ou tem apenas um significado na Sharī'ah, caso em que o significado linguístico é esquecido, como acontece com a palavra "gha'it", ou tem um significado linguístico e também um significado na Sharī'ah, como a palavra "tahara" nos exemplos de "tahhara" (purificar) e "mutahhirun" (os purificados). Assim, para compreendê-la, é preciso recorrer às disciplinas linguísticas e às disciplinas da Sharī'ah, até que seja possível entender o texto e chegar à compreensão do ḥukm de Allah. Consequentemente, todas as condições do Ijtihād giram em torno dessas duas coisas, que são: a disponibilidade das disciplinas linguísticas e das disciplinas da Sharī'ah. Desde o alvorecer do Islam até ao fim do segundo século da Hijra, os muçulmanos não precisaram de princípios específicos para compreender os textos da Sharī'ah, nem do ponto de vista linguístico nem do ponto de vista da Sharī'ah, e isso se devia à proximidade do seu tempo com o Mensageiro de Allah ﷺ e ao facto de a sua única preocupação na vida ser a religião. Isso devia-se também à solidez da sua disposição linguística e à pureza da sua língua. Por isso, não havia condições conhecidas para o Ijtihād. Mas o Ijtihād, como questão, era bem conhecido, e os mujtahidin podiam ser contados aos milhares. Todos os Sahabah eram mujtahidin, e quase todos os governantes, walis e juízes eram dos mujtahidin. No entanto, à medida que a língua árabe se corrompeu, foram estabelecidos princípios específicos para a retificar. E quando as pessoas se ocuparam com a dunya, diminuiu o número dos que se dedicavam ao estudo do dīn, e espalhou-se amplamente a mentira na atribuição de ahadīth à língua do Mensageiro ﷺ, então foram estabelecidos os princípios do naskh e do mansūkh (abrogação), os princípios para a aceitação ou rejeição dos ahadīth, e os fundamentos para compreender o modo de deduzir a regra a partir do āyah e do hadīth. Quando tudo isso aconteceu, diminuiu o número de mujtahidūn, e o mujtahid passou a proceder em seu ijtihād segundo princípios específicos, por meio dos quais chegava a inferências específicas que diferiam dos princípios de outros. E esses princípios foram estabelecidos ou pela grande prática na dedução de regras a partir dos textos, como se tivessem sido fixados para que ele procedesse apenas segundo um único caminho, ou porque ele seguia certos princípios e depois passou a deduzir (regras) conforme eles. Isso resultou em o mujtahid exercer o ijtihād segundo uma metodologia específica na compreensão dos textos da Sharī'ah e na adoção da regra da Sharī'ah a partir desses textos. E alguns mujtahidūn passaram a imitar uma pessoa em seu método de ijtihād, mas não a imitaram nas regras; deduziram as regras por si mesmos, segundo a metodologia daquela pessoa. E alguns muçulmanos tornaram-se bem versados em determinado assunto das disciplinas da Sharī'ah e esforçaram-se em buscar uma opinião sobre as regras da Sharī'ah em questões específicas que lhes eram apresentadas, e não em todas as questões. Na realidade, devido a isso encontramos três tipos de mujtahidūn entre os muçulmanos: o mujtahid mutlaq (aquele que pratica o ijtihād absoluto), o mujtahid madhhab (mujtahid dentro de uma escola de pensamento) e o mujtahid mas'ala (mujtahid em uma única questão).
Quanto ao mujtahid de mazhab, ele é aquele que segue outros mujtahids em sua metodologia de ijtihad; contudo, ele exerce ijtihad nos ahkam, mas não imita o imam de sua escola. Não há condições para o mujtahid de mazhab, exceto ter conhecimento das regras e das evidências do mazhab, e ele pode seguir as regras do mazhab ou discordar delas com sua própria opinião dentro do mesmo mazhab. Por causa disso, é permitido que quem segue um mazhab exerça ijtihad dentro desse mazhab e discorde do imam do mazhab em algumas regras e questões, caso uma evidência lhe pareça mais forte. Foi relatado a respeito dos imams que costumavam dizer:
As for the mujtahid mazhab he is someone who follows other Mujtahiddin in their methodology of Ijtihād, however he exercises Ijtihād in ahkām but does not imitate the imam of his school. There are no conditions for the mujtahid mazhab except having knowledge of the rules and evidences of the mazhab and he is allowed to follow the rules of the mazhab or disagree with them with his own opinion within the same mazhab. Due to this, it is allowed for the one who follows a mazhab to exercise Ijtihād within this mazhab and disagree with the imam of the mazhab in some rules and issues if an evidence appears to him to be stronger. It has been reported about the imams that they used to say
Se um hadith for considerado autêntico, então esse é o meu madhhab, e descartem a minha opinião na parede.
If a hadīth is found to be authentic, then that is my mazhab and discard my saying at the wall’
Um dos exemplos mais claros disso é o do imam Ghazali, que seguia o madhhab de Shafi'i, mas teve ijtihads dentro do madhhab de Shafi'i que contradiziam os ijtihads do próprio al-Shafi'i. O segundo é a questão do mujtahid. Ele não tem condições ou método específicos. No entanto, é permitido a quem tenha conhecimento de parte da Shari'ah e das disciplinas linguísticas, o que lhe possibilita compreender os textos da Shari'ah, exercer ijtihad numa única questão. Assim, é permitido a ele, numa única questão, estudar as opiniões e as evidências dos mujtahidin, e o seu raciocínio, e a partir disso pode chegar a uma compreensão específica do hukm shar'i, que presume, com a menor dose de dúvida, ser o hukm shar'i, quer concorde com a opinião dos Mujtahidin, quer discorde dela. Numa única questão, é permitido a ele estudar as evidências da Shari'ah e compreender delas o que considera, com a menor dose de dúvida, ser o hukm shar'i, quer esta questão tenha sido previamente estudada pelos Mujtahidin, quer não. Basta ao mujtahid, numa única questão, conhecer tudo o que se relaciona a essa questão, e é essencial que tenha consciência disso, mas não há mal algum se ele desconhecer questões não relacionadas a ela, das matérias de Usul e fiqh (jurisprudência).
One of the clearest examples for this is that of imam Ghazali who was a follower of the Shafi’i mazhab, but he had Ijtihāds in the mazhab of Shafi’i which contradicted the Ijtihāds of al-Shafi’i himself. The second is the mujtahid mas’ala. He has no specific conditions or method. However, it is allowed for whoever has knowledge of some of the Sharī’ah and linguistic disciples which enables him to understand the Sharī’ah texts, to exercise Ijtihād in a single issue. So it is allowed for him, in a single issue, to study the views and evidences of mujtahiddin, and their line of reasoning and from that he can reach a specific understanding of the hukm Shar’i which he presumes with the least amount of doubt to be the hukm Shar’i whether it agrees with the opinion of the Mujtahiddin or disagrees with it. In a single issue it is allowed for him to study the Sharī’ah evidences and understand from it what he deems with least amount of doubt to be the hukm Shar’i whether this issue has been previously studied by the Mujtahiddin or not. It suffices for the mujtahid in a single issue to be knowledgable about whatever relates to that issue, and it is essential that he is cognizant of that, but there is no harm if he is unaware of issues not related to it, from matters related to Usul and fiqh (jurispudence).
Além do estado de coisas que ocorreu nos dias dos Sahabah e dos Tabi'een, e do que aconteceu depois dos madhhabs e dos imames, houve pessoas que costumavam compreender os textos da Sharī'ah e deduzir deles regras diretamente, sem quaisquer condições, como era o caso no tempo dos Sahabah. Houve pessoas que continuaram como seguidores de um madhhab específico, mas que tinham ijtihāds que contrariavam a opinião do seu imam. Assim, a realidade do que aconteceu significou que o madhhab mujtahid e a questão mujtahid tiveram de facto uma presença. Isto é em termos da realidade do que aconteceu. Quanto ao ijtihād em si, ele pode ser dividido em partes. É possível, portanto, que alguém seja mujtahid em alguns textos e não em outros. Quanto à opinião de algumas pessoas que dizem que a capacidade para o ijtihād se obtém quando a pessoa conhece todas as disciplinas reconhecidas, não há base para esta definição e ela não está de acordo com a realidade, pois uma pessoa pode adquirir a capacidade mas não ser mujtahid, porque não se impôs a dificuldade de estudar a questão, uma vez que a aptidão (malaka) denota a força de compreensão e de ligação. Esta pode ser obtida por alguém excepcionalmente inteligente, com algum conhecimento das disciplinas linguísticas e da Sharī'ah, e não precisa de abranger todas as disciplinas linguísticas e da Sharī'ah. A compreensão das disciplinas da Sharī'ah e da linguística pode estar presente como conhecimento, devido ao estudo e à instrução, mas a aptidão (malaka) pode não estar presente neste estudioso por causa da ausência de pensamento. No entanto, o ijtihād é um processo tangível com resultados tangíveis, que é o esforço praticado para chegar a um hukm. Quanto à presença da aptidão, esta não é designada como ijtihād. Assim, uma pessoa é capaz de realizar ijtihād em algumas questões e não em outras. Pode ser capaz de fazer ijtihād nos ramos (furu') mas não noutras áreas. Portanto, fica claro que o Ijtihād se divide em partes, mas essa divisão do Ijtihād não significa que o Ijtihād seja divisível no sentido de que um mujtahid seja capaz de exercer o Ijtihād em algumas áreas do fiqh islâmico, mas não em outras. Antes, o sentido de dividir o Ijtihād é a possibilidade de compreender algumas evidências devido à sua clareza e à ausência de ambiguidade. E a incapacidade de compreender as evidências deve-se à sua profundidade e complexidade e à presença de diversas evidências que parecem contraditórias. Isso pode acontecer nos princípios fundamentais (qawā'id usūliyya) ou nas regras da Sharī'ah. Assim, a divisão do Ijtihād diz respeito à capacidade de deduzir, e não às áreas temáticas da jurisprudência (fiqh).
"E tomai como testemunhas duas pessoas justas dentre vós (muçulmanos)" [TMQ Talaaq: 2]
“And take for witness two just persons from among you (Muslims)” [TMQ Talaaq: 2]
E Ele disse:
And He said:
"Então tome o testemunho de dois homens justos do seu povo ou de dois outros de fora" [TMQ Mā’idah: 106]
“Then take the testimony of two just men of your folk or two others from outside” [TMQ Mā’idah: 106]
Ambas as āyāt tratam do testemunho. A primeira estabelece que as testemunhas devem ser dentre os muçulmanos. A segunda estabelece que elas devem ser dentre os muçulmanos e dentre os não muçulmanos. Ou seja, a primeira āyah estipula que a testemunha seja muçulmana, enquanto a última permite que a testemunha seja não muçulmana. É essencial saber a forma como elas são conciliadas, isto é, é essencial saber que a primeira āyah é irrestrita (mutlaq) no que diz respeito ao testemunho, e a segunda restringe (muqayyad) o testemunho de legados (wasiyya) em viagens. Deve-se saber que a segunda āyah permite o testemunho de não muçulmanos no momento do legado e casos semelhantes em transações comerciais. É com maior razão que isso deve ser assim em outras coisas. Além disso, essas duas āyāt indicam que a evidência deve vir de duas testemunhas justas. Isso é corroborado por outra āyah, que é o dito de Allah:
Both ayāt are about giving testimony. The first states that the witnesses should be from the Muslims. The second states that they should be from Muslims and from non-muslims. i.e, the first ayah stipulates that the witness be a Muslim while the latter permits the witness to be a non muslim. It is essential to know the way in which they are reconciled that is, it is essential to know that the first ayah is unrestricted (mutlaq) with regards to testimony and the second restricts (muqayyad) the testimony of bequests (wasiyya) on journeys. It must be known that the second ayah permits the testimony of non-muslims at the time of the bequest and the like in terms of commercial transactions. It is by greater reason that this should be the case in other things. As well, those two verses indicate that the evidence should be (from) two just witnesses. It is supported by another ayah which is the saying of Allah :
"E tomem duas testemunhas dentre os vossos homens. E se não houver dois homens, então um homem e duas mulheres" [TMQ Baqarah: 282]
“And get two witnesses out of your own men. And if there are not two men (available), then a man and two women” [TMQ Baqarah: 282]
Como isso se encaixa com o que foi estabelecido no Sahih (de Bukhari) sobre o Profeta ﷺ, de que ele aceitou o testemunho de uma única mulher em relação à amamentação (rada'a)? E que ele aceitou o testemunho de uma única testemunha com o juramento do demandante? Narrado por Ibn 'Abbas:
How does that fit in with what has been established in the Sahih (of Bukhari) about the Prophet that he accepted the testimony of one woman in regard to fosterage (rada’a)? And that he accepted the testimony of a single witness with an oath of the plaintiff? Narrated by Ibn ‘Abbas:
Que o Mensageiro de Allah ﷺ proferiu julgamento com base em um juramento juntamente com uma única testemunha
“That the Messenger of Allah pronounced judgement on the basis of an oath along with a single witness”
Em outro Hadith narrado por Jabir
In another Hadith which is narrated by Jabir
"Que o Profeta ﷺ proferiu julgamento com base em um juramento juntamente com uma única testemunha" [Reported by Tirmizi]
‘That the Prophet pronounced Judgement on the basis of an oath along with a single witness” [Reported by Tirmizi]
Foi narrado por Amir al-Mu’minin ‘Ali ibn Abi Talib:
It is narrated by Amir al-Mu’minin ‘Ali ibn Abi Talib:
“Que o Profeta ﷺ proferiu julgamento com base no testemunho de uma única testemunha e no juramento do demandante (sahib al-Haqq)” [Reported by Sunan Bayhaqi]
“That the Prophet passed judgement on the basis of a testimony of a single witness and an oath of the plaintiff (sahib al-Haqq)” [Reported by Sunan Bayhaqi]
Parece haver uma contradição entre as evidências. No entanto, o mujtahid que examina a questão conclui que o que a ayah e os ahadith mencionam é o número mais completo no testemunho. Se o número completo não for atingido, isso não significa que qualquer outro número não seja aceito, pois o nisab (número) diz respeito à assunção da responsabilidade do testemunho. Quanto ao cumprimento do dever do juiz e à sua decisão, o número de testemunhas não foi estipulado, mas o que foi estipulado é a prova, que é aquilo que demonstrará a verdade, mesmo pelo testemunho de uma única mulher ou de um único homem, juntamente com o juramento do autor da ação (sahib al-haqq). Contudo, se o texto da Sharī'ah tiver vindo especificando o número de testemunhas, como no testemunho sobre a fornicação, então ele fica restrito pelo texto. Além disso, o Profeta ﷺ rejeitou os Mushrikin na batalha de Uhud. Ele não os aceitou para participar com os muçulmanos na batalha. Ele disse:
It seems that there is a contradiction between the evidences. However the mujtahid who scrutinises the issue finds that what the ayah and the ahadith mention is the most complete number in testimony. If the complete number is not met it does not mean any other number is not accepted, since the nisab (number) concerns taking up the responsibility of testimony. As for the judge’s discharging of his duty and ruling, the number of witnesses has not been stipulated but what is stipulated is the proof, which is whatever will demonstrate the truth even by the testimony of a single woman or single man along with the oath of the plaintiff (sahib al-haqq). However, if the Sharī’ah text has come specifying the number of witnesses as in the testimony for fornication, then it is restricted by the text. Also, the Prophet rejected the Mushrikin at the battle of Uhud. He did not accept them to participate with the Muslims in the battle. He said:
"Não buscamos a ajuda dos descrentes" [Musnad Ahmad]
“We do not seek the help of the disbelievers” [Musnad Ahmad]
Mas ele aceitou a ajuda dos mushrikin em Hunayn. Como essas duas evidências devem ser conciliadas? O mujtahid deve saber que o Mensageiro ﷺ não aceitou a ajuda dos mushrikin em Uhud e recusou pedir a ajuda deles porque queriam lutar sob sua própria bandeira, já que vieram se distinguindo por ela. Portanto, sua recusa tem uma 'illah (razão), que é que eles lutavam sob sua própria bandeira e estado. Ele aceitou e buscou a ajuda deles em Hunayn porque eles lutaram sob a bandeira do Mensageiro ﷺ. A 'illah de recusar pedir ajuda a eles está ausente, portanto pedir ajuda é permitido. Com este esclarecimento e outros exemplos semelhantes, o conflito entre as evidências desaparece.
But he accepted the help of the Mushrikin at Hunayn. How are those two evidences to be reconciled? The mujtahid should know that the Messenger did not accept the Mushrikin at Uhud and refused to seek their help because they wished to fight under their own banner since they came distinguishing themselves with it. So his refusal has an ‘illah (reason), which is that they were fighting under their own banner and state. He accepted and sought their help in Hunayn because they fought under the banner of the Messenger . The ‘illah of refusing to seek help from them is absent so seeking help is allowed. And with this clarification and other such examples the conflict of evidences cease.
Portanto, a capacidade de compreender as evidências textuais e de compará-las é uma condição básica. Consequentemente, o mujtahid mutlaq deve ser conhecedor do discernimento das regras da Sharī‘ah e de suas divisões, dos modos de estabelecê-las, dos aspectos de suas implicações textuais a partir de seus significados (wujūh dalālatihā ʿalā madlūlātihā), das diferenças de níveis e das condições reconhecidas. E deve conhecer os ângulos de preponderância entre elas quando se contradizem. Isso o obriga a estar familiarizado com os transmissores (ruwwāh), os métodos de invalidação e de atestação (jarḥ wa taʿdīl), e deve estar a par das causas da revelação (asbāb al-nuzūl) e da abrogação (nāsikh wa mansūkh) nos textos.
So the ability to comprehend the textual evidences and to compare them is a basic condition. Consequently, the mujtahid mutlaq must be conversant with discernment of the Sharī’ah rules and their divisions, ways of establishing them, aspects of their textual implications from their meanings (wujuh dalālatiha ala madlulatiha,) difference of levels and recognised conditions. And he must know the angles of outweighing them when they contradict. This obliges him to be acquainted with transmitters (ruwwa), methods of invalidation and attestation (jarh wa ta’dīl), and he should be familiar with the causes of revelation (asbab nuzul) and abrogation (nasikh wa mansukh) in the texts.
Quanto a conhecer os aspectos da implicação textual (dalāla al-lafẓ), isso exige conhecimento da língua árabe. Por meio do conhecimento do árabe, a pessoa consegue saber o sentido das expressões, os aspectos de sua eloquência e de suas implicações, e também conhecer a divergência existente sobre uma mesma palavra, até que ela seja remetida a narradores confiáveis e ao que dizem os lexicógrafos e filólogos a seu respeito. Não basta saber, pelo dicionário, que qur’ indica um estado de pureza e de menstruação, ou que nikāh denota a relação sexual e o contrato de casamento. Ele deve ter um conhecimento geral da língua árabe quanto à gramática, à flexão, à retórica, às expressões idiomáticas etc. Isso lhe permitirá estudar a conotação de uma expressão isolada e de uma frase segundo a língua dos árabes e o uso dos povos de eloquência, o que lhe possibilitará consultar os livros sobre a língua árabe e compreender deles o que precisa compreender. Contudo, isso não significa que ele deva ser um mujtahid nos ramos da língua. Não se exige que ele seja proficiente na língua como al-Aṣmaʿī, nem proficiente na gramática como Sibawayh. Basta que conheça o estilo linguístico, de modo que possa distinguir entre as indicações das expressões (dalāla al-alfāẓ), das frases e de seu estilo, tais como mutābaqa (correspondência/harmonia), tadmīn (implicação), ḥaqīqa (sentido literal), majāz (sentido metafórico), kināya (metonímia), mushtarak (homônimo), mutarādif (sinônimo) etc. Em suma, o nível do ijtihād absoluto (ijtihād muṭlaq) não pode ser alcançado senão por quem possui dois atributos: primeiro, a compreensão dos objetivos (maqāṣid) da Sharīʿa, por meio do entendimento das evidências textuais. Segundo, a compreensão da língua árabe e da conotação de suas expressões, frases e estilos. Por meio disso, é possível deduzir as decisões legais com base em sua compreensão. Ser um mujtahid não significa que ele deva abranger todos os textos e ser capaz de deduzir qualquer hukm, pois o mujtahid mutlaq pode ser mujtahid em muitas questões, chegando ao nível do ijtihād absoluto. E, mesmo que ele desconheça algumas questões externas a essa área, não é condição do mujtahid mutlaq que ele tenha conhecimento de todas as questões, de todas as regras das questões e de seu discernimento. Consequentemente, a existência de um mujtahid mutlaq não é algo difícil; ao contrário, é possível e viável para quem for verdadeiramente determinado. O nível de mujtahid de mas'ala é algo ao alcance de todos, após o aprendizado do essencial das disciplinas linguísticas e da Sharī'ah.