Al-Baqarah (Pior Que o Assassinato) 215 - 220
Al-Baqarah ( Worse Than Murder) 215 - 220
Perguntam-te o que devem gastar [em caridade]. Diz: "O bem que gastarem da vossa riqueza deve ir para os pais, para os parentes próximos, para os órfãos, para os necessitados e para o viajante em necessidade. Deus está bem ciente de qualquer bem que façais."
They ask you what they should spend [in charity]. Say, ‘Anything good you spend of your wealth should go to parents and the near of kin, to orphans and the needy, and to travellers in need. God is well aware of whatever good you do.’ (215)
Foi-vos prescrito o combate, embora vos seja detestável. Pode ser que detesteis algo que é bom para vós, e pode ser que aprecieis algo que é mau para vós. Deus sabe, e vós não sabeis. (216)
Fighting is ordained for you, even though it is hateful to you. But it may well be that you hate a thing while it is good for you, and it may well be that you love a thing while it is bad for you. God knows, whereas you do not know. (216)
Perguntam-te sobre combater no mês sagrado. Diz: "Combater nele é uma grave ofensa, mas afastar as pessoas do caminho de Deus, descrer Nele e na Mesquita Sagrada, e expulsar dela os seus habitantes — [tudo isto] é muito mais grave aos olhos de Deus." A perseguição religiosa é pior do que matar. Não cessarão de combater-vos até que vos façam renunciar à vossa fé, se puderem. Mas quem de entre vós renunciar à sua fé e morrer descrente, as suas obras serão anuladas neste mundo e no Além. Essas pessoas são destinadas ao fogo, onde permanecerão para sempre. (217)
They ask you about fighting in the sacred month. Say, ‘Fighting in it is a grave offence, but to turn people away from God’s path, to disbelieve in Him and in the Sacred Mosque, and to expel its people from it — [all this] is far more grave in God’s sight.’ Religious persecution is worse than killing. They shall not cease to fight you until they force you to renounce your faith, if they can. But whoever of you renounces his faith and dies an unbeliever, his works shall come to nothing in this world and in the world to come. Such people are destined for hell, wherein they shall abide. (217)
Aqueles que creram e aqueles que abandonaram a sua terra natal e se esforçaram com afinco pela causa de Deus são, de fato, os que podem almejar a misericórdia de Deus.
Those who have believed and those who have forsaken their homeland and striven hard for God’s cause are indeed the ones who may look forward to God’s mercy.
Deus é muito Perdoador, Misericordioso. (218)
God is much-Forgiving, Merciful. (218)
Eles te perguntam sobre bebidas intoxicantes e jogos de azar. Diga: "Em ambos há grande mal, embora tenham alguns benefícios para as pessoas, mas o seu mal é muito maior do que o seu benefício." Eles te perguntam o que devem gastar em caridade; diga: "O que puderem dispensar." Assim Deus esclarece Seus versículos para que possais refletir. {(219)}
They ask you about intoxicants and games of chance. Say, ‘In both there is great evil although they have some benefits for people, but their evil is far greater than their benefit.’ They ask you what they should spend in charity; say, ‘Whatever you can spare.’ Thus God makes plain His revelations so that you may reflect (219)
…neste mundo e na vida futura. Eles te perguntam sobre os órfãos; diga: "Melhorar a condição deles é o melhor. Se misturardes os seus assuntos com os vossos, lembrai que eles são vossos irmãos. Deus conhece quem corrompe e quem melhora. Se Deus quisesse, certamente vos teria sobrecarregado. Deus é, de fato, Poderoso, Sábio." (220)
upon this life and the life to come. They ask you about orphans; say, ‘To improve their conditions is best. If you mix their affairs with yours, remember that they are your brothers. God knows him who spoils things and him who improves. Had God so willed, He would indeed have overburdened you. God is indeed Almighty, Wise.’ (220)
Visão geral
Overview
O aspecto mais notável da passagem seguinte é que ela trata de decisões religiosas específicas. Estas surgem sob a forma de respostas a perguntas, o que reflete um grau de atenção na comunidade muçulmana e um desejo ardente de conhecer e compreender as exigências e obrigações de sua nova fé. Mostra o desejo deles de estar à altura das exigências do Islã em todos os aspectos da vida cotidiana. Essa é, de fato, a marca de um verdadeiro muçulmano: aprender as decisões islâmicas com respeito a cada detalhe, por mais trivial que seja. Nenhuma ação é realizada antes de se estabelecer a posição do Islã a respeito dela: se for sancionada e aprovada, torna-se parte do modo de vida do muçulmano; caso contrário, é rejeitada e evitada. Essa sensibilidade é algo natural para todo verdadeiro muçulmano.
The most notable feature of the next passage is that it deals with specific religious rulings. These come in the form of answers to questions, reflecting a degree of alertness in the Muslim community, and an eagerness to know and understand the requirements and obligations of their new faith. It shows a desire on their part to live up to the demands of Islam in every aspect of everyday life. This is indeed the mark of a true Muslim: to learn Islamic rulings with respect to every detail, no matter how trivial. No action is taken before establishing the position of Islam on it: if sanctioned and approved, it becomes part of a Muslim’s way of life; otherwise, it is shunned and avoided. This sensitivity is second nature to every true Muslim.
Foram levantadas questões em consequência da propaganda hostil espalhada por alguns judeus árabes, hipócritas e descrentes entre os árabes. Os muçulmanos apresentavam então essas questões ao Profeta Muhammad ﷺ, seja para buscar esclarecimento, seja para dissipar as dúvidas suscitadas por essa propaganda venenosa. A revelação era frequentemente recebida pelo Profeta ﷺ, trazendo respostas abrangentes e definitivas. Esse processo informa e educa os muçulmanos sobre a sua religião e antecipa quaisquer esquemas ou planos hostis que estivessem sendo arquitetados contra eles.
Questions were raised as a result of hostile propaganda spread by some Arabian Jews, hypocrites, and unbelievers among the Arabs. Muslims would then put those questions to the Prophet Muĥammad, either to seek clarification or to dispel doubts stirred by that poisonous propaganda. Revelation would often be received by the Prophet giving comprehensive and final answers. This process informs and educates the Muslims about their religion and pre-empts any hostile schemes or designs being contemplated against them.
Isso ilustra a dinâmica das batalhas que o Alcorão travava para iluminar os muçulmanos individuais e para fortalecer a comunidade muçulmana no combate às ameaças externas.
This illustrates the dynamics of the battles the Qur’ān was fighting to enlighten individual Muslims and to reinforce the Muslim community in combating outside threats.
Equilibrando a Gentileza e as Preferências Pessoais
Balancing Kindness And Personal Preferences
Perguntam-te o que devem gastar [em caridade]. Dize: "Tudo o que gastardes do vosso bem deve ir para os pais, para os parentes próximos, para os órfãos, para os necessitados e para os viajantes em dificuldade. Deus tem pleno conhecimento de qualquer bem que façais."
They ask you what they should spend [in charity]. Say, Anything good you spend of your wealth should go to parents and the near of kin, to orphans and the needy, and to travellers in need. God is well aware of whatever good you do. (Verse 215)
O tema da caridade já havia sido tratado em várias passagens do Alcorão que precederam a revelação do presente versículo. As circunstâncias que testemunharam o nascimento do Islã tornaram as contribuições financeiras voluntárias dos muçulmanos absolutamente essenciais para que a comunidade surgisse e consolidasse sua posição, considerando as grandes dificuldades e a ameaça de guerra que ela enfrentava. Também era essencial como expressão de solidariedade e coesão dentro da comunidade, e para eliminar a desigualdade e reforçar a lealdade e a autossuficiência. Todas essas são qualidades indispensáveis para construir um verdadeiro e prático senso de comunidade entre os muçulmanos.
The subject of charity had already been dealt with in several Qur’ānic passages that preceded the revelation of the present verse. The circumstances that witnessed the birth of Islam made voluntary financial contributions by Muslims absolutely essential in order for the community to emerge and consolidate its position, considering the great difficulties and threat of war it was facing. It was also essential as an expression of solidarity and cohesion within the community, and to eliminate inequality and reinforce loyalty and self-sufficiency. All these are indispensable qualities for building up a true and practical sense of community among the Muslims.
Neste ponto somos informados de que alguns muçulmanos perguntaram "o que devem gastar [em caridade]". (Versículo 215) A pergunta diz respeito ao tipo de dinheiro que os muçulmanos podem dar em caridade. A resposta fala sobre a natureza do gasto caritativo e define os beneficiários mais importantes. A formulação da resposta, "Dizei: 'Tudo o que gastardes de bom dos vossos bens'", indica, em primeiro lugar, que aquilo que é dado em caridade é bom para quem dá, para quem recebe e para a comunidade como um todo. É bom em si mesmo e é feito por boas razões. Também implica que as pessoas devem dar do melhor que possuem e compartilhá-lo com os outros. Além de beneficiar os necessitados, isso purificaria o coração e a alma do doador e daria à caridade e ao altruísmo um significado verdadeiro.
At this point we are told that some Muslims asked “what they should spend [in charily].” (Verse 215) The question is about the type of money Muslims may give in charity. The reply speaks of the nature of charitable spending and defines the most important beneficiaries. The phraseology of the answer, “Say, ‘Anything good you spend of your wealth,’“ indicates, first of all, that whatever is given in charity is good for the donor, the recipient and the community as a whole. It is good in itself and it is done for good reasons. It also implies that people should give from the best of what they have and share it with others. As well as benefitting the needy, this would purify the donor’s heart and soul and give charity and altruism real meaning.
O Que Podemos Amar
What Things We May Love
O próximo versículo trata do dever de pegar em armas por uma causa legítima:
The next verse deals with the duty of taking up arms for a legitimate cause:
“Foi-vos prescrito o combate, ainda que vos seja odioso. Mas pode ser que odeieis algo que é bom para vós, e pode ser que ameis algo que é mau para vós. Deus sabe, e vós não sabeis.” (Versículo 216)
“Fighting is ordained for you, even though it is hateful to you. But it may well be that you hate a thing while it is good for you, and it may well be that you love a thing while it is bad for you. God knows, whereas you do not know.” (Verse 216)
Pegar em armas em apoio a uma causa abençoada por Deus é um dever exigente, mas, ainda assim, necessário, pois serve ao bem dos indivíduos e das comunidades muçulmanas, bem como ao de toda a humanidade. Também sustenta aquilo que é bom e correto.
To take up arms in support of a cause blessed by God is a demanding duty, but is nevertheless necessary because it serves the good of Muslim individuals and communities as well as that of mankind as a whole. It also underpins what is good and right.
Assim como em todas as obrigações que prescreve, o Islã leva em conta os limites da natureza humana. No caso da guerra, ele não reconhece apenas os esforços e os sacrifícios que ela exige, mas também a relutância instintiva do homem em travá-la. O Islã não nega, não contradiz nem suprime a natureza humana, mas busca sempre uma abordagem adequada para lidar com as questões que propõe. Ele admite claramente que certas obrigações nesta vida são exigentes, pouco atraentes ou até detestáveis, mas ao mesmo tempo indica que há uma causa maior a ser servida ao cumpri-las, que pode não ser prontamente evidente para a mente humana, finita como ela é. Isso abre novos caminhos de esperança e realização. Pois ninguém pode saber com certeza se não há algum bem imprevisto além de um mal iminente. Somente Deus, o onisciente, conhece o desfecho futuro das ações presentes, e o homem não pode sequer fingir possuir tal privilégio.
As with all the obligations it prescribes, Islam takes into account the limits of human nature. In the case of war, it does not only acknowledge the efforts and the sacrifices it demands, but also man’s instinctive reluctance to prosecute it. Islam does not deny, contradict or suppress human nature, but always seeks an appropriate approach to deal with the issues it proposes. It clearly allows for the fact that certain obligations in this life are demanding, unappealing or even detestable, but at the same time it indicates that there is a greater cause to be served by fulfilling them, which might not be readily obvious to the human mind, finite as it is. It opens up new avenues of hope and achievement. For, no one can tell for certain whether there is not some unforeseen good beyond an impending evil. Only God, the omniscient, knows the future outcome of present actions, and man cannot even pretend to have that privilege.
Combate nos Meses Sagrados
Fighting In The Sacred Months
Eles te perguntam sobre a luta no mês sagrado. Diga: "Lutar nele é um grave delito, mas desviar as pessoas do caminho de Deus, descrer Nele e na Mesquita Sagrada, e expulsar dela os seus habitantes — [tudo isso] é muito mais grave aos olhos de Deus." A perseguição religiosa é pior do que matar. Eles não cessarão de lutar contra vocês até que, se puderem, vos façam renunciar à vossa fé. Mas quem dentre vós renunciar à sua fé e morrer descrente, suas obras serão anuladas neste mundo e no mundo vindouro. Tais pessoas estão destinadas ao fogo, onde permanecerão para sempre. (Versículo 217)
They ask you about fighting in the sacred month. Say, ‘Fighting in it is a grave offence, but to turn people away from God’s path, to disbelieve in Him and in the Sacred Mosque, and to expel its people from it — [all this] is far more grave in God’s sight.’ Religious persecution is worse than killing. They shall not cease to fight you until they force you to renounce your faith, if they can. But whoever of you renounces his faith and dies an unbeliever, his works shall come to nothing in this world and in the world to come. Such people are destined for hell, wherein they shall abide. (Verse 217)
Diversos relatos indicam que estes versículos foram revelados em conexão com uma expedição de oito muçulmanos dos Muhājirūn [isto é, dos que emigraram com o Profeta para Madinah], liderada por ʿAbdullāh ibn Jaḥsh, enviada pelo Profeta Muḥammad ﷺ antes da grande Batalha de Badr, com instruções lacradas e com a ordem de não as abrir antes de a comitiva ter viajado durante duas noites. Ao serem abertas, as instruções diziam o seguinte: “Quando tiveres lido esta minha carta, prossegue até chegares ao vale de Nakhlah, entre Makkah e Ṭāʾif. Uma vez lá, vigia os movimentos dos Quraysh e reúne notícias sobre as suas atividades. Não obrigues nenhum dos teus homens a ir contigo.” Ao ler essas instruções, ʿAbdullāh ibn Jaḥsh, o comandante do grupo, disse: “Ouvir é obedecer.” Informou os seus Companheiros, dando-lhes a escolha de o acompanhar ou de regressar a Madinah. Todos concordaram em prosseguir. Tomaram um caminho pelo Ḥijāz, mas, pelo caminho, o camelo montado por Saʿd ibn Abī Waqqāṣ e ʿUtbah ibn Ghazwān desapareceu, e eles ficaram para trás à sua procura. Os outros seis seguiram em frente e, ao chegarem ao vale, passou por ali uma pequena caravana comercial pertencente aos Quraysh. Quatro pessoas, incluindo ʿAmr ibn al-Ḥaḍramī, viajavam com ela. O destacamento atacou-a, matando ʿAmr ibn al-Ḥaḍramī e capturando dois dos outros três homens, enquanto o quarto conseguiu escapar. Fizeram isto pensando que era o último dia de Jumādā II, quando na realidade era o primeiro dia de Rajab, um dos meses reconhecidos como sagrados pelos árabes, em que não é permitido combater, e cuja santidade foi confirmada pelo Islām.
Several reports indicate that these verses were revealed in connection with an expedition of eight Muslims from the Muhājirūn [i.e. those who migrated with the Prophet to Madinah], led by `Abdullāh ibn Jaĥsh, dispatched by the Prophet Muĥammad prior to the great Battle of Badr, with sealed instructions and ordered not to open them before the company had travelled for two nights. When opened, the instructions read as follows: “When you have read this letter of mine proceed until you reach the Nakhlah valley, between Makkah and Ţā’if. Once there, monitor the movements of the Quraysh and gather news of their activities. Do not force any of your men to go with you.” On reading those instructions, `Abdullāh ibn Jaĥsh, the group commander, said, “To hear is to obey.” He informed his Companions, giving them the choice to join him or return to Madinah. They all agreed to go ahead. They took a route through the Ĥijāz, but on the way the camel mounted by Sa`d ibn Abī Waqqāş and `Utbah ibn Ghazwān went missing and they stayed behind to look for it. The other six went on and, as they reached the valley, a small trade caravan belonging to the Quraysh, passed by. Four people, including `Amr ibn al-Ĥadramī, were travelling with it. The task force attacked it, killing `Amr ibn al-Ĥadramī and apprehending two of the other three men, while the fourth escaped. They did this thinking it was the last day of Jumādā II, whereas in fact it was the first day of Rajab, one of the months recognized as sacred by the Arabs, when no fighting may take place, and whose sanctity was endorsed by Islam.
O Objetivo Final dos Inimigos do Islã
The Ultimate Aim Of Islam’s Enemies
O versículo prossegue, de forma inequívoca, afirmando quão determinados estão os descrentes em perseguir seu objetivo de destruir a fé dos muçulmanos, dizendo: "Não cessarão de combater-vos até que vos façam renunciar à vossa fé, se puderem." (Versículo 217)
The verse then goes on to state, in no uncertain terms, how determined the unbelievers are in pursuing their goal of destroying the Muslims’ faith, saying: “They shall not cease to fight you until they force you to renounce your faith, if they can.” (Verse 217)
Este objetivo é comum a todos os inimigos do Islã em qualquer lugar, para quem a própria existência e o sucesso dele parecem ser uma fonte de profundo ressentimento e consternação.
This objective is common to all enemies of Islam everywhere, to whom its very existence and success seem to be a source of deep resentment and consternation.
Eles estão profundamente alarmados com a força e a resiliência inerentes ao Islã. A clareza de suas ideias e o rigor de seus princípios parecem despertar o seu desagrado e a sua hostilidade, porque o Islã representa um baluarte de resistência contra a falsidade, a tirania e a corrupção. Essa atitude mórbida em relação ao Islã está por trás da maioria das políticas e planos hostis e preconceituosos dirigidos contra grupos e comunidades muçulmanas em muitas partes do mundo.
They are profoundly alarmed by Islam’s inherent strength and resilience. The clarity of its ideas and the rigour of its principles seem to evoke their displeasure and hostility because Islam represents a bedrock of resistance against falsehood, tyranny and corruption. This morbid attitude towards Islam lies behind most of the hostile and bigoted policies and designs directed against Muslim groups and communities in many parts of the world.
Os métodos e meios para alcançar este objetivo ímpio podem variar de um caso para outro, mas o propósito permanece constante: forçar os muçulmanos a abandonarem a sua fé. Esta campanha nunca diminui nem se relaxa. Um novo impulso é acrescentado em cada etapa, e recursos maiores são mobilizados sempre que considerado necessário.
The methods and means of achieving this unholy goal may vary from one case to another, but the aim remains constant: to force Muslims to abandon their faith. This campaign never abates or relaxes. Fresh impetus is added at every stage, and greater resources are deployed whenever deemed necessary.
Portanto, o Alcorão exorta à cautela e à perseverança, advertindo sobre consequências graves caso os muçulmanos cedam à pressão ou abandonem sua posição. Ele diz: "Quem de vós renunciar à sua fé e morrer descrente, suas obras serão anuladas neste mundo e no Além. Essas pessoas são destinadas ao Inferno, onde permanecerão para sempre." (Versículo 217)
O Método Educacional Corânico
The Qur’ānic Method Of Education
A sūrah prossegue apresentando as regras islâmicas sobre a bebida e o jogo de azar, dois dos prazeres mais populares entre os árabes da época, que tinham pouco mais de importante com que ocupar suas mentes ou seu tempo:
The sūrah goes on to give the Islamic rulings on drinking and gambling, two of the most popular indulgences among the Arabs at the time, who had little else of importance to occupy their minds or their time:
Perguntam-lhe sobre as bebidas intoxicantes e os jogos de azar. Diga: "Em ambos há grande mal, embora tenham alguns benefícios para as pessoas, mas o seu mal é muito maior do que o seu benefício." (Versículo 219)
They ask you about intoxicants and games of chance. Say, ‘In both there is great evil although they have some benefits for people, but their evil is far greater than their benefit. (Verse 219)
Antes da revelação deste versículo, beber e jogar de azar eram tolerados, mas nunca aprovados. Não temos uma única declaração no Alcorão que possa ser interpretada como tornando-os permissíveis. Deus, porém, traçou cuidadosamente o caminho que queria que a comunidade muçulmana recém-nascida seguisse, marcando-o passo a passo, para que ela pudesse cumprir o papel que Ele lhe atribuiu. Chegou o momento em que tais passatempos desperdiçadores deveriam ser condenados e erradicados da comunidade muçulmana, cujo papel na vida e na história da humanidade exigia a dedicação e a plena participação consciente de todos os seus membros. Diferentemente das sociedades ateias, passadas, presentes e futuras, uma comunidade muçulmana não tem espaço para escapismo ou diversões excessivas. A abordagem do Alcorão ao proibir essas práticas foi medida e deliberada.
Prior to the revelation of this verse, drinking and gambling were tolerated but never condoned. We do not have a single statement in the Qur’ān which may be construed as making them permissible. God, however, carefully charted the way He wanted the newly born Muslim community to take, marking it step by step, so that it would he able to fulfil the role He has assigned to it. The time had to come when such wasteful pastimes would be condemned and rooted out of the Muslim community whose role in the life and history of mankind demanded the dedication and full conscious participation of everyone in that community. Unlike godless societies, past, present and future, a Muslim community has no room for escapism or excessive diversions. The Qur’ānic approach in banning these practices was measured and deliberate.
Esta declaração foi "o primeiro passo rumo a uma proibição universal da bebida e do jogo de azar na sociedade muçulmana". Embora o bem e o mal muitas vezes possam se misturar e ser confundidos um com o outro, tornando impossível, no mundo humano, que as coisas sejam puramente boas ou puramente más, o critério principal para determinar se algo é permissível ou proibido é a predominância do bem ou do mal associado a ele.
Lidando com a Escravidão
Dealing With Slavery
Com o advento do Islã, a escravidão era uma prática social e econômica estabelecida e conhecida em todo o mundo. Qualquer movimento em direção à abolição da escravidão exigiria mudanças sociais radicais e reformas e ajustes econômicos de longo alcance, bem como tratados e convenções internacionais para regular o tratamento dos prisioneiros de guerra. O Islã nunca endossou a escravidão. Não há uma única declaração no Alcorão que recomende ou aprove a escravidão ou a escravização de prisioneiros de guerra.
At the advent of Islam, slavery was an established social and economic practice known all over the world. Any movement towards the abolition of slavery would require radical social change and far- reaching economic reforms and adjustments, as well as international treaties and conventions to govern the treatment of war prisoners. Islam never condoned slavery. There is not a single statement in the Qur’ān that recommends or approves of slavery or the enslavement of war prisoners.
A escravidão era uma prática generalizada, com impacto considerável na economia mundial.
Slavery was a widespread practice with considerable bearing on the world economy.
Além disso, era uma tradição internacional que os prisioneiros de guerra fossem transformados em escravos.
Moreover, it was an international tradition that prisoners of war were made slaves.
Portanto, não havia alternativa senão eliminá-lo gradualmente e progressivamente.
Hence, there was no alternative but to phase it out gradually and progressively.
Além dos prisioneiros de guerra e das crianças escravizadas, o Islã optou por eliminar as causas profundas da escravidão e secar suas fontes, com o objetivo primordial de evitar a convulsão social, e empenhou-se em garantir aos escravos libertos as condições básicas de uma vida digna e de dignidade.
Apart from war captives and slave children, Islam opted for eliminating the root causes and drying up the sources of slavery, with an overriding objective to avoid social upheaval, and it strove to provide the basic guarantees of a decent living and dignity for freed slaves.
Quanto aos prisioneiros de guerra, o Islã não podia abrir mão unilateralmente de impor a escravidão aos prisioneiros de guerra, visto que estados não muçulmanos continuavam a fazê-lo com prisioneiros muçulmanos em tempos de guerra. Caso o fizesse, teria colocado imediatamente os muçulmanos em desvantagem frente a seus inimigos. Se algum soldado muçulmano fosse feito prisioneiro, certamente seria reduzido à escravidão, enquanto os prisioneiros capturados pelos muçulmanos permaneceriam livres. Por outro lado, se o Islã exigisse que os filhos nascidos na escravidão fossem libertados imediatamente, antes de criar o ambiente social e econômico adequado para absorvê-los como cidadãos livres, eles teriam ficado desamparados, lançados na sociedade sem meios de sustento nem assistência. Não teriam famílias para protegê-los contra a queda na pobreza ou na delinquência moral.
More Questions By Believers
More Questions By Believers
A sūrah continua, respondendo a outras perguntas e estabelecendo princípios islâmicos mais fundamentais. "Eles te perguntam o que devem gastar em caridade; diga: 'O que puderem dispensar.' Assim Deus esclarece Suas revelações para que reflitam sobre esta vida e sobre a vida futura." (Versículos 219-220)
The sūrah continues, answering other questions and laying down more fundamental Islamic principles. “They ask you what they should spend in charity; say, ‘Whatever you can spare.’ Thus God makes plain His revelations so that you may reflect upon this life and the life to come.” (Verses 219-220)
A resposta dada a esta pergunta da primeira vez, no versículo 215, identificou o que pode ser dado em caridade e a quem, e aqui ela identifica as quantidades.
The answer given to this question the first time round, in verse 215, identified what could be given in charity and to whom, and here it identifies quantities.
Qualquer coisa que esteja acima das necessidades pessoais razoáveis de alguém deve ser considerada disponível para doação a outros, começando pelos elegíveis entre os seus parentes mais próximos, como já foi mencionado.
Anything above one’s basic reasonable personal needs should be considered available for donation to others, starting with those eligible among one’s nearest of kin, as already pointed out.
A presente afirmação implica que o zakāt obrigatório não é, por si só, suficiente como meio de distribuição da riqueza, e esta norma, em minha opinião, não foi anulada pela imposição do zakāt. O pagamento do zakāt por parte dos que estão obrigados a ele não os isenta de fazer doações e contribuições adicionais para causas nobres. O zakāt é um dever cobrado pela autoridade muçulmana governante para ser destinado às várias causas especificadas no Alcorão (9: 60), para além das quais os muçulmanos continuam a ter uma obrigação para com Deus e para com os seus irmãos muçulmanos na sociedade. Esse dever pode não esgotar a capacidade de dar nem o desejo de alcançar mais bênçãos e agrado de Deus Todo-Poderoso. O Profeta Muhammad ﷺ é citado no Aḥkām al-Qur'ān de al-Jaṣṣāṣ como tendo dito: "Há um dever sobre a riqueza para além do zakāt." Se este dever não for cumprido voluntariamente, o que é evidentemente mais generoso e louvável, as autoridades muçulmanas têm o poder de recolher fundos para além do zakāt obrigatório, para serem gastos no interesse público, a fim de conter o desperdício ou a acumulação de riqueza.
The present statement implies that the obligatory zakāt is not by itself sufficient as a means of wealth distribution, and this ruling, in my view, has not been overruled by the imposition of zakāt. Payment of zakāt by those liable to it does not exempt them from making additional donations and contributions to good causes. Zakāt is a duty levied by the ruling Muslim authority for allocation to the various causes specified in the Qur’ān (9: 60), beyond which Muslims continue to have an obligation towards God and fellow-Muslims in society. It may not exhaust one’s ability to give, or one’s desire to gain further blessings and pleasure from God Almighty. The Prophet Muĥammad is quoted in al-Jaşşāş’s Aĥkām al-Qur’ān as having said: “There is a duty on wealth other than zakāt.” If this duty is not discharged voluntarily, which is obviously more gracious and laudable, Muslim authorities have the power to collect funds over and above the obligatory zakāt, for spending in the public interest, in order to curb wastage or hoarding of wealth.
Tratamento dos Órfãos
Treatment Of Orphans
A surata então levanta a questão de como os órfãos devem ser tratados. "Perguntam-te sobre os órfãos; dize: 'Melhorar a sua condição é o melhor.' Se misturardes os seus assuntos com os vossos, lembrai-vos de que eles são os vossos irmãos. Deus conhece quem corrompe as coisas e quem as melhora. Se Deus quisesse, certamente vos teria sobrecarregado. Deus é, de fato, o Poderoso, o Sábio." (Versículo 220)
The sūrah then raises the question of how orphans ought to be treated. “They ask you about orphans; say, ‘To improve their conditions is best.’ If you mix their affairs with yours, remember that they are your brothers. God knows him who spoils things and him who improves. Had God so willed, He would indeed have overburdened you. God is indeed Almighty, Wise.” (Verse 220)
O bem-estar social é o alicerce da sociedade muçulmana, que tem a responsabilidade de cuidar dos mais fracos entre os seus membros e proteger os seus interesses. Tendo perdido um dos pais ou ambos em tenra idade, as crianças órfãs estariam no topo da lista de grupos sociais que merecem cuidado e proteção. Alguns tutores de crianças órfãs costumavam incorporar aos seus próprios bens quaisquer posses ou riqueza que essas crianças pudessem ter herdado, para negócios ou outros fins, o que nem sempre beneficiava as crianças. Como o Alcorão condenou tais ações, algumas pessoas conscienciosas começaram a sentir culpa e foram longe demais no sentido oposto ao cuidar dos órfãos, a ponto de separarem a sua própria comida da dos órfãos sob os seus cuidados.
Social welfare is the bedrock of Muslim society which has a responsibility to care for the weaker among its members and protect their interests. Having lost either or both of their parents at a young age, orphan children would come at the top of the list of social groups that deserve care and protection. Some guardians of orphan children used to incorporate any possessions or wealth those children might have inherited into their own, for trading or other purposes, which did not always work in the children’s favour As the Qur’ān denounced such actions, some conscientious people began to feel guilty and went too far the other way in caring for orphans, to the extent that they separated their own food from that of the orphans in their care.
Isso levou à descida de revelações posteriores para moderar a situação e colocar toda a questão em sua devida perspectiva. Os muçulmanos foram exortados a fazer o que fosse do melhor interesse das crianças órfãs que estavam criando. Por fazerem parte da família maior do Islã, os órfãos deveriam ser tratados com espírito de fraternidade e irmandade. Deus é o juiz das motivações e intenções das pessoas. Ele reconhece aqueles que são sinceros e, sendo todo-poderoso e misericordioso, não deseja sobrecarregá-los.
This led to subsequent revelations being sent down to moderate the situation and put the whole issue in a proper perspective. Muslims were urged to do what would he in the best interest of the orphan children they were caring for. Being members of the larger family of Islam, orphans should be treated in a spirit of fraternity and brotherhood. God is the judge of people’s motives and intentions. He recognizes those who are genuine and, being all-powerful and compassionate, He does not wish to overburden them.